{"id":327,"date":"2018-12-13T10:37:30","date_gmt":"2018-12-13T13:37:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=327"},"modified":"2026-07-03T15:26:57","modified_gmt":"2026-07-03T18:26:57","slug":"cine-metropolis-45-anos-de-muitas-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/12\/13\/cine-metropolis-45-anos-de-muitas-historias\/","title":{"rendered":"Cine Metr\u00f3polis:  45 anos de muitas hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8211; Por Adriana Damasceno &#8211;&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Conhe\u00e7a a trajet\u00f3ria do cineclube que \u00e9 refer\u00eancia no Esp\u00edrito Santo e que se tornou uma das principais salas de cinema universit\u00e1rio do Brasil<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Os meus tr\u00eas P\u2019s: paix\u00e3o, paci\u00eancia e perseveran\u00e7a. Voc\u00ea tem que fazer isso se quer ser um cineasta\u201d. A frase, atribu\u00edda ao cineasta e produtor norte-americano Robert Wise (1914-2005), reflete a hist\u00f3ria de cria\u00e7\u00e3o do cineclube que se tornou o Cine Metr\u00f3polis. A hist\u00f3ria come\u00e7a quando, em 1974, ano da reestrutura\u00e7\u00e3o do movimento cineclubista em n\u00edvel nacional, estudantes do ent\u00e3o Centro de Estudos Gerais (CEG) da Ufes criaram o Cineclube Universit\u00e1rio Cl\u00e1udio Bueno da Rocha. A ideia era reunir cin\u00e9filos em um espa\u00e7o que proporcionasse exibi\u00e7\u00f5es e coment\u00e1rios de obras cinematogr\u00e1ficas. Em 2019, ano em que a Ufes celebra seus 65 anos de exist\u00eancia, o Cine Metr\u00f3polis vai comemorar 45 anos de grandes hist\u00f3rias envolvendo paix\u00e3o, paci\u00eancia, perseveran\u00e7a e muito amor \u00e0 s\u00e9tima arte.<\/p>\n<p>Quando foi criado, o Cineclube Universit\u00e1rio Cl\u00e1udio Bueno da Rocha \u2013 nome dado em homenagem a um importante jornalista cultural de Vit\u00f3ria \u2013 tinha um forte perfil pol\u00edtico, como toda atividade estudantil. O cineclubismo atuava como centro de resist\u00eancia \u00e0 censura e \u00e0 ditadura, mantendo v\u00ednculo com movimentos oper\u00e1rios, sociais, afirmativos e ambientais, al\u00e9m de abrigar artistas, m\u00fasicos, poetas e fil\u00f3sofos. E o Cineclube Universit\u00e1rio funcionava como um ponto de encontro desses<br \/>\nsegmentos.<\/p>\n<p>Depois de funcionar por dois anos em uma sala do Centro de Estudos Gerais (CEG, atual Centro de Ci\u00eancias Humanas e Naturais, CCHN), o cineclube ganhou um audit\u00f3rio em 1976, constru\u00eddo no pr\u00e9dio do Cemuni 6, no Centro de Artes, onde funcionou at\u00e9 1994. A mudan\u00e7a proporcionou uma sala adequada para exibi\u00e7\u00f5es e uma melhor organiza\u00e7\u00e3o do funcionamento. Com sala pr\u00f3pria, os respons\u00e1veis pelo cineclube puderam estruturar mais objetivamente a programa\u00e7\u00e3o e realizar eventos, como a Semana do Cinema Brasileiro.<\/p>\n<p>Para aprimorar a atua\u00e7\u00e3o, em 1977, os dirigentes do cineclube procuraram a ent\u00e3o Sub-Reitoria Comunit\u00e1ria da Ufes (atualmente denominada Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o) e receberam apoio administrativo e financeiro, o que viabilizou a forma\u00e7\u00e3o de um grupo de coordena\u00e7\u00e3o das atividades. Ap\u00f3s participar das Jornadas Nacionais de Cineclubes, nos anos de 1977 e 1978, o grupo assumiu a miss\u00e3o&nbsp;de coordenar a realiza\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o seguinte, a XIII Jornada Nacional, em Santa Teresa, interior do Esp\u00edrito Santo. Esses passos contribu\u00edram para projetar o Cineclube Universit\u00e1rio nos cen\u00e1rios estadual e nacional.