{"id":3582,"date":"2025-04-24T18:58:37","date_gmt":"2025-04-24T21:58:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3582"},"modified":"2025-05-14T16:30:42","modified_gmt":"2025-05-14T19:30:42","slug":"pesquisa-da-ufes-nega-nova-linhagem-genetica-da-tartaruga-de-couro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2025\/04\/24\/pesquisa-da-ufes-nega-nova-linhagem-genetica-da-tartaruga-de-couro\/","title":{"rendered":"Pesquisa da Ufes refuta hip\u00f3tese de nova linhagem gen\u00e9tica da tartaruga-de-couro"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Ghenis Carlos *<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>An\u00e1lises realizadas no Laborat\u00f3rio de Gen\u00e9tica e Evolu\u00e7\u00e3o Molecular (LGEM) da Ufes, com o apoio do N\u00facleo de Biodiversidade Gen\u00e9tica Luiz Paulo de Souza Pinto (Nubigen) \u2013 laborat\u00f3rio multiusu\u00e1rio da Ufes \u2013, refutaram a hip\u00f3tese de exist\u00eancia&nbsp; de uma nova linhagem gen\u00e9tica da tartaruga-de-couro&nbsp; (<em>Dermochelys coriacea<\/em>). Uma das principais descobertas do estudo \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o de segmentos de DNA mitocondrial que migraram para o DNA nuclear (Numts) como um fator de confus\u00e3o em an\u00e1lises gen\u00e9ticas anteriores de <em>D. coriacea<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho na Ufes foi motivado pela informa\u00e7\u00e3o de um grupo de pesquisa mexicano que prop\u00f4s uma nova linhagem gen\u00e9tica de tartarugas-de-couro com base em an\u00e1lise gen\u00e9tica, hist\u00f3ria ambiental e conhecimento ecol\u00f3gico local, sugerindo a exist\u00eancia de duas poss\u00edveis esp\u00e9cies ou subesp\u00e9cies nas praias de Oaxaca, sul do M\u00e9xico.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/04\/Filhote-de-tartaruga-de-couro-2-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3583\" style=\"width:366px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/04\/Filhote-de-tartaruga-de-couro-2-2.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/04\/Filhote-de-tartaruga-de-couro-2-2-225x300.jpeg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Filhote de tartaruga-de-couro<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na Ufes, os pesquisadores avaliaram as evid\u00eancias para essa linhagem proposta revisando a literatura taxon\u00f4mica&nbsp; \u2013 que trata da classifica\u00e7\u00e3o e categoriza\u00e7\u00e3o dos seres vivos&nbsp; \u2013 e dados gen\u00e9ticos adicionais. A an\u00e1lise capixaba indica que \u201cas sequ\u00eancias divergentes, anteriormente associadas a uma nova linhagem de <em>D. coriacea<\/em>, s\u00e3o segmentos de DNA mitocondrial que migraram para o DNA nuclear (Numts) que podem ter sido amplificados erroneamente como DNA mitocondrial (mtDNA) verdadeiro\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDiferenciar o mtDNA dos Numts \u00e9 crucial para evitar interpreta\u00e7\u00f5es err\u00f4neas em estudos gen\u00e9ticos. Os Numts, por serem fragmentos de mtDNA inseridos no genoma nuclear, podem ser confundidos com o mtDNA aut\u00eantico. Embora sejam muito parecidos, os Numts evoluem de forma diferente, pois os materiais gen\u00e9ticos do n\u00facleo e da mitoc\u00f4ndria sofrem muta\u00e7\u00f5es em ritmos distintos. Essa diferen\u00e7a nas muta\u00e7\u00f5es \u00e9 justamente o que permite identificar os Numts e distingui-los do mtDNA verdadeiro\u201d, explica a coordenadora do estudo, a professora do Departamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Ufes e pesquisadora do LGEM Sarah Vargas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa resultou na <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-024-82754-4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>publica\u00e7\u00e3o de um artigo na revista internacional Scientific Reports<\/strong><\/a>, que integra o portf\u00f3lio Nature, sendo o primeiro autor o p\u00f3s-doutorando do LGEM Wesley Colombo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Primer <\/em><\/strong><strong>gen\u00e9tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Confundir o material gen\u00e9tico do n\u00facleo celular com o mitocondrial pode levar a interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas sobre a diversidade gen\u00e9tica de esp\u00e9cies, comprometendo estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o. Para resolver isso, os pesquisadores da Ufes desenvolveram um <em>primer<\/em> (iniciador gen\u00e9tico) que identifica com precis\u00e3o o mtDNA da tartaruga-de-couro, evitando a interpreta\u00e7\u00e3o baseada nos Numts.