{"id":3411,"date":"2024-10-22T16:13:19","date_gmt":"2024-10-22T19:13:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3411"},"modified":"2024-11-13T15:58:36","modified_gmt":"2024-11-13T18:58:36","slug":"pesquisadores-mapeiam-febre-do-oropouche-em-territorio-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2024\/10\/22\/pesquisadores-mapeiam-febre-do-oropouche-em-territorio-brasileiro\/","title":{"rendered":"Pesquisadores mapeiam febre do Oropouche em territ\u00f3rio brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Ghenis Carlos*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em um esfor\u00e7o cient\u00edfico nacional, pesquisadores da Ufes apontam os principais fatores associados \u00e0 propaga\u00e7\u00e3o da febre do Oropouche no Brasil. A an\u00e1lise epidemiol\u00f3gica revela que, fora da Amaz\u00f4nia, a doen\u00e7a teve mais vantagem para se espalhar em pequenos munic\u00edpios rurais. As pesquisas seguiram tr\u00eas linhas: uma abrangendo a regi\u00e3o Norte brasileira, outra englobando todo o Brasil e a \u00faltima espec\u00edfica no Estado do Esp\u00edrito Santo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A febre \u00e9 causada pelo v\u00edrus Oropouche (OROV), um arbov\u00edrus transmitido por insetos, semelhante aos v\u00edrus da dengue, da zika e da chikungunya. A doen\u00e7a foi identificada pela primeira vez em 1955, em um indiv\u00edduo da comunidade de Vega de Oropouche, em Trinidad e Tobago, no Caribe. No Brasil, o v\u00edrus foi detectado pela primeira vez na d\u00e9cada de 1960, em um bicho-pregui\u00e7a capturado durante a constru\u00e7\u00e3o da rodovia Bel\u00e9m-Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor do Departamento de Patologia do Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade (CCS) da Ufes Edson Delatorre, a doen\u00e7a costumava ficar restrita \u00e0 regi\u00e3o amaz\u00f4nica, por\u00e9m, no in\u00edcio de 2024, o v\u00edrus se espalhou por diversos pa\u00edses e por todas as regi\u00f5es do Brasil. Acredita-se que a variante que provocou a dissemina\u00e7\u00e3o tenha surgido entre 2010 e 2014 na regi\u00e3o central do Amazonas, devido a um rearranjo gen\u00e9tico. Os primeiros casos foram detectados na cidade de Tef\u00e9 (Amazonas) em 2015 e, posteriormente, na Guiana Francesa, em 2020, sugerindo uma dispers\u00e3o silenciosa ao longo dos anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contexto capixaba<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 2024, os primeiros casos de Oropouche foram confirmados no Esp\u00edrito Santo. Desde ent\u00e3o, j\u00e1 foram registrados mais de 450 casos, distribu\u00eddos por 36 munic\u00edpios. As cidades com maior ocorr\u00eancia s\u00e3o Laranja da Terra, Rio Bananal, Colatina, Anchieta e Itagua\u00e7u. Segundo os pesquisadores, muitos pacientes n\u00e3o relataram viagens para regi\u00f5es end\u00eamicas. Isso indica que o v\u00edrus j\u00e1 circula localmente no estado, e n\u00e3o apenas por introdu\u00e7\u00f5es externas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cRecentemente, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade confirmou os primeiros \u00f3bitos atribu\u00eddos \u00e0 febre do Oropouche no Brasil, com dois casos registrados no interior da Bahia, envolvendo mulheres jovens e sem comorbidades pr\u00e9vias. Houve ainda um \u00f3bito fetal causado por transmiss\u00e3o vertical do v\u00edrus (quando ele passa da m\u00e3e para o feto durante a gesta\u00e7\u00e3o). Outros oito casos de transmiss\u00e3o vertical est\u00e3o em investiga\u00e7\u00e3o. Esses podem estar associados a outras manifesta\u00e7\u00f5es graves, como malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas. Atualmente, h\u00e1 um caso de \u00f3bito sob investiga\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito Santo. Tudo isso refor\u00e7a a necessidade de vigil\u00e2ncia constante e de medidas de controle para prevenir a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a no pa\u00eds\u201d, afirma Delatorre.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A propaga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A transmiss\u00e3o se d\u00e1 pela picada do mosquito<em> <\/em>hemat\u00f3fago <em>Culicoides paraensis,<\/em> conhecido popularmente como maruim ou mosquito-p\u00f3lvora. O v\u00edrus possui um genoma dividido em tr\u00eas segmentos de RNA. Essa caracter\u00edstica facilita o fen\u00f4meno de rearranjo gen\u00e9tico, que&nbsp; ocorre quando dois v\u00edrus diferentes infectam a mesma c\u00e9lula simultaneamente. O rearranjo pode resultar na troca de segmentos de RNA entre diferentes variantes virais, possibilitando o surgimento de novas vers\u00f5es com caracter\u00edsticas adaptativas, como maior capacidade de transmiss\u00e3o, virul\u00eancia e adapta\u00e7\u00e3o a novos vetores. Essa possibilidade de muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica potencializa a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor reitera que, fora da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, o v\u00edrus tem circulado principalmente em \u00e1reas rurais. Isso ocorre porque o principal vetor, o maruim, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bem adaptado ao ambiente urbano como o<em> Aedes aegypti<\/em>. Al\u00e9m disso, ele alerta que a proximidade com algumas culturas agr\u00edcolas, como banana e cacau, influenciam a preval\u00eancia de casos de infec\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 maior presen\u00e7a do mosquito transmissor nessas \u00e1reas. Tais fatores ecol\u00f3gicos e antropog\u00eanicos aumentam o risco de infec\u00e7\u00e3o e de dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOutros fatores, como a fragmenta\u00e7\u00e3o das paisagens florestais, em grande parte causada pela expans\u00e3o agr\u00edcola, podem ter aumentado a intera\u00e7\u00e3o entre os insetos vetores e os hospedeiros humanos, contribuindo para a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus\u201d, explica Delatorre.