{"id":2228,"date":"2022-04-01T08:48:02","date_gmt":"2022-04-01T11:48:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2228"},"modified":"2022-04-14T08:49:32","modified_gmt":"2022-04-14T11:49:32","slug":"estudo-constata-que-microplasticos-contaminam-aguas-e-mexilhoes-no-litoral-do-es","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/04\/01\/estudo-constata-que-microplasticos-contaminam-aguas-e-mexilhoes-no-litoral-do-es\/","title":{"rendered":"Estudo constata que micropl\u00e1sticos contaminam \u00e1guas e mexilh\u00f5es no litoral do ES"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8211; Por Sueli de Freitas &#8211; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo realizado pela Ufes no litoral do Esp\u00edrito Santo constatou que as \u00e1guas e os mexilh\u00f5es da regi\u00e3o est\u00e3o contaminados com micropl\u00e1sticos. As 240 amostras do molusco da esp\u00e9cie&nbsp;<em>Perna perna<\/em>&nbsp;e as 40 de \u00e1gua foram coletadas em um s\u00edtio costeiro natural, na cidade de Vit\u00f3ria, e num s\u00edtio de aquicultura, em Guarapari, nas quatro esta\u00e7\u00f5es do ano. As concentra\u00e7\u00f5es de micropl\u00e1sticos foram expressas em n\u00famero de part\u00edculas por indiv\u00edduo e em n\u00famero de part\u00edculas por grama (peso), no caso dos mexilh\u00f5es, e em n\u00famero de part\u00edculas por litro, para amostras de \u00e1gua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a m\u00e9dia nos dois locais de coleta, o resultado foi, em rela\u00e7\u00e3o aos mexilh\u00f5es, a presen\u00e7a de 1,4 part\u00edcula de micropl\u00e1stico por grama ou 8,3 unidades de micropl\u00e1sticos por indiv\u00edduo. A concentra\u00e7\u00e3o em amostras de \u00e1guas superficiais foi de 41,4 part\u00edculas de micropl\u00e1sticos por litro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel, por meio dos resultados, afirmar que sim, h\u00e1 micropl\u00e1sticos nos ambientes em que pesquisamos. Identificamos que, independentemente da \u00e9poca do ano e do local de coleta, s\u00e3o encontradas part\u00edculas de pl\u00e1stico tanto na \u00e1gua quanto nos mexilh\u00f5es, e isso tende a aumentar no futuro, tendo em vista o descarte irregular de micropl\u00e1sticos e de quantidades enormes de pl\u00e1stico nos rios que chegam aos oceanos\u201d, afirma F\u00e1bio Bom, autor do estudo que integra sua pesquisa de doutorado intitulada&nbsp;<em>Micropl\u00e1sticos em Bivalves de Import\u00e2ncia Econ\u00f4mica da Regi\u00e3o Costeira do Esp\u00edrito Santo<\/em>. Ele \u00e9 orientado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Oceanografia Ambiental (PPGOAM) da Ufes pelo professor Fabian S\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.ufes.br\/sites\/default\/files\/imce\/pesquisa_mexilhoes_microplastico_-_foto_fabio_bom.jpeg\">Segundo Bom, os micropl\u00e1sticos (foto) \u2013 part\u00edculas de at\u00e9 5 mil\u00edmetros \u2013 podem ser divididos em prim\u00e1rios, que s\u00e3o aqueles fabricados para uma aplica\u00e7\u00e3o em esfoliantes faciais, cremes dentais (em que pese hoje ser proibido pela legisla\u00e7\u00e3o o uso de micropl\u00e1sticos na ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos) e pastilhas de resina usadas na ind\u00fastria pl\u00e1stica; e os secund\u00e1rios, que s\u00e3o formados a partir da fragmenta\u00e7\u00e3o de grandes itens pl\u00e1sticos. Eles podem entrar no meio ambiente via vazamento durante a fabrica\u00e7\u00e3o, o transporte, o uso e por meio do esgoto. \u201cQuando lavamos roupa, por exemplo, as fibras se transformam em micropart\u00edculas e v\u00e3o para a rede de esgoto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Bioindicadores de polui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A op\u00e7\u00e3o por trabalhar com mexilh\u00f5es, explica o pesquisador, foi devido ao fato de o animal ser um bom bioindicador de polui\u00e7\u00e3o, dado que s\u00e3o filtradores por natureza. \u201cTudo o que tem na \u00e1gua eles ingerem, e as micropart\u00edculas de pl\u00e1stico s\u00e3o de tamanho semelhante \u00e0s org\u00e2nicas, alimento desses animais. Al\u00e9m disso, os mexilh\u00f5es t\u00eam uma import\u00e2ncia econ\u00f4mica e social na regi\u00e3o, pois servem de alimento para a popula\u00e7\u00e3o. Isso acaba tendo um impacto maior para o ser humano, pois, diferentemente dos peixes, cujas v\u00edsceras n\u00e3o comemos, os mexilh\u00f5es s\u00e3o ingeridos inteiros\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo estudos laboratoriais, os impactos da ingest\u00e3o de micropl\u00e1sticos para os animais s\u00e3o especialmente na reprodu\u00e7\u00e3o, no crescimento e nas atividades metab\u00f3licas, tudo interferindo negativamente na viv\u00eancia do molusco. Para o ser humano, poucos s\u00e3o os estudos avaliando as consequ\u00eancias da ingest\u00e3o de alimentos com micropl\u00e1sticos, mas j\u00e1 se sabe de respostas cancer\u00edgenas, inflamat\u00f3rias e alguns comprometimentos