{"id":3047,"date":"2023-09-11T13:00:00","date_gmt":"2023-09-11T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3047"},"modified":"2023-09-26T13:56:10","modified_gmt":"2023-09-26T16:56:10","slug":"projeto-muriqui-de-caratinga-completa-40-anos-estudando-o-maior-primata-das-americas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2023\/09\/11\/projeto-muriqui-de-caratinga-completa-40-anos-estudando-o-maior-primata-das-americas\/","title":{"rendered":"Projeto Muriqui de Caratinga\u00a0completa 40 anos estudando o maior primata das Am\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Ana Clara Andrade<\/strong>* <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Estudar o maior primata das Am\u00e9ricas, o Muriqui, de forma n\u00e3o invasiva, ou seja, com base na observa\u00e7\u00e3o e sem interfer\u00eancia humana. Este \u00e9 o objetivo do projeto Muriqui de Caratinga, que este ano celebra 40 anos de atividade.&nbsp;O projeto \u00e9 vinculado ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Ufes (PPGBAN)&nbsp;e \u00e9 coordenado pela professora Departamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas Karen Strier, com o apoio do professor S\u00e9rgio Lucena&nbsp;Mendes, do mesmo departamento, como colaborador de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi durante sua pesquisa de doutorado em antropologia biol\u00f3gica, em Harvard, que Strier teve o primeiro contato com a esp\u00e9cie. Orientada por Irven DeVore, a pesquisadora recebeu um convite para assistir ao document\u00e1rio&nbsp;<em>O Choro do Muriqui<\/em>, produzido por Russ Mittermeier (vice-presidente da ONG&nbsp;World Wide Fund for Nature&nbsp;na \u00e9poca). \u201cFiquei curiosa sobre os muriquis. Comecei a ler tudo e entrei em contato com Mittermeier, que aceitou que eu o acompanhasse em sua pr\u00f3xima ida ao Brasil. Fizemos uma visita na Fazenda Montes Claros&nbsp;[em Minas Gerais], onde os vi pela primeira vez. Foi amor \u00e0 primeira vista\u201d, declara Strier.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no ano seguinte, a pesquisadora retornou ao Brasil e se instalou durante 14 meses na fazenda para estudar de perto a esp\u00e9cie, dando in\u00edcio ao projeto. Desde o in\u00edcio da pesquisa, Strier conta que estudantes se interessaram em participar dos estudos e que, ao todo, o programa j\u00e1 colaborou na forma\u00e7\u00e3o de cerca de 90 pessoas. \u201cDesde 1986, sempre tinha participantes brasileiros. No in\u00edcio, era apenas um por ano, mas depois a quantidade aumentou para dois e atualmente temos quatro&nbsp;bolsistas. Cada um recebe treinamento para reconhecer os animais e coletar os dados, al\u00e9m da oportunidade de desenvolver projetos particulares para as disserta\u00e7\u00f5es de mestrados\u201d, detalha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os&nbsp;<\/strong><strong>m<\/strong><strong>uriquis&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Divididos em Muriqui-do-norte e Muriqui-do-sul, esses primatas s\u00e3o considerados a maior esp\u00e9cie das Am\u00e9ricas. Entre eles, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as de tamanho corporal de machos e f\u00eameas. A melhor estrat\u00e9gia para identific\u00e1-los s\u00e3o as marcas de despigmenta\u00e7\u00e3o nos seus rostos e a presen\u00e7a ou n\u00e3o de polegar. An\u00e1lises gen\u00e9ticas realizadas mostram uma divis\u00e3o das esp\u00e9cies h\u00e1 cerca de dois milh\u00f5es de anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00e9todos de observa\u00e7\u00e3o s\u00e3o n\u00e3o invasivos, ou seja, os pesquisadores mant\u00eam dist\u00e2ncia e n\u00e3o tocam nos animais. Quando h\u00e1 necessidade de realiza\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises, os cientistas coletam as fezes que s\u00e3o deixadas. Strier diz ter muito orgulho de seus avan\u00e7os na pesquisa, incluindo o sistema de reprodu\u00e7\u00e3o dos muriquis, sem interfer\u00eancia, apenas com investiga\u00e7\u00e3o visual e an\u00e1lise biol\u00f3gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estima-se que existem, aproximadamente, mil desses indiv\u00edduos na natureza, distribu\u00eddos em apenas 12 localidades conhecidas. Dessas, cinco s\u00e3o consideradas priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie por abrigarem as maiores popula\u00e7\u00f5es. Uma delas \u00e9 a Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural (RPPN) Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga. Com um terreno de 957 hectares, ela