{"id":2726,"date":"2023-01-04T16:24:38","date_gmt":"2023-01-04T19:24:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2726"},"modified":"2023-02-06T09:23:04","modified_gmt":"2023-02-06T12:23:04","slug":"pesquisas-avaliam-aspectos-da-interacao-em-conversas-e-debates","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2023\/01\/04\/pesquisas-avaliam-aspectos-da-interacao-em-conversas-e-debates\/","title":{"rendered":"Pesquisas avaliam aspectos da intera\u00e7\u00e3o em conversas e debates"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8211; Por Vitor Guerra* &#8211;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vamos conversar? Voc\u00ea sabia que a intera\u00e7\u00e3o social, por mais espont\u00e2nea que pare\u00e7a, tamb\u00e9m segue uma l\u00f3gica? Ao conversarmos, usamos diversos recursos para nos fazer compreens\u00edveis, como a voz e os gestos. Para Roberto Perobelli, professor e pesquisador do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Lingu\u00edstica (PPGEL) da Ufes, a conversa tem uma organiza\u00e7\u00e3o e, por mais \u00e0 vontade que os participantes estejam, h\u00e1 um ritmo na intera\u00e7\u00e3o entre pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudioso do campo da an\u00e1lise da conversa (AC) h\u00e1 quase 20 anos, Perobelli afirma que a preocupa\u00e7\u00e3o, ao se pensar nessa \u00e1rea, vai al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es verbais. \u201c\u00c9 muito mais que isso; olhamos para a sobreposi\u00e7\u00e3o de vozes, interrup\u00e7\u00f5es, pausas e gestos, isso tudo \u00e9 importante para entender o que acontece no di\u00e1logo entre duas pessoas\u201d. O professor diz, ainda, que a an\u00e1lise da conversa parte do pressuposto de que falar \u00e9 fazer algo. \u201cAo falar, n\u00f3s implementamos a\u00e7\u00f5es sociais. Essas a\u00e7\u00f5es sociais v\u00e3o muito al\u00e9m da fala: \u00e9 uma caminhada, o gesticular e at\u00e9 mesmo o tom da voz\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria de Perobelli no campo da AC come\u00e7ou em 2004, com estudos sobre di\u00e1logos por liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas. Diferentemente da conversa multimodal, que leva em conta intera\u00e7\u00f5es visuais e gestos, a conversa telef\u00f4nica, por considerar pares que est\u00e3o afastados, n\u00e3o tem a an\u00e1lise do visual. \u201cPesquisando a conversa telef\u00f4nica, os resultados apontaram que a fala [com uso do aparelho] \u00e9 muito organizada, e que encerrar uma conversa remotamente \u00e9 muito dif\u00edcil: em geral, o usu\u00e1rio fica muito tempo tentando desligar o telefone at\u00e9 conseguir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor afirma que, em certos espa\u00e7os de conversa, quanto mais explica\u00e7\u00e3o se oferece, mais conflito isso gera. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de sua tese de doutorado. \u201cQuando estudei o cen\u00e1rio jur\u00eddico, pude presenciar algumas intera\u00e7\u00f5es conflituosas na Vara de Fam\u00edlia, por exemplo, [com] um ex-casal brigando na frente da assistente social; e quanto mais as partes tentavam se explicar, mais conflito geravam\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Debates eleitorais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, o novo desafio do professor Perobelli e seus dois estudantes de doutorado, Ana Carolina Goulart e M\u00e1rcio Reis, \u00e9 um estudo sobre a an\u00e1lise da conversa com foco em debates e entrevistas com os candidatos a presidente na elei\u00e7\u00e3o de 2022 no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor explica que a escolha pelo novo campo de estudo partiu de uma conversa entre ele e seus orientandos. \u201cEu tenho me dedicado a estudar o campo das emo\u00e7\u00f5es na intera\u00e7\u00e3o, e foi assim que M\u00e1rcio e Carolina despertaram interesse pelos debates e entrevistas eleitorais. A elei\u00e7\u00e3o de 2022 foi muito marcada pelos afetos, o campo emotivo estava muito aflorado em todos os lados; assim, pensamos que pudesse ser uma via interessante\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da an\u00e1lise da conversa no campo dos debates eleitorais, os doutorandos pretendem gerar um estudo relevante e que ajude os diversos agentes envolvidos no processo eleitoral. \u201cNo caso do debate, nosso estudo pode atingir v\u00e1rios agentes. Na pr\u00e1tica podemos gerar um estudo que ajude os entrevistados e entrevistadores a serem mais desenvoltos, bem como os \u00e2ncoras e os participantes de um debate eleitoral\u201d, diz Perobelli.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reis afirma que os resultados preliminares apontam para uma transforma\u00e7\u00e3o nos modelos dos debates eleitorais. \u201cO debate tem buscado recursos da conversa cotidiana para chegar aos telespectadores, porque a conversa n\u00e3o \u00e9 entre os dois debatedores, eles t\u00eam que manter um di\u00e1logo com o eleitor\/telespectador. A conversa, no debate eleitoral, \u00e9, muitas vezes, feita olhando para a c\u00e2mera e n\u00e3o para o advers\u00e1rio. Isso \u00e9 inicial, mas vem chamando a nossa aten\u00e7\u00e3o a maneira como o debate e as entrevistas t\u00eam se apoderado dos elementos da conversa cotidiana\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores explicam que a decis\u00e3o do escopo do estudo foi individual. \u201cEu me interessei mais pelas entrevistas, me sentia mais \u00e0 vontade assistindo a uma entrevista do candidato do que ao debate; aquela tens\u00e3o gerada pelo debate me deixava mal, n\u00e3o era proveitoso\u201d, afirma Goulart. J\u00e1 M\u00e1rcio preferiu os debates. \u201cEu ficava mais ligado nos debates, gostava de observar mais os gestos e como os candidatos se portavam\u201d, afirma. Em meio a tantas entrevistas e diversos debates eleitorais, ambos delimitaram um recorte temporal para as pesquisas, a data \u00e9 a partir do dia 16 de agosto, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou o in\u00edcio das campanhas eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>* Bolsista em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagem: Pixabay-CC <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>A trajet\u00f3ria do pesquisador Roberto Perobelli no campo da An\u00e1lise da Conversa come\u00e7ou em 2004, com estudos sobre di\u00e1logos por liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":2727,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[],"class_list":["post-2726","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa.jpg",1920,1267,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa-300x198.jpg",300,198,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa-768x507.jpg",768,507,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa-1024x676.jpg",1024,676,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa-1536x1014.jpg",1536,1014,true],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa.jpg",1920,1267,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa-1030x438.jpg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa-678x509.jpg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/01\/Pixabay-CC-conversa-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli_checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A trajet\u00f3ria do pesquisador Roberto Perobelli no campo da An\u00e1lise da Conversa come\u00e7ou em 2004, com estudos sobre di\u00e1logos por liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/397"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2726"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2726\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2729,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2726\/revisions\/2729"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2727"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}