{"id":2658,"date":"2022-11-22T12:05:10","date_gmt":"2022-11-22T15:05:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2658"},"modified":"2023-05-08T11:15:57","modified_gmt":"2023-05-08T14:15:57","slug":"entrevista-carlos-nobre-afirma-que-mudancas-climaticas-sao-o-maior-desafio-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/11\/22\/entrevista-carlos-nobre-afirma-que-mudancas-climaticas-sao-o-maior-desafio-da-humanidade\/","title":{"rendered":"Entrevista: Carlos Nobre afirma que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o o maior desafio da humanidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8211; Por Leandro Reis &#8211; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O combate ao desmatamento e \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o do planeta est\u00e1 nas m\u00e3os das novas gera\u00e7\u00f5es de universit\u00e1rios, segundo o professor e climatologista<strong><a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?s=carlos+nobre\"> Carlos Nobre<\/a><\/strong>. Um dos fundadores do Instituto de Estudos Clim\u00e1ticos da Ufes (IEC-ES) e vencedor do Nobel da Paz, Nobre proferiu a palestra de abertura da&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/sites.google.com\/view\/semana-do-conhecimento\" target=\"_blank\"><strong>Semana do Conhecimento 2022<\/strong><\/a> nesta segunda-feira, 21, em que descreveu os motivos que levaram \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas no mundo, al\u00e9m de propor solu\u00e7\u00f5es para a revers\u00e3o desse cen\u00e1rio. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><a href=\"https:\/\/youtu.be\/-C7RcodwrmI\">Assista \u00e0 \u00edntegra da palestra de Nobre na abertura da Semana do Conhecimento<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Evento tradicional no calend\u00e1rio da Ufes, a Semana do Conhecimento&nbsp;acontece em datas diferentes em cada campus: de 21 a 26 de novembro nos campi de Goiabeiras e de Maru\u00edpe; de 22 a 29 de novembro em Alegre; e de 29 de novembro a 1\u00ba de dezembro em S\u00e3o Mateus.&nbsp;Segundo a organiza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 s\u00e3o mais de 11 mil estudantes inscritos de 200 escolas, somente para a&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/prograd.ufes.br\/mostra2022\" target=\"_blank\"><strong>Mostra de Profiss\u00f5es<\/strong><\/a>, uma das atra\u00e7\u00f5es da Semana, que divide espa\u00e7o com diversas outras atividades dedicadas a apresentar o trabalho da Universidade nas \u00e1reas de ensino, pesquisa e extens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Saiba mais:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Semana do Conhecimento: Palestra de abertura discute mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZG7t7g_bXK0?start=1&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em conversa com o <strong>portal da Ufes<\/strong> na semana passada, direto da COP-27 (Confer\u00eancia das Partes, reuni\u00e3o de pa\u00edses membros da ONU sobre altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas), realizada no Egito, Nobre disse que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o &#8220;o maior desafio da hist\u00f3ria da humanidade&#8221;. Confira a entrevista completa abaixo:<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Primeiro, gostaria que o senhor falasse um pouco da sua rela\u00e7\u00e3o com a Ufes, sobretudo da elabora\u00e7\u00e3o do Instituto de Estudos Clim\u00e1ticos (IEC-ES). O que moveu o senhor a cri\u00e1-lo?&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi uma iniciativa da Engenharia Ambiental da Ufes, em 2018, em parceria com o Instituto Tecnol\u00f3gico Vale e a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes). Era 2018, eu j\u00e1 estava aposentado da minha fun\u00e7\u00e3o no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e tomei como desafio contribuir com a Ufes para criar esse instituto.