foi criada um ano ap\u00f3s o falecimento de seu propriet\u00e1rio e protetor dos muriquis, o senhor Feliciano. Desse espa\u00e7o, um hectare foi doado \u00e0 pesquisa, em nome da Funda\u00e7\u00e3o Brasileira para Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, em 1983, e tornou-se a Esta\u00e7\u00e3o Biol\u00f3gica de Caratinga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todos os esfor\u00e7os estarem voltados para a preserva\u00e7\u00e3o dos animais, o desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica tem sido um fator de preocupa\u00e7\u00e3o. O Muriqui-do-norte \u00e9 end\u00eamico do local, portanto, seu futuro tem liga\u00e7\u00e3o direta com o bioma. A alta taxa de desflorestamento o colocou na categoria &#8220;criticamente em perigo&#8221; de extin\u00e7\u00e3o. \u201cO risco de extin\u00e7\u00e3o d\u00e1 uma urg\u00eancia aos nossos trabalhos. N\u00e3o podemos parar at\u00e9 que os muriquis e suas matas sejam assegurados para o futuro. O projeto \u00e9 mais do que uma pesquisa cient\u00edfica, porque est\u00e1 diretamente envolvido nas a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o\u201d, explica Strier.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>D<\/strong><strong>esafios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a pesquisadora, o financiamento para as atividades e a implementa\u00e7\u00e3o de conhecimentos sobre os muriquis para sua conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o os maiores desafios&nbsp;encontrados para a continuidade do projeto. Ela diz que, h\u00e1 muitos anos, se faz necess\u00e1ria&nbsp;a cria\u00e7\u00e3o de um corredor que ligaria a popula\u00e7\u00e3o desses animais de Caratinga aos de outra reserva chamada Mata do Sossego, mas esse feito ainda n\u00e3o pode ser realizado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora destaca, ainda, a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o da Ufes e de outras institui\u00e7\u00f5es que contribuem neste processo. \u201cSe formos incluir todos bolsistas, orientadores, co-orientadores&nbsp;e&nbsp;colaboradores com diversas an\u00e1lises ao longo dos anos, teremos mais de 100 no total, e isso n\u00e3o inclui pessoas que apoiam o projeto de outras maneiras. Ningu\u00e9m na \u00e1rea da pesquisa ou conserva\u00e7\u00e3o trabalha sozinho e eu sou muito grata \u00e0s pessoas que ajudam o projeto\u201d,&nbsp;concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>*<em> Bolsista de projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<br>Fotos: Acervo do projeto<br>Edi\u00e7\u00e3o: Thereza Marinho<\/em> <em>e Sueli de Freitas<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Divididos em Muriqui-do-norte e Muriqui-do-sul, esses primatas s\u00e3o considerados a maior esp\u00e9cie das Am\u00e9ricas.  <\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":3048,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[44,7,9,47],"tags":[],"class_list":["post-3047","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-chamadinhas","category-noticias","category-online"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui.jpeg",360,240,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui-300x200.jpeg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui.jpeg",360,240,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui.jpeg",360,240,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui.jpeg",360,240,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui.jpeg",360,240,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui.jpeg",360,240,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui.jpeg",360,240,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui.jpeg",360,240,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui-326x240.jpeg",326,240,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/09\/muriqui-80x60.jpeg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli_checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Divididos em Muriqui-do-norte e Muriqui-do-sul, esses primatas s\u00e3o considerados a maior esp\u00e9cie das Am\u00e9ricas.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/397"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3047"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3047\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3054,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3047\/revisions\/3054"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3048"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}