{"id":3601,"date":"2025-05-08T18:56:49","date_gmt":"2025-05-08T21:56:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3601"},"modified":"2025-05-28T16:44:14","modified_gmt":"2025-05-28T19:44:14","slug":"artesanato-com-fios-pesquisa-mostra-que-a-pratica-produz-saude-mental-e-qualidade-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2025\/05\/08\/artesanato-com-fios-pesquisa-mostra-que-a-pratica-produz-saude-mental-e-qualidade-de-vida\/","title":{"rendered":"Artesanato com fios: pesquisa mostra que a pr\u00e1tica produz sa\u00fade mental e qualidade de vida"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Ghenis Carlos*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa de doutorado vinculada ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia (PPGP) da Ufes revela que a pr\u00e1tica de artesanato com fios, como croch\u00ea e tric\u00f4, est\u00e1 relacionada a sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos positivos, como liberdade, prazer, paci\u00eancia, amor, alegria, felicidade, relaxamento e concentra\u00e7\u00e3o, itens fundamentais para a sa\u00fade mental e a qualidade vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De autoria de Barbara Frigini De Marchi, psic\u00f3loga e pesquisadora, o estudo avaliou a rela\u00e7\u00e3o entre essa modalidade de artesanato e a qualidade de vida de mulheres jovens, entre 20 e 40 anos, ao longo da pandemia de covid-19. Entre as participantes, o tric\u00f4 foi a arte mais praticada como passatempo, enquanto o croch\u00ea e o macram\u00ea despontaram como fontes de renda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das adversidades da pandemia, a pesquisa mostra que jovens que praticaram artesanato com fios apresentaram elevados n\u00edveis de qualidade de vida e de <em>flow<\/em>&nbsp; \u2013 termo que refere-se a um estado mental positivo, no qual se experimenta grande satisfa\u00e7\u00e3o, foco e absor\u00e7\u00e3o pela atividade desafiante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs resultados demonstraram a inter-rela\u00e7\u00e3o entre a experi\u00eancia \u00f3tima de fluxo na consci\u00eancia, o bem-estar e a qualidade de vida e, por conseguinte, a import\u00e2ncia de as pessoas se dedicarem a atividades com potencial de gera\u00e7\u00e3o de <em>flow<\/em> para o cuidado da sa\u00fade como um todo\u201d, afirmou a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, a pr\u00e1tica do artesanato \u201cagiu como fator de prote\u00e7\u00e3o a sintomas psicopatol\u00f3gicos, promovendo autorregula\u00e7\u00e3o emocional\u201d. De Marchi destacou a import\u00e2ncia disso numa situa\u00e7\u00e3o de crise sanit\u00e1ria, n\u00e3o pass\u00edvel de resolu\u00e7\u00e3o individual e imediata, quando \u201cos esfor\u00e7os cognitivos e de a\u00e7\u00e3o devem se dar n\u00e3o sobre o problema, mas sobre aquilo que permite \u00e0 pessoa tolerar ou aceitar o que n\u00e3o pode dominar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impacto na pandemia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora ressalta que as mulheres jovens sofreram maior impacto psicol\u00f3gico no per\u00edodo de pandemia devido ao ac\u00famulo de responsabilidades no lar, para aquelas que passaram a trabalhar remotamente; ao aumento da carga de tarefas com os filhos, que n\u00e3o podiam frequentar as escolas e espa\u00e7os de socializa\u00e7\u00e3o; e \u00e0 perman\u00eancia por mais tempo em companhia de parceiros agressores, entre outros fatores. A pr\u00e1tica do artesanato com fios foi, nesse cen\u00e1rio, uma ferramenta terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa ferramenta \u00e9 super ben\u00e9fica, mas desde que complementar. As pessoas confundem terapia com terap\u00eautico que, apesar [de termos] pr\u00f3ximos, n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. A terapia \u00e9 um processo de interven\u00e7\u00e3o e cuidado, conduzido por um profissional a partir de princ\u00edpios \u00e9ticos e s\u00f3lidos conhecimentos te\u00f3ricos e t\u00e9cnicos. Terap\u00eautico, por sua vez, diz respeito \u00e0 caracter\u00edstica positiva de um recurso que permite o acesso ao mundo interno de cada um e, assim, \u00e0 express\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es, sentimentos e pensamentos\u201d, afirmou a psic\u00f3loga, lembrando que a pr\u00e1tica do artesanato, portanto, n\u00e3o substitui qualquer tratamento, sobretudo para sofrimento ou adoecimento ps\u00edquico grave.