{"id":2589,"date":"2022-10-14T08:58:06","date_gmt":"2022-10-14T11:58:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2589"},"modified":"2022-10-27T11:21:53","modified_gmt":"2022-10-27T14:21:53","slug":"pesquisa-investiga-papel-das-bibliotecas-no-sistema-prisional-capixaba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/10\/14\/pesquisa-investiga-papel-das-bibliotecas-no-sistema-prisional-capixaba\/","title":{"rendered":"Pesquisa investiga papel das bibliotecas no sistema prisional capixaba"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8211; Por Leandro Reis &#8211; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo pioneiro no Esp\u00edrito Santo, realizado na Ufes, investigou o papel das bibliotecas na reeduca\u00e7\u00e3o e na remi\u00e7\u00e3o das penas de internos do sistema prisional capixaba. Trata-se da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Adriana Zamite, intitulada O<em> papel da biblioteca no processo de obten\u00e7\u00e3o da remi\u00e7\u00e3o de pena pelo trabalho, estudo e pela leitura no Complexo Penitenci\u00e1rio de Xuri no estado do Esp\u00edrito Santo (ES)<\/em>, apresentada no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para realizar o trabalho, a pesquisadora visitou as cinco penitenci\u00e1rias que comp\u00f5em o Complexo, em Vila Velha. A inten\u00e7\u00e3o era observar a estrutura das bibliotecas e o funcionamento dos projetos de remi\u00e7\u00e3o de pena. Na pesquisa de campo, Zamite entrevistou a Subger\u00eancia de Educa\u00e7\u00e3o nas Pris\u00f5es e os internos que trabalhavam nas bibliotecas prisionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de realizar a pesquisa surgiu quando a autora, que \u00e9 bibliotec\u00e1ria, ministrava um curso de auxiliar de biblioteca por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino T\u00e9cnico e Emprego (Pronatec) para internos do Complexo de Xuri, em 2014. &#8220;Observei a exist\u00eancia de bibliotecas nas unidades e o servi\u00e7o de empr\u00e9stimo realizado por alguns internos. Mas percebi, durante as aulas, a pouca flu\u00eancia leitora dos alunos e a car\u00eancia de atividades de reintegra\u00e7\u00e3o educativa, social e cultural&#8221;, lembra Zamite.<\/p>\n\n\n\n<p>Como mostra o estudo, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de bibliotecas em unidades prisionais. No entanto, das 1.426 institui\u00e7\u00f5es prisionais no pa\u00eds, apenas 809 contam com bibliotecas. O abismo entre a lei e sua aplica\u00e7\u00e3o aumenta quando se observa o total da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria: segundo dados do Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional (Depen) de 2019, s\u00e3o 748.009 as pessoas privadas de liberdade no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No ambiente prisional, a biblioteca tem o papel fundamental de incentivar o h\u00e1bito de leitura, mas tamb\u00e9m disponibilizar informa\u00e7\u00e3o, entretenimento e cultura. Ademais, ameniza a vida no c\u00e1rcere e pode proporcionar ao reeducando uma oportunidade de transformar sua realidade&#8221;, afirma Zamite.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Subutiliza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>No Esp\u00edrito Santo, das 36 unidades prisionais, 30 possuem bibliotecas e\/ou salas de leitura. Grande parte delas, por\u00e9m, \u00e9 subutilizada em rela\u00e7\u00e3o a projetos de leitura para os internos. No Complexo de Xuri, quatro das cinco unidades contam com biblioteca. Embora o reeducando tenha, por lei, o direito de abater a pena por meio do estudo e da leitura, os nove internos que trabalham nas bibliotecas do Complexo est\u00e3o remindo suas penas somente por meio do trabalho &#8211; organiza\u00e7\u00e3o do acervo, empr\u00e9stimo e restauro de obras danificadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As unidades prisionais t\u00eam realizado algumas atividades pedag\u00f3gicas ou com livros. Mas o Estado ainda n\u00e3o possui um projeto formalizado de remi\u00e7\u00e3o de pena pela leitura&#8221;, explica Zamite. Na pesquisa de campo, a autora identificou que n\u00e3o h\u00e1 desenvolvimento de cole\u00e7\u00f5es para o acervo, formado a partir de doa\u00e7\u00f5es, sobretudo de familiares dos internos. Al\u00e9m disso, os empr\u00e9stimos de livros s\u00e3o feitos de forma aleat\u00f3ria, isso \u00e9, sem a orienta\u00e7\u00e3o de um profissional, j\u00e1 que o cargo de bibliotec\u00e1rio n\u00e3o existe na estrutura organizacional do Conselho Nacional de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 imprescind\u00edvel uma pol\u00edtica que direcione projetos de remi\u00e7\u00e3o de pena e a\u00e7\u00f5es que colaborem para o uso do espa\u00e7o da biblioteca. Para elaborar essa pol\u00edtica e para que a biblioteca seja gerida de forma qualificada, o bibliotec\u00e1rio \u00e9 essencial&#8221;, afirma Zamite.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as entrevistas no Complexo, a pesquisadora percebeu mudan\u00e7as significativas na fala e na escrita dos internos que tinham o h\u00e1bito da leitura h\u00e1 mais tempo. &#8220;Muitos querem melhorar, mas \u00e9 preciso dar oportunidade para que essa mudan\u00e7a ocorra&#8221;, diz a autora, que no doutorado pretende estudar a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria feminina, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica leitora e audiovisual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pioneiro<\/h3>\n\n\n\n<p>Primeiro estudo no Esp\u00edrito Santo que investiga bibliotecas prisionais, o trabalho de Zamite estabelece bases te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas para pesquisas na \u00e1rea de Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o, segundo a orientadora do estudo, professora Maria Cristina Grigoleto. <\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, o trabalho instiga reflex\u00f5es acerca da relev\u00e2ncia de bibliotec\u00e1rios na estrutura organizacional das unidades prisionais e do fortalecimento do ensino sobre biblioteca prisional nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Grigoleto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora, o estudo funciona ainda como mediador para melhorias na vida dos internos, com a garantia de direitos como a remi\u00e7\u00e3o de pena, tornando a passagem pelo c\u00e1rcere mais humanizada: &#8220;A pesquisa permite o (re)conhecimento de realidades perif\u00e9ricas e maior visibilidade \u00e0s necessidades dos reeducandos durante o percurso de reintegra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-revista-universidade wp-block-embed-revista-universidade\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"6yEBmx0Rbl\"><a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/04\/13\/metodo-desenvolvido-na-ufes-contribui-para-o-ensino-de-quimica-nas-prisoes\/\">M\u00e9todo desenvolvido na Ufes contribui para o ensino de Qu\u00edmica nas pris\u00f5es<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; 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