{"id":2561,"date":"2022-08-11T11:28:57","date_gmt":"2022-08-11T14:28:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2561"},"modified":"2022-10-04T11:11:22","modified_gmt":"2022-10-04T14:11:22","slug":"estudo-indica-que-a-taxa-de-hepatite-b-no-es-e-tres-vezes-maior-que-media-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/08\/11\/estudo-indica-que-a-taxa-de-hepatite-b-no-es-e-tres-vezes-maior-que-media-nacional\/","title":{"rendered":"Estudo indica que a taxa de hepatite B no ES \u00e9 tr\u00eas vezes maior que m\u00e9dia nacional"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8211; Por Jorge Medina &#8211;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Estado do Esp\u00edrito Santo est\u00e1 entre as unidades da federa\u00e7\u00e3o brasileiras com maiores taxas de infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da hepatite B (HBV) no pa\u00eds. A preval\u00eancia da hepatite B cr\u00f4nica \u00e9 cerca de tr\u00eas vezes maior do que a m\u00e9dia nacional, que est\u00e1 em torno de 0,5% da popula\u00e7\u00e3o com predom\u00ednio do componente familiar na transmiss\u00e3o do HBV.&nbsp; Essa foi a conclus\u00e3o de uma pesquisa desenvolvida por pesquisadores da Ufes e pesquisadores convidados.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o t\u00edtulo&nbsp;<em>Hepatitis B v\u00edrus genotypes and subgenotypes and the natural history and epidemiology of hepatites B<\/em>&nbsp;(Gen\u00f3tipos e subg\u00eanitos do v\u00edrus da hepatite B e a hist\u00f3ria natural e epidemiologia da hepatite B), o estudo realizou uma an\u00e1lise descritiva dos aspectos demogr\u00e1ficos, epidemiol\u00f3gicos, laboratoriais e cl\u00ednicos de 587 pacientes cr\u00f4nicos de HBV acompanhados no Hospital Universit\u00e1rio Cassiano Ant\u00f4nio Moraes (Hucam). A investiga\u00e7\u00e3o foi publicada nos&nbsp;<strong><em><a href=\"https:\/\/www.elsevier.es\/en-revista-annals-hepatology-16-articulo-hepatitis-b-virus-genotypes-subgenotypes-S1665268121002738\">Annals of Hepatology Science Direct Elsevier<\/a><\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os objetivos do estudo foram caracterizar os gen\u00f3tipos (variedade gen\u00e9tica viral) do v\u00edrus da hepatite B, sua distribui\u00e7\u00e3o nas macrorregi\u00f5es de sa\u00fade do estado e avaliar a associa\u00e7\u00e3o entre esses fatores virol\u00f3gicos e aspectos cl\u00ednicos e epidemiol\u00f3gicos do indiv\u00edduo e fases da doen\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A professora do Departamento de Cl\u00ednica M\u00e9dica do Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade (CCS) e chefe do Servi\u00e7o de Doen\u00e7as Infecciosas do Hucam, Tania Reuter, coordenou o estudo e contou com a colabora\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos subinvestigadores do Hospital Universit\u00e1rio Ulisses Duque, Jos\u00e9 Am\u00e9rico Carvalho e Waltesia Perini; da Escola Superior de Ci\u00eancias da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Vit\u00f3ria (Emescam), Marcello Queiroz; e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Jo\u00e3o Renato Pinho.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento, o estudo \u00e9 o mais longo e com maior amostragem de pacientes com fatores de hepatite B realizado no Brasil. Foram 12 anos de acompanhamento no ambulat\u00f3rio de hepatites virais do Servi\u00e7o de Infectologia do Hucam, entre julho de 2005 e julho de 2017. Dados demogr\u00e1ficos (idade, sexo e cidade de nascimento), epidemiol\u00f3gicos, laboratoriais e cl\u00ednicos foram extra\u00eddos de consultas m\u00e9dicas descritas nos prontu\u00e1rios durante todo o per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Resultados<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Dos 587 participantes do estudo, 270 tiveram amostra sangu\u00ednea coletada dispon\u00edvel e com DNA do VHB detect\u00e1vel. Em 202 dessas amostras, foi poss\u00edvel amplificar e sequenciar o genoma do HBV para caracterizar os gen\u00f3tipos e subgen\u00f3tipos. Considerando apenas os pacientes do Esp\u00edrito Santo, o estudo indicou que&nbsp;61,9%&nbsp;s\u00e3o provenientes da regi\u00e3o metropolitana; 8,4%, do norte; 17,4%, da regi\u00e3o central; e 12,2%, do sul do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os pesquisadores, o gen\u00f3tipo A foi o mais prevalente nos pacientes analisados, com 65,3% dos casos, seguido pelos gen\u00f3tipos D (32,7%) e F (2%).<strong>&nbsp;<\/strong>Essa predomin\u00e2ncia, conforme o estudo, pode se correlacionar com imigra\u00e7\u00e3o de negros africanos trazidos durante o per\u00edodo colonial da escravid\u00e3o (s\u00e9culo XVI-XIX) e imigrantes europeus, principalmente italianos (no s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante ressaltar que esses gen\u00f3tipos foram introduzidos h\u00e1 v\u00e1rios s\u00e9culos e que, em uma popula\u00e7\u00e3o altamente miscigenada como a nossa, tenha contribu\u00eddo na forma\u00e7\u00e3o de&nbsp;<em>clusters<\/em>&nbsp;espec\u00edficos, tanto em amostras de indiv\u00edduos de diferentes regi\u00f5es do estado quanto em diferentes regi\u00f5es do Brasil\u201d, explica a professora T\u00e2nia Reuter.