{"id":2552,"date":"2022-08-05T10:41:00","date_gmt":"2022-08-05T13:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2552"},"modified":"2022-09-14T17:26:10","modified_gmt":"2022-09-14T20:26:10","slug":"estudo-aponta-elementos-quimicos-toxicos-nas-praias-ao-norte-do-rio-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/08\/05\/estudo-aponta-elementos-quimicos-toxicos-nas-praias-ao-norte-do-rio-doce\/","title":{"rendered":"Estudo aponta elementos qu\u00edmicos t\u00f3xicos nas praias ao norte do Rio Doce"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8211; Por Vitor Guerra* &#8211;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa com a participa\u00e7\u00e3o de professores&nbsp; dos cursos de Qu\u00edmica, Biologia (S\u00e3o Mateus) e Oceanografia da Ufes aponta quantidade anormal e t\u00f3xica dos elementos qu\u00edmicos alum\u00ednio, cromo, mangan\u00eas e n\u00edquel nas praias ao norte do Rio Doce. Tamb\u00e9m foram constatados altos n\u00edveis de lama de rejeitos minerais, pr\u00f3ximo a 80%, na desembocadura do rio, na localidade de Reg\u00eancia, em Linhares. Os pesquisadores afirmam que ainda \u00e9 um desafio distinguir o que j\u00e1 existia nas praias em fun\u00e7\u00e3o da atividade de minera\u00e7\u00e3o na Bacia do Rio Doce e o que \u00e9 consequ\u00eancia do rejeito que desceu a correnteza com o desmoronamento da barragem da Samarco, controlada pelas empresas Vale e BHP Billiton, em Mariana, Minas Gerais. Isso porque n\u00e3o h\u00e1 pesquisas feitas nas praias antes da trag\u00e9dia ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos de campo foram realizados pelo Projeto Monitoramento da Biodiversidade Aqu\u00e1tica (PMBA), que se organiza sob a Rede Rio Doce Mar, uma articula\u00e7\u00e3o de universidades brasileiras que estuda os impactos do rompimento da barragem de Mariana na biodiversidade aqu\u00e1tica (rios, estu\u00e1rios e lagos) e marinha (praias, costa e mar). No Esp\u00edrito Santo, o projeto tem representa\u00e7\u00e3o da Ufes. A Funda\u00e7\u00e3o Esp\u00edrito-Santense de Tecnologia (Fest) monitora o acordo de coopera\u00e7\u00e3o entre a Universidade e a Funda\u00e7\u00e3o Renova.<\/p>\n\n\n\n<p>O PMBA \u00e9 dividido em oito grandes tem\u00e1ticas, como praias, manguezais e ambientes de \u00e1gua doce. Segundo Jacqueline Albino, professora do Departamento de Oceanografia da Ufes e coordenadora do tema praia, os resultados iniciais da pesquisa apontam a alta concentra\u00e7\u00e3o de rejeitos de min\u00e9rio. \u201cO resultado que encontramos at\u00e9 agora \u00e9 uma alta concentra\u00e7\u00e3o de rejeitos da lama na desembocadura e ao longo da zona submersa das praias ao norte, como Degredo, Pontal do Ipiranga [em Linhares], S\u00e3o Mateus e Guriri\u201d. Ela explica, ainda, que as correntes mar\u00edtimas locais acabam por distribuir essa lama, o que gera um ponto maior de concentra\u00e7\u00e3o de rejeitos na desembocadura do rio e nas praias ao norte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Luiz Sielski, pesquisador em p\u00f3s-doutorado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Oceanografia Ambiental da Ufes, diz que foi uma surpresa encontrar altos n\u00edveis de rejeitos de lama na zona submersa da praia (parte que se localiza abaixo do n\u00edvel m\u00e9dio do mar). \u201cDevido \u00e0s caracter\u00edsticas clim\u00e1ticas da regi\u00e3o, temos um mar muito agitado pela a\u00e7\u00e3o de ondas em boa parte do ano, o que n\u00e3o favorece o ac\u00famulo de rejeitos. Material fino se deposita em regi\u00e3o calma, como manguezais, lagoas e ambientes com baixa agita\u00e7\u00e3o. Encontramos [nas praias pr\u00f3ximas \u00e0 desembocadura do Rio Doce] uma quantidade grande depositada entre 5 e 10 metros de profundidade e com valores de elementos qu\u00edmicos altos, mas como n\u00e3o temos&nbsp; valores anteriores ao rompimento, n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil ligar isso diretamente ao rompimento da barragem\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Danos cont\u00ednuos<\/h3>\n\n\n\n<p>O ac\u00famulo de rejeitos de lama na zona submersa da praia modificou as caracter\u00edsticas f\u00edsicas