{"id":239,"date":"2018-06-18T12:11:25","date_gmt":"2018-06-18T15:11:25","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=239"},"modified":"2019-08-08T11:37:06","modified_gmt":"2019-08-08T14:37:06","slug":"artigo-pesca-artesanal-e-desafios-para-a-gestao-costeira-no-espirito-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/06\/18\/artigo-pesca-artesanal-e-desafios-para-a-gestao-costeira-no-espirito-santo\/","title":{"rendered":"Artigo: Pesca artesanal e desafios para a gest\u00e3o costeira no Esp\u00edrito Santo"},"content":{"rendered":"<p><em>\u2013 Artigo de Marielce de C\u00e1ssia Ribeiro Tosta*\u00b9 e M\u00f4nica Maria Pereira Tognella*\u00b2 \u2013<\/em><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>O Esp\u00edrito Santo, quando se trata da pesca, pode ser dividido nas regi\u00f5es Norte e Sul. O Norte se caracteriza por apresentar praias longas e pelas barras de grandes rios, como o Doce e o Cricar\u00e9, associados \u00e0s fal\u00e9sias da Forma\u00e7\u00e3o Barreiras. As comunidades pesqueiras s\u00e3o distantes umas das outras e das sedes dos munic\u00edpios. As comunidades do Sul s\u00e3o servidas de boas estradas, infraestrutura mais adequada, frota maior e mais tecnol\u00f3gica e est\u00e3o mais pr\u00f3ximas aos mercados consumidores (Vit\u00f3ria e Rio de Janeiro).<\/p>\n<p>O litoral do Estado apresenta grande potencialidade para atividade da pesca artesanal, mas pode-se apontar diversos problemas estruturais e socioecon\u00f4micos que merecem ser discutidos. Muitas das comunidades que dependem da produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos da pesca mar\u00edtima, como meio fundamental de renda e alimenta\u00e7\u00e3o, est\u00e3o submetidas a situa\u00e7\u00f5es de pobreza, riscos sociais e ambientais que tendem, a longo prazo, a comprometer o desempenho integral da cadeia produtiva.<\/p>\n<blockquote><p>A pesca depende da integridade ambiental e compete com outras atividades que atuam de forma antag\u00f4nica<\/p><\/blockquote>\n<p>O primeiro problema a ser ressaltado \u00e9 a falta de estat\u00edstica da atividade pesqueira mar\u00edtima, que vem se mostrando extremamente falha em raz\u00e3o da inexist\u00eancia de uma sistematiza\u00e7\u00e3o da coleta e processamento de dados em s\u00e9ries temporais, al\u00e9m da pequena abrang\u00eancia das comunidades controladas, sendo este aspecto mais acentuado para a pesca em pequena escala. A pesca depende da integridade ambiental dos locais onde \u00e9 praticada e compete com outras atividades econ\u00f4micas que tamb\u00e9m se apropriam do mesmo espa\u00e7o muitas vezes de forma antag\u00f4nica. Entre elas: turismo, complexos portu\u00e1rios e atividades da cadeia de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Apesar das atividades tur\u00edsticas possibilitarem a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda, elas n\u00e3o ocorrem de forma ordenada e t\u00eam causado problemas ambientais nos espa\u00e7os costeiros por interferir nas din\u00e2micas das \u00e1reas estuarinas, praias e arrecifes. Entre estes problemas pode-se citar: o aterro de manguezais para constru\u00e7\u00e3o de empreendimentos, desmatamentos de diversas ordens, constru\u00e7\u00f5es irregulares na beira-mar, lan\u00e7amentos de efluentes e perturba\u00e7\u00f5es nos cursos d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>As atividades portu\u00e1rias e aquelas da cadeia do petr\u00f3leo s\u00e3o respons\u00e1veis pelos maiores conflitos com os pescadores e est\u00e3o associados, entre eles, \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o da atividade pr\u00f3ximo ao &nbsp;empreendimento; \u00e0 falta de incentivo e acompanhamento de representantes dos empreendimentos junto aos pescadores; \u00e0 falta de sinaliza\u00e7\u00e3o; ao aumento do custo e do tempo da pesca; ao vazamento de contaminantes que podem prejudicar a pesca e inviabilizar o consumo dos peixes devido \u00e0 presen\u00e7a de metais pesados biocumulativos; aos res\u00edduos que podem reduzir o teor de oxig\u00eanio