{"id":229,"date":"2018-06-15T12:21:05","date_gmt":"2018-06-15T15:21:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=229"},"modified":"2018-06-15T12:26:31","modified_gmt":"2018-06-15T15:26:31","slug":"entrevista-a-literatura-de-sinais-produz-sentidos-a-partir-das-vivencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/06\/15\/entrevista-a-literatura-de-sinais-produz-sentidos-a-partir-das-vivencias\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;A literatura de sinais produz sentidos a partir das viv\u00eancias&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>\u2013 Por Luiz Vital \u2013<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Criado em 2014, o curso de Letras &#8211; L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras) da Ufes, mesmo com a curta trajet\u00f3ria, amplia a sua produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica no ensino, na pesquisa e na extens\u00e3o, atuando na forma\u00e7\u00e3o de educadores, tradutores e int\u00e9rpretes na l\u00edngua de sinais. A tem\u00e1tica ganha for\u00e7a na Universidade, inclusive com estudos em n\u00edveis de mestrado e doutorado. A professora Arlene Batista da Silva desenvolve pesquisas na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, em que trabalha o uso da literatura na l\u00edngua de sinais na forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as surdas e o seu desenvolvimento na escola e na vida. Nesta entrevista, a pesquisadora aborda diferentes \u00e1reas relacionadas \u00e0 comunidade surda: a escola b\u00e1sica, a universidade, o mercado de trabalho, as <\/em><\/strong><strong><em>novas ferramentas tecnol\u00f3gicas direcionadas ao sujeito surdo, a literatura e o lugar que a pessoa sem audi\u00e7\u00e3o e fala ocupa na sociedade.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Revista Universidade: De que forma a literatura contribui para a educa\u00e7\u00e3o da pessoa surda?<\/strong><\/p>\n<p><em>Arlene Batista da Silva:<\/em> \u00c9 importante pontuar, primeiramente, que existem pessoas surdas que n\u00e3o se identificam com a l\u00edngua e a literatura de sinais. J\u00e1 aqueles que participam da comunidade surda que se identificam com a surdez e com essa forma visual de se expressar valorizam a literatura, pois ela permite o uso da l\u00edngua, com criatividade, e para o surdo dizer sobre si e sobre o mundo. Em muitas produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias, o surdo fala de si e desse lugar que ele ocupa na sociedade \u2013 \u00a0majoritariamente ouvinte \u2013 e de como ele se relaciona com as pessoas, lan\u00e7ando m\u00e3o do corpo como forma de express\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Qual a explica\u00e7\u00e3o para o surdo n\u00e3o se identificar com a l\u00edngua de sinais?<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora surda Gladis Perlin, as identidades surdas s\u00e3o m\u00faltiplas e complexas. Cada surdo tem uma hist\u00f3ria, uma experi\u00eancia de vida que ir\u00e1 marcar sua identidade. H\u00e1, por exemplo, muitas crian\u00e7as surdas que nascem em fam\u00edlias ouvintes que n\u00e3o conhecem a l\u00edngua de sinais. Assim, o surdo ser\u00e1 educado a partir da cultura ouvinte, sendo incentivado a falar em vez de sinalizar. Quando o surdo, jovem ou adulto, entra em contato com a comunidade surda, come\u00e7am os embates, os encontros e desencontros culturais que resultam na identifica\u00e7\u00e3o com a cultura surda e rejei\u00e7\u00e3o da cultura ouvinte. Resultam tamb\u00e9m na identifica\u00e7\u00e3o com a cultura ouvinte e a rejei\u00e7\u00e3o da cultura surda, e a identifica\u00e7\u00e3o com as duas culturas, constituindo uma identidade h\u00edbrida.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 operacionalizada a literatura como atividade pedag\u00f3gica na escola?<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, no Brasil, h\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o crescente de v\u00eddeos com tradu\u00e7\u00f5es de obras liter\u00e1rias do portugu\u00eas para a l\u00edngua de sinais. Na Ufes, o grupo de Estudos de L\u00edngua de Sinais, Interpreta\u00e7\u00e3o e Tradu\u00e7\u00e3o (Lisit), que coordeno, investiga as produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias em l\u00ednguas de sinais, e se percebe que existe muito material para ser traduzido e documentado. \u00c9 o caso das manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas das comunidades surdas em associa\u00e7\u00f5es, por exemplo, que precisam ser estudadas.