{"id":273,"date":"2018-12-13T09:12:13","date_gmt":"2018-12-13T11:12:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=273"},"modified":"2019-08-08T11:47:51","modified_gmt":"2019-08-08T14:47:51","slug":"ciencia-e-tecnologia-qualificam-a-producao-de-cacau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/12\/13\/ciencia-e-tecnologia-qualificam-a-producao-de-cacau\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia e tecnologia qualificam a produ\u00e7\u00e3o de cacau"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8211; Por Luiz Vital &#8211;<\/em><\/p>\n<p><em><strong>O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o quarto maior produtor de cacau do pa\u00eds e conta com certificados e pr\u00eamios internacionais para o chocolate fabricado a partir da mat\u00e9ria-prima. Pesquisas realizadas na Ufes buscam otimizar o processo de produ\u00e7\u00e3o, mantendo sua alta qualidade.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Assim como o inhame de S\u00e3o Bento de Ur\u00e2nia (no munic\u00edpio de Alfredo Chaves), o socol de Venda Nova do Imigrante, a panela de barro produzida no bairro Goiabeiras (em Vit\u00f3ria) e o m\u00e1rmore extra\u00eddo em Cachoeiro de Itapemirim, o cacau de Linhares, no norte do Estado, possui o Certificado de Indica\u00e7\u00e3o de Proced\u00eancia Reconhecida (IP). Este importante selo de qualidade, atribu\u00eddo pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), confere reputa\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o que produz um bem ou servi\u00e7o. Quarto produtor nacional, o Esp\u00edrito Santo estende sua cacauicultura para outros 30 munic\u00edpios. O munic\u00edpio de Linhares, sozinho, \u00e9 respons\u00e1vel por 90% da produ\u00e7\u00e3o regional. E, para agregar mais valor ao cacau e elevar a sua produtividade, a ind\u00fastria do chocolate aposta no desenvolvimento da pesquisa cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O IP foi concedido \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o dos Cacauicultores de Linhares (Acal) em 2012. Para manter a certifica\u00e7\u00e3o e a competitividade no mercado internacional, \u00e9 necess\u00e1rio que sejam desenvolvidos processos de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica em todas as etapas do processo produtivo, especialmente na fase de secagem. Novos m\u00e9todos, como a secagem de convec\u00e7\u00e3o artificial, buscam evitar riscos de contamina\u00e7\u00e3o f\u00edsica e microbiol\u00f3gica das am\u00eandoas de cacau e proteger o fruto \u00e0s varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, que podem interferir no processo.<\/p>\n<p>Uma das recentes pesquisas desenvolvidas na Ufes, finalizada em 2018, estuda a utiliza\u00e7\u00e3o de equipamentos para a secagem artificial, buscando efici\u00eancia energ\u00e9tica, de modo a otimizar estruturalmente os processos em termos de economia, al\u00e9m de possibilitar mais valor agregado ao produto, mantendo a sua qualidade. Outro estudo, conclu\u00eddo no ano anterior, desenvolve ferramentas para o melhoramento gen\u00e9tico do fruto. E os efeitos come\u00e7am a surgir: o cacau produzido em uma propriedade rural de Linhares foi escolhido, em 2017, como um dos 18 melhores do mundo no Sal\u00e3o do Chocolate, em Paris, e classificado com o certificado Cacau de Excel\u00eancia.<\/p>\n<h2>Manjar dos deuses<\/h2>\n<p>De acordo com dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural (Incaper), a cacauicultura do Estado ocupa uma \u00e1rea cultivada de 23.672 hectares, com produ\u00e7\u00e3o anual de cerca de 5,5 mil toneladas de am\u00eandoas. A denomina\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que o cacau recebeu \u00e9 Theobroma cacao, cuja tradu\u00e7\u00e3o literal \u00e9 \u201cmanjar dos deuses\u201d ou \u201calimento dos deuses\u201d.<\/p>\n<p>Relatos hist\u00f3ricos indicam que colonizadores espanh\u00f3is encontraram o fruto quando desembarcaram na Am\u00e9rica Central por volta de 1520 e o levaram para a Europa. Em em meados dos anos 1600 surgiu a primeira f\u00e1brica de chocolates na Fran\u00e7a. Da\u00ed em diante, o plantio do cacau se espalhou pelo mundo, sobretudo na Am\u00e9rica do Sul e na \u00c1frica.