{"id":301,"date":"2018-12-13T10:13:02","date_gmt":"2018-12-13T12:13:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=301"},"modified":"2019-08-08T12:23:19","modified_gmt":"2019-08-08T15:23:19","slug":"artigo-o-museu-que-se-ergue-das-cinzas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/12\/13\/artigo-o-museu-que-se-ergue-das-cinzas\/","title":{"rendered":"Artigo: O Museu que se ergue das cinzas"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8211; Por S\u00e9rgio Lucena Mendes, professor do Departamento de Zoologia da Ufes e diretor do Instituto Nacional da Mata Atl\u00e2ntica &#8211;&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>A palavra \u201cmuseu\u201d tem origem na mitologia grega, onde as musas, fi lhas de Zeus e Mnem\u00f3sine, eram inspiradoras das ci\u00eancias e artes e o templo onde viviam chamava-se \u201cmouseion\u201d. Os museus contempor\u00e2neos t\u00eam suas origens nos \u201cgabinetes de curiosidades\u201d, impulsionados pelas explora\u00e7\u00f5es e descobertas dos s\u00e9culos XVI e XVII, onde nobres e burgueses colecionavam e exibiam objetos considerados ex\u00f3ticos e obras de arte. A partir do S\u00e9culo XVII os \u201cgabinetes\u201d foram substitu\u00eddos por cole\u00e7\u00f5es institucionais ou privadas, dando origem aos museus de arte e de hist\u00f3ria natural.<\/p>\n<p>No Brasil, os museus surgiram durante o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves quando, para estimular as ci\u00eancias, em 1818 o Rei Dom Jo\u00e3o VI fundou o Museu Real, que mais tarde viria a se chamar Museu Nacional. Originalmente o Museu Real localizava-se no Campo de Santana, no centro da cidade do Rio de Janeiro, em um pr\u00e9dio que mais tarde foi ocupado pelo Arquivo Nacional.<\/p>\n<p>Inicia-se, assim, a hist\u00f3ria do mais antigo museu brasileiro, que, a partir de 1892, ap\u00f3s a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, se estabeleceu no Pal\u00e1cio da Quinta da Boa Vista, tamb\u00e9m conhecido como Pal\u00e1cio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o. Constru\u00eddo no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, O pal\u00e1cio pertenceu a Elias Ant\u00f4nio Lopes, um comerciante portugu\u00eas que enriqueceu com o tr\u00e1fico negreiro. O pal\u00e1cio foi cedido \u00e0 fam\u00edlia real, se transformando na resid\u00eancia de Dom Jo\u00e3o VI, bem como de seus sucessores, Dom Pedro I e Dom Pedro II.<\/p>\n<p>O Museu Nacional, portanto, re\u00fane aspectos muito relevantes tanto sob o ponto de vista hist\u00f3rico e cultural, quanto cient\u00edfico. O valioso acervo remonta \u00e0 sua funda\u00e7\u00e3o por Dom Jo\u00e3o VI, foi significativamente ampliado pelo empenho pessoal de Dom Pedro II, sendo grandemente enriquecido no s\u00e9culo XX pela ci\u00eancia que ali se estabeleceu. A relev\u00e2ncia hist\u00f3rica e cultural \u00e9 engrandecida pela instala\u00e7\u00e3o do Museu no Pal\u00e1cio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, resid\u00eancia oficial da fam\u00edlia real portuguesa e da fam\u00edlia imperial brasileira.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX o Museu Nacional consolidou-se como uma institui\u00e7\u00e3o de impacto internacional, n\u00e3o somente pelo crescimento de seu acervo, mas tamb\u00e9m pela sua atua\u00e7\u00e3o como uma institui\u00e7\u00e3o de ci\u00eancias e educa\u00e7\u00e3o, destacando-se em \u00e1reas como Bot\u00e2nica, Zoologia, Arqueologia, Etnologia, Geologia, Paleontologia e Antropologia. O Museu passou a oferecer cursos de mestrado e doutorado em Antropologia Social, Arqueologia, Bot\u00e2nica e Zoologia, al\u00e9m de cursos de especializa\u00e7\u00e3o em L\u00ednguas Ind\u00edgenas Brasileiras, Gram\u00e1tica Gerativa e Cogni\u00e7\u00e3o e Geologia do Quatern\u00e1rio. Os cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o est\u00e3o vinculados a laborat\u00f3rios e grupos de pesquisa de diversas \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n<p>O desenvolvimento cient\u00edfico do Museu foi acompanhado pelo trabalho de divulga\u00e7\u00e3o realizado, sobretudo, por interm\u00e9dio de exposi\u00e7\u00f5es que abordavam, principalmente, a evolu\u00e7\u00e3o da vida, a evolu\u00e7\u00e3o da humanidade, as culturas mediterr\u00e2neas, o Egito antigo, a arqueologia pr\u00e9-colombiana, a arqueologia brasileira, a etnologia ind\u00edgena brasileira, e as culturas do Pac\u00edfico, al\u00e9m das diversas se\u00e7\u00f5es dedicadas \u00e0 Zoologia.