na \u00e1gua possibilitando aparecimento de odor caracter\u00edstico e destruir a vegeta\u00e7\u00e3o das margens e, ainda, reduzir a penetra\u00e7\u00e3o da luz solar, dificultando a fotoss\u00edntese; \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o das plataformas e embarca\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas que atrapalham a migra\u00e7\u00e3o dos peixes na costa; aos ru\u00eddos e vibra\u00e7\u00f5es que afugentam e atordoam esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas sens\u00edveis; e \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de organismos marinhos ex\u00f3ticos por meio das \u00e1guas de lastro.<\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o desses conflitos \u00e9 poss\u00edvel por meio de processos de di\u00e1logo e negocia\u00e7\u00e3o entre as partes. A gest\u00e3o ambiental compartilhada dessas \u00e1reas poderia contribuir para a melhoria da qualidade ambiental e expandir os potenciais de desenvolvimento sustent\u00e1vel atingindo todos os setores envolvidos. No entanto, no Esp\u00edrito Santo falta organiza\u00e7\u00e3o da classe de pescadores, e esta desestrutura\u00e7\u00e3o impede que a comunidade desenvolva plenamente programas e projetos adequados, o que torna enfraquecido o poder de reivindica\u00e7\u00e3o e de participa\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es de uso do espa\u00e7o costeiro.<\/p>\n<blockquote><p>Quest\u00f5es de infraestrutura e tecnologia afetam o setor<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m das quest\u00f5es ambientais, o setor esbarra em quest\u00f5es de infraestrutura e de tecnologia. Quanto aos locais de desembarque e armazenamento, h\u00e1 consenso entre as regi\u00f5es Sul e Norte de aus\u00eancia de infraestrutura, sendo este problema maior nas comunidades da regi\u00e3o Norte. Na opini\u00e3o dos pescadores, a falta de infraestrutura dos barcos, o mau condicionamento a bordo e ainda o tempo decorrido entre a captura e o momento do desembarque podem interferir no aspecto e odor do mesmo influenciando na qualidade do produto capturado. Quanto \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o das embarca\u00e7\u00f5es, pode-se dizer que os artes\u00e3os navais do Estado possuem grande gama de conhecimentos t\u00e1citos, t\u00e9cnicas e habilidades transmitidas em gera\u00e7\u00f5es. Os mestres em carpintaria naval s\u00e3o respeitados nas comunidades pesqueiras e expressam orgulho pela profiss\u00e3o, pelos feitos individuais de cada artes\u00e3o e pelas pr\u00f3prias capacidades. Em entrevistas e observa\u00e7\u00f5es junto aos artes\u00e3os da regi\u00e3o Norte, pode-se notar:<\/p>\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none\">\n<ul>\n<li style=\"list-style-type: none\">\n<ul>\n<li>Dificuldade em manter ou aumentar a rentabilidade econ\u00f4mica da atividade, pelo aumento de custos da mat\u00e9ria-prima e equipamentos e pela redu\u00e7\u00e3o da rentabilidade da atividade pesqueira econsequente redu\u00e7\u00e3o do valor da embarca\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Dificuldade de aquisi\u00e7\u00e3o de madeira na qualidade e custos desejados, pela depend\u00eancia de poucos fornecedores locais;<\/li>\n<li>Tempo elevado em opera\u00e7\u00f5es excessivamente trabalhosas pela aus\u00eancia de m\u00e1quinas estacion\u00e1rias de porte adequado;<\/li>\n<li>Baixa disponibilidade de fornecedores de pe\u00e7as, componentes e servi\u00e7os especializados em aplica\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas, sendo comum o uso de fornecedores de outros setores, como mec\u00e2nicas de caminh\u00f5es, por exemplo;<\/li>\n<li>Aus\u00eancia de procedimentos de dimensionamento de subsistemas pelos artes\u00e3os, sendo comum a indica\u00e7\u00e3o pelo fornecedor do equipamento sem an\u00e1lises pormenorizadas.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para finalizar, cabe ressaltar que as comunidades t\u00eam na figura feminina fonte de refer\u00eancia e lideran\u00e7a, entretanto, as mulheres ainda ficam confinadas \u00e0s atividades pesqueiras de menor esfor\u00e7o f\u00edsico ou que possuam menor depend\u00eancia do ciclo de mar\u00e9.