{"id":72,"date":"2018-06-08T18:36:11","date_gmt":"2018-06-08T21:36:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=72"},"modified":"2018-06-14T13:10:32","modified_gmt":"2018-06-14T16:10:32","slug":"do-mundo-da-biotecnologia-para-o-dia-a-dia-do-cidadao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/06\/08\/do-mundo-da-biotecnologia-para-o-dia-a-dia-do-cidadao\/","title":{"rendered":"Do mundo da biotecnologia para o dia a dia do cidad\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>\u2013 Por Camila Fregona \u2013<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Produ\u00e7\u00e3o de etanol a partir da casca de coco, melhoramento de sementes e melhoria da qualidade da cacha\u00e7a s\u00e3o algumas das pesquisas desenvolvidas no Laborat\u00f3rio de Biotecnologia Aplicada ao Agroneg\u00f3cio, que j\u00e1 conta com um pr\u00eamio internacional e 18 patentes. A coordenadora do laborat\u00f3rio \u00e9 a professora Patr\u00edcia Fernandes, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente da Comiss\u00e3o Interna de Biosseguran\u00e7a (CIBio) da Ufes e membro da Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a (CTN-Bio) do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Apesar de parecer uma inven\u00e7\u00e3o do mundo moderno, a biotecnologia tem origem nos prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o. Por seu conceito amplo, a biotecnologia \u00e9 associada ao uso de organismos vivos, ou parte deles, para produzir bens ao ser humano e ao meio ambiente. Dessa forma, percebe-se que o uso de leveduras para a fermenta\u00e7\u00e3o de p\u00e3es e bebidas j\u00e1 \u00e9 um processo biotecnol\u00f3gico de longa data.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XX, a biotecnologia moderna ganhou destaque com a altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dos organismos. Em 1928, por exemplo, foi descoberto o fungo Penicillium, que mais tarde deu origem a um antibi\u00f3tico amplamente utilizado na medicina. J\u00e1 o primeiro transg\u00eanico comercializado no mundo foi a insulina produzida por bact\u00e9rias \u2013 deixando para tr\u00e1s a necessidade de extrair insulina a partir do p\u00e2ncreas de bovinos ou su\u00ednos. E assim s\u00e3o in\u00fameros exemplos de biotecnologia que hoje est\u00e3o no nosso dia a dia.<\/p>\n<p>No Laborat\u00f3rio de Biotecnologia Aplicada ao Agroneg\u00f3cio, do Centro de Ci\u00eancias da Sa\u00fade (CCS), localizado no campus de Maru\u00edpe (Vit\u00f3ria), muitas pesquisas s\u00e3o desenvolvidas na \u00e1rea. Algumas delas partem do uso das leveduras, como a <em>Saccharomyces cerevisiae<\/em>. \u201cEla \u00e9 considerada \u2018a melhor amiga do homem\u2019, j\u00e1 que atua na fermenta\u00e7\u00e3o de alimentos e bebidas (destiladas ou n\u00e3o), e tamb\u00e9m na produ\u00e7\u00e3o de etanol. Foi o primeiro organismo eucarionte a ter o seu genoma completamente sequenciado, ent\u00e3o, j\u00e1 conhecemos sua estrutura e grande parte do que ele produz. \u00c9 um micro-organismo que transforma o a\u00e7\u00facar comum em \u00e1lcool, por exemplo\u201d, explica a pesquisadora Patricia Fernandes, coordenadora do laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Uma das pesquisas desenvolvidas no Laborat\u00f3rio de Biotecnologia \u00e9 ligada ao incremento da produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a capixaba com base na melhoria do processo fermenta\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool. Em outras palavras, o laborat\u00f3rio estuda esse micro-organismo para que ele possa fermentar melhor e resultar em um produto de qualidade superior. \u201cNo processo da cacha\u00e7a, n\u00f3s isolamos diferentes leveduras, para caracterizar cada uma delas e mostrar qual seria melhor para cada ambiente do estado do Esp\u00edrito Santo, al\u00e9m de mostrar como deveria ser feita a pr\u00e1tica da fermenta\u00e7\u00e3o (concentra\u00e7\u00e3o de levedura, forma de processamento etc). E continuamos esses estudos com a modifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica da levedura baseada no melhoramento cl\u00e1ssico, que consiste em replicar e observar algumas altera\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas. Isso significa que n\u00e3o fazemos transg\u00eanicos, j\u00e1 que n\u00e3o transferimos um gene de um organismo diferente para a levedura\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Ainda na linha do \u00e1lcool, mas agora combust\u00edvel, outra vertente de pesquisa importante do laborat\u00f3rio \u00e9 sobre a produ\u00e7\u00e3o de etanol, tanto de primeira gera\u00e7\u00e3o (a partir da convers\u00e3o direta do caldo de cana) quanto de segunda gera\u00e7\u00e3o (convers\u00e3o de celulose e, principalmente, res\u00edduos da agroind\u00fastria em etanol).<\/p>\n<figure id=\"attachment_179\" aria-describedby=\"caption-attachment-179\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-179\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/Imagem-2-casca-de-coco.png\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1090\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-179\" class=\"wp-caption-text\">Pesquisa prop\u00f5e uso da casca de coco como fonte de energia &#8211; Foto: Elisa Coradini\/Ufes<\/figcaption><\/figure>\n<p>Premiada internacionalmente e j\u00e1 patenteada, a pesquisa sobre o uso da casca de coco verde para a produ\u00e7\u00e3o de etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma refer\u00eancia do Laborat\u00f3rio de Biotecnologia, pois transforma o que seria um passivo ambiental em uma fonte de energia. De acordo com Patricia Fernandes, essa n\u00e3o \u00e9 uma tecnologia f\u00e1cil, mas excelentes resultados j\u00e1 foram obtidos, principalmente com o uso da alta press\u00e3o hidrost\u00e1tica \u2013 um processo que utiliza a press\u00e3o em n\u00edveis bem altos (similares \u00e0 press\u00e3o nas maiores profundezas do oceano) para diferentes fins, como alterar a estrutura de um elemento ou, no caso de alimentos, descontamin\u00e1-los.