<\/p>\n<p>O cacau \u00e9 tradicionalmente cultivado em sistema denominado cabruca, que \u00e9 uma t\u00e9cnica de cultivo sustent\u00e1vel em que a cultura da planta se intercala com estratos florestais, e por isso \u00e9 chamada de planta ecol\u00f3gica. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Cacau (ICCO), cerca de 90% da produ\u00e7\u00e3o mundial ocorre em pequenas propriedades rurais e prioritariamente em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente. No Esp\u00edrito Santo, a produ\u00e7\u00e3o ocorre h\u00e1 cerca de 100 anos e se d\u00e1 principalmente em \u00e1reas preservadas de Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>As principais etapas do processamento s\u00e3o: colheita, quebra dos frutos, fermenta\u00e7\u00e3o e secagem das am\u00eandoas. No Brasil, o m\u00e9todo de secagem mais tradicional \u00e9 o espalhamento das am\u00eandoas pelo ch\u00e3o, em piso de concreto, ou suspenso em bandejas expostas \u00e0 luz solar.<\/p>\n<p>A am\u00eandoa do cacau \u00e9 mat\u00e9ria-prima para a ind\u00fastria do chocolate. O Brasil chegou a ocupar o segundo lugar do mundo na produ\u00e7\u00e3o do fruto, entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1980. Na d\u00e9cada seguinte, a doen\u00e7a conhecida como vassoura de bruxa destruiu cerca de 60% das planta\u00e7\u00f5es. Em 2016, o Brasil ocupava o sexto lugar da produ\u00e7\u00e3o de cacau no ranking da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO).<\/p>\n<p>Al\u00e9m do uso na fabrica\u00e7\u00e3o de chocolate, do fruto tamb\u00e9m podem ser feitos sucos, manteiga de cacau, mel, geleias, \u00e1lcool, vinagre, vinho e licores. O cacau pode ter aproveitamento total, j\u00e1 que as cascas servem para fabricar fertilizante org\u00e2nico ou ra\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>Pesquisas apontam que suas sementes e a polpa s\u00e3o ricas em vitaminas e minerais, e excelentes antioxidantes. \u201cCom o uso de novas t\u00e9cnicas obtidas em estudos, \u00e9 poss\u00edvel a maior explora\u00e7\u00e3o do fruto, proporcionando a sua utiliza\u00e7\u00e3o em outras \u00e1reas da alimenta\u00e7\u00e3o e de cosm\u00e9ticos\u201d, diz a pesquisadora da Ufes Daniele Freisleben Lavanhole.<\/p>\n<h2>Em busca da qualidade gen\u00e9tica<\/h2>\n<p>Estudos desenvolvidos por Daniele Lavanhole objetivam identificar as caracter\u00edsticas dos frutos e sementes de cacaueiro. A pesquisa vai auxiliar os programas de melhoramento gen\u00e9tico do fruto, na sele\u00e7\u00e3o de materiais com alta produtividade e com resist\u00eancia a doen\u00e7as. A pesquisa, desenvolvida no mestrado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Agricultura Tropical (PPGAT), do Centro Universit\u00e1rio Norte do Esp\u00edrito Santo (Ceunes) da Ufes, tem como t\u00edtulo \u201cAn\u00e1lise de diversidade gen\u00e9tica eecofisiologia de germina\u00e7\u00e3o de Theobroma cacao L\u201d.<br \/>\nPara se obter um produto de qualidade que atenda as exig\u00eancias do mercado, Daniele diz que \u00e9 preciso dominar a t\u00e9cnica de escolher a variedade gen\u00e9tica adequada, antes do plantio. \u201cQuando se fala em cacau de qualidade, \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o diferentes fatores, da escolha do gen\u00f3tipo at\u00e9 a sua colheita.\u201d Ela explica que a sele\u00e7\u00e3o do gen\u00f3tipo deve se basear em sua produtividade e na sua resist\u00eancia \u00e0s principais doen\u00e7as da lavoura cacaueira. \u201cOutros fatores como poda, an\u00e1lise de solo, irriga\u00e7\u00e3o, \u00e9poca de colheita do fruto e beneficiamento das sementes tamb\u00e9m devem ser considerados\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O estudo possibilitou \u00e0 pesquisadora identificar exemplares com melhor desenvolvimento para a produ\u00e7\u00e3o de mudas. \u201cA escolha de materiais promissores, que s\u00e3o altamente produtivos, resistentes \u00e0s principais doen\u00e7as do cacaueiro e de f\u00e1cil manejo, \u00e9 fundamental para uma colheita rent\u00e1vel\u201d, diz.