{"id":643,"date":"2019-09-13T10:13:45","date_gmt":"2019-09-13T13:13:45","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=643"},"modified":"2022-04-14T08:54:51","modified_gmt":"2022-04-14T11:54:51","slug":"novo-pavimento-ajudara-a-reduzir-inundacoes-em-vila-velha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2019\/09\/13\/novo-pavimento-ajudara-a-reduzir-inundacoes-em-vila-velha\/","title":{"rendered":"Novo pavimento ajudar\u00e1 a reduzir inunda\u00e7\u00f5es em Vila Velha"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013Por La\u00eds Santana<\/em>\u2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Pesquisa desenvolvida na Ufes possibilitar\u00e1 diminuir os alagamentos nas ruas da Barra do Jucu<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado realizada no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Ufes buscou, por meio da ado\u00e7\u00e3o de novos conceitos em drenagem, a aplica\u00e7\u00e3o de um modelo de pavimento que possibilitar\u00e1 reduzir os alagamentos nas ruas da Barra do Jucu, bairro de Vila Velha. O engenheiro civil Luciano Motta verificou, no estudo, que o uso de blocos de concreto poroso, em substitui\u00e7\u00e3o aos revestimentos tradicionais de asfalto, contribui para mitigar inunda\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pavimenta\u00e7\u00e3o das ruas com asfalto imperme\u00e1vel exige um sistema de escoamento que afaste a \u00e1gua da chuva por meio de obras de canaliza\u00e7\u00e3o, sobrecarregando os c\u00f3rregos receptores. Contudo, essa t\u00e9cnica vem se demonstrando ultrapassada: o aumento da urbaniza\u00e7\u00e3o e da impermeabiliza\u00e7\u00e3o do solo resulta em inunda\u00e7\u00f5es, como ocorre no munic\u00edpio de Vila Velha. \u201cNesses momentos dif\u00edceis para todos, por causa dos alagamentos, refor\u00e7amos o conceito de combater a impermeabiliza\u00e7\u00e3o do solo e de utilizar medidas sustent\u00e1veis, a exemplo do pavimento perme\u00e1vel\u201d, explica Motta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo pavimento em blocos de concreto poroso \u00e9 fabricado com maior quantidade de cimento e menos areia, no intuito de aumentar a sua permeabilidade e possibilitar a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. De acordo com os estudos sobre o Coeficiente de Escoamento Superficial, o valor esperado de absor\u00e7\u00e3o do pavimento perme\u00e1vel \u00e9 de 60% da \u00e1gua das chuvas. Esse padr\u00e3o \u00e9 de 20% no caso dos blocos de concreto convencionais e de 5% no de asfalto. \u201cO bloco de concreto perme\u00e1vel permite mais tempo para levar a \u00e1gua \u00e0s caixas coletoras e aos ralos. Como resultado, o pico de inunda\u00e7\u00e3o \u00e9 atenuado\u201d, afirma o professor de Engenharia Ambiental Daniel Rigo, orientador da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rigo acrescenta que o novo conceito rompe com o racioc\u00ednio de tirar a \u00e1gua das ruas o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. \u201cO pavimento tamb\u00e9m precisa ter uma fun\u00e7\u00e3o drenante. Essa \u00e9 a novidade.\u201d A Barra do Jucu ser\u00e1 o primeiro caso de pavimento perme\u00e1vel instalado por um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico no Esp\u00edrito Santo. A obra ser\u00e1 executada pela Prefeitura Municipal de Vila Velha, que espera que a solu\u00e7\u00e3o auxilie na redu\u00e7\u00e3o dos alagamentos que o munic\u00edpio enfrenta h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Valores<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Motta conta que, quando o trabalho teve in\u00edcio, percebeu-se que n\u00e3o havia muitos fornecedores desse tipo de bloco no Esp\u00edrito Santo, j\u00e1 que \u00e9 pequena a demanda pelo produto. No decorrer das pesquisas, averiguou que o valor da produ\u00e7\u00e3o do pavimento perme\u00e1vel \u00e9 aproximadamente 15% superior ao dos blocos tradicionais, devido \u00e0 retirada de parte da areia do concreto e ao acr\u00e9scimo de cimento. Mas os benef\u00edcios associados ao novo material compensam o custo da obra, como a reten\u00e7\u00e3o das \u00e1guas de chuva, a recarga do len\u00e7ol fre\u00e1tico, a filtragem de poluentes e a diminui\u00e7\u00e3o das chamadas \u201cilhas de calor\u201d. A redu\u00e7\u00e3o de gastos se d\u00e1 na parte de tubula\u00e7\u00f5es da rede de drenagem, o que deixa o valor total equivalente \u00e0quele das t\u00e9cnicas comuns.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEm condi\u00e7\u00f5es normais, precisar\u00edamos coletar a \u00e1gua das chuvas e lev\u00e1-la para uma tubula\u00e7\u00e3o em declive para depois lan\u00e7\u00e1-la no canal receptor. Se parte da \u00e1gua \u00e9 infiltrada, o escoamento superficial \u00e9 reduzido e, portanto, o di\u00e2metro das tubula\u00e7\u00f5es ser\u00e1 menor. Com uma vaz\u00e3o menor, a declividade pode ser menor tamb\u00e9m\u201d, aponta Daniel Rigo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"886\" height=\"789\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/image-1.png\" alt=\"Al\u00e9m de reduzir enchentes, solu\u00e7\u00e3o tem custo equivalente ao do pavimento convencional, explica o pesquisador Luciano Motta. Foto: Jorge Medina\/Ufes\" class=\"wp-image-647\" \/><figcaption>Al\u00e9m de reduzir enchentes, solu\u00e7\u00e3o tem custo equivalente ao do pavimento convencional, explica o pesquisador Luciano Motta. Foto: Jorge Medina\/Ufes<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No primeiro momento das obras de pavimenta\u00e7\u00e3o com o novo bloco de concreto, ser\u00e3o cal\u00e7adas dez ruas da Barra do Jucu: Albatroz, Guignard, Toulouse-Lautrec, Paul C\u00e9zanne, Van Gogh, \u00c9douard Manet, Humberto Lodi, Auguste Renoir, Odilon Redon e Rua da Sereia, e ainda a Av. Anderssen Fidalgo. No total, 27 ruas e avenidas do bairro receber\u00e3o o novo pavimento<br> poroso.