{"id":3563,"date":"2025-04-01T19:56:56","date_gmt":"2025-04-01T22:56:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3563"},"modified":"2025-04-29T15:26:28","modified_gmt":"2025-04-29T18:26:28","slug":"sistema-automatiza-classificacao-de-graos-de-cafe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2025\/04\/01\/sistema-automatiza-classificacao-de-graos-de-cafe\/","title":{"rendered":"Sistema automatiza classifica\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os de caf\u00e9"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Ghenis Carlos*<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em desenvolvimento pela Ufes, um aplicativo visa realizar a classifica\u00e7\u00e3o sensorial do caf\u00e9 a partir do processamento digital de imagens e intelig\u00eancia artificial, indicando a nota de Qualidade Global (QG) da bebida a partir dos gr\u00e3os cereja rec\u00e9m-colhidos na lavoura. A QG \u00e9 a escala usada pela <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bsca_specialtycoffee\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Caf\u00e9s Especiais<\/a> para classificar o fruto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia da pesquisa liderada pelo professor Samuel Silva, vinculado ao Departamento de Engenharia Rural da Ufes, que fica no Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias e Engenharias (CCAE), \u00e9 facilitar a vida do produtor rural, direcionando o processamento e o beneficiamento p\u00f3s-colheita, com o objetivo de identificar lotes de caf\u00e9 com maior qualidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO sistema ainda n\u00e3o \u00e9 operacional, porque est\u00e1 em n\u00edvel de prototipagem. Mas o modelo computacional est\u00e1 pronto. A ideia \u00e9 construir um sistema operacional que trabalhe com um modelo de aprendizado por refor\u00e7o\u201d, explica Silva.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Para o desenvolvimento do projeto, informa\u00e7\u00f5es de gr\u00e3os de lavouras do Esp\u00edrito Santo e Minas Gerais com qualidade sensorial j\u00e1 conhecida foram inseridas no sistema, gerando uma biblioteca com amostras de diferentes gr\u00e3os de caf\u00e9. Com base nisso, \u00e9 feito o processo de classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA partir da resposta espectral dos gr\u00e3os, obtido com uso de uma c\u00e2mara com ilumina\u00e7\u00e3o controlada e usando um sensor RGB, a gente conseguiu chegar a bons resultados\u201d, diz o professor, que coordena o Laborat\u00f3rio de Mecaniza\u00e7\u00e3o e Agricultura de Precis\u00e3o e Digital (LabMAP).<\/p>\n\n\n\n<p>Crit\u00e9rios como aroma, sabor, corpo, amargor, adstring\u00eancia e outros s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Caf\u00e9s Especiais para definir se um caf\u00e9 \u00e9 tradicional ou especial, sendo que, dentro dessa \u00faltima classe, existem subdivis\u00f5es de 70 a 100 pontos. Convencionalmente, esse processo ocorre pela avalia\u00e7\u00e3o de provadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A margem de erro dos provadores \u00e9 semelhante ao desvio obtido no estudo, que leva em considera\u00e7\u00e3o a m\u00e9dia global da qualidade sensorial do caf\u00e9. Mas h\u00e1 um diferencial: para a classifica\u00e7\u00e3o por provador \u00e9 preciso colher o caf\u00e9, secar, beneficiar, torrar e moer; j\u00e1 o projeto vinculado \u00e0 Ufes faz a an\u00e1lise diretamente com os gr\u00e3os de caf\u00e9 cereja, ap\u00f3s a colheita, sem passar por todas as etapas convencionais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO sistema convencional envolve a a\u00e7\u00e3o humana. Provadores altamente treinados, com o paladar agu\u00e7ado e capaz de fazer a classifica\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que o processo \u00e9 demorado. E o agricultor s\u00f3 vai ter informa\u00e7\u00e3o da qualidade depois do beneficiamento e na hora da classifica\u00e7\u00e3o. O que a gente prop\u00f5e \u00e9 uma medida que d\u00ea direcionamentos de lotes espec\u00edficos para a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9s especiais\u201d, afirma Silva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impactos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No processo convencional p\u00f3s-colheita, os gr\u00e3os que s\u00e3o destinados a caf\u00e9s especiais passam, em geral, por um processo de lavagem e separa\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os verdes e cerejas. Depois o cereja, na maioria dos casos, \u00e9 descascado e despolpado na fase de fermenta\u00e7\u00e3o, para em seguida ser seco. O professor pontua que isso gera uma quantidade de \u00e1gua residu\u00e1ria relativamente grande e que pode eutrofizar cursos d&#8217;\u00e1gua, ou seja, tornar uma fonte de \u00e1gua excessivamente rica em nutrientes, minerais e materiais org\u00e2nicos, acarretando desequil\u00edbrios ecol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, o benef\u00edcio econ\u00f4mico e ambiental do sistema proposto \u201cest\u00e1 na possibilidade de orientar quais lotes ser\u00e3o vendidos como <em>commodity <\/em>(gr\u00e3os para comercializa\u00e7\u00e3o internacional em larga escala), com um custo menor para o produtor e sem gerar impactos ambientais\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel delimitar os gr\u00e3os que podem ser processados como caf\u00e9 especial.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tecnologia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador lembra que as tecnologias est\u00e3o cada vez mais presentes no meio rural brasileiro. Desde a d\u00e9cada de 1990, o pa\u00eds tem aplicado preceitos de agricultura de precis\u00e3o, principalmente com m\u00e1quinas e solu\u00e7\u00f5es importadas de outros pa\u00edses. Nos \u00faltimos anos, no entanto, foram desenvolvidas solu\u00e7\u00f5es e ferramentas voltadas para a realidade nacional.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o docente, nenhuma das solu\u00e7\u00f5es est\u00e1 direcionada especificamente para a cafeicultura, pois, apesar de haver diversos empres\u00e1rios no ramo, a maior parte dos produtores corresponde a pequenos agricultores com menor poder aquisitivo. Nesse sentido, o LabMAP quer desenvolver alternativas tecnol\u00f3gicas para aprimorar sistemas de manejo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s estamos inseridos em uma regi\u00e3o produtora de caf\u00e9; o Esp\u00edrito Santo \u00e9 o maior produtor de caf\u00e9 <em>canephora<\/em> do Brasil e \u00e9 expressivo na produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 ar\u00e1bica. Ent\u00e3o, temos uma responsabilidade social de devolver tecnologia para pequenos agricultores. \u00c9 um projeto oportuno, pois al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica [dos envolvidos], h\u00e1 os pilares de extens\u00e3o e pesquisa que envolvem o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es e tecnologias voltadas para aqueles que nos circundam\u201d, detalha Silva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pr\u00f3ximo passo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3ximo passo do estudo consiste em ampliar os dados utilizados para a classifica\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os e transformar o que \u00e9 um prot\u00f3tipo em algo que seja operacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>* Bolsista em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Revis\u00e3o: Monick Barbosa<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O sistema ainda n\u00e3o \u00e9 operacional, porque est\u00e1 em n\u00edvel de prototipagem. 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