{"id":3779,"date":"2025-11-03T16:54:06","date_gmt":"2025-11-03T19:54:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3779"},"modified":"2025-11-25T09:04:08","modified_gmt":"2025-11-25T12:04:08","slug":"pesquisadores-encontram-elevada-concentracao-de-metais-em-alimentos-cultivados-no-estuario-do-rio-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2025\/11\/03\/pesquisadores-encontram-elevada-concentracao-de-metais-em-alimentos-cultivados-no-estuario-do-rio-doce\/","title":{"rendered":"Pesquisadores encontram elevada concentra\u00e7\u00e3o de metais em alimentos cultivados no estu\u00e1rio do Rio Doce"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Sueli de Freitas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo <em><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10653-025-02770-9\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10653-025-02770-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dos rejeitos \u00e0s mesas: avalia\u00e7\u00e3o de risco de elementos potencialmente t\u00f3xicos em culturas comest\u00edveis cultivadas em solos impactados por rejeitos de minera\u00e7\u00e3o<\/a><\/em>, publicado em outubro de 2025 na revista <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10653-025-02770-9\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10653-025-02770-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Environmental Geochemistry and Health<\/em><\/a>, mostra a concentra\u00e7\u00e3o elevada de elementos potencialmente t\u00f3xicos (PTEs) em solos agr\u00edcolas do estu\u00e1rio do Rio Doce, incluindo c\u00e1dmio, cromo, cobre, n\u00edquel e chumbo. Esses PTEs foram encontrados em partes comest\u00edveis de culturas locais como cacau, mandioca e banana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa foi realizada no ano de 2021 por um grupo interdisciplinar de pesquisadores da Ufes \u2013 professor Angelo Bernardino, do Departamento de Oceanografia e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Oceanografia Ambiental \u2013; da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq\/USP); e da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, e recebeu financiamento das funda\u00e7\u00f5es de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e do Esp\u00edrito Santo (Fapes) por meio do projeto Rede Solos e Bentos Rio Doce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Contamina\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"732\" height=\"866\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/11\/Trabalho-solos-estuario-Rio-Doce.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3781\" style=\"width:403px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/11\/Trabalho-solos-estuario-Rio-Doce.jpg 732w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2025\/11\/Trabalho-solos-estuario-Rio-Doce-254x300.jpg 254w\" sizes=\"auto, (max-width: 732px) 100vw, 732px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grupo investigou os efeitos da cr\u00f4nica contamina\u00e7\u00e3o por rejeitos de minera\u00e7\u00e3o ricos em ferro no estu\u00e1rio &#8211; zona de transi\u00e7\u00e3o entre o rio e o mar. Desde 2015, o Rio Doce sofre os impactos do rompimento da barragem de Fund\u00e3o, situada no Complexo Industrial de Germano, no munic\u00edpio de Mariana (MG), sob a gest\u00e3o da Samarco Minera\u00e7\u00e3o S\/A, empresa controlada pela Vale S\/A e BHP Billinton. O rompimento ocorreu em 5 de novembro daquele ano, ou seja, h\u00e1 exatos dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os pesquisadores, a quantidade de c\u00e1dmio, cromo, cobre, n\u00edquel e chumbo encontrados em solos agr\u00edcolas do estu\u00e1rio do Rio Doce excede os valores de refer\u00eancia adotados pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO). \u201cIsso levanta a preocupa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 seguran\u00e7a alimentar a partir do consumo de produtos cultivados na regi\u00e3o mais pr\u00f3xima \u00e0 foz do Rio Doce\u201d, afirma o professor Bernardino.