{"id":3230,"date":"2024-04-02T15:44:39","date_gmt":"2024-04-02T18:44:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3230"},"modified":"2024-04-23T14:19:54","modified_gmt":"2024-04-23T17:19:54","slug":"estudo-pioneiro-conclui-impacto-de-microagressoes-raciais-na-vida-profissional-de-pessoas-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2024\/04\/02\/estudo-pioneiro-conclui-impacto-de-microagressoes-raciais-na-vida-profissional-de-pessoas-negras\/","title":{"rendered":"Estudo pioneiro conclui impacto de microagress\u00f5es raciais na vida profissional de pessoas negras"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Adriana Damasceno *<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da an\u00e1lise da perspectiva de pessoas negras sobre a influ\u00eancia de ra\u00e7a\/cor na obten\u00e7\u00e3o de um trabalho considerado decente (segundo conceito da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho &#8211; OIT) e da constru\u00e7\u00e3o das carreiras desses trabalhadores, uma pesquisa realizada no \u00e2mbito do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia (PPGP\/Ufes), mensurou, de maneira in\u00e9dita, as microagress\u00f5es raciais sofridas pela popula\u00e7\u00e3o negra e concluiu que as trajet\u00f3rias de carreira dos negros brasileiros sofrem impactos e influ\u00eancia do racismo, com nuances no desenvolvimento profissional. Al\u00e9m disso, a pesquisa avaliou que fatores como escolaridade, renda e classe social podem atenuar as dificuldades dessa parcela populacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Desenvolvida durante o curso de mestrado da psic\u00f3loga Juliana Nunes, a pesquisa &nbsp;<em>Racismo e suas \u201csutilezas\u201d: uma an\u00e1lise integrada dos impactos e influ\u00eancias no desenvolvimento profissional e de carreira de pessoas negras brasileiras&nbsp;<\/em>entrevistou&nbsp;492 homens e mulheres pretos ou pardos, com trabalhos formais ou informais, de todo o pa\u00eds. O grupo foi analisado em dois estudos diferentes, que compuseram a pesquisa central.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisadora, muitos brasileiros ainda acreditam que o racismo se manifesta somente de forma violenta e direta e, at\u00e9 o desenvolvimento da pesquisa, n\u00e3o havia uma forma de mensurar as microagress\u00f5es raciais, definidas por ela como declara\u00e7\u00f5es e comportamentos sutis que, de maneira inconsciente, comunicam mensagens depreciativas a pessoas negras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs estudos psicom\u00e9tricos j\u00e1 realizados medem o racismo de forma mais geral e a maioria foi constru\u00edda a partir da perspectiva de pessoas brancas e n\u00e3o pela vis\u00e3o daqueles que realmente sofrem os ataques, que s\u00e3o as pessoas negras. As microagress\u00f5es raciais entram na classifica\u00e7\u00e3o de racismo e, consequentemente, causam impactos sociais e psicol\u00f3gicos nas pessoas\u201d, explica Juliana Nunes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trabalho decente<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar aos resultados da pesquisa, ela desenvolveu dois estudos paralelos. O primeiro,&nbsp;<em>Perspectivas de Trabalho Decente: Influ\u00eancias nas trajet\u00f3rias profissionais de trabalhadores negros no Brasil<\/em>, buscou explorar o conceito de trabalho decente a partir da perspectiva de pessoas negras brasileiras; compreender qual a perspectiva&nbsp;de trabalhadores negros sobre influ\u00eancia da ra\u00e7a\/cor e da classe social na trajet\u00f3ria profissional e de carreira; e analisar narrativas de acesso e dificultadores a um trabalho decente, bem como suas consequ\u00eancias para o alcance de fun\u00e7\u00f5es psicossociais do trabalho. Trabalho decente \u00e9 um conceito da OIT que designa aquela atividade capaz de suprir as necessidades b\u00e1sicas e permitir o bem-estar e a qualidade de vida dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Dez pessoas negras, com idades entre 21 e 54 anos, participaram desta fase da pesquisa e os dados coletados destacaram a percep\u00e7\u00e3o delas sobre a exist\u00eancia de diferen\u00e7as no tratamento entre negros e brancos. A ra\u00e7a\/cor foi identificada como um fator que influencia a trajet\u00f3ria de carreira, desde a forma\u00e7\u00e3o, a inser\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento, at\u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o de postos de trabalho considerados melhores e de maior prest\u00edgio. \u201cAs narrativas ressaltaram o quanto o racismo est\u00e1 imbricado a aspectos sociais, pol\u00edticos, econ\u00f4micos e que, no geral, as agress\u00f5es raciais nem sempre s\u00e3o manifestadas de maneira direta e expl\u00edcita, mas ocorrem de modo \u2018sutil\u2019, por meio de microagress\u00f5es raciais\u201d, analisa Juliana Nunes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Microagress\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufes.br\/sites\/default\/files\/2024-03\/whatsapp_image_2024-03-22_at_09.32.51.jpeg\" alt=\"Foto da pesquisadora Juliana Nunes, em p\u00e9, apresentando sua pesquisa. Ela \u00e9 uma mulher negra, de cabelos cursos e veste vestido vermelho.