<\/p>\n<p>As artes e a ci\u00eancia passaram a ser objeto de prote\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do direito internacional humanit\u00e1rio desde fins do s\u00e9culo XIX. As primeiras iniciativas nesse sentido estavam relacionadas a a\u00e7\u00f5es que buscavam, em tempos de guerra, a prote\u00e7\u00e3o e defesa de determinados locais e constru\u00e7\u00f5es relevantes. As Declara\u00e7\u00f5es de Bruxelas, de 1874, e as Conven\u00e7\u00f5es de Haia, de 1889 e 1907, traziam a orienta\u00e7\u00e3o formal quanto \u00e0 necessidade de preserva\u00e7\u00e3o das \u201cartes e das ci\u00eancias\u201d durante combates.<\/p>\n<p>Mesmo com a prote\u00e7\u00e3o internacional, grandes museus de arte e ci\u00eancias foram v\u00edtimas de bombardeios durante o s\u00e9culo XX, principalmente na Segunda Guerra Mundial, e inc\u00eandios acidentais t\u00eam atingido v\u00e1rios museus de grande import\u00e2ncia ao redor do mundo, inclusive no Brasil, onde podemos destacar os inc\u00eandios no Museu de Arte Moderna do Rio (1978), no Instituto Butant\u00e3 (2010), no Memorial da Am\u00e9rica Latina (2013), no Museu de Ci\u00eancias Naturais da PUC Minas (2013) e no Museu da L\u00edngua Portuguesa (2015).<\/p>\n<p>Apesar desses exemplos dram\u00e1ticos, o inc\u00eandio do Pal\u00e1cio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, sede do Museu Nacional, no dia de 2 de setembro de 2018, representa uma trag\u00e9dia in\u00e9dita para a hist\u00f3ria do Brasil e do Ocidente. Chocaram o mundo as imagens do Museu em chamas e os servidores em volta chorando de desespero. Certamente \u00e9 extremamente grave termos grande parte do Pal\u00e1cio da Quinta&nbsp;da Boa Vista transformado em cinzas, mas a trag\u00e9dia \u00e9 muito ampliada com a perda do acervo cient\u00edfico e dos laborat\u00f3rios que foram incendiados.<\/p>\n<p>Dentre as perdas destacadas pelos pesquisadores do Museu pode-se citar a cole\u00e7\u00e3o da Imperatriz Teresa Cristina, os afrescos de Pompeia, o Trono do Rei do Daom\u00e9, as cole\u00e7\u00f5es de Paleontologia, as cole\u00e7\u00f5es de animais invertebrados, o acervo de Etnologia com artefatos da cultura afro-brasileira, africana e ind\u00edgena, al\u00e9m do trono do rei africano Adandozan (1718-1818), doado pelos seus embaixadores ao pr\u00edncipe regente Dom Jo\u00e3o VI, em 1811. Por sorte, o f\u00f3ssil humano mais antigo das Am\u00e9ricas, achado em 1974 em Lagoa Santa \u2013 MG, e batizado de Luzia, foi reencontrado sob os escombros e sobreviveu \u00e0 cat\u00e1strofe. Felizmente, nem todo o Museu foi atingido pelo inc\u00eandio, j\u00e1 que a biblioteca e as cole\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de vertebrados e de bot\u00e2nica (herb\u00e1rio) est\u00e3o alojadas em outros pr\u00e9dios na Quinta da Boa Vista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do acervo de inestim\u00e1vel valor para a humanidade, o impacto atingiu a estrutura de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e educa\u00e7\u00e3o de uma institui\u00e7\u00e3o de 200 anos. Laborat\u00f3rios destru\u00eddos, cientistas e estudantes desalojados, pesquisas interrompidas, exposi\u00e7\u00f5es que viraram cinzas s\u00e3o alguns dos exemplos desse impacto que ficar\u00e1 para sempre marcado na hist\u00f3ria do Brasil. Fragmentos do cr\u00e2nio do f\u00f3ssil Luzia, o mais antigo das Am\u00e9ricas, foram encontrados nos escombros.