{"id":3959,"date":"2026-04-09T15:30:59","date_gmt":"2026-04-09T18:30:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3959"},"modified":"2026-04-16T18:43:10","modified_gmt":"2026-04-16T21:43:10","slug":"nova-especie-vegetal-e-descoberta-no-espirito-santo-e-ja-corre-risco-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2026\/04\/09\/nova-especie-vegetal-e-descoberta-no-espirito-santo-e-ja-corre-risco-de-extincao\/","title":{"rendered":"Nova esp\u00e9cie vegetal \u00e9 descoberta no Esp\u00edrito Santo e j\u00e1 corre risco de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Sueli de Freitas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa de mestrado realizada em colabora\u00e7\u00e3o com a Ufes apontou a exist\u00eancia de uma nova esp\u00e9cie de planta ornamental na regi\u00e3o serrana do Esp\u00edrito Santo. Trata-se da <a href=\"https:\/\/phytotaxa.mapress.com\/pt\/article\/view\/phytotaxa.733.3.3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em><strong>Philodendron quartziticola<\/strong><\/em><\/a>, uma planta que se assemelha ao popular ant\u00fario (A<em>nthurium andraeanum<\/em>), do mesmo grupo tamb\u00e9m da taioba e da jiboia. A not\u00edcia ruim \u00e9 que a nova esp\u00e9cie j\u00e1 foi descoberta em situa\u00e7\u00e3o de risco de extin\u00e7\u00e3o devido \u00e0 forte interfer\u00eancia humana, principalmente pela minera\u00e7\u00e3o de areia, abertura de estradas, expans\u00e3o de pastagens e plantios de eucalipto, entre outros fatores.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Vagner-Faller-682x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3961\" style=\"aspect-ratio:0.6660193691338661;width:382px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Vagner-Faller-682x1024.jpeg 682w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Vagner-Faller-200x300.jpeg 200w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Vagner-Faller-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Vagner-Faller-1024x1536.jpeg 1024w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Vagner-Faller-1365x2048.jpeg 1365w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Vagner-Faller.jpeg 1706w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Flor da <em>Philodendron quartziticola<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O respons\u00e1vel pela identifica\u00e7\u00e3o foi o mestrando <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/araceologo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Alexandre Magno<\/strong><\/a>, que \u00e9 orientado na sua pesquisa na \u00e1rea de taxonomia \u2013 ramo da biologia respons\u00e1vel por descrever, identificar e nomear os seres vivos \u2013 pela professora C\u00e1ssia Sakuragui, da Escola Nacional de Bot\u00e2nica Tropical do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro. Ele ainda tem co-orienta\u00e7\u00e3o de Luana Calazans, bi\u00f3loga e t\u00e9cnica do Herb\u00e1rio Vies, localizado no setor de Bot\u00e2nica do Departamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Ufes, no campus de Goiabeiras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>End\u00eamica do ES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A nova esp\u00e9cie foi encontrada em locais pr\u00f3ximos \u00e0s unidades de conserva\u00e7\u00e3o Reserva \u00c1guia Branca (no munic\u00edpio de Vargem Alta) e Reserva Kaet\u00e9s (que se estende entre os munic\u00edpios de Castelo, Vargem Alta, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Alfredo Chaves), em \u00e1reas denominadas morros de sal.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Magno, os morros de sal s\u00e3o forma\u00e7\u00f5es naturais t\u00edpicas da regi\u00e3o serrana do Esp\u00edrito Santo, associadas a afloramentos de rochas ricas em quartzo. \u201cQuando esse material se decomp\u00f5e ao longo do tempo, forma grandes \u00e1reas de areia branca, com aspecto muito claro, que de longe lembra sal, o que d\u00e1 origem ao nome popular\u201d. Ele explica que as caracter\u00edsticas desse ambiente s\u00e3o \u201csolo arenoso, pobre em nutrientes, com alta drenagem e forte exposi\u00e7\u00e3o, o que cria condi\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas que favorecem o surgimento de plantas altamente especializadas, muitas vezes restritas a esses locais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/morros-de-sal-Vagner-Faller-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3960\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/morros-de-sal-Vagner-Faller-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/morros-de-sal-Vagner-Faller-300x225.jpeg 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/morros-de-sal-Vagner-Faller-768x576.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/morros-de-sal-Vagner-Faller-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/morros-de-sal-Vagner-Faller-2048x1536.jpeg 2048w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/morros-de-sal-Vagner-Faller-678x509.jpeg 678w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/morros-de-sal-Vagner-Faller-326x245.jpeg 326w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/morros-de-sal-Vagner-Faller-80x60.jpeg 80w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Morro de sal na regi\u00e3o serrana capixaba<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A descoberta da <em>Philodendron quartziticola<\/em> aconteceu durante uma expedi\u00e7\u00e3o de campo feita pelo pesquisador em janeiro de 2024, quando foram observadas apenas plantas com frutos. \u201cEm novembro daquele ano\u201d, conta ele, \u201cretornei ao local e consegui coletar exemplares com flores, o que foi essencial para confirmar que se tratava de uma esp\u00e9cie ainda n\u00e3o descrita pela ci\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Magno ressalta que o g\u00eanero <em>Philodendron<\/em> \u00e9 muito diverso na Mata Atl\u00e2ntica, que \u00e9 um dos principais centros de diversidade desse grupo no Brasil. Existem dezenas de esp\u00e9cies distribu\u00eddas ao longo do bioma, ocupando desde florestas ombr\u00f3filas (conhecidas tamb\u00e9m como florestas pluviais tropicais, pois o per\u00edodo de seca \u00e9 praticamente inexistente) at\u00e9 ambientes mais especializados, como afloramentos rochosos e \u00e1reas de restinga.