<\/p>\n<h3>Apoio ao cineclubismo<\/h3>\n<p>Foi em 1979 que os estudantes Marcos Val\u00e9rio Guimar\u00e3es e Sebasti\u00e3o Ribeiro Filho (conhecido como Ti\u00e3o Xar\u00e1) juntaram-se ao grupo. Nessa \u00e9poca, o Cineclube Universit\u00e1rio Cl\u00e1udio Bueno da Rocha sediou, por duas vezes, a presid\u00eancia do Conselho Nacional dos Cineclubes, al\u00e9m de ser o organizador da Federa\u00e7\u00e3o de Cineclubes do Esp\u00edrito Santo, criada em 1981. \u201cA Federa\u00e7\u00e3o funcionava na Ufes e tinha total apoio da Universidade, o que contribuiu para o sucesso das atividades cineclubistas na Grande Vit\u00f3ria e no interior do estado\u201d, conta Ti\u00e3o Xar\u00e1, que foi o primeiro presidente da entidade, entre 1981 e 1983, e membro da diretoria do Conselho Nacional de Cineclubes, de 1982 a 1984.<\/p>\n<p>Com o aux\u00edlio da Ufes, o Cineclube Universit\u00e1rio tinha como custear o aluguel dos filmes e a manuten\u00e7\u00e3o dos equipamentos para transmiss\u00e3o. \u201cCont\u00e1vamos tamb\u00e9m com o apoio do pessoal do Espa\u00e7o Universit\u00e1rio (atual Galeria de Arte Espa\u00e7o Universit\u00e1rio \u2013 Gaeu), que fez a programa\u00e7\u00e3o visual de v\u00e1rios cartazes de eventos, como as mostras do Cinema Brasileiro, do Cinema Russo e do Cinema Espanhol\u201d, lembra Xar\u00e1.<\/p>\n<h3>Paix\u00e3o e resist\u00eancia<\/h3>\n<p>O Cineclube Universit\u00e1rio utilizava uma tecnologia de proje\u00e7\u00e3o de pel\u00edculas em 16 mil\u00edmetros, o que, naquele momento, atendia a toda a estrutura de cinema e publicidade. No fim da d\u00e9cada de 1970 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, o pa\u00eds passou por um per\u00edodo de mudan\u00e7as pol\u00edtico-sociais (saindo do regime da ditadura militar), al\u00e9m de modifica\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, que afetaram o Cineclube Universit\u00e1rio. Com o enfraquecimento da estrutura de copiagem, a amea\u00e7a de desativa\u00e7\u00e3o do \u00fanico laborat\u00f3rio de cinema do Brasil a produzir c\u00f3pias em 16 mil\u00edmetros e a falta de financiamento p\u00fablico para manter a estrutura vigente, em meados de 1980 os cineclubes brasileiros passaram por um per\u00edodo muito complexo de adapta\u00e7\u00e3o, inclusive com o fechamento de v\u00e1rias unidades.<\/p>\n<p>Em 1985, a crise tecnol\u00f3gica dos 16 mil\u00edmetros atingiu o \u00e1pice e os cineclubistas adotaram o que Marcos Val\u00e9rio define como \u201cestrat\u00e9gia de resist\u00eancia e guerrilha\u201d: \u201cAl\u00e9m de lidar com a quest\u00e3o da escassez das c\u00f3pias, a gente passa a quase virar uma \u2018sess\u00e3o da tarde\u2019; \u00e9ramos obrigados a ficar repetindo indefinidamente os mesmos filmes, pois n\u00e3o t\u00ednhamos t\u00edtulos novos. Mas a gente n\u00e3o parava, era uma paix\u00e3o nossa de cineclubista n\u00e3o deixar aquilo morrer\u201d.<\/p>\n<p>Em 1991, por meio de patroc\u00ednio conseguido junto a empresas de Vit\u00f3ria, o Cineclube Universit\u00e1rio teve seu audit\u00f3rio reformado e o equipamento para o som foi constru\u00eddo. Al\u00e9m disso, a sala ganhou arquitetura sonora e um projetor foi montado.<\/p>\n<p>Em 10 de janeiro de 1992, o Cineclube Universit\u00e1rio fez sua primeira proje\u00e7\u00e3o em 35 mil\u00edmetros, exibindo o drama The Commitments \u2013 Loucos pela Fama, e a inaugura\u00e7\u00e3o foi&#8230; um desastre! Devido a problemas no equipamento, n\u00e3o foi poss\u00edvel completar a exibi\u00e7\u00e3o. \u201cEra o \u00faltimo dia da gest\u00e3o do reitor R\u00f4mulo Penina e, devido \u00e0 correria, a gente&nbsp;n\u00e3o tinha feito nenhum teste com o projetor\u201d, lembra Marcos. A inaugura\u00e7\u00e3o foi concretizada de forma simb\u00f3lica e, a partir daquele dia, o cinema exibia os filmes aos peda\u00e7os, com dois equipamentos, devido \u00e0 necessidade de ficar trocando os rolos para n\u00e3o interromper as sess\u00f5es. O p\u00fablico entendia as falhas, j\u00e1 que, por um longo per\u00edodo, o Cineclube Universit\u00e1rio se manteve como uma das \u00fanicas salas de cinema funcionando em Vit\u00f3ria. Dez dias depois, o Cineclube finalmente funcionou perfeitamente. Foi o nascimento do cinema em seu novo formato, com exibi\u00e7\u00e3o de filmes do mundo inteiro, al\u00e9m de abertura para realiza\u00e7\u00e3o de eventos culturais. Uma verdadeira sala de arte, que mantinha sua tradi\u00e7\u00e3o de pensar o cinema como cultura, arte e pol\u00edtica.