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Preven\u00e7\u00e3o e sintomas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A principal medida preventiva \u00e9 evitar a exposi\u00e7\u00e3o ao inseto. No entanto, Delatorre alerta que repelentes e inseticidas convencionais n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o eficazes contra o maruim. Outra dificuldade \u00e9 que esse mosquito pode atravessar telas convencionais por ser muito pequeno. Diante disso, \u00e9 recomendada a utiliza\u00e7\u00e3o de malhas ultrafinas ou at\u00e9 mesmo o fechamento completo de portas e janelas. Outra alternativa \u00e9 eliminar os criadouros da esp\u00e9cie, que incluem \u00e1gua parada rica em mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a contamina\u00e7\u00e3o, surgem sintomas semelhantes aos da dengue, como febre, dor de cabe\u00e7a, dores musculares e articulares, al\u00e9m de mal-estar generalizado. Na maioria dos casos, a doen\u00e7a \u00e9 autolimitada e se resolve em aproximadamente uma semana. Outra caracter\u00edstica da febre do Oropouche \u00e9 a possibilidade de recidiva, com reaparecimento dos sintomas de uma a duas semanas ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es iniciais. No entanto, em alguns casos, a doen\u00e7a pode evoluir para formas mais graves, como meningite e encefalite.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Delatorre, os pesquisadores seguem analisando os dados para compreender o cen\u00e1rio brasileiro e capixaba. A partir disso, esperam desenvolver medidas eficazes para lidar com novas ondas de cont\u00e1gio, principalmente com a chegada da primavera e do ver\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 fundamental que haja um compromisso governamental e da popula\u00e7\u00e3o para a vigil\u00e2ncia e o combate n\u00e3o apenas a esse v\u00edrus, mas tamb\u00e9m a outros arbov\u00edrus, como dengue, zika e chikungunya. Ao adotar medidas de preven\u00e7\u00e3o, como eliminar focos de \u00e1gua parada, utilizar repelentes e buscar informa\u00e7\u00f5es sobre arboviroses, podemos contribuir para a seguran\u00e7a de nossa comunidade e garantir um futuro mais saud\u00e1vel para todos &#8220;, ressalta o pesquisador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apoio e financiamento&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo \u00e9 financiado por diversas ag\u00eancias, incluindo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes). Tamb\u00e9m conta com a parceria de diversos Laborat\u00f3rios Centrais de Sa\u00fade P\u00fablica (Lacens) e ag\u00eancias de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>*Bolsista em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/p>\n\n\n\n<p>Imagem gerada por intelig\u00eancia artificial<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>As pesquisas seguiram tr\u00eas linhas: uma abrangendo a regi\u00e3o Norte brasileira, outra englobando todo o Brasil e a \u00faltima espec\u00edfica no Estado do Esp\u00edrito Santo.\u00a0<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":3415,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[222,223,29],"class_list":["post-3411","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-mosquito","tag-orpouche","tag-ufes"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57.jpeg",1600,1600,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57-300x300.jpeg",300,300,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57-768x768.jpeg",768,768,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57-1024x1024.jpeg",1024,1024,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57-1536x1536.jpeg",1536,1536,true],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57.jpeg",1600,1600,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57-1030x438.jpeg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57-678x381.jpeg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57-678x509.jpeg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57-326x245.jpeg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2024\/10\/WhatsApp-Image-2024-10-22-at-16.15.57-80x60.jpeg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli_checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As pesquisas seguiram tr\u00eas linhas: uma abrangendo a regi\u00e3o Norte brasileira, outra englobando todo o Brasil e a \u00faltima espec\u00edfica no Estado do Esp\u00edrito Santo.\u00a0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3411","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/397"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3411"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3411\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3417,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3411\/revisions\/3417"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}