em processos respirat\u00f3rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos principais problemas para o enfrentamento da polui\u00e7\u00e3o por micropl\u00e1sticos \u00e9 a aus\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre o tema. \u201cApesar de existirem leis sobre descarte irregular de res\u00edduos s\u00f3lidos, o termo micropl\u00e1stico \u00e9 relativamente novo, come\u00e7ou a ser usado h\u00e1 cerca de 15 anos. N\u00e3o h\u00e1 nenhum controle sobre quantas part\u00edculas est\u00e3o no ambiente, n\u00e3o h\u00e1 par\u00e2metros sobre esse tipo de polui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma regulamenta\u00e7\u00e3o no Brasil e no mundo. O que podemos afirmar \u00e9 que h\u00e1 micropart\u00edculas e que necessitamos de mais estudos e de formata\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Bom.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>LixoMar<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O estudo de Bom (na foto, em laborat\u00f3rio) est\u00e1 entre os que a Ufes desenvolve como parte do grupo de pesquisa Lixo Marinho (LixoMar), que atua desde 2019 desenvolvendo projetos voltados a contribuir com pol\u00edticas p\u00fablicas de combate ao lixo marinho. O grupo, registrado no&nbsp;Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), \u00e9 formado por 21 pesquisadores, dentre eles sete docentes da Ufes e da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), e 14 estudantes de mestrado, doutorado e gradua\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fabian S\u00e1, que tamb\u00e9m \u00e9 coordenador do LixoMar, destaca que a redu\u00e7\u00e3o do lixo marinho \u00e9 uma das preocupa\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) na D\u00e9cada dos Oceanos, que teve in\u00edcio em 2021 e vai at\u00e9 2030. Segundo dados do grupo de pesquisa, \u201ccerca de 80% dos res\u00edduos que entram nos oceanos t\u00eam origem em atividades terrestres, podendo tanto terem sido descartados diretamente nos rios como tamb\u00e9m passado pelos sistemas de filtros dos esgotos (no caso das micropart\u00edculas) at\u00e9 se depositarem nos oceanos (o ralo da terra). Estima-se que a maior parte do lixo marinho seja constitu\u00edda de micropl\u00e1sticos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As estimativas, segundo publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, \u00e9 que atualmente existam flutuando na superf\u00edcie do oceano globalmente cerca de 51 trilh\u00f5es de part\u00edculas de micropl\u00e1sticos, contaminando desde pequenos organismos zooplanct\u00f4nicos at\u00e9 grandes esp\u00e9cies, como tubar\u00f5es e baleias. As implica\u00e7\u00f5es s\u00e3o n\u00e3o apenas para a sa\u00fade dos organismos marinhos, mas para a cadeia alimentar como um todo, chegando aos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs pesquisas que desenvolvemos buscam gerar conhecimento sobre a atual situa\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico e propor a\u00e7\u00f5es socioambientais e pol\u00edticas p\u00fablicas para podermos, ao menos, minimizar os efeitos desse tipo de polui\u00e7\u00e3o. \u00c9 fundamental promover o entendimento cient\u00edfico da realidade brasileira em conson\u00e2ncia com uma metodologia de a\u00e7\u00e3o participativa junto \u00e0s comunidades das regi\u00f5es de abrang\u00eancia para avan\u00e7armos na resolu\u00e7\u00e3o da problem\u00e1tica quanto ao lixo marinho\u201d, afirma o professor Fabian S\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Os mexilh\u00f5es s\u00e3o um bom bioindicador de polui\u00e7\u00e3o, dado que s\u00e3o filtradores por natureza<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":2229,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[],"class_list":["post-2228","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes.jpg",702,472,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes-300x202.jpg",300,202,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes.jpg",702,472,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes.jpg",702,472,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes.jpg",702,472,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes.jpg",702,472,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes-702x438.jpg",702,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes-678x472.jpg",678,472,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/04\/mexilhoes-ufes-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Os mexilh\u00f5es s\u00e3o um bom bioindicador de polui\u00e7\u00e3o, dado que s\u00e3o filtradores por natureza","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2228","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2228"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2228\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2240,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2228\/revisions\/2240"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}