{"id":2505,"date":"2022-07-12T17:00:47","date_gmt":"2022-07-12T20:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2505"},"modified":"2022-07-28T09:58:35","modified_gmt":"2022-07-28T12:58:35","slug":"estudo-revela-no-brasil-35-das-mortes-maternas-nao-sao-computadas-nos-dados-oficiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/07\/12\/estudo-revela-no-brasil-35-das-mortes-maternas-nao-sao-computadas-nos-dados-oficiais\/","title":{"rendered":"Estudo revela: 35% das mortes maternas no Brasil n\u00e3o est\u00e3o nos dados oficiais"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisadores do Observat\u00f3rio Obst\u00e9trico Brasileiro (OOBr), vinculado \u00e0 Ufes e \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), descobriram que o n\u00famero anual de mortes maternas seriam 35% superiores aos oficiais se fossem computados os casos registrados at\u00e9 um ano ap\u00f3s a finaliza\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o (com o nascimento do beb\u00ea, \u00f3bito ou aborto). O estudo foi realizado pelas professoras Agatha Rodrigues, do Departamento de Estat\u00edstica da Ufes, e Rossana Francisco, da Faculdade de Medicina da USP, com a participa\u00e7\u00e3o do bolsista de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Rafael Herzog, estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Estat\u00edstica na Ufes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA defini\u00e7\u00e3o de mortalidade materna considera os casos ocorridos at\u00e9 42 dias ap\u00f3s o t\u00e9rmino da gesta\u00e7\u00e3o, por causas n\u00e3o acidentais ou incidentais. Analisamos os dados da Plataforma de Ci\u00eancia de Dados aplicada \u00e0 Sa\u00fade (PCDaS) da Fiocruz e verificamos que, se fossem consideradas as mortes at\u00e9 um ano ap\u00f3s o t\u00e9rmino da gesta\u00e7\u00e3o, haveria um aumento de 35%\u201d, detalha Agatha Rodrigues.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo verificou, primeiro, os casos de \u00f3bitos registrados com a CID 10, que indica morte materna, cadastrados no sistema de dados do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e apresentados na plataforma. Os dados foram id\u00eanticos aos apresentados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e indicam uma m\u00e9dia de 55 a 59 mortes maternas para cada 100 mil beb\u00eas nascidos vivos (MM\/100 mil NV) entre 2016 e 2019 e um aumento&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/10\/05\/dados-do-observatorio-obstetrico-contribuem-para-instituir-politicas-de-combate-a-covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nos anos da pandemia de covid-19<\/a><\/strong>&nbsp;\u2013 o \u00edndice subiu para 71,9 em 2020 e 107,9 em 2021 (do ano passado, os dados ainda s\u00e3o preliminares). A meta do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u00e9 de reduzir esse \u00edndice para 30 mortes maternas por 30 MM\/100 mil NV at\u00e9 o ano de 2030.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma segunda etapa, esses dados foram comparados a outros de mulheres que tinham registradas, em sua ficha, outras causas de morte, mas que estavam gr\u00e1vidas ou no puerp\u00e9rio (at\u00e9 os 42 dias ap\u00f3s o t\u00e9rmino da gesta\u00e7\u00e3o). Nessa compara\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de mortes encontrado foi 12% superior aos dados oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisadoras tamb\u00e9m t\u00eam acesso aos dados por estado e por munic\u00edpio. No caso do Esp\u00edrito Santo, no tri\u00eanio 2019-2021, foram 112 casos de mortes maternas notificados e quatro registrados com outras causas de morte, o que indicaria uma subnotifica\u00e7\u00e3o de 3,6%, \u00edndice inferior \u00e0 m\u00e9dia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Na terceira an\u00e1lise, s\u00e3o consideradas as mortes ap\u00f3s 43 dias a 1 ano do final da gesta\u00e7\u00e3o. Esse dado, em rela\u00e7\u00e3o ao contabilizado oficialmente, representa uma m\u00e9dia de 35% a mais de casos ou um acr\u00e9scimo de 390 a 510 mulheres por ano. &#8220;\u00c9 importante olhar pra esses dados e monitor\u00e1-los, porque existe uma possibilidade de melhoria na aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, para evitar \u00f3bitos ap\u00f3s os 42 dias de puerp\u00e9rio&#8221;, analisa Rossana Francisco. Ela destaca que houve mais casos de doen\u00e7as por mortes infecciosas e parasit\u00e1rias e de doen\u00e7as do aparelho respirat\u00f3rio em pu\u00e9rperas a partir do \u200b\u200b43\u00ba