{"id":3384,"date":"2024-09-17T14:19:48","date_gmt":"2024-09-17T17:19:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3384"},"modified":"2024-10-15T13:48:42","modified_gmt":"2024-10-15T16:48:42","slug":"futebol-feminino-e-tema-de-pesquisas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2024\/09\/17\/futebol-feminino-e-tema-de-pesquisas\/","title":{"rendered":"Futebol feminino \u00e9 tema de pesquisas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>\u00c9ric Nobre<\/strong>*<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viv\u00eancia de atletas no futebol feminino \u00e9 tema central do Grupo de Pesquisa em G\u00eanero e Esporte (Grupa), vinculado ao Centro de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Desportos (CEFD) da Ufes. Sob a coordena\u00e7\u00e3o da professora Mariana Zuanetti, pesquisadores buscam entender como se d\u00e1 o incentivo ao esporte e \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o das jogadoras de alto rendimento. \u201cO futebol feminino n\u00e3o deve ser uma c\u00f3pia do masculino. A ideia \u00e9 propor novos modelos e por isso estamos estudando esse momento do esporte\u201d, afirma Zuanetti.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora Kerzia Railane Santos Silva tem uma longa hist\u00f3ria com o futebol. Ela deu sua contribui\u00e7\u00e3o para o esporte desde muito cedo em times semiprofissionais at\u00e9 se tornar uma mestra no assunto pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica (PPGEF). Com foco no contexto de desenvolvimento da categoria de base do futebol feminino, a disserta\u00e7\u00e3o intitulada \u201cA base vem forte: a forma\u00e7\u00e3o das jovens garotas futebolistas no Brasil em tempos de m\u00eddias sociais\u201d traz entrevistas com atletas de diferentes idades e estados e seus respectivos respons\u00e1veis para entender a rotina de treinos, estudos e lazer. A pesquisadora analisou como as redes sociais, sobretudo o Instagram, influenciam na carreira delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDos resultados alcan\u00e7ados por meio da imers\u00e3o neste estudo, destaco o fato de que elas est\u00e3o a construir um projeto de vida vinculado ao futebol, perseguindo-o desde a tenra idade. Nesse contexto, o engajamento da fam\u00edlia deu origem ao ato de compartilhar essa trajet\u00f3ria, via redes sociais, como o Instagram. Essa conduta vem fomentando o reconhecimento social e a quebra de estere\u00f3tipos, assim como vem chamando a aten\u00e7\u00e3o de pessoas e grupos espec\u00edficos sobre as aspirantes a atletas de futebol\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Dados<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo as pesquisas feitas pelo Grupa, o Norte do pa\u00eds \u00e9 a regi\u00e3o que mais tem jogadoras, sobretudo os estados do Amazonas e do Par\u00e1. Mesmo que praticar esportes seja algo majoritariamente destinado \u00e0s mulheres com rendas mais altas, o futebol caminha inversamente, tendo como maioria mulheres de baixa renda, principalmente as n\u00e3o brancas. Os dados mostraram que 72% das mulheres que jogam futebol s\u00e3o pretas, pardas, amarelas e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pesquisa de Silva, ficou evidente a quantidade significativa de meninas que v\u00eam do futsal, esporte que tem mais possibilidades de pr\u00e1tica cotidiana. Al\u00e9m disso, as redes sociais s\u00e3o um atravessamento na carreira desde o in\u00edcio, fazendo com que, inclusive, elas tenham assessoria de imagem desde muito cedo. Setenta por cento das meninas vislumbram uma carreira internacional e enxergam a aquisi\u00e7\u00e3o do idioma ingl\u00eas como algo essencial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Lazer<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coordenadora do projeto, Zuaneti comenta a import\u00e2ncia de apresentar o futebol para as meninas desde cedo. Ela cita uma propaganda em que a jogadora Andressa Alves conta que nunca quis ganhar uma boneca e que o futebol dela come\u00e7ou tirando a cabe\u00e7a das bonecas para fazer de bola. \u201cDemocratizar o futebol n\u00e3o \u00e9 apenas&nbsp; profissionalizar as atletas, mas tamb\u00e9m garantir que as meninas, ao nascer, tenham o direito de ganhar uma bola de futebol para o lazer\u201d, comentou a professora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Hist\u00f3ria\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O futebol feminino foi proibido no Brasil por um decreto do ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas, em 1941. A proibi\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi derrubada em 1979 e a regulamenta\u00e7\u00e3o aconteceu quatro anos depois, em 1983. Mesmo com as lutas pela democratiza\u00e7\u00e3o do esporte, ainda se via uma neglig\u00eancia na pr\u00e1tica feminina e a hist\u00f3ria exp\u00f5e um descaso coletivo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modalidade que perdura at\u00e9 os dias atuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apenas em 2013 aconteceu o primeiro campeonato de futebol feminino no Brasil.\u00a0Alguns movimentos das federa\u00e7\u00f5es, em especial da Fifa em 2016, come\u00e7aram a visar \u00e0 igualdade de g\u00eanero como algo importante. Apesar disso, as pesquisadoras consideram que apenas em 2019, quando a Confedera\u00e7\u00e3o Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL) criou a regra que obriga os grandes times a terem equipes femininas em todas as categorias (base e profissional) que o futebol feminino viveu um marco, mudando significativamente a estrutura do esporte, mesmo ainda tendo muito a evoluir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>*Bolsista em projeto de comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Imagem: \u00a0Joshua Choate\/Pixabay<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Mesmo que praticar esportes seja algo majoritariamente destinado \u00e0s mulheres com rendas mais altas, o futebol caminha inversamente, tendo como maioria mulheres de baixa renda, principalmente as n\u00e3o brancas. 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