{"id":3151,"date":"2023-12-18T15:38:57","date_gmt":"2023-12-18T18:38:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3151"},"modified":"2024-02-02T16:38:02","modified_gmt":"2024-02-02T19:38:02","slug":"escolaridade-genero-e-formalizacao-do-trabalho-explicam-as-diferencas-salariais-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2023\/12\/18\/escolaridade-genero-e-formalizacao-do-trabalho-explicam-as-diferencas-salariais-no-pais\/","title":{"rendered":"Escolaridade, g\u00eanero e formaliza\u00e7\u00e3o do trabalho s\u00e3o fatores de diferen\u00e7as salariais no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<p><em><em><strong>Ghenis Carlos<\/strong><\/em><\/em>*<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo da Ufes revela que os principais fatores para diferen\u00e7as de sal\u00e1rio nas cinco regi\u00f5es brasileiras e em seus respectivos setores econ\u00f4micos s\u00e3o escolaridade, formaliza\u00e7\u00e3o do trabalho (se a pessoa tem ou n\u00e3o carteira de trabalho assinada) e g\u00eanero. A escolaridade, no entanto, aparece como fator mais importante na an\u00e1lise geral brasileira (18,21%), ou seja, quanto maior a escolaridade maior ser\u00e1 o sal\u00e1rio do indiv\u00edduo. Em segundo lugar est\u00e1 a formaliza\u00e7\u00e3o com 5,36% e em terceiro, 3,40%. Os dados utilizados s\u00e3o da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNADC), mensurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), para o ano de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando analisados os setores econ\u00f4micos (prim\u00e1rio, que consiste nas atividades agropecu\u00e1rias e extrativistas; secund\u00e1rio, que abrange as ind\u00fastrias; e o setor terci\u00e1rio, que engloba os servi\u00e7os prestados comercialmente), a escolaridade se mant\u00e9m no topo dos fatores respons\u00e1veis pela desigualdade de remunera\u00e7\u00e3o: 10,23% no setor prim\u00e1rio, 13,84% no setor secund\u00e1rio e 17,93% no setor terci\u00e1rio. \u201cIsso s\u00f3 refor\u00e7a a import\u00e2ncia de analisarmos a heterogeneidade entre setores econ\u00f4micos\u201d, declara a professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia (PPGEco), Mariana Fialho Ferreira, orientadora do estudo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisadora Maria Gertrudes Posmoser Delboni, os objetivos da pesquisa foram identificar que fatores s\u00e3o cruciais para o aumento da desigualdade salarial e realizar estimativas para compreender qual o impacto de cada fator. As estimativas revelam que homens recebem retornos financeiros consideravelmente superiores aos das mulheres. A maior discrep\u00e2ncia pode ser observada no setor secund\u00e1rio da economia, no qual homens receberam cerca de 55% a mais que mulheres no per\u00edodo analisado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cAt\u00e9 2012 foi poss\u00edvel verificar que a desigualdade estava sendo reduzida e os principais estudos apontavam que a educa\u00e7\u00e3o era o fator determinante para essa queda. Mas a partir de 2012, os \u00edndices de desigualdade voltaram a crescer. Perante esse contexto, a ideia da pesquisa foi entender quais s\u00e3o os fatores, ou seja, justificativas para que o pa\u00eds seja t\u00e3o desigual com rela\u00e7\u00e3o ao rendimento. Isso com rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2019. Os componentes levados em considera\u00e7\u00e3o foram: escolaridade, g\u00eanero, cor, domic\u00edlio (urbano ou rural), setores econ\u00f4micos (prim\u00e1rio, secund\u00e1rio e terci\u00e1rio), formaliza\u00e7\u00e3o (carteira assinada) e sindicaliza\u00e7\u00e3o\u201d, explica Delboni.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/rTS1G9iWuk7VInciVHwupVe6JYPCWs0QC6y_Vr6BXljvuWiybgQkS8Yzc1YSJQWfjVpK1_LnMOTHfo3e7_9h3e9qhEU-qNh6Um4YT3riduzZJZydaare3yXfIV2XFf7iIeQYjkHAexdra85Ur94q0A4\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Nordeste brasileiro se destaca como regi\u00e3o que possui maior desigualdade salarial. Isso tem sido registrado historicamente pelo \u00cdndice de Gini, m\u00e9todo utilizado para medir o grau de concentra\u00e7\u00e3o de renda em um determinado grupo. Como fator determinante, destaca-se o grau de formaliza\u00e7\u00e3o nos setores prim\u00e1rio e secund\u00e1rio da economia, explicando 12,48% e 12,51%, respectivamente. J\u00e1 no setor terci\u00e1rio, o fator determinante \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o, com 16,20%.