dia do que no per\u00edodo da gravidez e do puerp\u00e9rio at\u00e9 42 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>O Observat\u00f3rio analisou, ainda, as causas externas de morbidade e mortalidade materna, como acidentes, viol\u00eancia e suic\u00eddios. Se considerados esses casos, o aumento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mortes declaradas chegaria de 38% a 58% acima dos dados computados oficialmente. A cada ano, em m\u00e9dia, 250 mulheres gestantes ou no puerp\u00e9rio morrem nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisadoras alertam que, de cada 100 mulheres que morrem durante ou ap\u00f3s a gesta\u00e7\u00e3o, o parto ou o aborto, 28 n\u00e3o s\u00e3o contabilizadas nas pol\u00edticas p\u00fablicas. Ainda h\u00e1 que se considerar a subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos de aborto, o que pode levar essa diferen\u00e7a a ser ainda maior. &#8220;Esses dados contribuem para um mapeamento mais realista da situa\u00e7\u00e3o das mortes maternas e para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que visem a melhorar esse quadro&#8221;, afirma Rossana Francisco. &#8220;Sem os dados, n\u00e3o sabemos a gravidade do problema&#8221;, completa Agatha Rodrigues.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Observat\u00f3rio Obst\u00e9trico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;Observat\u00f3rio Obst\u00e9trico Brasileiro&nbsp;\u00e9 uma plataforma de dados desenvolvida para auxiliar os gestores do estado nas tomadas de decis\u00f5es que envolvam a sa\u00fade materna, fetal e infantil, desenvolvido em parceria com a USP e a Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens), com financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes), da Funda\u00e7\u00e3o Bill &amp; Melinda Gates e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de dados gerais sobre gesta\u00e7\u00e3o, parto e p\u00f3s-parto, o Observat\u00f3rio desenvolveu um espa\u00e7o espec\u00edfico com dados desse p\u00fablico obtidos no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o da Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica da Gripe (Sivep-Gripe). O&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/observatorioobstetrico.shinyapps.io\/covid_gesta_puerp_br\/\">OOBr Covid-19<\/a><\/strong>&nbsp;apresenta, gratuitamente, os n\u00fameros relativos aos casos mais graves, as taxas de admiss\u00e3o ou n\u00e3o na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a taxa de interna\u00e7\u00e3o por S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SRAG), os n\u00fameros de \u00f3bitos, al\u00e9m de um panorama da vacina\u00e7\u00e3o das gestantes e pu\u00e9rperas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Ainda h\u00e1 que se considerar a subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos de aborto, o que pode levar o percentual a ser ainda maior<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":2506,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[112,111],"class_list":["post-2505","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-gravidez","tag-mortalidade-materna"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida.jpg",960,612,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida-300x191.jpg",300,191,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida-768x490.jpg",768,490,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida.jpg",960,612,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida.jpg",960,612,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida.jpg",960,612,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida-960x438.jpg",960,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida-678x509.jpg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/07\/Gravida-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli_checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ainda h\u00e1 que se considerar a subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos de aborto, o que pode levar o percentual a ser ainda maior","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2505","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/397"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2505"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2505\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2510,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2505\/revisions\/2510"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2506"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}