<\/p>\n<p>A pesquisa avalia, tamb\u00e9m, a intera\u00e7\u00e3o do gen\u00f3tipo com temperaturas e per\u00edodos de secagem na germina\u00e7\u00e3o, e com o desenvolvimento p\u00f3s-germinativo do cacaueiro, auxiliando a identifica\u00e7\u00e3o de materiais que sejam mais adaptados \u00e0s adversidades ambientais.<\/p>\n<h3>Processo germinativo<\/h3>\n<p>Os frutos dos diferentes gen\u00f3tipos de cacaueiro, de acordo com os estudos, possuem grande variabilidade morfol\u00f3gica e de colora\u00e7\u00e3o, dependendo do est\u00e1gio de matura\u00e7\u00e3o. \u201cA forma do fruto, o tamanho e a cor s\u00e3o importantes ferramentas para a identifica\u00e7\u00e3o dos gen\u00f3tipos \u2013 composi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do fruto \u2013 por serem de f\u00e1cil constata\u00e7\u00e3o e visualiza\u00e7\u00e3o, com alta herdabilidade (coeficiente que mede a variabilidade e valor gen\u00e9tico) e por sofrerem pouca varia\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Daniele Lavanhole salienta que o seu trabalho \u00e9 uma ferramenta para os melhoristas gen\u00e9ticos. \u201cNa pesquisa, eu apresentei os frutos e sementes com melhores atributos, e os gen\u00f3tipos com processos germinativos mais efi cazes para o desenvolvimento de mudas com qualidade gen\u00e9tica superior\u201d, destaca.<\/p>\n<p>O processo germinativo do cacau, segundo a pesquisadora, \u00e9 regulado por v\u00e1rios fatores ambientais como umidade, oxig\u00eanio, temperatura, luz e nutrientes. A germina\u00e7\u00e3o de sementes \u00e9 o primeiro est\u00e1gio do biociclo vegetal, que se inicia com a embebi\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pela semente e culmina com a protrus\u00e3o radicular \u2013 movimento que provoca a press\u00e3o da raiz e faz a planta crescer.<\/p>\n<p>Daniele explica que o processo de germina\u00e7\u00e3o p\u00f3s-colheita, que ocorre devido ao elevado grau de umidade do fruto, n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 produtividade. \u201cAs sementes de cacaueiro s\u00e3o classificadas como recalcitrantes, ou seja, possuem elevado teor de umidade, o que favorece a germina\u00e7\u00e3o ainda dentro do fruto. Isso tem se tornado um grande problema para os cacauicultores, porque sementes germinadas n\u00e3o podem ser utilizadas no beneficiamento do cacaueiro\u201d, observa. Origin\u00e1rio dos tr\u00f3picos, o cacaueiro se adapta bem em regi\u00f5es com temperaturas m\u00e9dias superiores a 21\u00b0C. Nos meses mais frios do ano pode ocorrer inj\u00faria nas sementes, resultando em um produto final de qualidade inferior. O cacau \u00e9 uma planta que necessita de precipita\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas superiores a 1.300 mil\u00edmetros anuais, caso contr\u00e1rio \u00e9 necess\u00e1ria irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Produ\u00e7\u00e3o capixaba<\/h3>\n<p>No Esp\u00edrito Santo, o cacau \u00e9 produzido principalmente em pequenas propriedades localizadas na regi\u00e3o do Baixo Rio Doce, onde tamb\u00e9m h\u00e1 a presen\u00e7a de grandes cacauicultores. O clima tropical da regi\u00e3o justifica a elevada produtividade, com clima considerado do tipo tropical, quente \u00famido, com chuvas no ver\u00e3o e inverno seco. O \u00edndice pluviom\u00e9trico da regi\u00e3o \u00e9 de 1.193 mm\/ano e a temperatura m\u00e9dia \u00e9 de 23,4\u00baC, com a m\u00e1xima de 32\u00baC e a m\u00ednima de 19,6\u00baC, que s\u00e3o ideais.<\/p>\n<p>Daniele, por\u00e9m, aponta que h\u00e1 muito a ser melhorado. \u201cDentre os principais fatores que dificultam a produ\u00e7\u00e3o no Estado est\u00e3o as doen\u00e7as, os plantios antigos e com baixa densidade de plantas por hectare, o manejo inadequado da cultura e o tipo de gen\u00f3tipo utilizado\u201d. Para a pesquisadora, a escolha do gen\u00f3tipo \u00e9 determinante desde a implanta\u00e7\u00e3o da lavoura at\u00e9 o beneficiamento das sementes, incluindo a resist\u00eancia a enfermidades.