<\/p>\n<p><strong>A literatura \u00e9 vista pelo livro f\u00edsico no idioma portugu\u00eas. Como \u00e9 o acesso a ela na l\u00edngua de sinais?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje temos algumas produ\u00e7\u00f5es que s\u00e3o impressas, como \u00e9 o caso de \u201cCinderela Surda\u201d, \u201cRapunzel Surda\u201d e que s\u00e3o traduzidas para a l\u00edngua de sinais em DVD. \u00c9 uma produ\u00e7\u00e3o sinalizada por surdos ou int\u00e9rpretes. H\u00e1 outras dispon\u00edveis apenas em DVD como as produ\u00e7\u00f5es da cole\u00e7\u00e3o \u201cEduca\u00e7\u00e3o de Surdos\u201d, produzidas pela TV Ines. E h\u00e1 tamb\u00e9m as produ\u00e7\u00f5es da Editora Arara Azul, em CD-ROM, em vers\u00e3o bil\u00edngue.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o produtos que existem e s\u00e3o adaptados para o surdo?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Existem diferentes formas de realizar a adapta\u00e7\u00e3o. Geralmente, as produ\u00e7\u00f5es voltadas para o p\u00fablico infantil, que ainda est\u00e1 aprendendo a l\u00edngua de sinais, s\u00e3o adaptadas com uma linguagem mais expressiva, gestual, com uso de incorpora\u00e7\u00e3o dos personagens e ilustra\u00e7\u00f5es em plano de fundo para que a crian\u00e7a compreenda melhor a narrativa. Em outros casos, h\u00e1 ainda a adapta\u00e7\u00e3o com inser\u00e7\u00e3o de elementos pr\u00f3prios da cultura surda.<\/p>\n<p><strong>O conte\u00fado dos v\u00eddeos analisa ou narra as hist\u00f3rias?<\/strong><\/p>\n<p>O mais comum \u00e9 um tradutor no centro do v\u00eddeo sinalizar a narrativa e incorporar os discursos, em primeira pessoa, de cada personagem.<\/p>\n<p><strong>Por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p>No caso do cl\u00e1ssico infantil \u201cCinderela\u201d, h\u00e1 vers\u00f5es com diferentes adapta\u00e7\u00f5es. Numa vers\u00e3o, o tradutor sinaliza a narrativa, de acordo com o livro, incorporando as personagens. Em outra vers\u00e3o, o tradutor reconstr\u00f3i a hist\u00f3ria, em que as personagens possuem identidade surda. Ent\u00e3o, diferentemente do texto original, ela n\u00e3o perde o sapato, mas a luva, estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o com as m\u00e3os e com a forma de comunica\u00e7\u00e3o dos surdos.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 significativa a produ\u00e7\u00e3o desse material audiovisual?<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o se tem uma produ\u00e7\u00e3o ampla, pois os profissionais com forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica nessa \u00e1rea s\u00e3o insuficientes. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um alto custo de produ\u00e7\u00e3o para as editoras. No Brasil, as editoras mais conhecidas nesse ramo s\u00e3o a Arara Azul e a LSB V\u00eddeo, que se dedicam \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o de obras liter\u00e1rias e outros produtos para surdos.<\/p>\n<p><strong>Existem tradu\u00e7\u00f5es de obras liter\u00e1rias direcionadas ao p\u00fablico adulto?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Existem produ\u00e7\u00f5es de g\u00eanero l\u00edrico, \u00e9pico e dram\u00e1tico. No Brasil, a poeta Fernanda Machado e os atores Rimar Romano e Nelson Pimenta s\u00e3o apenas alguns nomes de autores surdos que atuam com produ\u00e7\u00f5es voltadas ao p\u00fablico adulto.<\/p>\n<p><strong>Humor e a poesia s\u00e3o ferramentas pedag\u00f3gicas interessantes?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Nesse contexto, vale destacar a web TV Ines \u2013 parceria do Instituto Nacional de Educa\u00e7\u00e3o de Surdos (Ines) e da Associa\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o Educativa Roquette Pinto, que viabiliza web TV em Libras com legendas e locu\u00e7\u00e3o. Possui elevada produ\u00e7\u00e3o cultural, com abrang\u00eancia em diferentes \u00e1reas, como educa\u00e7\u00e3o, entretenimento, especiais, filmes, document\u00e1rios, humor, infantil e jornalismo.<\/p>\n<p><strong>Como funciona o conceito de alteridade no ambiente escolar?<\/strong><\/p>\n<p>Na vis\u00e3o cl\u00ednica da surdez, o surdo \u00e9 percebido como um deficiente. Ele n\u00e3o se enquadra no chamado padr\u00e3o de normalidade estabelecido, pois lhe falta a audi\u00e7\u00e3o. Na perspectiva antropol\u00f3gica da surdez, o surdo \u00e9 visto como um sujeito que concebe o mundo pela experi\u00eancia visual. Nessa linha, o surdo se percebe como um sujeito cultural, que se constitui a partir da diferen\u00e7a. Portanto, a escola que acolhe o surdo deve oferecer um ensino que contemple essa alteridade.