<\/p>\n<h3><strong>Diversidade, liberdade, intelig\u00eancia, sensibilidade<\/strong><\/h3>\n<p>A queda do Muro de Berlim, em 1989, que simbolizou o fim do regime socialista sovi\u00e9tico, trouxe, segundo Guimar\u00e3es, um frenesi de vit\u00f3ria do capitalismo. Foi tamb\u00e9m nesse momento que surgiram os computadores de uso pessoal e os videocassetes, que, aliados a fatores como a viol\u00eancia urbana, fortaleceram o consumo de obras audiovisuais dentro de casa. \u201cO cineclube perdeu um pouco o espa\u00e7o de lugar da mem\u00f3ria do cinema, da atualiza\u00e7\u00e3o, do estudo, pois a fita levava o filme para a<br \/>\nresid\u00eancia das pessoas\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Tantas mudan\u00e7as trouxeram um novo tempo para o movimento cineclubista. O grupo, ent\u00e3o, decidiu que era o momento de adequar o nome do cinema a essa nova realidade. \u201cTestamos as coisas mais absurdas, como Cineclube Fractais, express\u00e3o matem\u00e1tica que sugere uma linha de ordem dentro do caos\u201d, conta Marcos Val\u00e9rio Guimar\u00e3es. Ap\u00f3s cerca de tr\u00eas meses de \u201cacaloradas discuss\u00f5es\u201d, segundo ele, foi escolhido o nome Metr\u00f3polis, uma refer\u00eancia ao longa-metragem alem\u00e3o hom\u00f4nimo, obra-prima do cineasta Fritz Lang, lan\u00e7ado em 1927.<\/p>\n<p>O filme mudo homenageado, de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, aborda uma sociedade na qual a Nova Ordem Mundial foi concretizada, em que uma elite selecionada vive no luxo, enquanto uma massa desumanizada de trabalhadores vive em um inferno monitorado. \u201cEu continuo acreditando que o mundo \u00e9 muito mais do que isso e o nome Cine Metr\u00f3polis traz esse conceito de que a gente deve prestar aten\u00e7\u00e3o na diversidade, na liberdade, na intelig\u00eancia, na sensibilidade\u201d, defende.<\/p>\n<p>O artista gr\u00e1fico H\u00e9lio Coelho foi convidado a produzir a logomarca do novo espa\u00e7o e criou fontes&nbsp;pr\u00f3prias para o Metr\u00f3polis, que reproduziam as silhuetas dos pr\u00e9dios de uma metr\u00f3pole contornando o c\u00edrculo de um boneco. \u201cEra algo que ilustrava a pessoa voltando para o mundo com a informa\u00e7\u00e3o do filme, com a oxigena\u00e7\u00e3o, o atravessamento que o cinema proporciona ao ser humano\u201d, explica Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>O Cine Metr\u00f3polis mantinha, a essa altura, uma rela\u00e7\u00e3o mais profissional com as distribuidoras, repassando parte dos lucros para o pagamento dos t\u00edtulos. A m\u00e9dia de exibi\u00e7\u00e3o era de tr\u00eas a quatro sess\u00f5es por dia de filmes brasileiros, europeus e argentinos, num circuito alternativo. O cinema trabalhava ainda outros aspectos da cultura, apostando em poesia, literatura, m\u00fasica e filmes antigos \u2013 algumas vezes com trilha sonora executada ao vivo. As estrat\u00e9gias geravam renda e certa autonomia para, por exemplo, reformar a plateia do audit\u00f3rio, que ganhou inclina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sucesso do Metr\u00f3polis foi enorme e ele se tornou um intenso ponto de rela\u00e7\u00e3o com a cidade. Com isso, a administra\u00e7\u00e3o da Ufes decidiu ampliar o espa\u00e7o do cinema e, em julho de 1994, durante as celebra\u00e7\u00f5es do anivers\u00e1rio de 40 anos da Universidade, foi constru\u00eddo o Centro de Viv\u00eancias do campus de Goiabeiras, que incluiria o pr\u00e9dio onde o Metr\u00f3polis est\u00e1 localizado hoje. Com essa mudan\u00e7a de ambienta\u00e7\u00e3o, a sala passou de 99 assentos para os atuais 240. Marcos Val\u00e9rio esteve \u00e0 frente da sala, como coordenador, por 16 anos, de 1979 a 1995. \u201cQuis manter a ideia na sua concep\u00e7\u00e3o original e acredito&nbsp; que o&nbsp;Metr\u00f3polis cumpriu com os objetivos propostos nessa interface universidade sociedade, na discuss\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o do cinema. O cinema est\u00e1 a\u00ed, faz um belo trabalho e continua seu ativismo cinematogr\u00e1fico, o que \u00e9 algo fant\u00e1stico\u201d, comemora.