<\/p>\n<p>Segundo ela, a realidade atual de muitas lavouras facilita o avan\u00e7o de diversas doen\u00e7as, entre elas a vassoura-de-bruxa, comprometendo a produtividade. \u201cAinda n\u00e3o existem produtos fitossanit\u00e1rios que sejam efi cientes no combate \u00e0 doen\u00e7a. Os cacauicultores adotam medidas profil\u00e1ticas como a retirada de galhos com a doen\u00e7a. \u00c0s vezes, retiram a planta inteira e, dependendo do grau de infesta\u00e7\u00e3o, toda a lavoura \u00e9 derrubada\u201d, explica Daniele.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos tradicionais ainda utilizados em pequenas propriedades do Esp\u00edrito Santo s\u00e3o adequados, segundo a pesquisadora. \u201cDesde que sejam executados com todas as precau\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, atendendo a todas as exig\u00eancias para cada etapa do processo de produ\u00e7\u00e3o, como colheita, transporte, fermenta\u00e7\u00e3o, fermenta\u00e7\u00e3o microbiana, fase alco\u00f3lica, fase ac\u00e9tica, secagem, teste de corte e armazenamento, para que o produto tenha qualidade elevada\u201d, assinala. Mas ela avalia que a ado\u00e7\u00e3o de novas tecnologias de produ\u00e7\u00e3o melhorariam a rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio para o agricultor.<\/p>\n<figure id=\"attachment_276\" aria-describedby=\"caption-attachment-276\" style=\"width: 4160px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-276\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/daniela-cacau-experimentos.jpg\" alt=\"Acervo pessoal\" width=\"4160\" height=\"2336\"><figcaption id=\"caption-attachment-276\" class=\"wp-caption-text\">Graduada em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Ufes e mestre na \u00e1rea de Produ\u00e7\u00e3o Vegetal tamb\u00e9m pela Universidade, Daniele Freisleben Lavanhole desenvolveu sua pesquisa no PPGAT do Ceunes\/Ufes. O seu projeto foi financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes) e recebeu apoio da Comiss\u00e3o Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural (Incaper).<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Efici\u00eancia energ\u00e9tica com qualidade<\/h2>\n<p>Outra pesquisa busca obter a efici\u00eancia energ\u00e9tica na ind\u00fastria do chocolate. Em seu mestrado, no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Energia (PPGEn), do Centro Universit\u00e1rio Norte do Esp\u00edrito Santo (Ceunes) da Ufes, Rodrigo Mazolini Imberti estudou a secagem artificial de am\u00eandoas de cacau, com otimiza\u00e7\u00e3o estrutural do processo de beneficiamento para preserva\u00e7\u00e3o da qualidade do fruto. Os experimentos buscaram obter a maior efici\u00eancia energ\u00e9tica em um secador de am\u00eandoas do tipo t\u00fanel de vento, mantendo qualidade do produto.<br \/>\nAp\u00f3s os experimentos, o pesquisador conseguiu quantificar os compostos fen\u00f3licos presentes nas am\u00eandoas com atividade antioxidante satisfat\u00f3ria. Ele observou que, dos regimes de modula\u00e7\u00e3o de temperatura utilizados, a que apresentou maior efici\u00eancia \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o da temperatura degrau abaixo \u2013 step down \u2013, alcan\u00e7ando menor tempo de secagem e maior preserva\u00e7\u00e3o de compostos fen\u00f3licos. \u201cUtilizando o regime step down, foi poss\u00edvel obter melhor efici\u00eancia energ\u00e9tica, apresentando menor tempo de secagem comparado com outros regimes para a mesma velocidade do ar de secagem\u201d, explica Rodrigo Imberti.<\/p>\n<p>Ele aponta que o trabalho desenvolvido na \u00e1rea de secagem pode ser ampliado para processos semelhantes com outros alimentos, e para outros secadores, porque aborda as modula\u00e7\u00f5es de temperatura \u2013 fun\u00e7\u00e3o degrau \u2013 com o tempo. Essas combina\u00e7\u00f5es resultam em efici\u00eancia energ\u00e9tica e qualidade de am\u00eandoas secas de cacau, proporcionando o melhor sabor e aroma dos produtos derivados do cacau, como o chocolate e outros.