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 importante uma pol\u00edtica p\u00fablica para que o surdo realmente alcance dignidade, cidadania e acesso ao conhecimento\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A literatura, no formato que se conhece, atrai o surdo, mesmo quando apresenta conte\u00fados distantes da sua realidade e da sua mem\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a literatura na l\u00edngua de sinais \u00e9 muito mais impactante para o surdo do que a literatura impressa. O surdo \u00e9 muito visual e n\u00e3o fica na condi\u00e7\u00e3o de passividade quando v\u00ea uma apresenta\u00e7\u00e3o na l\u00edngua de sinais, porque ela envolve o corpo e o corpo fala em um ato totalmente perform\u00e1tico. Quanto \u00e0 literatura impressa, da forma como a conhecemos, \u00e9, sim, acessada por surdos. Por\u00e9m, a acessibilidade e a expressividade presentes na literatura visual n\u00e3o est\u00e3o na literatura impressa, com isso n\u00e3o h\u00e1 o mesmo impacto, a mesma identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Qual a condi\u00e7\u00e3o do surdo hoje nas escolas do Esp\u00edrito Santo?<\/strong><\/p>\n<p>Alguns pesquisadores, como Ana Dorziat e Neiva de Aquino Albres, no Brasil, e Lucyenne Matos da Costa Vieira Macho e Kelly Sim\u00f5es Xavier, particularmente no Esp\u00edrito Santo, t\u00eam investigado esse tema. Um dos aspectos preocupantes apontados pelas pesquisadoras \u00e9 a forma como a pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o bil\u00edngue para surdos \u00e9 implementada nas escolas. \u00c9 um equ\u00edvoco pensar que a inser\u00e7\u00e3o do int\u00e9rprete na sala de aula resolve todos os problemas e d\u00e1 acessibilidade ao surdo. Para o surdo se apropriar do conhecimento \u00e9 necess\u00e1rio que haja uma ampla transforma\u00e7\u00e3o nos curr\u00edculos, nas metodologias de ensino, na forma\u00e7\u00e3o de professores, no processo de avalia\u00e7\u00e3o. Portanto, muito ainda precisa ser feito para que o surdo consiga efetivamente aprender na escola.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma simplifica\u00e7\u00e3o conveniente?<\/strong><\/p>\n<p>Exatamente. Para se ter uma ideia, muitas vezes, o int\u00e9rprete chega \u00e0 escola, come\u00e7a a sinalizar e o surdo simplesmente n\u00e3o sabe Libras. Porque veio de uma fam\u00edlia de ouvintes, os pais n\u00e3o sabem Libras e o estudante surdo vai para a escola habituado t\u00e3o somente a fazer comunica\u00e7\u00e3o por gestos que aprendeu em casa, e n\u00e3o entende o que o int\u00e9rprete quer dizer.<\/p>\n<p><strong>Tem de haver um movimento que envolva toda a escola?<\/strong><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o meu entendimento. \u00c9 importante uma pol\u00edtica p\u00fablica para que esse sujeito realmente alcance dignidade, cidadania, acesso ao conhecimento. Os resultados de pesquisas na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o t\u00eam evidenciado que apenas a inser\u00e7\u00e3o do int\u00e9rprete em sala de aula n\u00e3o garante isso.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cOs surdos t\u00eam muita produ\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o existe a visibilidade necess\u00e1ria\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Quais as limita\u00e7\u00f5es para o acesso aos bens culturais?\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Eu conhe\u00e7o surdos que v\u00e3o ao cinema todos os fins de semana, porque muitos filmes s\u00e3o legendados e, conhecendo o portugu\u00eas, associado \u00e0s imagens, \u00e9 poss\u00edvel compreender o sentido. Em outros espa\u00e7os, como no teatro, os int\u00e9rpretes sinalizam todos os di\u00e1logos das pe\u00e7as e os surdos v\u00e3o acompanhando. \u00c9 importante destacar que os int\u00e9rpretes em contextos art\u00edsticos s\u00e3o fundamentais para a apropria\u00e7\u00e3o desses bens culturais.<\/p>\n<p><strong>A forma\u00e7\u00e3o bil\u00edngue \u00e9 a ideal?