{"id":3626,"date":"2025-05-28T16:36:31","date_gmt":"2025-05-28T19:36:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3626"},"modified":"2025-06-17T16:10:16","modified_gmt":"2025-06-17T19:10:16","slug":"movimentos-migratorios-e-heranca-genetica-estudos-na-ufes-ajudam-a-decifrar-identidade-brasileira-e-predisposicao-a-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2025\/05\/28\/movimentos-migratorios-e-heranca-genetica-estudos-na-ufes-ajudam-a-decifrar-identidade-brasileira-e-predisposicao-a-doencas\/","title":{"rendered":"Movimentos migrat\u00f3rios e heran\u00e7a gen\u00e9tica: estudos na Ufes ajudam a decifrar identidade brasileira e predisposi\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Jaqueline Vianna<\/strong>&nbsp;<\/em>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo dos anos, os movimentos de imigrantes, muitas vezes atra\u00eddos por ciclos econ\u00f4micos, somados aos povos origin\u00e1rios ind\u00edgenas e aos africanos formaram a popula\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo e do Brasil tal qual conhecemos hoje. As rela\u00e7\u00f5es estabelecidas e as somas de DNAs resultaram na miscigena\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m das apar\u00eancias: tra\u00e7am nossos costumes, nossa identidade e at\u00e9 nossas refer\u00eancias gen\u00e9ticas, que trazem informa\u00e7\u00f5es valiosas para a ci\u00eancia, como predisposi\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as. Na Ufes, dois estudos de diferentes \u00e1reas v\u00eam contribuindo para decifrar quem nos tornamos durante os \u00faltimos s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um deles \u00e9 o <em><strong>Sa\u00fade Ind\u00edgena no Esp\u00edrito Sant<\/strong><\/em>o, coordenado pelo professor de Fisiologia no Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da Ufes (CCS) Jos\u00e9 Geraldo Mill. A pesquisa capixaba contribuiu para o mais completo estudo sobre o mapa gen\u00e9tico brasileiro, o projeto DNA do Brasil, publicado recentemente pela revista Science. Esse mapa revela mais de oito milh\u00f5es de variantes gen\u00e9ticas desconhecidas at\u00e9 hoje. A maior parte da amostra estudada apresenta cerca de 60% de ancestralidade europeia, 27% africana e 13% nativa. As maiores porcentagens de ancestralidade africana est\u00e3o no Norte e no Nordeste do pa\u00eds, enquanto as europeias se concentram no Sul e no Sudeste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mill explica que a pesquisa nacional analisou os genomas completos de 2.723 pessoas, incluindo indiv\u00edduos de comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas das cinco regi\u00f5es geogr\u00e1ficas do pa\u00eds. O Esp\u00edrito Santo contribuiu com amostras biol\u00f3gicas da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena de Aracruz. \u201cO estudo precisava de diversas amostras de diferentes etnias, ent\u00e3o o Esp\u00edrito Santo p\u00f4de contribuir com as que j\u00e1 t\u00ednhamos, da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, quando nos propomos a monitorar a sa\u00fade daquela popula\u00e7\u00e3o&#8221;, informa. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de dez institui\u00e7\u00f5es contribu\u00edram na constru\u00e7\u00e3o do mapa em todo o Brasil. A partir das amostras, encaminhadas para a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), foi feito o sequenciamento de genoma e comparado com outros bancos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 interessante observar que toda a movimenta\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria fica escrita em nosso DNA. Atrav\u00e9s desse estudo, pudemos perceber, por exemplo, que a miscigena\u00e7\u00e3o \u00e9 mais realizada ao longo da hist\u00f3ria pela via da mulher. Isto \u00e9, foi mais comum o homem branco se relacionar com mulheres ind\u00edgenas e negras do que a mulher branca se relacionar com homens dessas etnias. Isso \u00e9 importante do ponto de vista hist\u00f3rico e tamb\u00e9m do ponto de vista biol\u00f3gico atual, pois muitas doen\u00e7as \u2013 ou mesmo resist\u00eancia a certas doen\u00e7as \u2013 s\u00e3o t\u00edpicas de uma etnia ou outra e s\u00e3o herdadas por via maternal ou paternal, conforme o caso. Ent\u00e3o podemos perceber, atrav\u00e9s do estudo de genoma, o perfil e as predisposi\u00e7\u00f5es das doen\u00e7as, tendo possibilidade de influenciar na pol\u00edtica de sa\u00fade\u201d, diz o professor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Movimentos migrat\u00f3rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A outra pesquisa da Ufes que ajuda a entender a miscigena\u00e7\u00e3o foi a <strong><em>Ciclos econ\u00f4micos e migra\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito Santo do s\u00e9culo&nbsp;XIX&nbsp;ao&nbsp;XXI<\/em><\/strong>, realizada pela professora do Departamento de Ci\u00eancias Sociais e coordenadora do Laborat\u00f3rio de Estudos dos Movimentos Migrat\u00f3rios da Ufes, Maria Cristina Dadalto, juntamente com o professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Geografia Ednelson Dota. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dadalto explica que o estudo foi dividido em quatro per\u00edodos: entre 1810 e 1900, com a chegada dos primeiros imigrantes incentivados pela pol\u00edtica colonial ao final do ciclo de imigra\u00e7\u00e3o internacional; de 1910 a 1950, relacionada \u00e0 expans\u00e3o das frentes agr\u00edcolas colonizadoras do interior do estado e a amplia\u00e7\u00e3o da mobilidade nacional intra e interestaduais; de 1960 aos anos de 1990, articulando a pol\u00edtica de erradica\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 e os investimentos produtivos nacionais e externos; e, por fim, a partir dos anos 2000, com o crescimento da ind\u00fastria do petr\u00f3leo, incentivado pelo crescimento econ\u00f4mico e populacional, inclusive pelo plano 20-25 estadual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFica muito evidente esses diferentes processos migrat\u00f3rios. At\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, a imigra\u00e7\u00e3o de europeus era subdimensionada no estado. Na \u00e9poca, \u00e9ramos uma prov\u00edncia com v\u00e1rias regi\u00f5es formando pequenas col\u00f4nias, com uma popula\u00e7\u00e3o espalhada e alguma movimenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, incluindo a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em algumas regi\u00f5es. A partir da\u00ed come\u00e7amos a analisar o Oitocentos (per\u00edodo do s\u00e9culo XIX marcado por diversos eventos, como a expans\u00e3o cafeeira, a imigra\u00e7\u00e3o de europeus, e a luta pela aboli\u00e7\u00e3o da escravatura) e, nesse per\u00edodo, a migra\u00e7\u00e3o europeia diz muito do resultado da pesquisa. Tivemos uma maioria de imigrantes italianos, al\u00e9m de imigrantes internos, especialmente das regi\u00f5es fronteiri\u00e7as do Rio de Janeiro e Minas Gerais, que come\u00e7aram a vir para a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 e tamb\u00e9m extra\u00e7\u00e3o de madeira. Grandes fazendeiros expandiram suas terras por aqui trazendo pessoas escravizadas e popula\u00e7\u00e3o miscigenada\u201d, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro momento, de 1960 a 1990, marca o \u00eaxodo rural como resultado da pol\u00edtica de erradica\u00e7\u00e3o dos cafezais e um per\u00edodo de intensa emigra\u00e7\u00e3o em n\u00edvel estadual com a implementa\u00e7\u00e3o de novos fluxos migrat\u00f3rios com base na industrializa\u00e7\u00e3o provocada pelos grandes projetos implantados na Grande Vit\u00f3ria. Tal evento gerou a Regi\u00e3o Metropolitana da Grande Vit\u00f3ria (RMGV). \u201cMuitos migrantes nacionais chegam ao estado nessa \u00e9poca, gerando um grande crescimento populacional com grande concentra\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o urbanizada\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, no quarto per\u00edodo analisado, temos a mobilidade de 2000 a 2010, realizada com a gesta\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o do plano estadual conhecido como 20-25 e o crescimento da ind\u00fastria do petr\u00f3leo, resultando na abertura comercial da economia do pa\u00eds e das privatiza\u00e7\u00f5es. Outro fato que tem fortalecido e modificado os ciclos de migra\u00e7\u00e3o inter e intraestadual no Esp\u00edrito Santo foi a inser\u00e7\u00e3o de 28 munic\u00edpios do norte do estado na Superintend\u00eancia de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNossa hip\u00f3tese \u00e9 que as pol\u00edticas estatais foram as principais condicionantes dos fluxos migrat\u00f3rios do Esp\u00edrito Santo ou que nele se originaram ou se destinaram. Essas pol\u00edticas impulsionaram o deslocamento da concentra\u00e7\u00e3o de riquezas do interior, junto \u00e0 classe rural do estado no per\u00edodo da coloniza\u00e7\u00e3o at\u00e9 os anos de 1960, para a Grande Vit\u00f3ria. Foram elas, em diferentes contextos hist\u00f3ricos, que gestaram a transforma\u00e7\u00e3o sociocultural, econ\u00f4mica e pol\u00edtica do estado, sendo a redistribui\u00e7\u00e3o espacial da popula\u00e7\u00e3o uma de suas faces\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Edi\u00e7\u00e3o:&nbsp;<strong>Thereza Marinho<\/strong><\/em> <strong><em>e Sueli de Freitas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Foto: Freepik<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Uma das pesquisas revela mais de oito milh\u00f5es de variantes gen\u00e9ticas desconhecidas at\u00e9 hoje. 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