&nbsp;Logicamente, o Esp\u00edrito Santo pode sofrer o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, seja na zona costeira, com o aumento do n\u00edvel do mar e das ressacas, seja nas \u00e1reas urbanas e nas \u00e1reas rurais, com eleva\u00e7\u00e3o da temperatura. O estado pode contribuir para mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ao reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e expandir programas de restaura\u00e7\u00e3o florestal. No Norte do Esp\u00edrito Santo h\u00e1 uma regi\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica que, junto com o sul da Bahia, \u00e9 o lugar com maior biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica e uma das maiores do mundo. Ent\u00e3o, era muito importante ter um instituto de estudos clim\u00e1ticos na Universidade para avan\u00e7ar no conhecimento dessa \u00e1rea e buscar solu\u00e7\u00f5es para reduzir as emiss\u00f5es, restaurar a Mata Atl\u00e2ntica e tornar a popula\u00e7\u00e3o do estado mais resiliente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, especialmente as popula\u00e7\u00f5es que vivem em zonas costeiras, como em Vit\u00f3ria. O curso foi criado em 2018 e j\u00e1 em 2019 come\u00e7ou a oferecer p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Esse curso continua muito ativo&nbsp;\u2013&nbsp;conseguimos envolver v\u00e1rios professores da Ufes, principalmente da Engenharia Ambiental, e atrair p\u00f3s-doutores que contribu\u00edram com o avan\u00e7o desse instituto. Esse \u00e9 o ponto central. Muitos professores se associaram ao Instituto e ele j\u00e1 est\u00e1 publicando artigos cient\u00edficos sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no Esp\u00edrito Santo e no mundo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Em rela\u00e7\u00e3o ao momento clim\u00e1tico do mundo, o que \u00e9 importante dizer aos jovens que ser\u00e3o futuros universit\u00e1rios?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estamos vivendo o maior desafio da hist\u00f3ria da humanidade. N\u00e3o h\u00e1 nada parecido nos dez ou onze mil \u00faltimos anos. Essa \u00e9poca geol\u00f3gica teve uma grande estabilidade clim\u00e1tica,&nbsp;que foi uma condi\u00e7\u00e3o importante para o desenvolvimento da agricultura. Nunca tivemos uma amea\u00e7a clim\u00e1tica&nbsp;no n\u00edvel da que temos agora. Precisamos evitar um colapso clim\u00e1tico&nbsp;que pode afetar a vida de bilh\u00f5es de pessoas e da biodiversidade do Planeta Terra. Temos que seguir as rigorosas metas do acordo de Paris: reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em 50% at\u00e9 2030 e zer\u00e1-las antes de 2050. At\u00e9 2022, as emiss\u00f5es continuaram aumentando. E 2022 ser\u00e1 o ano com maiores emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Temos sinaliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o muito ambiciosas dos pa\u00edses, que podem at\u00e9 mostrar a redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de aumento das emiss\u00f5es,&nbsp;mas, se continuarmos nessa trajet\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel que at\u00e9 2030 as emiss\u00f5es ainda estejam crescendo. \u00c9 essencial dizer aos jovens universit\u00e1rios que \u00e9 nesta gera\u00e7\u00e3o, na gera\u00e7\u00e3o deles, que est\u00e3o todos os desafios de mudar o sistema produtivo, de gera\u00e7\u00e3o de energia e de gera\u00e7\u00e3o de alimentos. E temos que remover muito g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera. Uma das maneiras mais \u00f3bvias de fazer isso \u00e9 com a restaura\u00e7\u00e3o florestal. O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses com maior potencial de restaura\u00e7\u00e3o florestal, partindo para praticar uma agricultura produtiva e sustent\u00e1vel \u2013 a chamada agricultura regenerativa. Isso liberaria uma quantidade imensa de \u00e1reas no Brasil, talvez mais de um milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados, que poderiam ser biomas brasileiros restaurados \u2013 Mata Atl\u00e2ntica, Floresta Amaz\u00f4nica, Cerrado, Pampas, Pantanal. O Brasil poderia contribuir para retirar centenas de milh\u00f5es de toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico e ser um dos primeiros pa\u00edses a atingir as emiss\u00f5es l\u00edquidas zero.