{"id":4133,"date":"2026-09-15T18:38:39","date_gmt":"2026-09-15T21:38:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=4133"},"modified":"2026-10-09T10:57:44","modified_gmt":"2026-10-09T13:57:44","slug":"pesquisa-alerta-para-avanco-do-cancer-de-inicio-precoce-na-america-latina-e-caribe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2026\/09\/15\/pesquisa-alerta-para-avanco-do-cancer-de-inicio-precoce-na-america-latina-e-caribe\/","title":{"rendered":"Pesquisa alerta para avan\u00e7o do c\u00e2ncer de in\u00edcio precoce na Am\u00e9rica Latina e Caribe"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa liderada por membros do Grupo de Estudos e Pesquisas em Oncologia (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/geponcufes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Geponc<\/a>) da Ufes, em parceria com a Pan American Health Organization\/World Health Organization (Paho\/WHO) e a University of Iowa, dos Estados Unidos, alerta para o aumento dos casos de c\u00e2ncer diagnosticados antes dos 50 anos na Am\u00e9rica Latina e Caribe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores apontam que o c\u00e2ncer de in\u00edcio precoce deve ser reconhecido como um desafio emergente de sa\u00fade p\u00fablica para a regi\u00e3o. Segundo o professor Lu\u00eds Carlos Lopes-J\u00fanior, coordenador do Geponc\/Ufes, \u201co&nbsp; fortalecimento dos registros populacionais, a harmoniza\u00e7\u00e3o da coleta de dados e a constru\u00e7\u00e3o de redes colaborativas regionais s\u00e3o medidas urgentes para que os pa\u00edses possam monitorar e responder adequadamente ao fen\u00f4meno\u201d, acrescenta ele.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"940\" height=\"836\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-15-at-18.22.07.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4134\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-15-at-18.22.07.jpeg 940w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-15-at-18.22.07-300x267.jpeg 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-15-at-18.22.07-768x683.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No estudo, foram analisados 4.426 registros cient\u00edficos e, ap\u00f3s um rigoroso processo de sele\u00e7\u00e3o, foram escolhidas 28 publica\u00e7\u00f5es provenientes de 11 dos 33 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe. O Brasil respondeu por quase metade das publica\u00e7\u00f5es identificadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Lopes-J\u00fanior, \u201cos resultados apontam tend\u00eancias crescentes para diferentes tipos de c\u00e2ncer diagnosticados antes dos 50 anos, especialmente c\u00e2ncer de mama, c\u00e2ncer colorretal, c\u00e2ncer de tireoide e adenocarcinoma do colo do \u00fatero, embora os padr\u00f5es variem entre pa\u00edses e popula\u00e7\u00f5es\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele cita que, no Brasil, \u201cum dos estudos inclu\u00eddos mostrou que, entre mulheres de 20 a 39 anos no estado de Goi\u00e1s, a incid\u00eancia de c\u00e2ncer de mama passou de 2,89 para 6,37 casos por 100 mil mulheres\/ano, entre 1988 e 2003, correspondendo a um crescimento percentual m\u00e9dio anual de 5,22%\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer colorretal, \u201cforam observadas tend\u00eancias de aumento no Brasil e no Uruguai, enquanto dados provenientes do Peru indicaram redu\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que diz respeito ao c\u00e2ncer do colo do \u00fatero, os pesquisadores tamb\u00e9m identificaram comportamentos distintos de acordo com o subtipo histol\u00f3gico, ou seja, conforme o tecido\/c\u00e9lula no qual o tumor se originou. \u201cEnquanto houve redu\u00e7\u00e3o do carcinoma de c\u00e9lulas escamosas [c\u00e9lulas que revestem a superf\u00edcie de \u00f3rg\u00e3os], o adenocarcinoma [c\u00e9lulas glandulares] apresentou aumento em determinados contextos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir das evid\u00eancias encontradas, os autores prop\u00f5em tr\u00eas grandes prioridades para a regi\u00e3o: fortalecer e padronizar os registros populacionais de c\u00e2ncer; ampliar estudos multic\u00eantricos e redes regionais de colabora\u00e7\u00e3o; e avan\u00e7ar na integra\u00e7\u00e3o de dados epidemiol\u00f3gicos, cl\u00ednicos, gen\u00f4micos e moleculares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Publica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi publicado no <strong><a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/eclinm\/article\/PIIS2589-5370(26)00360-3\/fulltext#fig3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eClinicalMedicine<\/a><\/strong>, peri\u00f3dico da The Lancet Discovery Science, com o t\u00edtulo <em>C\u00e2ncer de in\u00edcio precoce na Am\u00e9rica Latina: tend\u00eancias de incid\u00eancia, lacunas de evid\u00eancias e implica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas<\/em>. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto do p\u00f3s-doutorado de Lopes-J\u00fanior, realizado no Departamento de Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas N\u00e3o Transmiss\u00edveis &#8211; Divis\u00e3o de C\u00e2ncer da Pan American Health Organization\/World Health Organization (Paho\/WHO) em Washington, nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No artigo, os autores ressaltam que fatores como obesidade, consumo de \u00e1lcool, tabagismo, padr\u00f5es alimentares ocidentalizados e desigualdades socioecon\u00f4micas foram relatados em alguns dos estudos inclu\u00eddos. Entretanto, os autores destacam que esses resultados devem ser interpretados como explorat\u00f3rios, uma vez que a revis\u00e3o n\u00e3o foi desenhada especificamente para sintetizar evid\u00eancias etiol\u00f3gicas, ou seja, as causas da doen\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Desafios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os pesquisadores, \u201cum dos resultados mais relevantes do trabalho n\u00e3o est\u00e1 apenas nas tend\u00eancias de crescimento identificadas, mas tamb\u00e9m naquilo que ainda n\u00e3o se conhece\u201d. Dos 33 pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, apenas cerca de um ter\u00e7o apresentou estudos eleg\u00edveis sobre c\u00e2ncer de in\u00edcio precoce. \u201cAl\u00e9m disso, a literatura dispon\u00edvel \u00e9 predominantemente formada por estudos observacionais e descritivos, com diferen\u00e7as importantes nas fontes de dados e nos grupos et\u00e1rios avaliados\u201d, informou Lopes-J\u00fanior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele acrescenta que a aus\u00eancia de sistemas robustos e compar\u00e1veis de vigil\u00e2ncia dificulta dimensionar adequadamente o fen\u00f4meno na regi\u00e3o. \u201cN\u00e3o podemos planejar estrat\u00e9gias efetivas de preven\u00e7\u00e3o e detec\u00e7\u00e3o precoce sem sistemas de vigil\u00e2ncia capazes de mostrar onde, entre quem e com que velocidade esses c\u00e2nceres est\u00e3o aumentando\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Lopes-J\u00fanior, \u00e9 necess\u00e1rio avan\u00e7ar para uma agenda cient\u00edfica capaz de compreender os determinantes do aumento da incid\u00eancia de c\u00e2ncer precoce. \u201cIsso envolve estudar exposi\u00e7\u00f5es ambientais e comportamentais ao longo da vida, fatores metab\u00f3licos, caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas e moleculares e as desigualdades sociais e de acesso aos sistemas de sa\u00fade. A Am\u00e9rica Latina possui enorme diversidade social, ambiental e gen\u00e9tica, e produzir ci\u00eancia a partir dessa realidade \u00e9 fundamental para que nossas popula\u00e7\u00f5es estejam representadas nas evid\u00eancias que ir\u00e3o orientar as pol\u00edticas de controle do c\u00e2ncer e o desenvolvimento da oncologia de precis\u00e3o nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas\u201d, destaca Lopes J\u00fanior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa e a publica\u00e7\u00e3o do artigo refor\u00e7am a atua\u00e7\u00e3o do Geponc\/Ufes na investiga\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica do c\u00e2ncer e na produ\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias voltadas \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica e ao controle da doen\u00e7a, al\u00e9m de reafirmar a inser\u00e7\u00e3o da Universidade em uma agenda internacional que busca compreender por que alguns tipos de c\u00e2ncer v\u00eam atingindo popula\u00e7\u00f5es cada vez mais jovens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Revis\u00e3o: Pedro Brito <\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Imagem: Freepik<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Estudo desenvolvido por pesquisadores do Geponc\/Ufes re\u00fane evid\u00eancias de 11 pa\u00edses e aponta aumento de diferentes tipos de c\u00e2ncer em pessoas com menos de 50 anos, al\u00e9m de importantes lacunas na vigil\u00e2ncia da doen\u00e7a na regi\u00e3o.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":4135,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[402,240,133],"class_list":["post-4133","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-america-latina","tag-cancer","tag-pesquisa"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361.jpg",2000,1333,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361-300x200.jpg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361-768x512.jpg",768,512,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361-1024x682.jpg",1024,682,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361-1536x1024.jpg",1536,1024,true],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361.jpg",2000,1333,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361-1030x438.jpg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361-678x509.jpg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/09\/freepik-14831361-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli-checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":3,"uagb_excerpt":"Estudo 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