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"> Aplica\u00e7\u00e3o <\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A base do pavimento \u00e9 considerada fundamental para o funcionamento da fun\u00e7\u00e3o drenante. \u201cA estrutura que vem abaixo do pavimento deve funcionar como reservat\u00f3rio e permitir que a camada superficial transmita a \u00e1gua para o solo. Ela tamb\u00e9m deve ser porosa, feita com materiais como brita ou areia\u201d, diz o professor Rigo. \u201cSem a camada debaixo devidamente preparada, o pavimento n\u00e3o poder\u00e1 ser considerado perme\u00e1vel\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele tamb\u00e9m explica que o pavimento poroso tem uma resist\u00eancia mec\u00e2nica menor que os convencionais. Por isso, o bloco de concreto perme\u00e1vel n\u00e3o pode ser utilizado em \u00e1reas de tr\u00e1fego pesado, como avenidas e rodovias. \u201cEsse tipo de bloco tem um local espec\u00edfico de aplica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o generalizada. Por sorte, as vias de tr\u00e1fego intenso s\u00e3o minoria no Brasil, a maior quantidade s\u00e3o ruas de bairros. O novo pavimento tamb\u00e9m pode ser colocado em cal\u00e7adas e ciclovias, j\u00e1 que s\u00e3o submetidas a tr\u00e1fego leve comparadas a avenidas e rodovias\u201d, afirma. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Exemplos internacionais<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diversas cidades no mundo que sofrem com fortes volumes de chuvas e enchentes j\u00e1 se adaptaram e investiram em mecanismos para controlar inunda\u00e7\u00f5es em \u00e1reas urbanas. Na China, as chamadas cidades- esponja substituem superf\u00edcies de asfalto ou concreto por pavimentos que absorvem \u00e1guas de chuvas ou rios alagados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A infiltra\u00e7\u00e3o das \u00e1guas pluviais imita o ciclo hidrol\u00f3gico natural e pretende substituir o escoamento superficial do ciclo hidrol\u00f3gico urbano. \u00c9 o caso de Hong Kong e Berlim, al\u00e9m de outras regi\u00f5es dos Estados Unidos, do Jap\u00e3o, da Fran\u00e7a, da Austr\u00e1lia e do Reino Unido, que se adequaram \u00e0 t\u00e9cnica da permeabiliza\u00e7\u00e3o para resistirem \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, a primeira medida foi uma certifica\u00e7\u00e3o da Prefeitura do Rio de Janeiro criada em 2012 para incentivar empresas a utilizarem pavimentos perme\u00e1veis. Em 2013, S\u00e3o Paulo realizou uma especifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica sobre uso, aplica\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do asfalto poroso. Em agosto de 2015, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Normas e T\u00e9cnicas (ABNT) publicou a norma NBR 16416\/2015, contendo requisitos e procedimentos sobre pavimentos perme\u00e1veis de concreto, elaborada pelo Comit\u00ea Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013Por La\u00eds Santana\u2013 Pesquisa desenvolvida na Ufes possibilitar\u00e1 diminuir os alagamentos nas ruas da Barra do Jucu Uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado realizada no Programa de <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2019\/09\/13\/novo-pavimento-ajudara-a-reduzir-inundacoes-em-vila-velha\/\" title=\"Novo pavimento ajudar\u00e1 a reduzir inunda\u00e7\u00f5es em Vila Velha\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":644,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[46,9],"tags":[99],"class_list":["post-643","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-edicao-010","category-noticias","tag-mudancas-climaticas"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",3264,2448,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",150,113,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",300,225,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",768,576,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",1024,768,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",1536,1152,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",2048,1536,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",584,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",508,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",678,509,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",326,245,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/08\/Imagem-pavimento-perme\u00e1vel.jpg",80,60,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"\u2013Por La\u00eds Santana\u2013 Pesquisa desenvolvida na Ufes possibilitar\u00e1 diminuir os alagamentos nas ruas da Barra do Jucu Uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado realizada no Programa de [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=643"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/643\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2261,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/643\/revisions\/2261"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/644"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}