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>&#8220;O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses com maior potencial de restaura\u00e7\u00e3o florestal, partindo para praticar uma agricultura produtiva e sustent\u00e1vel&#8221;<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O senhor j\u00e1 publicou estudos amplamente divulgados acerca do &#8220;ponto de n\u00e3o-retorno&#8221; em que a Amaz\u00f4nia pode chegar, no que diz respeito ao desmatamento. Hoje, qual a real situa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia? Quando seria, numa estimativa em anos, esse ponto de n\u00e3o-retorno? O que deve ser feito, em linhas gerais, para que isso n\u00e3o aconte\u00e7a?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De fato, publiquei o primeiro estudo em 1990 e o segundo em 1991, em que apontava que se continu\u00e1ssemos o desmatamento, a Amaz\u00f4nia passaria desse ponto de n\u00e3o-retorno, quando todo o sul desse bioma se tornaria um ecossistema muito degradado, parecendo uma savana tropical, mas sem a riqueza de biodiversidade do Cerrado e sem a capacidade de absor\u00e7\u00e3o de carbono que o Cerrado tem. Aquilo era uma proje\u00e7\u00e3o, mas hoje in\u00fameros estudos indicam que o sul da Amaz\u00f4nia inteiro, desde o Oceano Atl\u00e2ntico at\u00e9 a Amaz\u00f4nia boliviana, est\u00e1 muito pr\u00f3ximo do ponto de n\u00e3o-retorno. S\u00e3o mais de dois milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados. Todos os elementos indicam que estamos perto de tornar aquela regi\u00e3o um ecossistema muito degradado. Um aspecto \u00e9 o aquecimento global, que est\u00e1 aumentando e induzindo secas mais frequentes, como aconteceram na Amaz\u00f4nia em 2005, 2010, 2015, 2016 e 2020. Tr\u00eas dessas secas tiveram muita rela\u00e7\u00e3o com o aquecimento do Oceano Atl\u00e2ntico ao Norte do Equador. E outro aspecto \u00e9 o desmatamento e a degrada\u00e7\u00e3o da floresta. Quando se desmata uma \u00e1rea imensa \u2013 e a Amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 a que tem o maior \u00edndice de desmatamento&nbsp;(toda aquela regi\u00e3o j\u00e1 atingiu mais de 35% de desmatamento e mais uns 15% de degrada\u00e7\u00e3o) \u2013, a substitui\u00e7\u00e3o por pastagem faz a floresta perder a capacidade de reciclar \u00e1gua. Essa combina\u00e7\u00e3o faz com que a esta\u00e7\u00e3o seca fique mais longa. A seca j\u00e1 est\u00e1 de 4 a 5 semanas mais longa, al\u00e9m dos 3 a 4 meses que durava, ficando pr\u00f3xima da esta\u00e7\u00e3o seca do Cerrado, que \u00e9 de 6 meses. Estamos vendo um enorme aumento da mortalidade das \u00e1rvores e um aquecimento de 2 a 3 graus de temperatura na floresta. V\u00e1rios estudos indicam que no Norte do Mato Grosso e Sul do Par\u00e1, a floresta j\u00e1 passou a ser uma fonte de carbono. As florestas, globalmente, retiram at\u00e9 um ter\u00e7o do carbono que jogamos na atmosfera. A Amaz\u00f4nia j\u00e1 retirou cerca de 2 bilh\u00f5es de toneladas, mas essa regi\u00e3o da floresta se tornou uma fonte de carbono. Se continuarmos com esse n\u00edvel de desmatamento dos \u00faltimos anos, talvez em 10 ou 20 anos cruzaremos esse ponto de n\u00e3o-retorno. E a\u00ed, a degrada\u00e7\u00e3o da floresta se torna uma autodegrada\u00e7\u00e3o: ela vai se degradando, e essa degrada\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficar\u00e1 s\u00f3 no Sul da Amaz\u00f4nia. De no m\u00ednimo 50% at\u00e9 70% da floresta vai se degradar e perder mais de 250 bilh\u00f5es de toneladas de g\u00e1s carb\u00f4nico, tornando imposs\u00edvel atingir as metas do Acordo de Paris. Temos que criar um grande projeto de restaura\u00e7\u00e3o florestal, restaurando mais de meio milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados <em>[equivalente \u00e0 \u00e1rea do Estado da Bahia ou \u00e0 metade da Regi\u00e3o Sudeste do Brasil] <\/em>para dar uma oportunidade de a Amaz\u00f4nia renascer, voltar a reciclar \u00e1gua, diminuir a temperatura m\u00e1xima e, quem sabe, conseguiremos salvar a floresta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Muitos especialistas apontam que o Brasil regrediu nos \u00faltimos anos na pol\u00edtica ambiental. O senhor tem esperan\u00e7a de que o pa\u00eds reduza a degrada\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos ou isso ainda parece uma utopia?