<\/p>\n<h3>Era digital<\/h3>\n<p>Em setembro de 1997, problemas estruturais levaram \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o das atividades do Cine Metr\u00f3polis. O ent\u00e3o coordenador Fernando Alves Neto lidava com m\u00e1quinas antigas, falta de manuten\u00e7\u00e3o estrutural e escassez de novas pel\u00edculas em 35 mil\u00edmetros, em um per\u00edodo em que se iniciava a era digital do cinema. A falta de variedade de t\u00edtulos resultou em uma queda vertiginosa da bilheteria, o que prejudicava o custeio da sala e o pagamento dos terceirizados, levando ao endividamento do cinema.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1998, Adriani Raimondi assumiu a coordena\u00e7\u00e3o da sala e deu in\u00edcio a um projeto de buscar parcerias para reabrir o cinema. \u201cO p\u00fablico sentiu muita falta do Metr\u00f3polis, at\u00e9 porque estamos falando de um tempo em que Vit\u00f3ria contava com apenas tr\u00eas salas em funcionamento e a maioria das pessoas s\u00f3 tinha acesso a filmes por meio do cinema\u201d, diz. Raimondi, que conseguiu verba para a reforma dos projetores e para aquisi\u00e7\u00e3o de um novo sistema de som. Em agosto do mesmo ano, o Cine Metr\u00f3polis foi reaberto ao p\u00fablico com a exibi\u00e7\u00e3o do filme Policarpo Quaresma, estrelado pelo ator Paulo Jos\u00e9. A cada filme exibido, a bilheteria crescia e quase todo o montante arrecadado era alocado para o pagamento das d\u00edvidas, o que foi finalizado num per\u00edodo de dois anos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um per\u00edodo de estabilidade, surgiu novo impasse: a progressiva transi\u00e7\u00e3o dos filmes em pel\u00edcula de 35 mil\u00edmetros para as plataformas digitais. J\u00e1 se tornava dif\u00edcil encontrar filmes adequados \u00e0 tecnologia dispon\u00edvel no Cine Metr\u00f3polis, que, al\u00e9m dos problemas de equipamentos, passava novamente por problemas estruturais na parte el\u00e9trica e hidr\u00e1ulica.<\/p>\n<p>Em meados de 2013, Rog\u00e9rio Borges assume a Secretaria de Cultura da Ufes, trazendo novamente Fernando Alves Neto para a coordena\u00e7\u00e3o do Cine Metr\u00f3polis a partir do in\u00edcio de 2014. \u201cColoquei a moderniza\u00e7\u00e3o do Metr\u00f3polis como o grande desafio da minha gest\u00e3o e comecei a pensar em como manter o cinema funcionando, mesmo de forma n\u00e3o desej\u00e1vel no que diz respeito a equipamento&nbsp;e sonoplastia\u201d, lembra Borges, que mant\u00e9m uma liga\u00e7\u00e3o sentimental com o cinema: \u201cNo in\u00edcio dos anos 1980, eu era um m\u00fasico atuante no cen\u00e1rio cultural capixaba e era na salinha do Cineclube Cl\u00e1udio Bueno da Rocha que, na hora do almo\u00e7o, n\u00f3s, artistas, nos apresent\u00e1vamos. Eu vi nascer essa hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>A ideia do secret\u00e1rio de Cultura era promover uma reocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Para isso, buscou parceria com o curso de Cinema e Audiovisual da Ufes e o professor F\u00e1bio Camarneiro criou a disciplina optativa Hist\u00f3ria do Cinema Brasileiro, que era ministrada dentro do Cine Metr\u00f3polis. Posteriormente, outros professores e alunos juntaram-se&nbsp;ao projeto e diversos cineclubes da Grande Vit\u00f3ria foram convidados a promover seus eventos na sala, numa tentativa de recolocar o cinema no lugar de grande protagonista fora do eixo comercial.