{"id":2837,"date":"2023-05-11T11:50:08","date_gmt":"2023-05-11T14:50:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2837"},"modified":"2023-05-25T09:18:04","modified_gmt":"2023-05-25T12:18:04","slug":"bacias-do-es-perdem-volume-de-agua-regiao-noroeste-se-destaca-como-a-mais-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2023\/05\/11\/bacias-do-es-perdem-volume-de-agua-regiao-noroeste-se-destaca-como-a-mais-seca\/","title":{"rendered":"Bacias do ES perdem volume de \u00e1gua; regi\u00e3o noroeste se destaca como a mais seca"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8211; Por Ghenis Carlos Silva* &#8211;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo realizado na Ufes constata o decl\u00ednio h\u00eddrico em todas as bacias hidrogr\u00e1ficas capixabas e aponta a regi\u00e3o noroeste do estado como a mais atingida por secas. O objetivo da pesquisa, desenvolvida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Ambiental (PPGEA), foi caracterizar o comportamento de eventos secos e identificar as ocorr\u00eancias no territ\u00f3rio ao longo do tempo, entre 2002 e 2020.  Para tanto, Julielza Betzel Baldotto utilizou, em seu doutorado, duas ferramentas principais: os sat\u00e9lites do Gravity Recovery and Climate Experiment (Grace) e o modelo hidrol\u00f3gico MGB.<\/p>\n\n\n\n<p>Os d\u00e9ficits h\u00eddricos nas bacias impactam a atua\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e industrial e o abastecimento p\u00fablico, segundo os pesquisadores. As bacias hidrogr\u00e1ficas correspondem a uma por\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio. O relevo dessa \u00e1rea direciona os pequenos cursos d&#8217;\u00e1gua, chamados de afluentes, para a \u00e1rea mais baixa da regi\u00e3o, alimentando um rio principal e de grande porte, que des\u00e1gua no mar. O estado capixaba se encontra na Bacia Hidrogr\u00e1fica do Atl\u00e2ntico Sudeste, composta por sub-bacias. O estudo levou em considera\u00e7\u00e3o 13 bacias de grande relev\u00e2ncia para as terras capixabas, localizadas no Esp\u00edrito Santo e em estados vizinhos. Na imagem abaixo,  elas est\u00e3o identificadas e correspondem aos rios Doce \u2013 subdividida em Alto Doce (1), M\u00e9dio Doce (2) e Baixo Doce (3) \u2013, Mucuri (4), Ita\u00fanas (5), S\u00e3o Mateus (6), Barra Seca (7), Riacho (8), Santa Maria da Vit\u00f3ria (9), Jucu (10), Benevente (11), Itapemirim (12) e Itabapoana (13). <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"728\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/image-1-1024x728.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2839\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/image-1-1024x728.png 1024w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/image-1-300x213.png 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/image-1-768x546.png 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/image-1.png 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Imagens: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O conjunto de sat\u00e9lites Grace, lan\u00e7ado em 2002, captou os dados das bacias. O Grace possui sensores que registram as varia\u00e7\u00f5es de massas de \u00e1gua no campo gravitacional da Terra, revelando uma ampla gama de informa\u00e7\u00f5es sobre as altera\u00e7\u00f5es nos armazenamentos de \u00e1gua. O acesso aos dados, que foram processados pelo Center for Space Research (CSR), da Universidade do Texas, permitiu uma compara\u00e7\u00e3o com o m\u00e9todo MGB, modelo desenvolvido para aplica\u00e7\u00f5es no estudo de grandes bacias, baseando-se em equa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas conceituais para simular os processos hidrol\u00f3gicos. O MGB foi utilizado para simular as faltas h\u00eddricas no per\u00edodo de 1950 a 2019 a partir dos dados de precipita\u00e7\u00e3o, temperatura, umidade relativa do ar, velocidade do vento e press\u00e3o atmosf\u00e9rica. Foram calculadas, ent\u00e3o, as vaz\u00f5es dos rios de uma bacia hidrogr\u00e1fica, a fim de projetar valores de anomalia m\u00e9dia mensal de armazenamento de \u00e1gua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Per\u00edodos mais secos<\/h3>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico do Grace apontou que os meses de junho a outubro, anualmente, s\u00e3o os que apresentam n\u00edveis h\u00eddricos mais baixos \u2013 com \u00eanfase em setembro. \u201cNas bacias da regi\u00e3o noroeste do estado (2, 3, 4, 5, e 6), onde existe maior tend\u00eancia a ter d\u00e9ficits h\u00eddricos, destacam-se tr\u00eas eventos secos de longa dura\u00e7\u00e3o: de 2002 a 2004, de 2014 a 2017 (que foi o mais intenso e longo) e de 2018 a 2020. Al\u00e9m disso, a simula\u00e7\u00e3o de dados feita com o MGB tamb\u00e9m permitiu visualizar essa tend\u00eancia de d\u00e9ficit h\u00eddrico mais acentuada no sentido noroeste\u201d, explica Baldotto.