<\/p>\n<h3>Efici\u00eancia energ\u00e9tica<\/h3>\n<p>Alternativas tecnol\u00f3gicas para processos de secagem mais econ\u00f4micos e sustent\u00e1veis s\u00e3o testadas em fazendas do Estado. \u201cExistem propriedades que utilizam a secagem com estufas em leitos suspensos, para se evitar o contato da am\u00eandoa diretamente com o solo. Essa estufa pode ter a ventila\u00e7\u00e3o controlada e \u00e9 uma forma que tem se mostrado bastante vi\u00e1vel. No entanto, ela depende das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u201d, explica o pesquisador. Outros secadores artificiais tamb\u00e9m contribuem para uma maior independ\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e aumento da qualidade das am\u00eandoas.<\/p>\n<p>Nas fazendas cacaueiras visitadas no Esp\u00edrito Santo e na Bahia, Imberti constata que nenhuma eliminou a secagem solar. Ele diz ser poss\u00edvel que os m\u00e9todos tradicionais convivam com novas tecnologias, como secadores a lenha customizados que n\u00e3o deixam a fuma\u00e7a entrar em contato com as am\u00eandoas, ou secadores com aquecimento por meio de resistores el\u00e9tricos, sem risco de contamina\u00e7\u00e3o das am\u00eandoas. Em seus estudos, Imberti busca aumentar a qualidade do produto, com redu\u00e7\u00e3o do consumo energ\u00e9tico. Ele explica que geralmente, na busca por excel\u00eancia, gasta-se mais energia.<\/p>\n<p>Novos estudos podem melhorar a efici\u00eancia energ\u00e9tica nas diferentes formas de secagem, de acordo com Imberti, como por exemplo o dimensionamento de um secador adequado que combine a energia el\u00e9trica com outras fontes t\u00e9rmicas, como a solar. Nos experimentos do pesquisador e em dados coletados por ele na literatura, foi observado que, no geral, a economia atinge o ponto mais alto no in\u00edcio da secagem, pois nessa fase h\u00e1 apenas a umidade \u00e9 eliminada, \u00e9 preciso fornecer mais energia para retirar a umidade interna das am\u00eandoas de cacau, por meio do aumento da temperatura.<\/p>\n<h3>Transforma\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas<\/h3>\n<p>Entre as vantagens dos secadores artificiais, o pesquisador destaca \u201ca diminui\u00e7\u00e3o do tempo de secagem, que pode ser reduzido a algumas horas, porque h\u00e1 o controle da temperatura e da velocidade do ar secante\u201d. Imberti aponta tamb\u00e9m que h\u00e1 secadores que usam o resfriamento para retirar a umidade do ar, e depois \u00e9 feito o aquecimento, com um equipamento denominado \u201cbomba de calor\u201d. Apesar dos benef\u00edcios de controle desse secador, ele apresenta elevado consumo energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>J\u00e1 a secagem solar tradicional tem vantagens como a sua f\u00e1cil implementa\u00e7\u00e3o nas fazendas, por n\u00e3o demandar investimentos significativos, e por n\u00e3o necessitar de energia el\u00e9trica e de nenhum tipo de combust\u00edvel. Por outro lado, \u201ca qualidade das am\u00eandoas pode ser comprometida, j\u00e1 que em dias de chuva h\u00e1 o risco de contamina\u00e7\u00e3o f\u00edsica, qu\u00edmica e biol\u00f3gica\u201d, analisa. Ele tamb\u00e9m destaca a necessidade elevada de m\u00e3o de obra para a manuten\u00e7\u00e3o das am\u00eandoas nas barca\u00e7as de cacau e nos processos de revirar, ensacar e despejar as am\u00eandoas diariamente.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, as altera\u00e7\u00f5es das am\u00eandoas de cacau podem impactar a qualidade do produto final. \u201cAntes da etapa de secagem, geralmente, vem a de fermenta\u00e7\u00e3o das am\u00eandoas, em que ocorrem transforma\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas significativas que conferem o sabor e aroma desejados para determinados produtos de cacau, principalmente o chocolate\u201d, explica. \u201cEssas transforma\u00e7\u00f5es continuam na etapa de secagem, considerando que algumas formas de beneficiamento excluem a fase da fermenta\u00e7\u00e3o, para conferir maior concentra\u00e7\u00e3o de compostos fen\u00f3licos\u201d, acrescenta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_277\" aria-describedby=\"caption-attachment-277\" style=\"width: 333px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-277\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/rodrigo-cacau-10.jpg\" alt=\"Acervo pessoal\" width=\"333\" height=\"444\"><figcaption id=\"caption-attachment-277\" class=\"wp-caption-text\">Rodrigo Imberti estudou m\u00e9todos alternativos de secagem das am\u00eandoas de cacau<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Refer\u00eancia mundial<\/h3>\n<p>De acordo com Rodrigo Imberti, o beneficiamento do cacau come\u00e7a ap\u00f3s a colheita de frutos maduros e saud\u00e1veis e segue na ruptura dos frutos, que depois s\u00e3o conduzidos para o processo de fermenta\u00e7\u00e3o. Em seguida, vem a secagem, pelo m\u00e9todo tradicional ou artificial \u2013 em secadores el\u00e9tricos, caldeiras a vapor ou estufa solar. Depois vem o armazenamento e, na sequ\u00eancia, a comercializa\u00e7\u00e3o direta ou a produ\u00e7\u00e3o de derivados de cacau na pr\u00f3pria fazenda.