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem d\u00favida o Brasil regrediu muito, principalmente nos \u00faltimos quatro anos, com um governo federal totalmente antici\u00eancia e antiambiental, que desacreditava que o planeta estivesse sofrendo por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Com isso, os desmatamentos e as emiss\u00f5es aumentaram. O relat\u00f3rio de emiss\u00f5es do Observat\u00f3rio do Clima para 2021 mostraram aumento de 12% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s emiss\u00f5es de 2020, que foi um ano de pandemia, quando as emiss\u00f5es do planeta inteiro diminu\u00edram de 5 a 7%. E no Brasil&nbsp;elas cresceram. Quase 50% das emiss\u00f5es s\u00e3o associadas ao desmatamento, sendo 80% da Floresta Amaz\u00f4nica. Essa pol\u00edtica tem que ser combatida com muita efic\u00e1cia e de forma urgente. O presidente eleito disse, aqui na COP-27, que o Brasil vai retomar seu protagonismo no combate \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica. De fato, nos governos do Lula e da Dilma&nbsp;tivemos uma redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. Em 2012, tivemos o menor \u00edndice de desmatamento da Amaz\u00f4nia desde 1970. L\u00f3gico, \u00e9 um enorme desafio, mas julgo que \u00e9 poss\u00edvel, sim. Por exemplo, mais de 90% dos desmatamentos da Amaz\u00f4nica s\u00e3o ilegais, mais de 80% no Cerrado s\u00e3o ilegais, controlados pelo crime organizado. Ent\u00e3o, h\u00e1 que se combater a ilegalidade. Hoje \u00e9 muito mais dif\u00edcil, comparado a dez anos atr\u00e1s, porque o crime organizado controla ainda mais as atividades na Amaz\u00f4nia, com grilagem de terra, roubo de madeira, minera\u00e7\u00e3o ilegal, trafico de animais. Mas julgo que podemos ter algum otimismo, sim, que podemos contribuir muito. Como consumidores de produtos que v\u00eam da Amaz\u00f4nia, \u00e9 nossa responsabilidade tornar esse consumo respons\u00e1vel e sustent\u00e1vel. Se os brasileiros exigissem a rastreabilidade da carne que compram, j\u00e1 diminuiria imensamente o desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Para encerrar, gostaria que o senhor falasse um pouco sobre a sua percep\u00e7\u00e3o da COP-27. O que vem sendo dito e proposto com rela\u00e7\u00e3o ao Brasil e \u00e0 Amaz\u00f4nia?&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A COP-27, como a grande maioria das COPs, tem avan\u00e7os passo a passo. As COPs que tiveram avan\u00e7os disruptivos foram a 21, em Paris, em 2015, quando os pa\u00edses assumiram compromissos volunt\u00e1rios de reduzir as emiss\u00f5es, e a COP-26, no ano passado, em Glasgow <em>[na Esc\u00f3cia]<\/em>, quando houve acordo para reduzir em 50% as emiss\u00f5es at\u00e9 2030 e zer\u00e1-las at\u00e9 2050. Essas metas continuam, e&nbsp;espero algum avan\u00e7o no compromisso dos pa\u00edses ricos com os fundos necess\u00e1rios para que os pa\u00edses em desenvolvimento rapidamente atinjam essas metas. O Fundo Verde do Clima, no qual os pa\u00edses concordaram que at\u00e9 2020 haveria 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares <em>[equivalente a R$ 534 bi]<\/em>, chegou s\u00f3 at\u00e9 US$ 80 bi <em>[R$ 428 bi]<\/em>. Mas, na verdade, \u00e9 necess\u00e1rio um valor muito maior, centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 h\u00e1 estimativas de US$ 700 bi <em>[R$3,7 bi]<\/em>. Isso teria que rapidamente fluir para os pa\u00edses em desenvolvimento, para que eles migrassem seus sistemas para uma redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, por exemplo, gera\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel, migra\u00e7\u00e3o para uma