\" title=\"A pesquisadora Juliana Nunes\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s este achado, a pesquisadora deu in\u00edcio ao segundo estudo,&nbsp;<em>Vers\u00e3o brasileira da&nbsp;<\/em><em>Racial and Ethnic Microaggressions Scale<\/em>&nbsp;(REMS), do qual participaram 482 pessoas negras com mais de 18 anos de idade, de diferentes classes sociais. A finalidade desta etapa foi adaptar as propriedades psicom\u00e9tricas e a invari\u00e2ncia da REMS para a popula\u00e7\u00e3o brasileira. A pesquisadora pontua que foram encontradas evid\u00eancias de validade externa que demonstraram a associa\u00e7\u00e3o entre os dom\u00ednios de microagress\u00f5es raciais com renda e escolaridade. \u201cA adapta\u00e7\u00e3o foi bem sucedida. Estabelecemos a escala de racismo, uma base instrumental s\u00f3lida para investiga\u00e7\u00f5es futuras e aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica deste tema na promo\u00e7\u00e3o de ambientes mais inclusivos\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ressalta que a escala de racismo desenvolvida durante o estudo poder\u00e1 ser aplicada em diferentes contextos, como pesquisas institucionais, no trabalho, na escola e em estudos na \u00e1rea da sa\u00fade que busquem correlacionar com fen\u00f4menos como estresse, ansiedade e autoestima. Orientador da pesquisa, o professor do PPGP Alexsandro de Andrade avalia a relev\u00e2ncia do trabalho desenvolvido por Juliana Nunes n\u00e3o s\u00f3 para o Brasil, mas para todo o cen\u00e1rio latino-americano: \u201cCada vez mais, a pesquisa com pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade se torna agenda presente e compromisso da Universidade e dos diferentes setores da sociedade com a justi\u00e7a social\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Espa\u00e7os<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tendo ingressado no curso de gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia na Ufes por meio de cotas, Juliana Nunes observa que muitos estudantes na mesma situa\u00e7\u00e3o se sentem perdidos: \u201cN\u00f3s, muitas vezes, n\u00e3o somos instigados a sonhar com a ocupa\u00e7\u00e3o de determinados espa\u00e7os. Ficamos perdidos, tentando e tentando, para ver o que d\u00e1 certo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela pretende continuar com a mesma linha de estudos no curso de doutorado e seguir com a orienta\u00e7\u00e3o do professor Andrade. \u201cMeu orientador conduz um projeto de extens\u00e3o [<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/deandrade_carreira?igsh=MTZicGpyMmZhY2U1eA%3D%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>Carreiras contempor\u00e2neas e justi\u00e7a social<\/u><\/a>] que faz orienta\u00e7\u00e3o profissional e minha ideia \u00e9 trabalhar com interven\u00e7\u00f5es. Sei que n\u00f3s n\u00e3o podemos parar o racismo, mas acho que d\u00e1 para criar formas de facilitar a inser\u00e7\u00e3o profissional e o planejamento de carreira da popula\u00e7\u00e3o negra\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fotos: Freepik e arquivo pessoal da pesquisadora<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Thereza Marinho<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufes.br\/conteudo\/estudo-pioneiro-conclui-impacto-de-microagressoes-raciais-na-vida-profissional-de-pessoas#main-content\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>A pesquisa tamb\u00e9m aponta que fatores como escolaridade, renda e classe social podem atenuar as dificuldades dessa parcela populacional<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":3231,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[175,173,174],"class_list":["post-3230","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-mercado-de-trabalho","tag-negro","tag-racismo"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra.jpeg",615,404,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra-300x197.jpeg",300,197,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra.jpeg",615,404,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra.jpeg",615,404,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra.jpeg",615,404,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra.jpeg",615,404,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra.jpeg",615,404,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra-615x381.jpeg",615,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra.jpeg",615,404,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra-326x245.jpeg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/04\/pessoa-negra-80x60.jpeg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli_checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":3,"uagb_excerpt":"A pesquisa tamb\u00e9m aponta que fatores como escolaridade, renda e classe social podem atenuar as dificuldades dessa parcela populacional","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/397"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3230"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3230\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3233,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3230\/revisions\/3233"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}