{"id":3937,"date":"2026-03-12T16:09:40","date_gmt":"2026-03-12T19:09:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3937"},"modified":"2026-04-02T16:58:40","modified_gmt":"2026-04-02T19:58:40","slug":"ondas-de-calor-no-mar-pesquisadores-da-ufes-alertam-para-mudancas-nos-recifes-do-espirito-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2026\/03\/12\/ondas-de-calor-no-mar-pesquisadores-da-ufes-alertam-para-mudancas-nos-recifes-do-espirito-santo\/","title":{"rendered":"Ondas de calor no mar: pesquisadores da Ufes alertam para mudan\u00e7as nos recifes do Esp\u00edrito Santo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Adriana Damasceno<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O oceano Atl\u00e2ntico est\u00e1 aquecendo e as consequ\u00eancias j\u00e1 chegaram \u00e0 costa capixaba. Pesquisadores do Grupo de Ecologia B\u00eantica, vinculado ao Departamento de Oceanografia e Ecologia (DOE) da Ufes, identificaram que ondas de calor marinhas v\u00eam provocando mudan\u00e7as expressivas nos recifes costeiros do Sudeste brasileiro, com perda de cobertura de algumas esp\u00e9cies. O estudo, realizado entre dezembro de 2017 e maio de 2022 no munic\u00edpio de Aracruz, originou o <a href=\"https:\/\/peerj.com\/articles\/20858\/#MainContent\"><strong>artigo publicado no \u00faltimo dia 25 de fevereiro na revista cient\u00edfica PeerJ<\/strong><\/a>,<strong> <\/strong>dispon\u00edvel em ingl\u00eas sob o t\u00edtulo <em>Marine heatwaves alter intertidal communities in the Southwestern South Atlantic<\/em> (Ondas de calor marinhas alteram comunidades marinhas entre-mar\u00e9s no Atl\u00e2ntico Sul Ocidental).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o professor do DOE\/Ufes e coordenador cient\u00edfico do estudo, Angelo Bernardino, a pesquisa se concentrou em observar como os per\u00edodos de aquecimento extremo do oceano afetam as comunidades intertidais &#8211; organismos que vivem entre a mar\u00e9 alta e a mar\u00e9 baixa, como algas, moluscos e crust\u00e1ceos. O local escolhido, por permitir a observa\u00e7\u00e3o dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com pouca interfer\u00eancia de outras atividades humanas, foi um recife rochoso da Praia de Gramut\u00e9, regi\u00e3o que integra a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) Costa das Algas, em Aracruz, e \u00e9 monitorada pelo Programa de Pesquisa Ecol\u00f3gica de Longa Dura\u00e7\u00e3o &#8211; Habitats Costeiros do Esp\u00edrito Santo (PELD-HCES) da Ufes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Monitoramento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o combinou duas frentes de an\u00e1lise: dados de sat\u00e9lites da Nasa e da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA) e monitoramento direto no local, com visitas mensais da equipe a Aracruz para observar o que acontecia nas rochas e sob a \u00e1gua. Ao longo de aproximadamente quatro anos e meio, foram registrados 22 eventos de calor extremo. Em 2019, um dos casos mais severos durou 47 dias, com temperaturas at\u00e9 4\u00b0C acima da m\u00e9dia hist\u00f3rica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNossos resultados mostram que as mudan\u00e7as na cobertura das comunidades marinhas tiveram uma correla\u00e7\u00e3o superior a 80% com a ocorr\u00eancia de ondas de calor, indicando que esses eventos s\u00e3o os principais impulsionadores das transforma\u00e7\u00f5es nos recifes\u201d, explica Bernardino. Ele alerta que esses eventos funcionam como agentes de mudan\u00e7a r\u00e1pida, acelerando processos que levariam d\u00e9cadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira autora do estudo \u00e9 a pesquisadora Ana Carolina Mazzuco, que realizou o trabalho durante o p\u00f3s-doutoramento no PELD-HCES, com bolsa da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Profix-Fapes). Segundo ela, o impacto do calor \u00e9 ainda maior quando coincide com a mar\u00e9 baixa: \u201cO estresse t\u00e9rmico aumenta quando os organismos ficam expostos ao ar. A coincid\u00eancia de ondas de calor com esses per\u00edodos cria condi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas que as esp\u00e9cies locais podem n\u00e3o suportar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impacto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa, o impacto foi dr\u00e1stico nas &#8220;florestas&#8221; de algas marrons e vermelhas, que servem de abrigo e alimento para diversas esp\u00e9cies. Essas algas perderam 38% de sua cobertura e foram substitu\u00eddas por pequenos corais e invertebrados de crescimento r\u00e1pido. Segundo os pesquisadores, essa mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas visual: ela altera o funcionamento de todo o ecossistema. \u201cPode haver preju\u00edzos \u00e0 produtividade costeira, \u00e0 ciclagem de nutrientes e \u00e0s cadeias alimentares marinhas\u201d, alerta Mazzuco.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s 2020, foi observada uma recupera\u00e7\u00e3o gradual das algas, mas a comunidade marinha n\u00e3o voltou ao padr\u00e3o anterior. \u201cA recupera\u00e7\u00e3o total pode levar muitos anos, ou nem acontecer, se as ondas de calor se tornarem mais frequentes\u201d, afirma Bernardino. Ele destaca que o monitoramento cont\u00ednuo \u00e9 essencial para orientar a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o ambiental diante desse cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo contou com a participa\u00e7\u00e3o de estudantes de gradua\u00e7\u00e3o em Oceanografia e dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Oceanografia Ambiental (PPGOA\/Ufes) e em Biologia Animal (PPGBan\/Ufes).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Edi\u00e7\u00e3o: Thereza Marinho e Sueli de Freitas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Revis\u00e3o: Monick Barbosa<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Imagem: PELD-HCES<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>De acordo com a pesquisa, o impacto foi dr\u00e1stico nas &#8220;florestas&#8221; de algas marrons e vermelhas, que servem de abrigo e alimento para diversas esp\u00e9cies. 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