{"id":2471,"date":"2022-07-01T10:07:41","date_gmt":"2022-07-01T13:07:41","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2471"},"modified":"2022-07-12T17:03:27","modified_gmt":"2022-07-12T20:03:27","slug":"a-cada-ano-390-criancas-de-0-a-9-anos-sao-vitimas-de-violencia-no-es-325-dos-casos-e-recorrente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/07\/01\/a-cada-ano-390-criancas-de-0-a-9-anos-sao-vitimas-de-violencia-no-es-325-dos-casos-e-recorrente\/","title":{"rendered":"A cada ano, 390 crian\u00e7as de 0 a 9 anos s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia no ES; 32,5% dos casos s\u00e3o recorrentes"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8211; Por Vitor Guerra* &#8211;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em m\u00e9dia, 390 crian\u00e7as s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia no Esp\u00edrito Santo a cada ano, sendo que 32,5% sofrem viol\u00eancia recorrentemente. A pesquisa de doutorado de M\u00e1rcia Pedroso no Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Coletiva (PPGSC) identificou 3.127 casos de viol\u00eancia contra crian\u00e7as no estado entre 2011 e 2018, registrados no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), que registra casos de notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria. A viol\u00eancia sexual foi a mais notificada (41,8%), seguida da neglig\u00eancia (31,3%) e da viol\u00eancia f\u00edsica (23,6%).<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo teve orienta\u00e7\u00e3o da coordenadora do Laborat\u00f3rio sobre Estudos de Viol\u00eancia Sa\u00fade e Acidentes (Lavisa) da Ufes, Franci\u00e9le Marabotti. \u201cO que mais me marcou foi a viol\u00eancia sexual sendo a mais notificada. Havia registros de casos que aconteceram com crian\u00e7as menores de 2 anos, pensar isso \u00e9 absurdo\u201d, diz a professora. A viol\u00eancia sexual foi mais frequente nas meninas com 3 anos ou mais, residentes da zona urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>A neglig\u00eancia foi mais prevalente em meninos de at\u00e9 2 anos e a viol\u00eancia f\u00edsica, entre meninos de 6 a 9 anos.&nbsp; Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s recorr\u00eancias, elas costumam acontecer na resid\u00eancia da v\u00edtima e a partir de um mesmo agressor.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora ressalta ainda que os dados do Sinan s\u00e3o apenas um recorte do que acontece com as crian\u00e7as, pois o sistema registra apenas o tipo de viol\u00eancia que levou \u00e0quele atendimento. \u201cA crian\u00e7a que foi v\u00edtima da viol\u00eancia sexual tamb\u00e9m pode ter sido v\u00edtima de outros problemas\u201d, destaca Marabotti.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Recorr\u00eancia e fam\u00edlia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O sistema estudado tamb\u00e9m aponta dados sobre os autores dos atos violentos. De forma geral, a viol\u00eancia ocorria na resid\u00eancia da v\u00edtima e era cometida por pessoas da fam\u00edlia e do conv\u00edvio social da crian\u00e7a. \u201cJ\u00e1 era um dado esperado, porque os casos mostram a quest\u00e3o dos pais e familiares ao redor como os principais envolvidos\u201d, afirma Pedroso. A recorr\u00eancia com que os atos aconteciam tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o das pesquisadoras. \u201cOs dados mostram que a viol\u00eancia recorrente \u00e9 praticada por pessoas que deveriam proteger essa crian\u00e7a, ou seja, o pai e a m\u00e3e. Na inf\u00e2ncia, as nossas maiores refer\u00eancias s\u00e3o os nossos pais, s\u00e3o a refer\u00eancia de vida. Essas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia no lar quebram esse v\u00ednculo e impactam nos futuros relacionamentos que a v\u00edtima venha a ter\u201d, ressalta Marabotti.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro problema \u00e9 a dificuldade de notifica\u00e7\u00e3o dos casos de viol\u00eancia ocorrida em seio familiar, seja sexual ou f\u00edsica. \u201cQuando os pais s\u00e3o os principais agressores, fica mais dif\u00edcil de essa crian\u00e7a sair desse ciclo. Nesse caso, \u00e9 necess\u00e1ria uma a\u00e7\u00e3o externa \u00e0fam\u00edlia\u201d, explica a orientadora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Papel do Estado<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo Pedroso e Marabotti, o Estado possui diversos instrumentos que apoiam a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia, mas s\u00e3o necess\u00e1rias melhorias na rede de notifica\u00e7\u00e3o e apoio \u00e0s v\u00edtimas. \u201cTemos bastante pol\u00edticas de enfrentamento, o que falta \u00e9 uma melhor realiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso qualificar mais o servi\u00e7o para que os profissionais de sa\u00fade tenham maior capacidade de perceber e notificar os casos. A partir desse momento, \u00e9 necess\u00e1rio ter uma rede de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 v\u00edtima que funcione\u201d, destaca Marabotti.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo aponta a necessidade de mais discuss\u00f5es na sociedade sobre viol\u00eancia infantil, de modo a desnaturalizar certas pr\u00e1ticas, e a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o acerca do tema nas escolas. \u201cMuitas vezes o professor ou a professora cria um v\u00ednculo com essa crian\u00e7a, assim a crian\u00e7a se sente segura em expor essas a\u00e7\u00f5es, facilitando a den\u00fancia\u201d, explica a orientadora. Pedroso, por sua vez, alerta que um trabalho pedag\u00f3gico colabora para que os menores consigam identificar o abuso: \u201cnem sempre as crian\u00e7as ou adolescentes conseguem entender o ato violento como abuso, porque muitas vezes o agressor vai come\u00e7ar a realizar esses atos de maneira l\u00fadica. Desse modo, a educa\u00e7\u00e3o nas escolas sobre sa\u00fade e sexualidade \u00e9 uma ferramenta importante\u201d. As autoras indicam, ainda, a necessidade de forma\u00e7\u00e3o para os profissionais que notificam os casos de viol\u00eancia infantil.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Bolsista em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Viol\u00eancia sexual \u00e9 a mais notificada nessa faixa et\u00e1ria<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":2472,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[],"class_list":["post-2471","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza.jpg",1170,700,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza-300x179.jpg",300,179,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza-768x459.jpg",768,459,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza-1024x613.jpg",1024,613,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza.jpg",1170,700,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza.jpg",1170,700,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza-1030x438.jpg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza-678x509.jpg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/06\/violencia_domestica_elza_fiuza-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Viol\u00eancia sexual \u00e9 a mais notificada nessa faixa et\u00e1ria","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2471"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2471\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2485,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2471\/revisions\/2485"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2472"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}