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/OAfwVJ6Cj8JI_Nc8dQQ3QwIMKctucnpD_ruydfpZmdFFrWNrwTUhtZSXofCsp_8kGz0dxkQkorokrQku-3VgRm3MBKlpzuMwt0bFAUDXiQvYRxzTOeiwc-5qECeJSd2tRswxvsg_pfzLhltXwxlyQ_s\" alt=\"\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os resultados da regi\u00e3o Norte indicam que a vari\u00e1vel formaliza\u00e7\u00e3o foi respons\u00e1vel por explicar a maior parte da desigualdade nos setores prim\u00e1rio (6,65%) e secund\u00e1rio da economia (12,37%). Em contrapartida, no setor terci\u00e1rio destaca-se a escolaridade, com 12,82%. <\/p>\n\n\n\n<p>No Centro-Oeste, \u00e9 poss\u00edvel observar que no setor prim\u00e1rio a escolaridade det\u00e9m 9,56% de impacto. Em sequ\u00eancia, no setor secund\u00e1rio, o fator sexo se destaca revelando um percentual de 10,29%. No terci\u00e1rio, a escolaridade apresenta 17,13%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao Sul e ao Sudeste do pa\u00eds, a vari\u00e1vel escolaridade foi o fator que mais explicou a desigualdade de remunera\u00e7\u00e3o nos tr\u00eas setores econ\u00f4micos da economia. Na regi\u00e3o Sul, a escolaridade alcan\u00e7a 9,19% no setor prim\u00e1rio, 14,28% no setor secund\u00e1rio e 17,24% no setor terci\u00e1rio. J\u00e1 no Sudeste, os dados que correspondem \u00e0 escolaridade apontam 9,15% no setor prim\u00e1rio, 16,43% referente ao secund\u00e1rio e 19,31% quanto ao terci\u00e1rio.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao verificar o segundo fator predominante do Sudeste, destaca-se o grau de formaliza\u00e7\u00e3o do trabalho nos setores prim\u00e1rio e secund\u00e1rio. J\u00e1 no setor terci\u00e1rio, o segundo fator mais importante para explicar a desigualdade foi o sexo, com 6,41%. \u201cEvidenciando desta forma, a import\u00e2ncia de pol\u00edticas de equidade de g\u00eanero como fator relevante para reduzir a desigualdade salarial, uma vez que o setor de servi\u00e7os corresponde \u00e0 fatia mais expressiva da desigualdade entre setores, 66,28%\u201d, detalha Delboni.<\/p>\n\n\n\n<p>A orientadora frisa que apesar da escolaridade ocupar um lugar de destaque, a formaliza\u00e7\u00e3o se apresenta tamb\u00e9m como um fator que exerce grande influ\u00eancia nas diferen\u00e7as salariais, bem como o fator sexo. \u201c\u00c9 a diferen\u00e7a desses fatores que nos ajudam a compreender os seus impactos, explicando a desigualdade de renda do pa\u00eds,\u201d declara.<\/p>\n\n\n\n<p>*B<em>olsista em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto<\/em>: Pixabay<\/p>\n\n\n\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero, a maior discrep\u00e2ncia pode ser observada no setor secund\u00e1rio da economia, no qual homens receberam cerca de 55% a mais que mulheres no per\u00edodo analisado.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":3152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[44,7,9,47],"tags":[148,149,146,147],"class_list":["post-3151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-desigualdade-salarial","tag-escolaridade","tag-genero","tag-mercado"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria.jpg",1280,853,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria-300x200.jpg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria-768x512.jpg",768,512,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria-1024x682.jpg",1024,682,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria.jpg",1280,853,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria.jpg",1280,853,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria-1030x438.jpg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria-678x509.jpg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2023\/12\/industria-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli_checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero, a maior discrep\u00e2ncia pode ser observada no setor secund\u00e1rio da economia, no qual homens receberam cerca de 55% a mais que mulheres no per\u00edodo analisado.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/397"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3151"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3151\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3155,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3151\/revisions\/3155"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}