{"id":2749,"date":"2023-02-06T09:22:00","date_gmt":"2023-02-06T12:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2749"},"modified":"2023-03-07T12:05:52","modified_gmt":"2023-03-07T15:05:52","slug":"pesquisa-identifica-melhores-cultivares-de-cafe-para-reflorestamento-de-parque-em-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2023\/02\/06\/pesquisa-identifica-melhores-cultivares-de-cafe-para-reflorestamento-de-parque-em-mocambique\/","title":{"rendered":"Pesquisa identifica melhores cultivares de caf\u00e9 para reflorestamento de parque em Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8211; Por Ghenis Carlos Silva* &#8211; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa desenvolvida na Ufes amplia a possibilidade de cultivar caf\u00e9 em uma \u00e1rea de conserva\u00e7\u00e3o localizada na regi\u00e3o central de Mo\u00e7ambique: o Parque Nacional da Gorongosa. Durante seu mestrado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Gen\u00e9tica e Melhoramento da Ufes, o pesquisador mo\u00e7ambicano Niquise Jos\u00e9 Alberto investigou a diversidade gen\u00e9tica de nove cultivares de <em>coffea arabica<\/em> plantadas no parque, avaliando concentra\u00e7\u00e3o, ac\u00famulo, retirada e retorno de nutrientes e caracter\u00edsticas biom\u00e9tricas e anat\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>As cultivares s\u00e3o esp\u00e9cies de plantas que foram melhoradas devido \u00e0 altera\u00e7\u00e3o ou \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o, pelo homem, de uma caracter\u00edstica que antes n\u00e3o possu\u00edam. Elas se distinguem das outras variedades da mesma esp\u00e9cie de planta por sua homogeneidade, estabilidade e novidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Parque Nacional da Gorongosa tem cerca de 4 mil quil\u00f4metros quadrados de territ\u00f3rio, \u00e1rea semelhante \u00e0 dos munic\u00edpios brasileiros de Linhares (ES) e Campos dos Goytacazes (RJ). Fundado em 1960, o local passou por uma grande destrui\u00e7\u00e3o durante a guerra civil ocorrida nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980. Est\u00e1 sendo reflorestado com a ajuda do cultivo de caf\u00e9, plantado juntamente com \u00e1rvores nativas. O projeto Tricaf\u00e9, feito em parceria da Ufes com o Parque e o Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa (Portugal), colabora para a revitaliza\u00e7\u00e3o do parque e o desenvolvimento sustent\u00e1vel de cerca de mil fam\u00edlias que vivem no local, com gera\u00e7\u00e3o de renda e instala\u00e7\u00e3o de equipamentos p\u00fablicos, como escolas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"2752\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/frutos-cafe-tricafe-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2752\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/frutos-cafe-tricafe-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/frutos-cafe-tricafe-225x300.jpeg 225w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/frutos-cafe-tricafe-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/frutos-cafe-tricafe.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Estudo analisou a presen\u00e7a de nutrientes no fruto de caf\u00e9 e tamb\u00e9m no gr\u00e3o e na palha<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"2753\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/niquisse-partelli-cafe-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2753\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/niquisse-partelli-cafe-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/niquisse-partelli-cafe-300x169.jpeg 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/niquisse-partelli-cafe-768x432.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/niquisse-partelli-cafe-678x381.jpeg 678w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/niquisse-partelli-cafe.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Niquisse Jos\u00e9 Alberto (\u00e0 dir.) foi orientado em seu mestrado por F\u00e1bio Partelli (\u00e0 esq.)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"2755\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/graos-cafe-tricafe-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2755\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/graos-cafe-tricafe-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/graos-cafe-tricafe-225x300.jpeg 225w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/graos-cafe-tricafe-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/graos-cafe-tricafe.