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a proposta que tem sido mais aceita por pesquisadores desse campo. Contudo, h\u00e1 alguns pontos que precisam ser problematizados. O surdo \u00e9 bil\u00edngue, precisa se apropriar da Libras e do portugu\u00eas na modalidade escrita. A l\u00edngua do surdo \u00e9 aceita, mas ele continua tendo que se esfor\u00e7ar para aprender o portugu\u00eas, enquanto o Estado pouco faz para oferecer objetos culturais na l\u00edngua do surdo. O surdo vai para a faculdade e n\u00e3o h\u00e1 conte\u00fados acad\u00eamicos traduzidos para Libras. O surdo vai ao m\u00e9dico, \u00e0 delegacia de Pol\u00edcia e n\u00e3o h\u00e1 qualquer material em Libras para que ele possa acessar os conhecimentos em sua l\u00edngua. Ao final, qual \u00e9 a l\u00edngua que valida a \u00a0apropria\u00e7\u00e3o do conhecimento de mundo?<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 o aprendizado da l\u00edngua portuguesa?<\/strong><\/p>\n<p>Na perspectiva bil\u00edngue, Ronice Muller Quadros e Sueli de F\u00e1tima Fernandes, entre outras pesquisadoras, enfatizam que \u00e9 muito importante que, primeiramente, a crian\u00e7a se aproprie da Libras. Se tiver flu\u00eancia em l\u00edngua de sinais, o surdo poder\u00e1 se apropriar da l\u00edngua portuguesa como uma segunda l\u00edngua. O portugu\u00eas ser\u00e1 para ele como uma l\u00edngua estrangeira. Se tiver o dom\u00ednio da Libras, aprender\u00e1 a ler e escrever textos em l\u00edngua portuguesa com mais facilidade, fazendo uma rela\u00e7\u00e3o entre as duas l\u00ednguas.<\/p>\n<p><strong>O que representa o curso de Libras na gradua\u00e7\u00e3o da Universidade e a inser\u00e7\u00e3o da tem\u00e1tica do surdo na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do curso na Ufes \u00e9 uma conquista muito grande para a comunidade surda do Esp\u00edrito Santo. O curso come\u00e7ou em 2014, e a primeira turma de bacharelado presencial se formou no ano passado. Mas, antes, em 2008, se iniciou o bacharelado e a licenciatura na modalidade a dist\u00e2ncia, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e muitos alunos se formaram. Aquela experi\u00eancia representou um est\u00edmulo para a cria\u00e7\u00e3o do curso presencial, que possui tr\u00eas turmas com 20 alunos, cada uma, aproximadamente.<\/p>\n<p><strong>E a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Existe um trabalho intenso sendo desenvolvido pela professora Lucyenne de Matos na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Centro de Educa\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 formou v\u00e1rios mestres surdos, como Daniel Junqueira, Ademar Muller Junior e Eliane Telles Bruim. Atualmente, estou no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras (PPGL), desenvolvendo pesquisas no campo da literatura em l\u00edngua de sinais, e tudo isso \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o muito grande que a Universidade oferece \u00e0 comunidade surda e \u00e0 sociedade. O professor Ademar Miller Junior, do curso de Libras, trabalha com a escrita de sinais, que \u00e9 algo novo aqui no Estado. \u00c9 uma forma de registro escrito da l\u00edngua de sinais por meio de recursos tecnol\u00f3gicos e mesmo de modo manual. Algumas produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias j\u00e1 s\u00e3o traduzidas para a escrita de sinais, que representa a sinaliza\u00e7\u00e3o por meio de imagens ou s\u00edmbolos.<\/p>\n<p><strong>Existem projetos de extens\u00e3o universit\u00e1ria sendo desenvolvidos nessa \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>Quando conclu\u00ed o doutorado, passei a atuar com produ\u00e7\u00f5es culturais a que o surdo tivesse acesso. Montamos cursos de extens\u00e3o de literatura nas escolas, porque identificamos que, na comunidade surda capixaba, quem mais precisa de acessibilidade aos bens culturais s\u00e3o as crian\u00e7as. Fizemos eventos de literatura nas escolas da rede municipal de Vit\u00f3ria e, em 2017, promovemos curso de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias em Libras, numa escola municipal, em S\u00e3o Pedro. Em 2016 fizemos um sarau de literatura em Libras muito proveitoso, porque a equipe de educadores da Prefeitura de Vit\u00f3ria que atua na \u00e1rea de surdez se mobilizou totalmente e levou todos os alunos surdos da rede para assistir. Foi muito positivo. No ano passado, tamb\u00e9m realizamos um evento no campus de Goiabeiras, com a apresenta\u00e7\u00e3o de literatura infantil em Libras e, em 2018, estamos planejando realizar outro evento. No ano passado, promovemos o curso de express\u00e3o corporal para os graduandos do curso Letras-Libras. Uma pr\u00f3xima etapa, muito importante, ser\u00e1 direcionada a documentar as experi\u00eancias das associa\u00e7\u00f5es e grupos de surdos, porque isso n\u00e3o est\u00e1 sendo feito com efetividade. Os surdos produzem muita coisa que n\u00e3o \u00e9 registrada.