<\/p>\n<p>Por nove meses, entre 2016 e 2017, o Cine Metr\u00f3polis ficou fechado para obras, realizadas com recurso conseguido junto \u00e0 Secretaria do Audiovisual do Minist\u00e9rio da Cultura. J\u00e1 sob a gest\u00e3o do atual coordenador do cinema, An\u00edbal Souza, foram reformados a parte el\u00e9trica, o equipamento de som e o forro, que foi adequado \u00e0s normas t\u00e9cnicas das salas de cinemas mais modernas do Brasil. Depois de reaberto em mar\u00e7o de 2017, o cinema tem sido usado para lan\u00e7amentos de obras audiovisuais de alunos, de cineclubes e de outros realizadores. As atividades com foco na exibi\u00e7\u00e3o de filmes correspondem a 80% do total, mas a sala tamb\u00e9m recebe palestras e pequenos grupos musicais. \u201cA todo palestrante que pretende usar o cinema \u00e9 solicitado que exiba filmes relacionados ao tema proposto, para que a sala continue a tradi\u00e7\u00e3o de ser um espa\u00e7o ligado ao audiovisual\u201d, explica o secret\u00e1rio.<\/p>\n<h3>P\u00fablico consolidado<\/h3>\n<p>Durante seus quase 45 anos de hist\u00f3ria, o Cine Metr\u00f3polis se consolidou como uma sala alternativa, focada em obras que est\u00e3o \u00e0 margem do circuito comercial. \u201cO cinema da Ufes mant\u00e9m o perfil de priorizar filmes do curso, dos alunos e o cinema brasileiro de produ\u00e7\u00e3o independente. Isso \u00e9 muito importante porque eu n\u00e3o vejo, em Vit\u00f3ria, lugar nenhum para assistir a filmes alternativos nacionais. As grandes&nbsp;redes optam por passar filmes de maior impacto de bilheteria, normalmente com\u00e9dias\u201d, analisa o professor F\u00e1bio Camarneiro, que explica que o p\u00fablico do cinema tem crescido numericamente devido \u00e0 procura por esse tipo de filme. \u201cPor isso \u00e9 t\u00e3o importante que um cinema como o Metr\u00f3polis tenha essa cara alternativa. Ser sala de rua, dentro de uma universidade p\u00fablica e desvinculada da ideia de compra que tem o shopping, \u00e9 uma caracter\u00edstica muito positiva do Cine Metr\u00f3polis\u201d, completa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de sediar grandes mostras e festivais de cinema pioneiros no Esp\u00edrito Santo, como o Vit\u00f3ria Cine V\u00eddeo (desde 1994) e a Mostra Produ\u00e7\u00e3o Independente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas do Esp\u00edrito Santo (ABD Capixaba, desde 2005), o Cine Metr\u00f3polis faz parte do projeto Cinemas em Rede, circuito nacional promovido por uma parceria entre a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e o Minist\u00e9rio da Cultura (MinC), que interliga 12 salas alternativas de cinema (das quais 10 s\u00e3o universit\u00e1rias) espalhadas pelo Brasil para compartilhamento de filmes brasileiros de relev\u00e2ncia art\u00edstica e cultural.<\/p>\n<p>Para o futuro, Rog\u00e9rio Borges planeja a reforma das cadeiras e a aquisi\u00e7\u00e3o de um novo projetor Digital Cinema Package (DCP), que est\u00e1 se tornando o padr\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o do cinema digital no mundo. A proje\u00e7\u00e3o em DCP tende a ser tecnicamente mais perfeita que a pel\u00edcula de 35 mil\u00edmetros que ainda est\u00e1 em funcionamento no Metr\u00f3polis, apesar de o cinema j\u00e1 usar, tamb\u00e9m, equipamentos digitais com proje\u00e7\u00e3o em alta defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_329\" aria-describedby=\"caption-attachment-329\" style=\"width: 533px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-329\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/Cinema-cheio.jpg\" alt=\"\" width=\"533\" height=\"300\"><figcaption id=\"caption-attachment-329\" class=\"wp-caption-text\">O Cine Metr\u00f3polis da Ufes \u00e9 hoje um espa\u00e7o para exibi\u00e7\u00e3o de filmes, al\u00e9m de palestras e debates acerca de projetos audiovisuais. Foto: Adryelisson Maduro\/Ufes<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Ambiente universit\u00e1rio favoreceu o cineclubismo<\/h2>\n<p>A \u201cera de ouro\u201d do movimento cineclubista brasileiro foi o per\u00edodo compreendido entre o final da d\u00e9cada de 1950 e a primeira metade da d\u00e9cada de 1980. Os cineclubes nasceram em meio ao processo de legitima\u00e7\u00e3o cultural do cinema, em resposta \u00e0 necessidade que a nascente ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica comercial n\u00e3o atendia. S\u00e3o associa\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, com estrutura democr\u00e1tica e com compromisso \u00e9tico que surgiram do agrupamento de pessoas interessadas em assistir e discutir filmes, tornando-se centros de debates tanto sobre as obras cinematogr\u00e1ficas como a respeito da conjuntura pol\u00edtico-social do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Organizados em institui\u00e7\u00f5es representativas, como federa\u00e7\u00f5es nacionais e estaduais, e reunidos em torno de um conselho nacional, os cineclubes assumiram variados perfis, conforme os espa\u00e7os em que se estabeleceram \u2013 salas pr\u00f3prias de cinema ou locais adaptados, como salas de aula \u2013 caso da fase inicial do Cineclube Cl\u00e1udio Bueno da Rocha, na Ufes. Como ponto em comum, havia a defesa de bandeiras como a liberdade de imprensa, o fim da censura e da ditadura militar e a restaura\u00e7\u00e3o da democracia. Muitos cinemas universit\u00e1rios nasceram como cineclubes, aproveitando o ambiente acad\u00eamico, que pressup\u00f5e a exist\u00eancia de reflex\u00e3o, di\u00e1logo, a\u00e7\u00e3o e provoca\u00e7\u00e3o. \u201cO cineclube nasce a partir desse espa\u00e7o, mas precisa de muito trabalho, muita gente envolvida, muita dedica\u00e7\u00e3o. As pessoas fazem por paix\u00e3o\u201d, explica Camarneiro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_330\" aria-describedby=\"caption-attachment-330\" style=\"width: 511px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-330\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/1a-Reuni\u00e3o-idem-1.jpg\" alt=\"\" width=\"511\" height=\"346\"><figcaption id=\"caption-attachment-330\" class=\"wp-caption-text\">Ti\u00e3o Xar\u00e1 (o segundo, da esquerda para a direita) em encontro com representantes nacionais dos cineclubes. Fonte: Acervo\/Ti\u00e3o Xar\u00e1<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>&#8211; Por Adriana Damasceno &#8211;&nbsp; Conhe\u00e7a a trajet\u00f3ria do cineclube que \u00e9 refer\u00eancia no Esp\u00edrito Santo e que se tornou uma das principais salas de <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/12\/13\/cine-metropolis-45-anos-de-muitas-historias\/\" title=\"Cine Metr\u00f3polis:  45 anos de muitas hist\u00f3rias\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":328,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[45,9],"tags":[27,28,30,29],"class_list":["post-327","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-edicao-009","category-noticias","tag-cine-metropolis","tag-cineclube","tag-cinema","tag-ufes"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",1818,1234,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",150,102,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",300,204,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",768,521,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",1024,695,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",1536,1043,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",1818,1234,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",645,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",561,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",678,460,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",326,221,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/2-Reuni\u00e3o-din\u00e2mica-de-grupo.jpg",80,54,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"&#8211; Por Adriana Damasceno &#8211;&nbsp; Conhe\u00e7a a trajet\u00f3ria do cineclube que \u00e9 refer\u00eancia no Esp\u00edrito Santo e que se tornou uma das principais salas de [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=327"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":459,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327\/revisions\/459"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/328"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}