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Plantio de caf\u00e9 contribui para gerar renda para as fam\u00edlias da regi\u00e3o do Parque Nacional da Gorongosa<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\u201cO caf\u00e9 \u00e9 uma cultura nova que est\u00e1 sendo introduzida em Mo\u00e7ambique, dessa maneira surge a necessidade de avaliar quais cultivares podem ser mais adapt\u00e1veis a essa regi\u00e3o, de modo que aconte\u00e7a, tamb\u00e9m, uma produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. Assim, garante-se a prote\u00e7\u00e3o ambiental dessa regi\u00e3o, a fonte de renda, a seguran\u00e7a alimentar e o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o local\u201d, explica Alberto. A produtividade e a diversidade de caf\u00e9s no Brasil levaram o pesquisador a fazer seu mestrado no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O orientador de Alberto, professor F\u00e1bio Partelli, coordena a parte brasileira do projeto. Partelli ressalta que a Gorongosa \u00e9 uma \u00e1rea em que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o vive em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e falta de oportunidades. \u201cNessa regi\u00e3o, que \u00e9 uma das mais pobres de Mo\u00e7ambique, cerca de 95% dos jovens s\u00e3o analfabetos. Ent\u00e3o, pensando na preserva\u00e7\u00e3o do parque e na gera\u00e7\u00e3o de renda das pessoas que ali vivem, nossa fun\u00e7\u00e3o consiste em levar conhecimento t\u00e9cnico para cultivar<em> coffea arabica<\/em>, e tamb\u00e9m auxiliar na forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos, com disserta\u00e7\u00f5es de mestrado e teses de doutorado\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>M\u00e9todo e conclus\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A t\u00e9cnica utilizada pelo Tricaf\u00e9, chamada de agrossilvicultura, consiste no plantio de safras de caf\u00e9, caju e outras plantas lenhosas perenes. Entre elas, intercala-se o plantio de \u00e1rvores nativas, como mogno da \u00c1frica Oriental, titi, albizia, muonha, panga-panga e mussulo. Essas \u00e1rvores cooperam para promover maior capta\u00e7\u00e3o de carbono da atmosfera, ajudando a desacelerar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a restaurar a floresta tropical e sua biodiversidade. Em quatro anos de pesquisa, foi poss\u00edvel identificar um conjunto de novas esp\u00e9cies animais dentro do parque, como o morcego<em> Miniopteru wilsoni,<\/em> descoberto em 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o do estudo indicou que as cultivares alcan\u00e7aram maior ac\u00famulo de macronutrientes como nitrog\u00eanio, pot\u00e1ssio e c\u00e1lcio no gr\u00e3o, no fruto e na palha de caf\u00e9. Eles s\u00e3o necess\u00e1rios para que a planta tenha um desenvolvimento saud\u00e1vel em larga escala. Houve, ainda, um ac\u00famulo de micronutrientes como ferro, mangan\u00eas e boro, os quais s\u00e3o necess\u00e1rios, ainda que em menor escala.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tricaf\u00e9 \u00e9 fruto de um acordo entre a Ag\u00eancia Brasileira de Coopera\u00e7\u00e3o (ABC), a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), o Instituto Cam\u00f5es, de Portugal, e a Administra\u00e7\u00e3o Nacional das \u00c1reas de Conserva\u00e7\u00e3o (Anac), que \u00e9 respons\u00e1vel pelas \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o ambiental de Mo\u00e7ambique. As institui\u00e7\u00f5es brasileira e portuguesa financiam os custos da iniciativa, que tem como principais objetivos realizar pesquisas sobre o comportamento do caf\u00e9 nas condi\u00e7\u00f5es edafoclim\u00e1ticas de Mo\u00e7ambique e ensinar sobre o seu cultivo. O projeto se encerra em novembro de 2023, quando ser\u00e1 apresentado um guia de orienta\u00e7\u00e3o para o plantio no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Bolsista em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Estudo desenvolvido com apoio de institui\u00e7\u00f5es do Brasil e de Portugal contribui para reconstruir parque devastado durante a guerra civil e dar empregar as fam\u00edlias da regi\u00e3o<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":2751,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[],"class_list":["post-2749","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2.jpeg",1600,1200,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2-300x225.jpeg",300,225,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2-768x576.jpeg",768,576,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2-1024x768.jpeg",1024,768,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2-1536x1152.jpeg",1536,1152,true],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2.jpeg",1600,1200,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2-1030x438.jpeg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2-678x381.jpeg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2-678x509.jpeg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2-326x245.jpeg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/02\/cafe-mudas-tricafe-2-80x60.jpeg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estudo desenvolvido com apoio de institui\u00e7\u00f5es do Brasil e de Portugal contribui para reconstruir parque devastado durante a guerra civil e dar empregar as fam\u00edlias da regi\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2749"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2749\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2764,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2749\/revisions\/2764"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2751"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}