<\/p>\n\n\n\n<p>A imagem a seguir retrata a s\u00e9rie hist\u00f3rica de armazenamento de \u00e1gua ao longo dos anos de 2002 a 2020 em todas as bacias hidrogr\u00e1ficas de relev\u00e2ncia para o Esp\u00edrito Santo, registrada por meio dos sensores remotos do Grace, em que \u00e9 poss\u00edvel visualizar um decl\u00ednio desse ac\u00famulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"585\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/image-1024x585.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2838\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/image-1024x585.png 1024w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/image-300x171.png 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/image-768x439.png 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/image.png 1462w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Diante da frequ\u00eancia e do prolongamento dos per\u00edodos de seca, o orientador de Baldotto no PPGEA-Ufes, professor Diogo Buarque, pretende continuar os estudos para buscar compreender como os eventos v\u00e3o atingir as bacias no futuro. \u201cN\u00f3s j\u00e1 temos registros de bacias hidrogr\u00e1ficas com redu\u00e7\u00e3o do seu \u00edndice de chuvas devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como a do Rio Doce, que se localiza no territ\u00f3rio de Minas Gerais e no Esp\u00edrito Santo. Avaliamos a parte h\u00eddrica da bacia, bem como a parte de sedimentos, e percebemos uma redu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de vaz\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o das baixas precipita\u00e7\u00f5es e do aumento da temperatura, acompanhando as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns fatores podem contribuir para esse cen\u00e1rio, como as quest\u00f5es clim\u00e1ticas t\u00edpicas capixabas. \u201cAqui no ES temos uma \u00e9poca quente e chuvosa (outubro a mar\u00e7o) e uma \u00e9poca fria e seca (abril a setembro). Na \u00e9poca fria, \u00e9 comum termos pouca chuva e escassa oferta de \u00e1gua, com redu\u00e7\u00e3o das vaz\u00f5es nos rios e da umidade no solo. A regi\u00e3o noroeste do estado, normalmente, \u00e9 a que recebe menos chuva. O problema \u00e9 que isso tem se itensificado\u201d, detalha o orientador. <\/p>\n\n\n\n<p>O Plano Estadual de Recursos H\u00eddricos do ES de 2018 apresenta valores m\u00e9dios anuais de chuva que variam de aproximadamente 900 a 1.700 mil\u00edmetros. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o regional, \u00e9 poss\u00edvel identificar uma zona \u00famida a sudeste, com valores m\u00e9dios anuais acima de 1.300 mm. O valor decresce em dire\u00e7\u00e3o ao norte e noroeste, onde se localiza uma zona mais seca, com m\u00e9dia abaixo de 1.200 mm.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>* Bolsista em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>D\u00e9ficits h\u00eddricos nas bacias impactam a atua\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e industrial e o abastecimento p\u00fablico<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":2843,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[99],"class_list":["post-2837","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-mudancas-climaticas"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es.jpeg",960,720,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es-300x225.jpeg",300,225,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es-768x576.jpeg",768,576,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es.jpeg",960,720,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es.jpeg",960,720,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es.jpeg",960,720,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es-960x438.jpeg",960,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es-678x381.jpeg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es-678x509.jpeg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es-326x245.jpeg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/rio-santa-joana-agerh-es-80x60.jpeg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"D\u00e9ficits h\u00eddricos nas bacias impactam a atua\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e industrial e o abastecimento p\u00fablico","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2837"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2837\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2846,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2837\/revisions\/2846"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}