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador afirma que muitas dessas esp\u00e9cies t\u00eam distribui\u00e7\u00e3o bastante restrita e est\u00e3o associadas a condi\u00e7\u00f5es ambientais muito espec\u00edficas: \u201cEsse parece ser o caso da <em>Philodendron quartziticola<\/em>, que at\u00e9 o momento s\u00f3 foi registrada em \u00e1reas de substrato quartz\u00edtico na regi\u00e3o serrana do Esp\u00edrito Santo, sendo poss\u00edvel que ela seja end\u00eamica do estado\u201d, ou seja, com ocorr\u00eancia exclusiva em solo capixaba.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Risco de extin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de comemorar a descoberta, o pesquisador conta que a not\u00edcia ruim \u00e9 que a esp\u00e9cie <em>Philodendron quartziticola<\/em> j\u00e1 surge com risco de extin\u00e7\u00e3o: \u201cEsse \u00e9 um ponto central da descoberta. A esp\u00e9cie ocorre em um ambiente muito espec\u00edfico, com distribui\u00e7\u00e3o restrita e j\u00e1 bastante impactado, porque os morros de sal s\u00e3o naturalmente fr\u00e1geis e hoje sofrem forte press\u00e3o humana, principalmente pela minera\u00e7\u00e3o de areia, abertura de estradas, expans\u00e3o de pastagens, plantios de eucalipto e pela invas\u00e3o de gram\u00edneas ex\u00f3ticas. Isso faz com que a esp\u00e9cie seja considerada amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, mesmo tendo sido descrita recentemente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Magno, \u201cdescrever uma nova esp\u00e9cie nessas condi\u00e7\u00f5es \u00e9, ao mesmo tempo, uma conquista cient\u00edfica e um alerta\u201d. Ele continua: \u201cS\u00f3 conseguimos pensar em estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o quando sabemos que a esp\u00e9cie existe. Nesse sentido, o trabalho taxon\u00f4mico tamb\u00e9m tem um papel fundamental na prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, especialmente em regi\u00f5es como a Mata Atl\u00e2ntica, que j\u00e1 sofreu intensa perda de habitat\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mercado ornamental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o mercado de plantas ornamentais, Magno avalia que \u201cn\u00e3o faz sentido falar em valor comercial da <em>Philodendron quartziticola<\/em> neste momento, pois se trata de uma esp\u00e9cie rec\u00e9m-descrita, com ocorr\u00eancia restrita e j\u00e1 considerada amea\u00e7ada\u201d. Ele acrescenta que \u201cquando se fala em esp\u00e9cies raras e rec\u00e9m-descobertas, a exposi\u00e7\u00e3o excessiva ou a valoriza\u00e7\u00e3o comercial precoce pode, inclusive, incentivar a coleta ilegal\u201d. \u201cPor isso\u201d, continua, \u201cneste momento, o mais importante \u00e9 garantir a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie no seu ambiente natural; s\u00f3 a partir disso \u00e9 que se pode pensar, com responsabilidade, em qualquer uso ornamental futuro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A etapa atual do mestrado \u00e9 de an\u00e1lise e tratamento das informa\u00e7\u00f5es coletadas no trabalho de campo. \u201c\u00c9 uma fase em que come\u00e7am a surgir novos resultados, e h\u00e1 outras descobertas em andamento que ainda podem ser desenvolvidas\u201d, informa o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fotos: Vagner Faller e Alexandre Magno<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Revis\u00e3o: Monick Barbosa<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>A planta ornamental se assemelha ao popular ant\u00fario, do mesmo grupo tamb\u00e9m da taioba e da jiboia; foi encontrada na regi\u00e3o serrana capixaba<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":3963,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[5,9,47],"tags":[363,362,364],"class_list":["post-3959","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-noticias","category-online","tag-botanica","tag-philodendron-quartziticola","tag-serras-capixabas"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-e1775759028796.jpeg",1200,867,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-e1775759028796-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-e1775759028796-300x217.jpeg",300,217,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-e1775759028796-768x555.jpeg",768,555,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-e1775759028796-1024x740.jpeg",1024,740,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-1152x1536.jpeg",1152,1536,true],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-e1775759028796.jpeg",1200,867,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-e1775759028796-1030x438.jpeg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-e1775759028796-678x381.jpeg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-e1775759028796-678x509.jpeg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-e1775759028796-326x245.jpeg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/04\/Philodendron-quartziticola-Alexandre-Magno-1-e1775759028796-80x60.jpeg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli_checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A planta ornamental se assemelha ao popular ant\u00fario, do mesmo grupo tamb\u00e9m da taioba e da jiboia; 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