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o pesquisador, \u201cos resultados sinalizam que os rejeitos de minera\u00e7\u00e3o, ricos em \u00f3xidos de ferro, nem sempre constituem um material inerte que impede a transfer\u00eancia de contaminantes para a cadeia alimentar, especialmente em solos estuarinos\u201d. Ele afirma que \u201ccomo j\u00e1 demonstrado em estudos anteriores da Rede Solos Bentos Rio Doce, as condi\u00e7\u00f5es estuarinas promovem a transfer\u00eancia de metais para a biota ou para a vegeta\u00e7\u00e3o associada, com implica\u00e7\u00f5es diretas para a seguran\u00e7a alimentar e a sa\u00fade p\u00fablica nas regi\u00f5es impactadas por deposi\u00e7\u00e3o de rejeitos, sobretudo para grupos sens\u00edveis como crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Avalia\u00e7\u00f5es de risco<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo utilizou avalia\u00e7\u00f5es de risco (<em>Hazard Quotient<\/em>, <em>Hazard Index<\/em> e <em>Total Hazard Index<\/em>) que sugerem um poss\u00edvel risco n\u00e3o cancer\u00edgeno para crian\u00e7as ao consumirem bananas. Para adultos, os \u00edndices calculados permaneceram abaixo de limiares de risco. O chumbo foi o principal respons\u00e1vel pelo risco alto observado para crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a pesquisadora da USP Tamires Patr\u00edcia de Souza, doutora e enfermeira coautora do estudo, os resultados s\u00e3o um alerta claro para a necessidade de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o infantil a esses elementos: \u201cA exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica ao chumbo est\u00e1 associada a danos ao desenvolvimento neurol\u00f3gico irrevers\u00edveis, como redu\u00e7\u00e3o de QI (coeficiente de intelig\u00eancia), d\u00e9ficits de aten\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00f5es comportamentais. Crian\u00e7as de zero a 6 anos de idade absorvem e ret\u00eam mais chumbo que adultos, tornando-as especialmente vulner\u00e1veis mesmo a baixas concentra\u00e7\u00f5es. Por isso, o estudo aponta a necessidade de medidas urgentes de monitoramento, estudos de bioacessibilidade e interven\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica para reduzir a exposi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e proteger as popula\u00e7\u00f5es mais sens\u00edveis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m reconhece que seria necess\u00e1rio ampliar a amostragem de \u00e1reas ao longo do Rio Doce para melhor compreender o potencial risco para a popula\u00e7\u00e3o atingida pelo desastre. Por\u00e9m, os resultados oferecem um sinal de alerta, pois dependendo da quantidade de alimentos ricos em metais consumidos, assim como de fontes adicionais de contamina\u00e7\u00e3o (solo, ar e \u00e1gua), existe a possibilidade de risco para crian\u00e7as. \u201cEsse estudo refor\u00e7a dados anteriores publicados que sugerem a biodisponibilidade de muitos elementos potencialmente t\u00f3xicos na regi\u00e3o estuarina e a natureza cr\u00f4nica dos impactos do desastre de Mariana sobre as comunidades afetadas\u201d, afirma a pesquisadora Amanda Ferreira, da Esalq\/USP, que liderou o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ferreira ganhou o Pr\u00eamio USP de Tese 2025 na \u00e1rea de sustentabilidade ambiental e o Pr\u00eamio Capes de Tese 2025 na \u00e1rea de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias com a pesquisa intitulada <em>Iron biochemistry in mine tailing impacted soils: from risk assessment to enhanced bioremediation strategies<\/em> <em>(Bioqu\u00edmica do ferro em solos impactados por rejeitos de minera\u00e7\u00e3o: da avalia\u00e7\u00e3o de riscos a estrat\u00e9gias aprimoradas de biorremedia\u00e7\u00e3o<\/em>), desenvolvida na Esalq\/USP, sob orienta\u00e7\u00e3o do professor Tiago Ferreira, em parceria com o professor\u00a0Bernardino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fotos: Angelo Bernardino\/Ufes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Revis\u00e3o: Monick Barbosa<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O estudo utilizou avalia\u00e7\u00f5es de risco que sugerem um poss\u00edvel risco n\u00e3o cancer\u00edgeno para crian\u00e7as ao consumirem frutos de bananas. 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