<\/p>\n<p>Nas fazendas de cacau, sobretudo em pequenas propriedades, prevalece o conhecimento emp\u00edrico no beneficiamento do fruto. Imberti avalia que a ind\u00fastria muitas vezes n\u00e3o acompanha os processos tradicionais nas pequenas propriedades. \u201cSalvo em casos especiais em que s\u00e3o feitas parcerias com algumas fazendas cacaueiras. Geralmente, os produtores vendem suas am\u00eandoas para cooperativas ou atravessadores, e esses, por sua vez, comercializam para as ind\u00fastrias.\u201d<\/p>\n<p>Para o pesquisador, o cacau produzido no Esp\u00edrito Santo tem se destacado entre os melhores do mundo devido \u00e0 qualidade do seu produto. \u201cOs pr\u00eamios nacionais e internacionais que tem recebido s\u00e3o muito representativos para o cacau capixaba, e significa que \u00e9 preciso manter esse padr\u00e3o e elevar sua qualidade para que se mantenha bem posicionado no mercado\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>O trabalho final de mestrado de Rodrigo Mazolini Imberti, \u201cEstudo da secagem artificial de am\u00eandoas de cacau visando ao aproveitamento na ind\u00fastria de chocolate \u2013 otimiza\u00e7\u00e3o estrutural do processo e efici\u00eancia energ\u00e9tica\u201d, foi desenvolvido com bolsa concedida pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes) e apoio da Comiss\u00e3o Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), que cedeu os frutos para os experimentos. Imberti foi orientado pelo professor Leonardo da Silva Arrieche e coorientado por Paulo Sergio da Silva Porto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>&#8211; Por Luiz Vital &#8211; O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o quarto maior produtor de cacau do pa\u00eds e conta com certificados e pr\u00eamios internacionais para <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/12\/13\/ciencia-e-tecnologia-qualificam-a-producao-de-cacau\/\" title=\"Ci\u00eancia e tecnologia qualificam a produ\u00e7\u00e3o de cacau\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":279,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,45,9],"tags":[35,37,36],"class_list":["post-273","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-edicao-009","category-noticias","tag-cacau","tag-ceunes","tag-secagem-de-cacau"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",783,588,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",150,113,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",300,225,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",768,577,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",783,588,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",783,588,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",783,588,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",583,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",507,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",678,509,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",326,245,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/cacau-pxb-post.jpg",80,60,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"&#8211; Por Luiz Vital &#8211; O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o quarto maior produtor de cacau do pa\u00eds e conta com certificados e pr\u00eamios internacionais para [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=273"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":616,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/273\/revisions\/616"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}