<\/p>\n<blockquote><p>Mulheres s\u00e3o fonte de refer\u00eancia e lideran\u00e7a nas comunidades<\/p><\/blockquote>\n<p>No Estado, as mulheres s\u00e3o em menor n\u00famero e poucas realizam atividades de gest\u00e3o e lideran\u00e7a junto \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Participam da atividade por tradi\u00e7\u00e3o familiar. Muitas s\u00e3o filhas de pescadores, casaram com pescadores e atuam na pesca como uma forma de ampliar os recursos financeiros da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Sob o ponto de vista da regularidade profissional, nem todas possuem carteira de trabalho vinculada \u00e0 pesca, ou sequer registro em carteira, o que dificulta o acesso \u00e0s quest\u00f5es trabalhistas e sociais. Elas tamb\u00e9m t\u00eam baixa escolaridade ou nenhuma, dificultando a execu\u00e7\u00e3o de outras atividades para complementar a renda. Assim sendo, deve-se estimular a regulamenta\u00e7\u00e3o da mulher na atividade pesqueira para que esta atividade n\u00e3o seja vista s\u00f3 como uma fonte complementar de renda, mas tamb\u00e9m de trabalho que deve ser valorizado junto com as atividades dom\u00e9sticas exercidas pelas mulheres. Incentivos governamentais para cursos que possam agregar valor ao produto pesqueiro s\u00e3o necess\u00e1rios e dariam maior visibilidade ao papel feminino na pesca.<\/p>\n<p><em>*\u00b9 &#8211; Tutora do Grupo PET ProdBio, curso de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Energia.<\/em><\/p>\n<p><em>*\u00b2 &#8211; Colaboradora do Grupo PET ProdBio, curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Oceanografia Ambiental, bolsista Fapes Pesquisador Capixaba.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Artigo de Marielce de C\u00e1ssia Ribeiro Tosta*\u00b9 e M\u00f4nica Maria Pereira Tognella*\u00b2 \u2013 O Esp\u00edrito Santo, quando se trata da pesca, pode ser dividido <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/06\/18\/artigo-pesca-artesanal-e-desafios-para-a-gestao-costeira-no-espirito-santo\/\" title=\"Artigo: Pesca artesanal e desafios para a gest\u00e3o costeira no Esp\u00edrito Santo\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":338,"featured_media":240,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[44,2,9],"tags":[],"class_list":["post-239","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao008","category-noticias"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",1600,1200,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",150,113,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",300,225,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",768,576,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",1024,768,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",1536,1152,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",1600,1200,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",584,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",508,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",678,509,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",326,245,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/pet-prodbio.jpg",80,60,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"daniel.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/daniel_de-souza-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":2,"uagb_excerpt":"\u2013 Artigo de Marielce de C\u00e1ssia Ribeiro Tosta*\u00b9 e M\u00f4nica Maria Pereira Tognella*\u00b2 \u2013 O Esp\u00edrito Santo, quando se trata da pesca, pode ser dividido [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/338"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=239"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":613,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239\/revisions\/613"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/240"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}