{"id":2847,"date":"2023-05-16T11:22:11","date_gmt":"2023-05-16T14:22:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2847"},"modified":"2023-06-06T10:57:46","modified_gmt":"2023-06-06T13:57:46","slug":"pesquisa-relaciona-deslizamentos-de-terra-a-vulnerabilidade-social-em-vitoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2023\/05\/16\/pesquisa-relaciona-deslizamentos-de-terra-a-vulnerabilidade-social-em-vitoria\/","title":{"rendered":"Pesquisa relaciona deslizamentos de terra a vulnerabilidade social em Vit\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8211; <em>Por Adriana Damasceno<\/em> &#8211;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma recente pesquisa realizada no \u00e2mbito do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da Ufes (PPGG\/Ufes) avaliou os riscos impostos pelos escorregamentos no munic\u00edpio de Vit\u00f3ria, tra\u00e7ando uma associa\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em vulnerabilidade social. O estudo identificou que as chuvas s\u00e3o o principal deflagrador para a ocorr\u00eancia dos deslizamentos de terra, calculou as probabilidades de cada bairro ser palco de escorregamentos translacionais&nbsp;em diferentes per\u00edodos e construiu um invent\u00e1rio de movimento de massas da capital, fazendo uma estimativa de risco para as \u00e1reas da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa, intitulada&nbsp;<em>An\u00e1lise de risco de escorregamentos translacionais em Vit\u00f3ria, ES &#8211; Brasil<\/em>, foi produzida durante o doutoramento de J\u00falia Effgen e aborda a quest\u00e3o de os diferentes usos dos terrenos serem cruciais para inibir ou favorecer deslizamentos de terra, por meio da exist\u00eancia de florestas e da ocupa\u00e7\u00e3o urbana, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Deslizamentos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No trabalho, Effgen lembra que a regi\u00e3o Sudeste concentra o maior n\u00famero de desastres relacionados a deslizamentos de terra no Brasil e observa que o tipo de escorregamento mais recorrente em Vit\u00f3ria (89% dos casos observados entre 1999 e 2017) \u00e9 o translacional, aquele no qual a superf\u00edcie de ruptura acompanha alguma descontinuidade do terreno, ou seja, o deslizamento surge ao longo de uma diferen\u00e7a de materiais (entre solo e rocha, por exemplo) e se desloca para baixo e para fora da encosta, em alta velocidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob orienta\u00e7\u00e3o do professor Eberval Marchioro, do PPGG, o estudo mostrou que as regi\u00f5es administrativas de Vit\u00f3ria que registraram as maiores incid\u00eancias de deslizamentos s\u00e3o Jucutuquara (225 casos), Maru\u00edpe (111), S\u00e3o Pedro (73) e Santo Ant\u00f4nio (70), todas localizadas ao redor do Maci\u00e7o Central do munic\u00edpio. Maci\u00e7o Central de Vit\u00f3ria \u00e9 o nome da forma\u00e7\u00e3o conhecida como Morro da Fonte Grande, que abriga diversas \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental e pontos tur\u00edsticos, como a Pedra dos Olhos, o Parque Estadual da Fonte Grande, a Gruta da On\u00e7a e o Vale do Mulemb\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, as \u00e1reas menos atingidas s\u00e3o Jardim Camburi (quatro casos) e Jardim da Penha (um caso). A regi\u00e3o de Goiabeiras n\u00e3o apresentou registros no per\u00edodo analisado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Vulnerabilidade e racismo ambiental<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m apresenta o \u00cdndice de Vulnerabilidade Social (SoVI) de Vit\u00f3ria, demonstrando que \u00e1reas menos vulner\u00e1veis est\u00e3o concentradas nos bairros a leste do Maci\u00e7o Central, pr\u00f3ximas ao litoral, enquanto os locais mais vulner\u00e1veis est\u00e3o associados ao Maci\u00e7o Central, aos manguezais e \u00e0s colinas costeiras. O SoVI \u00e9 composto por dez fatores derivados de informa\u00e7\u00f5es do Censo Demogr\u00e1fico de 2010, dentre os quais est\u00e3o n\u00edvel de renda, ra\u00e7a, idade e estrutura das moradias (saneamento b\u00e1sico) da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Effgen verificou que existe, em Vit\u00f3ria, uma sobreposi\u00e7\u00e3o entre \u00e1reas socialmente mais vulner\u00e1veis e a maior frequ\u00eancia de deslizamentos de terra. \u201cUma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para isso \u00e9 o racismo ambiental, j\u00e1 que as \u00e1reas mais vulner\u00e1veis abrigam uma parcela consider\u00e1vel de pessoas pardas e pretas. Esse \u00e9 um processo verificado nacional e internacionalmente, fruto de processos hist\u00f3ricos de exclus\u00e3o e falta de acesso \u00e0 moradia em \u00e1reas seguras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o da Praia do Canto, que apresenta uma das melhores infraestruturas do munic\u00edpio, teve vulnerabilidade social variando entre m\u00e9dia e muito baixa. O setor identificado como de menor vulnerabilidade no munic\u00edpio \u00e9 o da Ilha do Frade, que apresenta a maior renda per capita da capital (R$ 9.722).