<\/p>\n<blockquote><p>\u00a0\u201cO mercado est\u00e1 muito promissor e carente de int\u00e9rpretes e \u00a0tradutores surdos\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Existe interc\u00e2mbio da Ufes com outras institui\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, e isso \u00e9 muito importante. No ano passado, por exemplo, promovemos o primeiro congresso de Libras aqui no Departamento de L\u00ednguas e Letras da Universidade, organizado em parceria com a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras, quando recebemos pesquisadores e especialistas para palestras e surdos de diferentes regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e1 o mercado de trabalho para o surdo, considerando as diferentes demandas surgidas com a legisla\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>O mercado est\u00e1 muito promissor e carente de int\u00e9rpretes e tradutores surdos e ouvintes, com elevada demanda.<\/p>\n<p><strong>De que forma voc\u00ea adquiriu o especial interesse por essa \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>O meu interesse surgiu da indigna\u00e7\u00e3o. Quando fui professora da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, tive uma aluna surda na sala de aula, mas eu n\u00e3o conseguia me comunicar com ela. Era impratic\u00e1vel e inaceit\u00e1vel que eu tivesse uma aluna com a qual eu n\u00e3o podia me comunicar e ensinar o portugu\u00eas. Tudo aquilo me causou indigna\u00e7\u00e3o. Procurei a coordena\u00e7\u00e3o da escola e disse que precisava de ajuda. Nesse movimento de ang\u00fastia para buscar ajuda, comecei a me preparar para o mestrado na \u00e1rea de Lingu\u00edstica, e coincidiu de encontrar a \u00e1rea de ensino de portugu\u00eas para surdos. Me interessei imediatamente. Como tornar isso poss\u00edvel? Como fazer funcionar? Ent\u00e3o, consequentemente, passei a ter contato com a comunidade surda e a aprender a l\u00edngua de sinais. E desde ent\u00e3o n\u00e3o parei mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Luiz Vital \u2013 Criado em 2014, o curso de Letras &#8211; L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras) da Ufes, mesmo com a curta trajet\u00f3ria, <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/06\/15\/entrevista-a-literatura-de-sinais-produz-sentidos-a-partir-das-vivencias\/\" title=\"Entrevista: &#8220;A literatura de sinais produz sentidos a partir das viv\u00eancias&#8221;\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":338,"featured_media":230,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[2,9,1],"tags":[],"class_list":["post-229","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-edicao008","category-noticias","category-sem-categoria"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",1600,900,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",150,84,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",300,169,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",768,432,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",1024,576,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",1536,864,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",1600,900,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",779,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",678,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",678,381,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",326,183,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/arlene-batista-da-silva-ufes.jpg",80,45,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"daniel.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/daniel_de-souza-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"\u2013 Por Luiz Vital \u2013 Criado em 2014, o curso de Letras &#8211; L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras) da Ufes, mesmo com a curta trajet\u00f3ria, [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/338"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=229"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":231,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/229\/revisions\/231"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/230"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}