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Primers<\/em> s\u00e3o pequenas sequ\u00eancias de DNA usadas na t\u00e9cnica de PCR <em>(<\/em>Rea\u00e7\u00e3o em Cadeia da Polimerase), uma tecnologia que consiste na amplifica\u00e7\u00e3o de uma regi\u00e3o espec\u00edfica de DNA. O PCR ficou muito conhecido na pandemia de 2020 por ser uma t\u00e9cnica usada nos testes de covid-19. \u201cNa pr\u00e1tica, os<em> primers<\/em> funcionam como \u2018marcadores\u2019 que, preferencialmente, se ligam a pontos espec\u00edficos do DNA para indicar onde a amplifica\u00e7\u00e3o deve come\u00e7ar\u201d, declara a bi\u00f3loga respons\u00e1vel pelo Nubigen e coautora do artigo, Juliana Justino.<\/p>\n\n\n\n<p>O<em> primer<\/em> desenvolvido \u00e9 inovador porque foi criado para se ligar especificamente ao DNA mitocondrial da tartaruga-de-couro, evitando a amplifica\u00e7\u00e3o de fragmentos semelhantes que est\u00e3o no n\u00facleo da c\u00e9lula. Isso garante a an\u00e1lise apenas do material mitocondrial verdadeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Protocolo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do <em>primer<\/em>, a pesquisa capixaba prop\u00f4s um protocolo geral para detectar Numts, que pode ser aplicado a qualquer esp\u00e9cie, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia da precis\u00e3o nos estudos gen\u00e9ticos. Uma an\u00e1lise precisa contribui para os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a identifica\u00e7\u00e3o incorreta de Numts como mtDNA pode levar a estimativas inflacionadas de diversidade gen\u00e9tica e prioridades de conserva\u00e7\u00e3o mal direcionadas, o que prejudica o enfrentamento de amea\u00e7as como a destrui\u00e7\u00e3o de habitats.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO protocolo foi desenvolvido justamente para evitar erros na interpreta\u00e7\u00e3o de dados gen\u00e9ticos causados pelos Numts. E isso vai muito al\u00e9m das tartarugas-de-couro: ele pode ser aplicado a qualquer esp\u00e9cie, inclusive humanos, j\u00e1 que a presen\u00e7a desses fragmentos no DNA nuclear \u00e9 comum em muitos organismos. A proposta \u00e9 padronizar m\u00e9todos que combinam t\u00e9cnicas laboratoriais e an\u00e1lises computacionais para garantir que apenas o DNA mitocondrial verdadeiro seja analisado. Isso \u00e9 especialmente importante em pesquisas sobre diversidade gen\u00e9tica, evolu\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies, \u00e1reas em que a confus\u00e3o com Numts pode levar a conclus\u00f5es equivocadas\u201d, explica Vargas.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora refor\u00e7a: \u201co mais interessante \u00e9 que esse estudo mostra como, na ci\u00eancia, os detalhes fazem toda a diferen\u00e7a. Um pequeno fragmento de DNA no lugar errado pode levar a interpreta\u00e7\u00f5es equivocadas, como pensar que surgiu uma nova esp\u00e9cie. Nosso trabalho vem justamente para evitar esse tipo de engano\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gigante marinho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A tartaruga-de-couro, a maior de todas as tartarugas marinhas, \u00e9 uma esp\u00e9cie que pode ultrapassar dois metros de comprimento e pesar mais de 600 quilos. Apesar de seu tamanho imponente, essa gigante dos oceanos enfrenta s\u00e9rias amea\u00e7as \u00e0 sua sobreviv\u00eancia. No Brasil, o \u00fanico lugar em que o animal desova com regularidade \u00e9 na regi\u00e3o litor\u00e2nea do norte do Esp\u00edrito Santo, como as praias de Comboios e Povoa\u00e7\u00e3o, no munic\u00edpio de Linhares&nbsp; \u2013 um fen\u00f4meno que atrai a aten\u00e7\u00e3o de ambientalistas e pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Financiamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo contou com o apoio financeiro da Funda\u00e7\u00e3o Renova, em coopera\u00e7\u00e3o com a Funda\u00e7\u00e3o Esp\u00edrito-Santense de Tecnologia (Fest) e da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>*Bolsista em projeto de comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Imagens: Paula Rodrigues\u00a0Guimar\u00e3es<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Uma das 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