{"id":2938,"date":"2023-07-31T11:22:30","date_gmt":"2023-07-31T14:22:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2938"},"modified":"2023-08-07T10:57:45","modified_gmt":"2023-08-07T13:57:45","slug":"pesquisadores-descobrem-nova-especie-de-peixe-na-ilha-da-trindade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2023\/07\/31\/pesquisadores-descobrem-nova-especie-de-peixe-na-ilha-da-trindade\/","title":{"rendered":"Pesquisadores descobrem nova esp\u00e9cie de peixe na Ilha da Trindade\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8211; Por Ana Clara Andrade* &#8211;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Localizada a mais de mil quil\u00f4metros da costa brasileira, a Ilha da Trindade foi palco para a descoberta de uma<a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/tag\/nova-especie\/\"> nova esp\u00e9cie<\/a> de peixe do g\u00eanero <em>Acyrtus <\/em>(foto) \u2013 conhecido popularmente como peixe-ventosa \u2013 por pesquisadores da Ufes. O local faz parte do arquip\u00e9lago Martin Vaz, que desperta o interesse dos estudiosos por sua biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A novidade \u00e9 o <em>Acyrtus simon<\/em>, uma esp\u00e9cie end\u00eamica da regi\u00e3o. O nome \u00e9 uma homenagem a Thiony Simon, doutor em biologia animal pela Ufes, que faleceu em um mergulho durante seu p\u00f3s-doutorado. A equipe respons\u00e1vel por organizar os estudos no local foi formada por pesquisadores do Centro de Biologia Marinha da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), do Laborat\u00f3rio de Ictiologia (IctioLab) da Ufes, do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da California Academy of Sciences, em colabora\u00e7\u00e3o com a Marinha do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A pesquisa<\/h3>\n\n\n\n<p>Com in\u00edcio em 1995, a pesquisa em Trindade j\u00e1 dura 28 anos. O bi\u00f3logo e especialista em taxonomia Jo\u00e3o Luiz Gasparini, pesquisador associado do IctioLab, foi um dos primeiros do ramo da ictiologia a estudar o local. Desde ent\u00e3o, j\u00e1 realizou oito expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas \u00e0 ilha. \u201cO meu tempo trabalhando com essa \u00e1rea me fez ter contato com outros pesquisadores. Isso foi muito bom porque tivemos a oportunidade de come\u00e7ar a fazer muitas parcerias e divulgar nossos estudos\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2009, Gasparini e o cientista da USP Hudson Pinheiro realizaram uma expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 ilha, coletando mais exemplares do <em>Acyrtus<\/em>. O estudo gen\u00e9tico foi importante nessa etapa do estudo, sendo o ponto chave para confirmar a descoberta da esp\u00e9cie. \u201cA gen\u00e9tica veio como uma ferramenta essencial para auxiliar na descoberta do <em>Acyrtus <\/em>e de outras esp\u00e9cies, descrevendo a parte molecular e identificando os parentescos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do aux\u00edlio tecnol\u00f3gico do campo gen\u00e9tico na descoberta, os pesquisadores optaram por utilizar a taxonomia tradicional (m\u00e9todo que caracteriza as esp\u00e9cies externamente) como metodologia ao descrev\u00ea-la. Para justificar a escolha, Gasparini explica que a conserva\u00e7\u00e3o est\u00e1 sempre de m\u00e3os dadas com a taxonomia, sendo um estudo preciso que viabiliza a descoberta de novas esp\u00e9cies, apesar do descaso ambiental t\u00e3o presente. \u201cN\u00f3s s\u00f3 conseguimos estudar e conservar o que conhecemos. O primeiro passo \u00e9 descrever as esp\u00e9cies para depois entender a ecologia, biogeografia e conserva\u00e7\u00e3o de cada uma delas\u201d, frisa o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Complexo insular<\/h3>\n\n\n\n<p>Responsabilidade da Marinha do Brasil, o complexo insular oce\u00e2nico formado pela Ilha da Trindade e o Arquip\u00e9lago Martin Vaz \u00e9 constitu\u00eddo por ilhas e ilhotas \u00edngremes e de dif\u00edcil acesso. Elas s\u00e3o os \u00fanicos pontos emersos de uma cadeia de montanhas submersas: a Cadeia Vit\u00f3ria-Trindade. Localizada no meio do Atl\u00e2ntico Sul ocidental, a regi\u00e3o se encontra a 1.200 km da costa brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Justamente por esse afastamento do litoral, Gasparini afirma que muitos pesquisadores possuem interesse nessas regi\u00f5es pela presen\u00e7a dos peixes recifais, como o <em>Acyrtus<\/em>. \u201cA fauna, assim como a flora de Trindade, desperta um interesse extremo nos pesquisadores devido ao isolamento geogr\u00e1fico, que propiciou a evolu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies \u00fanicas, end\u00eamicas, neste pequeno ponto imerso no meio do Atl\u00e2ntico\u201d, conta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>Para dar continuidade aos estudos na regi\u00e3o, o especialista defende a forma\u00e7\u00e3o de novos pesquisadores, a disponibiliza\u00e7\u00e3o de mais de bolsas de incentivo \u00e0 pesquisa e a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que sustentem a manuten\u00e7\u00e3o desses estudos. \u201cTrindade \u00e9 um universo, uma vida s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 o suficiente para estudar esse lugar. \u00c9 muito importante passar o bast\u00e3o para a nova gera\u00e7\u00e3o, ensin\u00e1-los a ter um olhar cr\u00edtico, a criar e cuidar de cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que lastreiam os estudos da biodiversidade e ter os recursos necess\u00e1rios para que isso aconte\u00e7a\u201d, explica o bi\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia de preservar as ilhas oce\u00e2nicas, ambientes \u00fanicos, com climas e caracter\u00edsticas singulares. Ele afirma que, apesar do afastamento da costa, essas regi\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o livres de sofrer consequ\u00eancias da degrada\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cA sustentabilidade do planeta depende de educa\u00e7\u00e3o ambiental e das a\u00e7\u00f5es que tomamos. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel preservar a natureza tendo um crescimento populacional desordenado como o que temos. A superpopula\u00e7\u00e3o traz diversos problemas que est\u00e3o destruindo o planeta. Logicamente, as consequ\u00eancias p\u00f5em em risco at\u00e9 mesmo esses locais isolados e importantes que possuem esp\u00e9cies \u00fanicas\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p><em>* Bolsista em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Acyrtus Simon \u00e9 uma esp\u00e9cie end\u00eamica dos recifes da regi\u00e3o<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":2948,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[86],"class_list":["post-2938","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-nova-especie"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes.jpg",2000,1600,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes-300x240.jpg",300,240,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes-768x614.jpg",768,614,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes-1024x819.jpg",1024,819,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes-1536x1229.jpg",1536,1229,true],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes.jpg",2000,1600,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes-1030x438.jpg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes-678x509.jpg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/07\/acyrtus-ufes-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"Acyrtus Simon \u00e9 uma esp\u00e9cie end\u00eamica dos recifes da regi\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2938"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2938\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2947,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2938\/revisions\/2947"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2948"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}