agricultura regenerativa. E zerar o desmatamento em pa\u00edses tropicais, onde ele \u00e9 muito alto. Espera-se que os pa\u00edses ricos entendam que s\u00e3o necess\u00e1rios centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano para n\u00e3o s\u00f3 reduzir as emiss\u00f5es nos pa\u00edses em desenvolvimento, mas principalmente tornar as popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis mais resilientes \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Mais de um bilh\u00e3o de pessoas na \u00c1frica sofrem com os extremos clim\u00e1ticos, e a \u00c1frica s\u00f3 contribuiu com 4% das emiss\u00f5es globais. O Brasil contribuiu com quase isso&nbsp;<em>[o mesmo percentual] <\/em>\u2013&nbsp;\u00e9 o quarto maior emissor historicamente do planeta. Ent\u00e3o, \u00e9 importante que pelo menos metade desse fundo v\u00e1 para tornar essas sociedades menos vulner\u00e1veis. \u00c9 preciso compensar essas popula\u00e7\u00f5es pelos danos sofridos, j\u00e1 que elas n\u00e3o contribu\u00edram quase em nada com a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Veja tamb\u00e9m:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-revista-universidade wp-block-embed-revista-universidade\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"snjcXHDGY3\"><a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/11\/08\/pesquisas-sobre-hidrogenio-verde-entram-em-foco-com-o-inicio-da-cop-27\/\">Pesquisas sobre hidrog\u00eanio verde entram em foco com o in\u00edcio da COP-27<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;Pesquisas sobre hidrog\u00eanio verde entram em foco com o in\u00edcio da COP-27&#8221; &#8212; Revista Universidade\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/11\/08\/pesquisas-sobre-hidrogenio-verde-entram-em-foco-com-o-inicio-da-cop-27\/embed\/#?secret=tvGJ6J4ajs#?secret=snjcXHDGY3\" data-secret=\"snjcXHDGY3\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>*Volunt\u00e1ria em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Pesquisador alerta que a seca da Amaz\u00f4nia est\u00e1 quase equivalente \u00e0 do Cerrado e que o bioma do Norte do pa\u00eds est\u00e1 pr\u00f3ximo de n\u00e3o conseguir mais se regenerar<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":2659,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[99],"class_list":["post-2658","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-mudancas-climaticas"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre.jpeg",919,622,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre-300x203.jpeg",300,203,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre-768x520.jpeg",768,520,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre.jpeg",919,622,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre.jpeg",919,622,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre.jpeg",919,622,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre-919x438.jpeg",919,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre-678x381.jpeg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre-678x509.jpeg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre-326x245.jpeg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2022\/11\/sc-2022-carlos-nobre-80x60.jpeg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"Pesquisador alerta que a seca da Amaz\u00f4nia est\u00e1 quase equivalente \u00e0 do Cerrado e que o bioma do Norte do pa\u00eds est\u00e1 pr\u00f3ximo de n\u00e3o conseguir mais se regenerar","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2658","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2658"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2658\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2834,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2658\/revisions\/2834"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2659"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2658"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2658"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2658"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}