<\/p>\n<p>Mais do que buscar culpados, essa trag\u00e9dia nos imp\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre as nossas falhas no trato do patrim\u00f4nio cultural e cient\u00edfico brasileiro. Em primeiro lugar, a nossa cultura de seguran\u00e7a e preven\u00e7\u00e3o de desastres \u00e9, obviamente, prec\u00e1ria em todos os setores. Em segundo lugar, os investimentos em ci\u00eancia e cultura est\u00e3o muito aqu\u00e9m do desej\u00e1vel, deixando as institui\u00e7\u00f5es fragilizadas e expostas a riscos. Em terceiro, mas n\u00e3o menos importante, \u00e9 o modelo de gest\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, como o Museu Nacional, que necessitam de mecanismos \u00e1geis de capta\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de recursos financeiros e de pessoal.<\/p>\n<p>Conforme campanha deflagrada ap\u00f3s o inc\u00eandio, o \u201cMuseu Nacional Vive\u201d, o inc\u00eandio n\u00e3o destruiu a institui\u00e7\u00e3o de 200 anos, mas provocou um incalcul\u00e1vel preju\u00edzo, com feridas ainda abertas, que deixar\u00e3o profundas cicatrizes. O restabelecimento do Museu Nacional \u00e9 responsabilidade de todos os brasileiros. \u00d3rg\u00e3os p\u00fablicos, empresas privadas, terceiro setor e cidad\u00e3os de um modo geral devem se unir na recupera\u00e7\u00e3o dessa institui\u00e7\u00e3o t\u00e3o valiosa para o pa\u00eds. Por raz\u00f5es \u00f3bvias, o Museu que ressurge das cinzas n\u00e3o ser\u00e1 mais o mesmo que havia at\u00e9 o dia 2 de setembro de 2018. Mas esperamos que ressurja com a grandiosidade que devem ter a hist\u00f3ria, a ci\u00eancia e a cultura na consolida\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds que honra a sua Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_304\" aria-describedby=\"caption-attachment-304\" style=\"width: 382px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-304\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/replica-fossil-luzia-fernando-frazao-abr.jpg\" alt=\"\" width=\"382\" height=\"255\"><figcaption id=\"caption-attachment-304\" class=\"wp-caption-text\">Fragmentos do cr\u00e2nio do f\u00f3ssil Luzia, o mais antigo das Am\u00e9ricas, foram encontrados nos escombros. Foto:&nbsp;Arquivo\/ Gian Cornachini\/CC 4.0 e Fernando Fraz\u00e3o\/ABr<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>&#8211; Por S\u00e9rgio Lucena Mendes, professor do Departamento de Zoologia da Ufes e diretor do Instituto Nacional da Mata Atl\u00e2ntica &#8211;&nbsp; A palavra \u201cmuseu\u201d tem <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/12\/13\/artigo-o-museu-que-se-ergue-das-cinzas\/\" title=\"Artigo: O Museu que se ergue das cinzas\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":302,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[44,45,9],"tags":[42,43],"class_list":["post-301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-edicao-009","category-noticias","tag-museu-nacional","tag-sergio-lucena-de-mendes"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",1140,760,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",150,100,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",300,200,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",768,512,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",1024,683,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",1140,760,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",1140,760,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",657,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",572,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",678,452,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",326,217,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/incendio-tania-rego-abr-post.jpg",80,53,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"&#8211; Por S\u00e9rgio Lucena Mendes, professor do Departamento de Zoologia da Ufes e diretor do Instituto Nacional da Mata Atl\u00e2ntica &#8211;&nbsp; A palavra \u201cmuseu\u201d tem [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=301"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":620,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301\/revisions\/620"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}