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ci\u00eancia contra estere\u00f3tipos&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ideia da pesquisa surgiu de um inc\u00f4modo da pesquisadora que teve a inf\u00e2ncia marcada pela confec\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as a m\u00e3o, principalmente usando t\u00e9cnicas de macram\u00ea e bordados, mas que no in\u00edcio da vida adulta se deparou com coment\u00e1rios de que o artesanato com fios era uma atividade para mulheres de idade avan\u00e7ada ou das que preparam o enxoval para o casamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAssociado a isso, a concep\u00e7\u00e3o de que as artesanias se encerravam em si mesmas, em seu valor puramente est\u00e9tico, econ\u00f4mico ou dom\u00e9stico destoava da natureza da minha experi\u00eancia com elas. Como eu acredito que um dos papeis da ci\u00eancia \u00e9 combater estere\u00f3tipos, achei importante estudar um p\u00fablico fora do \u00f3bvio. Al\u00e9m disso, naquele momento, a literatura come\u00e7ava a mostrar que as mulheres jovens estavam sendo as mais afetadas pela covid-19\u201d, explica De Marchi.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela destaca que, pela sua observa\u00e7\u00e3o, \u201cas manualidades com fios t\u00eam ganhado, nos \u00faltimos anos, contornos pol\u00edticos, marcadamente diferentes do prop\u00f3sito de conforma\u00e7\u00e3o das mulheres a um comportamento subserviente, a um modelo espec\u00edfico de feminilidade e a um papel social restrito ao lar como era num passado recente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora complementa: \u201cSe, l\u00e1 atr\u00e1s, nos faziam ocupar as m\u00e3os com agulhas e fios para n\u00e3o tocarmos nossos pr\u00f3prios corpos e n\u00e3o explorarmos nossa sexualidade, para n\u00e3o querermos projetos de vida diferentes do que o patriarcado nos reservava, hoje, as manualidades com fios s\u00e3o uma forma de resist\u00eancia, feminismo, liberdades de express\u00e3o e financeira, empoderamento, socializa\u00e7\u00e3o e cuidado de si\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cartilha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa de De Marchi foi a base para a edi\u00e7\u00e3o da cartilha <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1nhf_cy4v9YK76hKNUScxi2CMRFrwlxWC\/view?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAAadE-WodbKs9iLrgec091oNMfhXzmS-hTC0QznnMY6Bae2k6Ri4j9UvIMbFaNg_aem_QIz_Z7UMSRjpmKzaQopBww\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>Pr\u00e1tica de manualidades com fios e qualidade de vida<\/em><\/strong><\/a>, dispon\u00edvel, de forma gratuita, em formatos f\u00edsico e digital. Trata-se de um material de car\u00e1ter educativo e que visa fomentar as pr\u00e1ticas artesanais com fios como recurso acess\u00edvel, eficaz e de baixo custo financeiro para a promo\u00e7\u00e3o da qualidade de vida e da sa\u00fade mental dos indiv\u00edduos.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>*Bolsista em projeto de comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Imagem: Pavel Danilyuk\/Pexels (CC)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O estudo envolveu mulheres jovens, entre 20 e 40 anos, ao longo da pandemia de covid-19<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":3602,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[272,273,133,229,275,274,29],"class_list":["post-3601","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-artesanato","tag-croche","tag-pesquisa","tag-psicologia","tag-saude-mental","tag-trico","tag-ufes"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios.jpeg",1124,750,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios-300x200.jpeg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios-768x512.jpeg",768,512,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios-1024x683.jpeg",1024,683,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios.jpeg",1124,750,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios.jpeg",1124,750,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios-1030x438.jpeg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios-678x381.jpeg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios-678x509.jpeg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios-326x245.jpeg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/05\/Artesanato-com-fios-80x60.jpeg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli_checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"O estudo envolveu mulheres jovens, entre 20 e 40 anos, ao longo da pandemia de covid-19","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/397"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3601"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3601\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3609,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3601\/revisions\/3609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3602"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}