{"id":3992,"date":"2026-05-12T18:26:56","date_gmt":"2026-05-12T21:26:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=3992"},"modified":"2026-06-16T18:02:31","modified_gmt":"2026-06-16T21:02:31","slug":"pesquisa-mostra-que-pluma-do-amazonas-contribui-para-a-vida-no-fundo-do-mar-na-plataforma-amazonas-guianas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2026\/05\/12\/pesquisa-mostra-que-pluma-do-amazonas-contribui-para-a-vida-no-fundo-do-mar-na-plataforma-amazonas-guianas\/","title":{"rendered":"Pesquisa mostra que pluma do Amazonas contribui para a vida no fundo do mar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Sueli de Freitas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dispers\u00e3o de carbono da pluma fluvial  (camada superficial de \u00e1gua doce misturada a sedimentos e nutrientes, que corre dos rios para os oceanos) do Amazonas desempenha um papel fundamental na organiza\u00e7\u00e3o biogeogr\u00e1fica dos organismos bent\u00f4nicos, isto \u00e9, daqueles que vivem no fundo do mar, na plataforma continental Amazonas-Guianas. A conclus\u00e3o est\u00e1 na disserta\u00e7\u00e3o de mestrado da pesquisadora Araiene Pereira, orientada pelo professor Angelo Bernardino, no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (PPGBAN) da Ufes, com o t\u00edtulo <em>Conex\u00f5es entre a pluma do rio Amazonas, o carbono org\u00e2nico particulado e os padr\u00f5es biogeogr\u00e1ficos bent\u00f4nicos na margem equatorial do Brasil<\/em>. O trabalho foi publicado como <a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/journals\/marine-science\/articles\/10.3389\/fmars.2026.1805720\/full\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>artigo na revista Frontiers<\/strong><\/a> no in\u00edcio de abril.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Amazonas \u00e9 o maior rio do mundo em extens\u00e3o, ele percorre um longo caminho at\u00e9 chegar ao mar, transportando sedimentos, mat\u00e9ria org\u00e2nica e nutrientes vitais para os organismos bent\u00f4nicos, como estrelas-do-mar, caranguejos e corais. Al\u00e9m do Amazonas, a regi\u00e3o est\u00e1 sob influ\u00eancia tamb\u00e9m do rio Orinoco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO maior aporte de nutrientes dos oceanos vem dos rios, eu me dediquei ao estudo do carbono org\u00e2nico, em especial do carbono org\u00e2nico particulado (COP), que afunda com o passar do tempo, chegando ao fundo do oceano\u201d, afirma a pesquisadora. \u201cA principal descoberta [do estudo] foi a contribui\u00e7\u00e3o dessa pluma n\u00e3o s\u00f3 para a superf\u00edcie dos oceanos, mas tamb\u00e9m para a vida no fundo do mar. Meu trabalho relaciona essa pluma com a distribui\u00e7\u00e3o espacial dos organismos bent\u00f4nicos.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa abrangeu o per\u00edodo de 2003 a 2023. Foram utilizados dados de s\u00e9ries temporais da vaz\u00e3o do rio Amazonas na Esta\u00e7\u00e3o de \u00d3bidos (esta\u00e7\u00e3o hidrom\u00e9trica e de monitoramento localizada no munic\u00edpio de \u00d3bidos\/PA), informa\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lites para calcular a concentra\u00e7\u00e3o de carbono org\u00e2nico ao longo do tempo e registros de ocorr\u00eancia de invertebrados bent\u00f4nicos do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Biodiversidade Oce\u00e2nica (Obis) \u2013 mais de 4.500 registros de organismos bent\u00f4nicos pertencentes a 12 grandes grupos foram analisados, principalmente artr\u00f3podes (camar\u00f5es), cnid\u00e1rios (corais), equinodermos (estrelas-do-mar) e moluscos (mexilh\u00f5es).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"711\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/Amazonia-Guiana-1024x711.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3994\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/Amazonia-Guiana-1024x711.jpeg 1024w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/Amazonia-Guiana-300x208.jpeg 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/Amazonia-Guiana-768x533.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/Amazonia-Guiana-1536x1067.jpeg 1536w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/Amazonia-Guiana-2048x1422.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Distribui\u00e7\u00e3o espacial do carbono org\u00e2nico particulado na plataforma continental norte do Brasil<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados mostraram que as concentra\u00e7\u00f5es de carbono particulado s\u00e3o altas ao norte da foz do Amazonas, pois as correntes marinhas levam a pluma do rio nessa dire\u00e7\u00e3o. Com base nisso, foram identificadas quatro regi\u00f5es da plataforma continental com n\u00edveis diferentes de COP. A composi\u00e7\u00e3o dos grupos de organismos bent\u00f4nicos variou entre as regi\u00f5es, indicando que cada \u00e1rea possui comunidades diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNa regi\u00e3o perto da foz do Amazonas e da Guiana, fatores ligados \u00e0 pluma do rio, como maior quantidade de carbono e menor salinidade, s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o das comunidades bent\u00f4nicas; j\u00e1 nas regi\u00f5es mais ao norte e pr\u00f3ximas ao Orinoco, fatores oceanogr\u00e1ficos como temperatura, profundidade e varia\u00e7\u00f5es de salinidade t\u00eam maior influ\u00eancia\u201d, explicou Pereira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Amea\u00e7as&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora alerta para os riscos que as a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas significam para a biodiversidade da regi\u00e3o. Ela destaca que o desmatamento e a constru\u00e7\u00e3o de barragens, al\u00e9m das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ame\u00e7am esse ecossistema. \u201cUma mudan\u00e7a no fluxo do rio, o aumento ou a redu\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o e o uso de fertilizantes no solo s\u00e3o fatores que podem impactar a qualidade dos nutrientes. Temos que pensar no ecossistema como um todo, na cadeia alimentar e nas comunidades que sobrevivem da pesca. Assim, esse estudo tamb\u00e9m \u00e9 interessante para o planejamento de a\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o costeira, bem como para o monitoramento e a implementa\u00e7\u00e3o de projetos de prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade\u201d, afirma, destacando a import\u00e2ncia do estudo para a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f4micas e socioambientais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Revis\u00e3o: Monick Barbosa<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O Amazonas \u00e9 o maior rio do mundo em extens\u00e3o, ele percorre um longo caminho at\u00e9 chegar ao mar, transportando sedimentos, mat\u00e9ria org\u00e2nica e nutrientes vitais para os organismos bent\u00f4nicos.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":3993,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[370,369,372,371,237,368],"class_list":["post-3992","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-carbono-organico-particulado","tag-foz-do-amazonas","tag-organismos-bentonicos","tag-poc","tag-rio-amazonas","tag-rio-orinoco"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19.jpeg",1600,988,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19-300x185.jpeg",300,185,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19-768x474.jpeg",768,474,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19-1024x632.jpeg",1024,632,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19-1536x948.jpeg",1536,948,true],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19.jpeg",1600,988,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19-1030x438.jpeg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19-678x381.jpeg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19-678x509.jpeg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19-326x245.jpeg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-12-at-17.16.19-80x60.jpeg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli_checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O 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