locais, segundo Albino. \u201cO sedimento mais fino deixou a praia mais aplanada e mais erosiva. A praia perde altura e, junto com o espraiamento da onda, os elementos qu\u00edmicos presentes no rejeito s\u00e3o espalhados para a por\u00e7\u00e3o alta da praia e alcan\u00e7am a restinga\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A lama de rejeitos, que possui gr\u00e3os menores, impacta tamb\u00e9m os h\u00e1bitats de microrganismos que vivem em areias. \u201cH\u00e1 uma fauna espec\u00edfica, chamada de fauna bent\u00f4nica da praia. O equil\u00edbrio desses microrganismos est\u00e1 diretamente ligado aos sedimentos do local. Alterando o sedimento, temos uma consequ\u00eancia ecol\u00f3gica para a fauna: podemos ter, por exemplo, um desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico entre dois diferentes grupos, a macrofauna e a mesofauna\u201d, afirma a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>Os impactos na regi\u00e3o s\u00e3o dif\u00edceis de ser controlados, de acordo com Sielski, porque a bacia hidrogr\u00e1fica est\u00e1 cheia de lama e, com a chuva, esses rejeitos v\u00e3o escorrer novamente. \u201cNo ver\u00e3o, \u00e9poca de mais chuva, esses rejeitos s\u00e3o carregados para o mar. J\u00e1 no inverno, quando temos mais ondas, acontece o processo de ressuspender o que est\u00e1 depositado no fundo do mar para a superf\u00edcie da praia. Chegamos a ter, nos 10 metros de profundidade, mais de 80% de concentra\u00e7\u00e3o de lama, uma quantidade muito alta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/Praias-ao-norte-do-Rio-Doce-contaminacao-lama-de-rejeitos-3.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2557\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/Praias-ao-norte-do-Rio-Doce-contaminacao-lama-de-rejeitos-3.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/Praias-ao-norte-do-Rio-Doce-contaminacao-lama-de-rejeitos-3-225x300.jpeg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption>Foram encontrados alum\u00ednio, cromo, mangan\u00eas e n\u00edquel nas praias ao norte do Rio Doce<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O rejeito se desloca preferencialmente na por\u00e7\u00e3o norte da plan\u00edcie, de acordo com o ocean\u00f3grafo Lucas de Castro, que \u00e9 auxiliar de pesquisa na Fest e tamb\u00e9m atua no projeto. Ele explica que, ao longo da por\u00e7\u00e3o sul da costa capixaba, como em Praia Mole, na Serra, tamb\u00e9m foi poss\u00edvel encontrar concentra\u00e7\u00f5es altas de metais na praia, mas isso n\u00e3o necessariamente significa uma contamina\u00e7\u00e3o pelo rejeito da barragem. &#8220;Podem ser outras fontes, h\u00e1 ainda essa d\u00favida. Temos muito a investigar nessas praias ao sul, principalmente em Praia Mole e em Putiri [em Aracruz]\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A\u00e7\u00f5es futuras<\/h3>\n\n\n\n<p>O projeto, que completou quatro anos em 2022, tem a possibilidade de continuar por mais dois anos com metas de aumentar a integra\u00e7\u00e3o entre os diferentes grupos de pesquisa. \u201cDepois de feitos os primeiros diagn\u00f3sticos, voc\u00ea tem algumas afirma\u00e7\u00f5es e tend\u00eancias n\u00e3o s\u00f3 [das pesquisas] da praia mas de todos os grupos. Com isso, a ideia agora \u00e9 fazer com que esses diferentes temas se integrem mais: a praia interagir com o manguezal, com a zona submersa e assim por diante\u201d, afirma Albino.<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro objetivo \u00e9 aumentar a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, traduzindo os dados coletados para a sociedade em geral. \u201cEstamos bolando a\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para maior integra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da continuidade do monitoramento, porque ainda h\u00e1 d\u00favidas; estamos sempre usando novos m\u00e9todos de pesquisa para poder afirmar algo\u201d, diz a professora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Bolsista em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Concentra\u00e7\u00e3o da lama do rejeito chega a mais de 80% em praias do 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