<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 as regi\u00f5es de maior vulnerabilidade social est\u00e3o associadas ao Maci\u00e7o Central, como Rom\u00e3o, Cruzamento e Conquista; \u00e0s colinas costeiras, a exemplo de Gurigica, Jesus de Nazareth e S\u00e3o Benedito; e \u00e0s zonas de aterros em manguezais, como Nova Palestina, Maria Ortiz e Ilha de Santa Maria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"681\" height=\"511\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/FORTE-SAO-JOAO_LAUDO-141-2013.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2849\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/FORTE-SAO-JOAO_LAUDO-141-2013.png 681w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/FORTE-SAO-JOAO_LAUDO-141-2013-300x225.png 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/FORTE-SAO-JOAO_LAUDO-141-2013-678x509.png 678w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/FORTE-SAO-JOAO_LAUDO-141-2013-326x245.png 326w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/FORTE-SAO-JOAO_LAUDO-141-2013-80x60.png 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Forte de S\u00e3o Jo\u00e3o \u00e9 um dos bairros com maior probabilidade de deslizamento<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Probabilidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Com base nas ocorr\u00eancias registradas entre 1999 e 2017, Effgen listou os bairros que apresentam maior ou menor probabilidade de ter escorregamento translacional. Gurigica (56 ocorr\u00eancias); Forte S\u00e3o Jo\u00e3o (46); S\u00e3o Benedito (27); e Consola\u00e7\u00e3o (25) s\u00e3o as regi\u00f5es mais propensas. Os bairros de \u00e1reas planas, como Praia do Su\u00e1, Santos Reis, S\u00e3o Pedro e Vila Rubim (com um registro&nbsp;cada) s\u00e3o os que t\u00eam menos probabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA identifica\u00e7\u00e3o de agrupamentos de movimentos de massa com base em invent\u00e1rios pode servir, num primeiro momento, para a orienta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es emergenciais de conten\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o. Posteriormente, os agrupamentos podem se tornar focos de aten\u00e7\u00e3o para o poder p\u00fablico\u201d, declara a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Abordagem<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Effgen pesquisa movimentos de massa desde 2015, quando passou a atuar no&nbsp;<a href=\"https:\/\/geografia.ufes.br\/pt-br\/lamosa\"><strong><u><strong><u>Laborat\u00f3rio de Monitoramento e Modelagem de Sistemas Ambientais (Lamosa)<\/u><\/strong><\/u><\/strong><\/a>, visando entender os fen\u00f4menos e como eles se distribuem na paisagem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo doutorado, expandi minha abordagem para quem s\u00e3o as pessoas afetadas: quem \u00e9 mais propenso a sofrer danos e perdas, onde moram, as caracter\u00edsticas demogr\u00e1ficas e os processos hist\u00f3ricos locais que ajudam a explicar o risco atual. Conhecer as \u00e1reas de risco de um local permite uma melhor prepara\u00e7\u00e3o, gerenciamento e redu\u00e7\u00e3o dos riscos, tornando a sociedade mais resiliente e menos vulner\u00e1vel a perdas e danos\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Em Vit\u00f3ria, as \u00e1reas socialmente mais vulner\u00e1veis s\u00e3o, tamb\u00e9m, as que t\u00eam maior frequ\u00eancia de deslizamentos de terra<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":2848,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[],"class_list":["post-2847","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS.png",668,501,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS-300x225.png",300,225,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS.png",668,501,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS.png",668,501,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS.png",668,501,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS.png",668,501,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS-668x438.png",668,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS-668x381.png",668,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS.png",668,501,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS-326x245.png",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/05\/MORRO-DO-MOSCOSO_LAUDO-115-2013_MORADIAS-ATINGIDAS-80x60.png",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em Vit\u00f3ria, as \u00e1reas socialmente mais vulner\u00e1veis s\u00e3o, tamb\u00e9m, as que t\u00eam maior frequ\u00eancia de deslizamentos de terra","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2847"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2847\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2871,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2847\/revisions\/2871"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2848"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}