{"id":2250,"date":"2022-06-06T09:43:57","date_gmt":"2022-06-06T12:43:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2250"},"modified":"2022-07-01T10:08:13","modified_gmt":"2022-07-01T13:08:13","slug":"mudancas-climaticas-ameacam-a-zona-costeira-do-espirito-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/06\/06\/mudancas-climaticas-ameacam-a-zona-costeira-do-espirito-santo\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas amea\u00e7am a zona costeira do Esp\u00edrito Santo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8211; Por Sueli de Freitas &#8211;  <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00e1rea marinha e os ecossistemas de manguezal da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Costa das Algas e do Ref\u00fagio de Vida Silvestre de Santa Cruz, localizados no munic\u00edpio de Aracruz-ES, est\u00e3o amea\u00e7ados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u00c9 o que constata a equipe de pesquisadores do Programa de Pesquisa Ecol\u00f3gica de Longa Dura\u00e7\u00e3o (PELD) Habitats Costeiros do Esp\u00edrito Santo, coordenado pelo professor do Departamento de Oceanografia da Ufes \u00c2ngelo Bernardino. Os pesquisadores identificaram um aumento m\u00e9dio de um grau celsius nas temperaturas do mar da regi\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Esse aquecimento diminui a abund\u00e2ncia de popula\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies marinhas costeiras, al\u00e9m de diminuir o alimento dispon\u00edvel para essas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O monitoramento&nbsp;identificou uma redu\u00e7\u00e3o de aproximadamente 40% na extens\u00e3o de esp\u00e9cies recifais entre 2018 e 2020. Tendo em vista que esses recifes fornecem abrigo e alimento para animais marinhos, o estudo sugere que a diminui\u00e7\u00e3o dos recifes pode afetar diretamente os estoques pesqueiros na zona costeira da Costa das Algas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O PELD Esp\u00edrito Santo existe desde 2016, mas as pesquisas na regi\u00e3o, que abrange 25 quil\u00f4metros de litoral e 115 mil hectares de \u00e1reas marinhas, come\u00e7aram em 2014. \u201cA gente tem trabalhado para investigar efeitos de <a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/tag\/mudancas-climaticas\/\"><strong>mudan\u00e7as do clima<\/strong><\/a> ou eventos que se correlacionam com o clima, como mudan\u00e7as de temperatura, de padr\u00f5es de vento, de correntes oce\u00e2nicas, e como esses efeitos t\u00eam influ\u00eancia sobre a biodiversidade marinha na Costa das Algas. \u00c9 um dos poucos s\u00edtios costeiros do PELD no Brasil, e temos cinco anos de coleta de dados quase cont\u00ednua. Isso torna o s\u00edtio PELD Esp\u00edrito Santo um dos programas que det\u00e9m uma das maiores s\u00e9ries de dados oceanogr\u00e1ficos e biol\u00f3gicos no Brasil para sistemas costeiros, sendo que muitos desses dados j\u00e1 se encontram dispon\u00edveis abertamente em plataformas internacionais\u201d, explica Bernardino.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impacto nas comunidades<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o professor, al\u00e9m do estudo cient\u00edfico, os pesquisadores t\u00eam um olhar voltado para as comunidades que habitam a regi\u00e3o e utilizam os recursos naturais para sua sobreviv\u00eancia.&nbsp;\u201cMuitos pescadores, vilas ind\u00edgenas e grupos tradicionais usam esses recursos constantemente. A adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica das comunidades costeiras a um oceano mais quente, e com um n\u00edvel do mar mais alto \u00e9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o na zona costeira. Esse tema \u00e9 ainda mais relevante para o Estado, e o poder p\u00fablico precisa agir e se adaptar a esses efeitos. A ideia do projeto \u00e9 tentar entender como um oceano e um clima mais quentes impactam a biodiversidade daquela \u00e1rea e como a rela\u00e7\u00e3o do homem com a natureza vai mudar ao longo do tempo\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tamb\u00e9m provocam eventos meteorol\u00f3gicos extremos. De acordo com dados do PELD\/ES, em 2016, cerca de 500 hectares (equivalentes a 500 campos de futebol) de manguezais morreram em decorr\u00eancia de anos extremamente secos, com forte influ\u00eancia de um El Ni\u00f1o, e de forte chuva de granizo ocorrida na regi\u00e3o. Esse foi um dos \u00fanicos eventos dessa magnitude registrados no Brasil, que det\u00e9m a segunda maior cobertura de florestas de manguezais do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA extensa mortandade de mangues nos preocupa, pois sabemos que essas florestas t\u00eam importante papel na regula\u00e7\u00e3o do clima e na provis\u00e3o de alimento e outros servi\u00e7os ecossist\u00eamicos para popula\u00e7\u00f5es costeiras. Se o Esp\u00edrito Santo experimentar com maior frequ\u00eancia anos quentes e secos, como os vividos entre 2014 e 2015, \u00e9 poss\u00edvel que tenhamos grande perda de ecossistemas importantes, como mangues e recifes costeiros, e, consequentemente, haver\u00e1 perda de benef\u00edcios naturais que esses ecossistemas nos trazem\u201d, diz Bernardino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para enfrentar essas quest\u00f5es, os pesquisadores do PELD Esp\u00edrito Santo defendem a ordena\u00e7\u00e3o dos usos de \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o e de ecossistemas costeiros, permitindo, assim, a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha a partir de um manejo sustent\u00e1vel dos recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confira mais informa\u00e7\u00f5es na webs\u00e9rie&nbsp;<em>Costa das Algas<\/em>, produzida pelo PELD\/ES no&nbsp;<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCRvhXrZtVFB0AXcwQ38LH1Q\" target=\"_blank\">canal do projeto no YouTube<\/a><\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Pesquisadores identificaram um aumento m\u00e9dio de um grau celsius nas temperaturas do mar da regi\u00e3o nas \u00faltimas 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