{"id":2717,"date":"2022-12-27T14:58:24","date_gmt":"2022-12-27T17:58:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2717"},"modified":"2023-01-27T10:05:47","modified_gmt":"2023-01-27T13:05:47","slug":"projeto-de-combate-a-desinformacao-nas-redes-sociais-busca-reduzir-a-hesitacao-vacinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/12\/27\/projeto-de-combate-a-desinformacao-nas-redes-sociais-busca-reduzir-a-hesitacao-vacinal\/","title":{"rendered":"<strong>Projeto de combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o nas redes sociais busca reduzir a hesita\u00e7\u00e3o vacinal<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p>Um projeto de pesquisa desenvolvido na Ufes busca combater a desinforma\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, por meio do monitoramento e an\u00e1lise de dados de redes sociais. Desenvolvido pelo Laborat\u00f3rio de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic-Ufes) em parceria com o Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade (ICEPi), o estudo tem levantado dados para contribuir, entre outros temas, no combate \u00e0 hesita\u00e7\u00e3o vacinal.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor F\u00e1bio Goveia, do Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Ufes, que coordena a pesquisa, apresentou os resultados preliminares do estudo no \u00faltimo m\u00eas, em reuni\u00f5es no Instituto Butantan, em S\u00e3o Paulo, e em encontros promovidos pelo Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Sa\u00fade (Conass), no Acre, e pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIdentificamos a diferen\u00e7a de a\u00e7\u00e3o dos p\u00fablicos antivacina nas v\u00e1rias redes sociais estudadas. Geralmente, as pautas diretivas do debate antivacina partem do Telegram, onde rapidamente se espalham em um conjunto de grupos e pautam as demais redes sociais. At\u00e9 chegarem a ser tratadas na imprensa, um grupo grande de pessoas j\u00e1 foi impactado pela desinforma\u00e7\u00e3o\u201d, detalha o pesquisador, que tem analisado dados dessa rede e tamb\u00e9m do Twitter, Facebook, Instagram e Youtube.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser bem comum associar a discuss\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19, Goveia destaca que o alerta dos especialistas em rela\u00e7\u00e3o ao tema no Brasil vem de bem antes: no Acre, houve um evento significativo em 2016 e 2017, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina de papilomav\u00edrus humano (HPV) em meninas, que levou a cobertura vacinal a cair ao \u00edndice zero. \u201cO movimento antivacina cria desinforma\u00e7\u00e3o e falsos problemas. No caso do Acre, houve caso de desmaios que acabaram levando as pessoas a associarem a vacina \u00e0 epilepsia, o que n\u00e3o foi comprovado. Posteriormente, um estudo da Universidade de S\u00e3o Paulo identificou que a maioria dos desmaios foi causada por fatores psicol\u00f3gicos. \u00c9 comum que as rea\u00e7\u00f5es adversas causem identifica\u00e7\u00e3o entre quem as teve, mas a ci\u00eancia precisa comprovar a causa e consequ\u00eancia dessas rea\u00e7\u00f5es com a vacina\u201d, alerta o professor.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p><strong>An\u00e1lise de dados<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>O monitoramento da desinforma\u00e7\u00e3o ocorre n\u00e3o s\u00f3 em grupos espec\u00edficos sobre sa\u00fade e pseudoci\u00eancia, mas tamb\u00e9m em outros sobre teoria da conspira\u00e7\u00e3o. \u201cUm dos levantamentos recentes identificou a venda de passaportes vacinais pelo Telegram, para pessoas que s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0 vacina\u201d, aponta Goveia. O levantamento inicial tamb\u00e9m encontrou desinforma\u00e7\u00e3o sobre a implanta\u00e7\u00e3o de chips, medidas de controle populacional e orienta\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas para negar a vacina legalmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 v\u00e1rios graus de desinforma\u00e7\u00e3o, que v\u00e3o desde a descontextualizada at\u00e9 a efetivamente falsa. Os usu\u00e1rios \u00e0s vezes encontram a mesma informa\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios tipos de grupos, que t\u00eam tem\u00e1ticas e integrantes diferentes, o que contribui para uma compreens\u00e3o de que elas s\u00e3o verdadeiras. Em muitos casos, encontra-se uma narrativa t\u00e9cnica, assertiva, que usa at\u00e9 a metodologia cient\u00edfica para apresentar resultados, mas apresenta-se a exce\u00e7\u00e3o como se fosse a regra\u201d, detalha o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dos debates realizados em S\u00e3o Paulo, os pesquisadores e t\u00e9cnicos elaboraram um documento, entregue \u00e0 equipe de transi\u00e7\u00e3o do futuro governo federal da \u00e1rea de sa\u00fade, em que apontam sugest\u00f5es para melhorar a cobertura vacinal no Brasil, que tem sido motivo de preocupa\u00e7\u00e3o ao chegar<a href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/noticia\/cobertura-vacinal-no-brasil-esta-em-indices-alarmantes\"> <strong>a 59% da popula\u00e7\u00e3o vacinada em 2021<\/strong><\/a>, quando o \u00edndice desejado seria de 95%. \u201cEm 2023 o Plano Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o completa 50 anos de sua implementa\u00e7\u00e3o. O Brasil \u00e9 refer\u00eancia em vacina\u00e7\u00e3o, por isso, n\u00e3o se esperava que este problema fosse acontecer em nosso pa\u00eds. A falta de comunica\u00e7\u00e3o oficial e de organiza\u00e7\u00e3o impactou nesse resultado\u201d, afirma Goveia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ap\u00f3s um levantamento inicial, a pesquisa, que tem a dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas anos, vai se aprofundar na organiza\u00e7\u00e3o e sistematiza\u00e7\u00e3o dos resultados, com ajustes metodol\u00f3gicos que incluem a atualiza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de coleta e novos <em>scripts <\/em>para minera\u00e7\u00e3o de dados com o uso do software livre Ford, desenvolvido pelo Labic.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados das pesquisas s\u00e3o apresentados aos gestores p\u00fablicos do Estado do Esp\u00edrito Santo \u2013 especialmente os das \u00e1reas de comunica\u00e7\u00e3o e de sa\u00fade \u2013, para que se busquem estrat\u00e9gias para combater as desinforma\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Tamb\u00e9m s\u00e3o apresentados aos profissionais da Secretaria de Estado de Sa\u00fade (Sesa) em forma\u00e7\u00f5es, para uma multiplica\u00e7\u00e3o do combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea e para que sejam elaboradas pol\u00edticas p\u00fablicas de combate \u00e0 infodemia \u2013 termo utilizado pela <a href=\"https:\/\/iris.paho.org\/bitstream\/handle\/10665.2\/52054\/Factsheet-Infodemic_por.pdf\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade<\/a> (OMS), ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia de covid-19, para referir-se a \u201cum excesso de informa\u00e7\u00f5es, algumas precisas e outras n\u00e3o, que tornam dif\u00edcil encontrar fontes id\u00f4neas e orienta\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis quando se precisa\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Texto e edi\u00e7\u00e3o: Lidia Neve<\/em>s<\/p>\n\n\n\n<p><em>Imagem: Wikimedia Commons<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table is-style-regular\"><table><tbody><tr><td><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O movimento antivacina cria desinforma\u00e7\u00e3o e falsos problemas, associando, por exemplo, vacinas a doen\u00e7as como a 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