<\/p>\n<p>\u201cEsse processo tamb\u00e9m favorece a transforma\u00e7\u00e3o das fibras da casca de coco, porque faz com que elas fiquem mais soltas. Al\u00e9m disso, a alta press\u00e3o torna mais eficaz a a\u00e7\u00e3o das enzimas que v\u00e3o clivar (cortar) a fibra da celulose em a\u00e7\u00facar (que a levedura \u00e9 capaz de fermentar). Ent\u00e3o, n\u00f3s temos bons resultados em escala de laborat\u00f3rio e agora estamos passando a fazer em maiores volumes, em escala pr\u00e9-industrial\u201d, adianta a pesquisadora.<\/p>\n<h3>Melhoria de sementes<\/h3>\n<p>A alta press\u00e3o hidrost\u00e1tica \u00e9 utilizada ainda para acelerar a germina\u00e7\u00e3o de sementes, \u00e1rea de pesquisa em que o Laborat\u00f3rio de Biotecnologia Aplicada ao Agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m possui patente. Outro campo de estudos s\u00e3o as pesquisas para melhorar a resist\u00eancia de plantas a doen\u00e7as e, neste caso, o foco est\u00e1 no mam\u00e3o papaya, produto de grande destaque na agricultura capixaba. As lavouras de mam\u00e3o s\u00e3o afetadas por doen\u00e7as muito severas, como a provocada pelo v\u00edrus da meleira, e at\u00e9 ent\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o encontrada pelos produtores era a retirada e o descarte da planta infectada para evitar a contamina\u00e7\u00e3o de toda a lavoura.<\/p>\n<p>Os pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Biotecnologia da Ufes t\u00eam estudado a forma como o v\u00edrus age e como a planta responde \u00e0quela infec\u00e7\u00e3o para assim alterar geneticamente a planta a fim de que ela resista \u00e0 doen\u00e7a. Para isso, os pesquisadores t\u00eam utilizado novas tecnologias de transforma\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, como o CRISPR (Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats) \u2013 uma ferramenta que tem revolucionado a biotecnologia, pois permite a edi\u00e7\u00e3o dos genes. \u201cN\u00e3o existe nada ex\u00f3geno, nenhum gen de outro organismo. \u00c9 s\u00f3 mesmo o pr\u00f3prio genoma do mam\u00e3o papaya que \u00e9 reorganizado de forma a trazer esse grande benef\u00edcio. Temos feito muitos estudos de transcript\u00f4mica e prote\u00f4mica comparando a planta saud\u00e1vel, a doente e a que possui o v\u00edrus, mas n\u00e3o ficou doente. Ent\u00e3o, a partir desses estudos, estamos identificando quais fatores da pr\u00f3pria planta podem fazer com que ela se torne resistente ao v\u00edrus\u201d, conta.<\/p>\n<h3>Biosseguran\u00e7a<\/h3>\n<p>Ao se falar em biotecnologia, um tema que vem \u00e0 tona \u00e9 a biosseguran\u00e7a. A pesquisadora Patricia Fernandes \u2013 que, al\u00e9m de presidente da Comiss\u00e3o Interna de Biosseguran\u00e7a (CIBio) da Ufes, \u00e9 membro da Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a (CTN-Bio) do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o \u2013 lembra que muitos estudos s\u00e3o feitos antes de qualquer produto geneticamente modificado chegar at\u00e9 o consumidor.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante que as pessoas entendam que quando se desenvolve um novo organismo ele n\u00e3o vai para o mercado sem nenhum tipo de estudo de seguran\u00e7a. No Brasil, a Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a, da qual fa\u00e7o parte, avalia os estudos laboratoriais, passando pelos estudos controlados no ambiente, at\u00e9 a libera\u00e7\u00e3o comercial\u201d, explica. \u201cS\u00e3o plantas, vacinas, micro-organismos que produzem compostos importantes no diagn\u00f3stico de doen\u00e7as tanto de humanos, quanto de animais e de plantas. Ent\u00e3o, a biotecnologia \u2013 da forma como utilizamos esse termo atualmente \u2013trouxe mudan\u00e7as fenomenais para a sa\u00fade e tamb\u00e9m tem facilitando o dia a dia do ser humano\u201d, complementa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Camila Fregona \u2013 Produ\u00e7\u00e3o de etanol a partir da casca de coco, melhoramento de sementes e melhoria da qualidade da cacha\u00e7a s\u00e3o algumas <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/06\/08\/do-mundo-da-biotecnologia-para-o-dia-a-dia-do-cidadao\/\" title=\"Do mundo da biotecnologia para o dia a dia do cidad\u00e3o\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":316,"featured_media":73,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,2,9],"tags":[],"class_list":["post-72","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-edicao008","category-noticias"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",900,511,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",150,85,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",300,170,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",768,436,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",900,511,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",900,511,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",900,511,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",771,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",671,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",678,385,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",326,185,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/05\/DoMundoBiotecnologia_foto_mamao1.jpg",80,45,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"evandro.rosa","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/evandro-rosa\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u2013 Por Camila Fregona \u2013 Produ\u00e7\u00e3o de etanol a partir da casca de coco, melhoramento de sementes e melhoria da qualidade da cacha\u00e7a s\u00e3o algumas [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/316"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":185,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72\/revisions\/185"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}