{"id":4189,"date":"2026-11-05T17:22:07","date_gmt":"2026-11-05T20:22:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=4189"},"modified":"2026-11-05T17:22:09","modified_gmt":"2026-11-05T20:22:09","slug":"pesquisa-aponta-o-que-a-alimentacao-da-mae-pode-revelar-sobre-o-leite-materno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2026\/11\/05\/pesquisa-aponta-o-que-a-alimentacao-da-mae-pode-revelar-sobre-o-leite-materno\/","title":{"rendered":"Pesquisa aponta o que a alimenta\u00e7\u00e3o da m\u00e3e pode revelar sobre o leite materno"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Adriana Damasceno<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O leite que um beb\u00ea recebe nos primeiros dias de vida n\u00e3o \u00e9 exatamente igual ao que ser\u00e1 produzido semanas depois. Sua composi\u00e7\u00e3o muda ao longo da amamenta\u00e7\u00e3o. Mas ser\u00e1 que aquilo que a m\u00e3e come tamb\u00e9m pode estar relacionado a essas mudan\u00e7as? Uma pesquisa desenvolvida durante o doutorado da m\u00e9dica pediatra e professora do Departamento de Pediatria Racire Silva investigou essa rela\u00e7\u00e3o ao analisar a alimenta\u00e7\u00e3o de mulheres e amostras do leite produzido por elas em diferentes momentos ap\u00f3s o parto. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A divulga\u00e7\u00e3o dessa pesquisa abre a <a href=\"https:\/\/www.ufes.br\/conteudo\/visibilidade-e-reconhecimento-mes-da-consciencia-negra-tera-programacao-especial-nos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>programa\u00e7\u00e3o da Revista Universidade para o M\u00eas da Consci\u00eancia Negra<\/strong><\/a>, promovida pela Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o (Secom) da Ufes. Ao longo de novembro, a Secom\/Ufes dar\u00e1 visibilidade especial a pesquisas e trabalhos de integrantes do <strong><a href=\"https:\/\/comunicacao.ufes.br\/banco-de-fontes-negras-da-ufes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Banco de Fontes Negras da Universidade<\/a><\/strong>, do qual Racire Silva faz parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico <em>Journal of Human Lactation<\/em>, dos Estados Unidos, o estudo intitulado <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/38407258\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Influ\u00eancia do padr\u00e3o alimentar materno sobre o perfil pr\u00f3-oxidante e antioxidante do leite materno<\/strong><\/a>&nbsp;analisou amostras de leite de 98 mulheres atendidas no Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha, nas tr\u00eas fases da amamenta\u00e7\u00e3o: nos primeiros dias ap\u00f3s o parto, quando \u00e9 produzido o colostro, e nas etapas de produ\u00e7\u00e3o do leite de transi\u00e7\u00e3o e do leite maduro. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"522\" height=\"380\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.13.27.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4191\" style=\"width:481px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.13.27.jpeg 522w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.13.27-300x218.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 522px) 100vw, 522px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\">As an\u00e1lises mostraram maior capacidade antioxidante no colostro, o que \u00e9 essencial nos primeiros dias de vida de um beb\u00ea, quando ele est\u00e1 se adaptando \u00e0 vida fora do \u00fatero. Isso porque, no \u00fatero, o beb\u00ea vive em um ambiente com menor disponibilidade de oxig\u00eanio e, ao nascer, \u00e9 exposto a uma quantidade muito maior. Segundo Silva, essa mudan\u00e7a leva \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de radicais livres no organismo: \u201cEsses radicais livres s\u00e3o altamente lesivos, pois matam c\u00e9lulas, atacam a parede dos vasos sangu\u00edneos e danificam tecidos\u201d. \u00c9 nesse processo que os antioxidantes ganham import\u00e2ncia, pois atuam na neutraliza\u00e7\u00e3o dos radicais livres, ajudando a diminuir os danos provocados por essas mol\u00e9culas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora ressalta que mesmo pequenas les\u00f5es nos vasos sangu\u00edneos podem se acumular ao longo do tempo. \u201cQuanto mais antioxidantes consumirmos e tivermos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, mais esses radicais livres ser\u00e3o inativados e menos les\u00e3o vascular, morte celular e dano tecidual teremos\u201d, explica. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Alimenta\u00e7\u00e3o materna<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para investigar as associa\u00e7\u00f5es entre alimenta\u00e7\u00e3o materna e as caracter\u00edsticas do leite produzido pelas m\u00e3es, a pesquisa considerou a frequ\u00eancia de consumo de diferentes tipos de alimentos nos seis meses anteriores ao nascimento do beb\u00ea e relacionaram esses dados \u00e0s an\u00e1lises do leite. Os resultados mostraram associa\u00e7\u00f5es diferentes de acordo com o alimento consumido e a fase da amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as mulheres que consumiam leite e derivados com maior frequ\u00eancia, o colostro apresentou menos sinais de oxida\u00e7\u00e3o das gorduras. No leite de transi\u00e7\u00e3o, essa menor oxida\u00e7\u00e3o esteve associada ao maior consumo de \u00f3leos, predominantemente o de soja. J\u00e1 no leite maduro, a associa\u00e7\u00e3o foi observada com o maior consumo de vegetais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O consumo de ovos tamb\u00e9m apresentou associa\u00e7\u00e3o com as caracter\u00edsticas do colostro: entre as mulheres que os consumiam com maior frequ\u00eancia, foi menor a presen\u00e7a de um indicador relacionado a danos causados pela oxida\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas. Com os refrigerantes, ocorreu o contr\u00e1rio: quanto maior o consumo, maior a concentra\u00e7\u00e3o desse indicador. Silva destaca esses dois resultados entre os principais achados da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Apoio nutricional<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados colocam a alimenta\u00e7\u00e3o materna no centro da discuss\u00e3o, mas o pr\u00f3prio estudo chama a aten\u00e7\u00e3o para um aspecto importante: nem tudo depende simplesmente de decidir o que colocar no prato. Os h\u00e1bitos alimentares s\u00e3o influenciados por fatores como cultura, condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e acesso a alimentos saud\u00e1veis. Essa quest\u00e3o ganha relev\u00e2ncia diante do perfil das participantes: as 98 mulheres eram de baixa renda e foram atendidas no Himaba, onde, segundo dados da pesquisa, quase 99% dos pacientes pertencem a essa faixa socioecon\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, se a alimenta\u00e7\u00e3o materna est\u00e1 associada a caracter\u00edsticas do leite, o acesso a uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada tamb\u00e9m entra na discuss\u00e3o sobre o cuidado oferecido a m\u00e3es e beb\u00eas. Para Silva, os resultados refor\u00e7am a import\u00e2ncia de iniciativas de apoio nutricional nas pol\u00edticas de sa\u00fade materno-infantil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fontes negras<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e9dica Racire Silva integra o Banco de Fontes Negras da Ufes, iniciativa da Secom que re\u00fane pessoas negras vinculadas \u00e0 Universidade e busca ampliar sua presen\u00e7a como fontes especializadas para a imprensa e para os pr\u00f3prios canais institucionais. O Banco permanece aberto a novos cadastros durante todo o ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Fotos: Racire Silva (imagem editada com aux\u00edlio de IA) e Magnific<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Revis\u00e3o: Monick Barbosa<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>A divulga\u00e7\u00e3o desse estudo abre a programa\u00e7\u00e3o da Revista Universidade para o M\u00eas da Consci\u00eancia Negra, promovida pela Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o da Ufes.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":4192,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[3,9,47],"tags":[416,415,414,413,133,29],"class_list":["post-4189","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capa","category-noticias","category-online","tag-amamentacao","tag-banco-de-fontes-negras","tag-consciencia-negra","tag-leite-materno","tag-pesquisa","tag-ufes"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18.jpeg",486,359,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18-300x222.jpeg",300,222,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18.jpeg",486,359,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18.jpeg",486,359,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18.jpeg",486,359,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18.jpeg",486,359,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18.jpeg",486,359,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18.jpeg",486,359,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18.jpeg",486,359,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18-326x245.jpeg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2026\/11\/WhatsApp-Image-2026-11-04-at-10.08.18-80x60.jpeg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli-checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A divulga\u00e7\u00e3o desse estudo abre a programa\u00e7\u00e3o da Revista Universidade para o M\u00eas da Consci\u00eancia Negra, promovida pela Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o da Ufes.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/397"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4189"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4189\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4197,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4189\/revisions\/4197"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4192"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}