{"id":2242,"date":"2022-04-11T10:10:33","date_gmt":"2022-04-11T13:10:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2242"},"modified":"2022-11-03T09:37:45","modified_gmt":"2022-11-03T12:37:45","slug":"pesquisa-investiga-relacao-entre-trabalho-precario-redes-sociais-e-politicas-autoritarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/04\/11\/pesquisa-investiga-relacao-entre-trabalho-precario-redes-sociais-e-politicas-autoritarias\/","title":{"rendered":"Pesquisa investiga rela\u00e7\u00e3o entre trabalho prec\u00e1rio, redes sociais e pol\u00edticas autorit\u00e1rias"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8211; Por Lidia Neves &#8211; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Ufes vai participar de um projeto de pesquisa internacional sobre as rela\u00e7\u00f5es entre trabalho prec\u00e1rio, plataformas de redes sociais e pol\u00edticas autorit\u00e1rias no Sul Global. O projeto, coordenado pela professora Rosana Pinheiro-Machado, da Universidade de Bath, na Inglaterra, contar\u00e1 com a participa\u00e7\u00e3o do professor F\u00e1bio Malini, do Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o da Ufes, e de pesquisadores das Filipinas e da \u00cdndia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto foi aprovado pelo Conselho Europeu de Pesquisa (ERC, sigla em ingl\u00eas) para receber um financiamento de 2 milh\u00f5es de euros (cerca de R$ 11 milh\u00f5es). Com dura\u00e7\u00e3o total de cinco anos, a pesquisa intitulada <em>Trabalho flex\u00edvel, pol\u00edtica r\u00edgida: o nexo entre precariedade laboral e pol\u00edticas autorit\u00e1rias no Sul Global (Brasil, \u00cdndia, Filipinas)<\/em> busca entender as raz\u00f5es ideol\u00f3gicas para o apoio dos trabalhadores precarizados aos governos populistas de extrema-direita, comparando os resultados dos tr\u00eas pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A economia informal, o trabalho prec\u00e1rio, o autoritarismo e a agenda do Sul Global fazem parte das pesquisas de Pinheiro-Machado h\u00e1 20 anos. \u201cPercebemos que os autorit\u00e1rios populistas falavam muito bem para esse contingente do trabalhador precarizado, para esse sujeito que est\u00e1 um pouco acima da linha da pobreza, mas n\u00e3o \u00e9 bem classe m\u00e9dia. E que esses autorit\u00e1rios populistas t\u00eam um discurso muito direcionado para cooptar esses trabalhadores, baseado tanto na ideia do conservadorismo moral, da import\u00e2ncia da fam\u00edlia, quanto no discurso neoliberal, de incentivar o empreendedorismo puramente individual e, com isso, enfraquecer o Estado\u201d, detalha a pesquisadora, ressaltando que esse tra\u00e7o \u00e9 comum aos pa\u00edses onde o estudo ser\u00e1 desenvolvido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa parte do pressuposto de que muitas pessoas, inclusive as mais vulner\u00e1veis economicamente, utilizam-se de aplicativos e redes sociais para processos de trabalho e de ensino e aprendizagem, bem como para rela\u00e7\u00f5es afetivas e comerciais.&#8221;Trabalhamos com a hip\u00f3tese de que a plataformiza\u00e7\u00e3o da vida e do trabalho empurra as pessoas para a reprodu\u00e7\u00e3o de pensamentos e pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias. Essas pessoas s\u00e3o influenciadas, em ideias e gostos, pelo que lhes chega em seus perfis on-line, em rela\u00e7\u00f5es mediadas e medidas por aplica\u00e7\u00f5es algor\u00edtmicas&#8221;, explica Malini.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Antropologia e Ci\u00eancia de Dados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia, segundo Pinheiro-Machado, \u00e9 verificar se h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre a plataformiza\u00e7\u00e3o e a aproxima\u00e7\u00e3o com a extrema-direita. Um doutorando em Antropologia, em cada pa\u00eds, ficar\u00e1 respons\u00e1vel por uma etnografia de 14 meses, em mercados em bairros populares, sob a coordena\u00e7\u00e3o da professora. Do <em>corpus<\/em> desse estudo com os trabalhadores no campo, ser\u00e1 extra\u00eddo o l\u00e9xico que servir\u00e1 como base para a an\u00e1lise de dados.&nbsp; \u201cA Ci\u00eancia de Dados vai partir do vocabul\u00e1rio, do l\u00e9xico e mesmo do <em>corpus<\/em> de trabalhadores, do campo de pesquisa. \u00c9 uma metodologia de baixo para cima\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nesse l\u00e9xico, tr\u00eas p\u00f3s-doutorandos em ci\u00eancia de dados em redes sociais acompanhar\u00e3o cerca de 250 vendedores, cada um focado em um dos pa\u00edses. Ser\u00e1 analisado o processo de plataformiza\u00e7\u00e3o desses comerciantes, a partir de sua atua\u00e7\u00e3o com cerca de 2 mil seguidores. Ser\u00e1 observado como eles interagem, durante as cerca de 15 a 20 horas di\u00e1rias em que est\u00e3o conectados, com influenciadores e atores das redes sociais e com as ideias de extrema direita e os autorit\u00e1rios populistas, que permeiam essas plataformas, segundo os coordenadores do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise de dados ser\u00e1 desenvolvida pelo Laborat\u00f3rio de Pesquisa sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Ufes, coordenado por Malini. &#8220;Colocamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o aquilo que desenvolvemos em termos tecnol\u00f3gicos, a saber, <em>scripts<\/em>, programas e m\u00e9todos de an\u00e1lise de redes sociais, que ser\u00e3o disponibilizados a colegas da Universidade de Bath&#8221;, afirma o professor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Com dura\u00e7\u00e3o total de cinco anos, o estudo busca entender as raz\u00f5es ideol\u00f3gicas para o apoio dos trabalhadores precarizados 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