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo observou ainda que mecanismo mais frequente na transmiss\u00e3o do HBV foi de m\u00e3e para filho (chamada vertical), ocorrida durante a gravidez ou no parto. \u201cEssa \u00e9 uma das principais raz\u00f5es para o Esp\u00edrito Santo apresentar mais casos de hepatite B do que outros estados. Por isso, o pr\u00e9-natal seguro \u00e9 importante como medida de preven\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o do v\u00edrus da hepatite B. Antes dos anos 90,&nbsp;ainda n\u00e3o era obrigat\u00f3rio testar a gr\u00e1vida para HIV, hepatite B e C, e s\u00edfilis. Atualmente, o teste \u00e9 realizado no primeiro e no \u00faltimo trimestre da gesta\u00e7\u00e3o para evitar essa transmiss\u00e3o vertical\u201d, conclui a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, v\u00eam a transmiss\u00e3o entre pessoas residentes no mesmo domic\u00edlio, compartilhamento de agulhas a partir do uso de drogas injet\u00e1veis ou inalat\u00f3rias, transfus\u00e3o sangu\u00ednea e rela\u00e7\u00f5es sexuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os participantes da pesquisa alertam que a infec\u00e7\u00e3o pelo HBV \u00e9 um grande problema de sa\u00fade p\u00fablica no Brasil. Em algumas \u00e1reas ou pa\u00edses, a transmiss\u00e3o vertical e a intrafamiliar s\u00e3o o principal modo de propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. \u201cMesmo ap\u00f3s mais de duas d\u00e9cadas de implementa\u00e7\u00e3o da vacina contra o HBV, estudos epidemiol\u00f3gicos como o nosso, realizados em algumas regi\u00f5es do Brasil, ainda evidenciam um forte componente familiar na transmiss\u00e3o do HBV. A pesquisa apontou que a transmiss\u00e3o&nbsp;vertical e intrafamiliar \u00e9 a principal respons\u00e1vel pelos casos registrados no Esp\u00edrito Santo\u201d, ressaltam os pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sobre a doen\u00e7a<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A hepatite B \u00e9 uma doen\u00e7a infecciosa que agride o f\u00edgado e&nbsp;est\u00e1 presente no sangue e em secre\u00e7\u00f5es sexuais. A transmiss\u00e3o da doen\u00e7a ocorre por meio do sangue e de fluidos genitais, por isso \u00e9 tamb\u00e9m considerada uma Infec\u00e7\u00e3o Sexualmente Transmiss\u00edvel (IST). O v\u00edrus da HBV afeta mais de 270 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo, com cerca de 78 mil mortes a cada ano por complica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a como cirrose e c\u00e2ncer no f\u00edgado. Segundo dados da Secretaria Estadual da Sa\u00fade (Sesa), entre os anos de 1999 e 2021, foram confirmados 16.333 casos de hepatites virais no Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ainda n\u00e3o ter cura, a hepatite B pode ser prevenida, principalmente por meio da vacina\u00e7\u00e3o,&nbsp;do uso de preservativo nas rela\u00e7\u00f5es sexuais e do n\u00e3o compartilhamento de seringas, agulhas, material de manicure e pedicure, al\u00e9m de outros instrumentos perfurocortantes ou objetos de higiene pessoal que possam ser meios de dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. H\u00e1 tamb\u00e9m as pessoas que t\u00eam o v\u00edrus, mas a doen\u00e7a ainda n\u00e3o evoluiu e s\u00e3o considerados portadores do HBV com a doen\u00e7a inativa. Nessa situa\u00e7\u00e3o, o indiv\u00edduo necessita de acompanhamento m\u00e9dico e controle laboratorial regularmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Transmiss\u00e3o mais frequente \u00e9 a de m\u00e3e para filho, ocorrida durante a gravidez ou no parto<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":2562,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[],"class_list":["post-2561","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem.jpg",768,432,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem-300x169.jpg",300,169,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem.jpg",768,432,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem.jpg",768,432,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem.jpg",768,432,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem.jpg",768,432,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem.jpg",768,432,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem-678x432.jpg",678,432,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/08\/hepatite-b-biblioteca-virtual-enfermagem-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Transmiss\u00e3o mais frequente \u00e9 a de m\u00e3e para filho, ocorrida durante a gravidez ou no parto","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2561","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2561"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2561\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2571,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2561\/revisions\/2571"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2562"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}