{"id":828,"date":"2019-10-02T09:18:37","date_gmt":"2019-10-02T12:18:37","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=828"},"modified":"2019-11-04T10:23:13","modified_gmt":"2019-11-04T13:23:13","slug":"pesquisas-buscam-quantificar-os-prejuizos-causados-por-incendios-florestais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2019\/10\/02\/pesquisas-buscam-quantificar-os-prejuizos-causados-por-incendios-florestais\/","title":{"rendered":"Pesquisas buscam quantificar os preju\u00edzos causados por inc\u00eandios florestais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 Por La\u00eds Santana \u2013<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Qual o tamanho do preju\u00edzo causado pelos inc\u00eandios florestais? Quais as suas consequ\u00eancias? Como evit\u00e1-los? Uma pesquisa realizada na Ufes busca contabilizar os preju\u00edzos econ\u00f4micos decorrentes dos combates \u00e0s queimadas. <\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO setor ambiental n\u00e3o sabe de forma efetiva e conjunta os preju\u00edzos econ\u00f4micos causados por um inc\u00eandio\u201d, afirma o professor Nilton Cesar Fiedler, de Engenharia Florestal da Ufes, que coordena pesquisas nessa \u00e1rea. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o uso de programa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica\ne intelig\u00eancia artificial, o grupo de pesquisa da Ufes desenvolve, em conjunto\ncom a Universidade de C\u00f3rdoba (Espanha) e a empresa de papel Suzano, um sistema\nde mapeamento dos locais com maior risco de inc\u00eandio florestal. \u201cA nossa\npesquisa tem o objetivo de reduzir o tempo de resposta no combate do fogo. Isso\nfacilita o deslocamento do pessoal e dos equipamentos de combate\u201d, esclarece\nFiedler, que atua no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Florestais da\nUniversidade, sediado no munic\u00edpio de Jer\u00f4nimo Monteiro, no sul do Esp\u00edrito\nSanto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sistema re\u00fane informa\u00e7\u00f5es\ngeogr\u00e1ficas sobre a vegeta\u00e7\u00e3o local, o hist\u00f3rico de ocorr\u00eancias de queimadas,\nas condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas e o uso e a ocupa\u00e7\u00e3o do solo. As caracter\u00edsticas do\nfogo e as perspectivas de propaga\u00e7\u00e3o s\u00e3o calculadas em fun\u00e7\u00e3o das\ncaracter\u00edsticas do local de ocorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra pesquisa orientada pelo professor\nestima o valor gasto em cada combate de inc\u00eandio e cria, pela primeira vez, uma\nmetodologia para este c\u00e1lculo. O estudo, desenvolvido na tese de doutorado da professora\nElaine Cristina Gomes da Silva, do Departamento\nde Zootecnia de Alegre, se baseou em um grande inc\u00eandio na Reserva Biol\u00f3gica de\nSooretama e em outro no Parque Estadual de Ita\u00fanas, ambos localizados no norte\ndo Esp\u00edrito Santo. Apenas nessas ocorr\u00eancias, o gasto p\u00fablico foi superior a R$\n1 milh\u00e3o. Segundo Fiedler, os valores variam em fun\u00e7\u00e3o do tamanho do inc\u00eandio;\ndos danos ocorridos; das m\u00e1quinas, aeronaves e equipamentos utilizados; e do\npessoal de combate.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor destaca ainda a perda \u201cincalcul\u00e1vel\u201d da biodiversidade nas unidades de conserva\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o existe ganho nas ocorr\u00eancias de inc\u00eandios em \u00e1reas protegidas. Somente preju\u00edzos. Nos nossos biomas, h\u00e1 uma riqueza de vegeta\u00e7\u00e3o e fauna fant\u00e1stica e muitas esp\u00e9cies n\u00e3o foram sequer descobertas. Al\u00e9m disso, a polui\u00e7\u00e3o causada pelos inc\u00eandios agrava o efeito estufa e adoece a popula\u00e7\u00e3o\u201d, completa. Em v\u00e1rios munic\u00edpios amaz\u00f4nicos foi percebido um aumento de mais de 20% em todas interna\u00e7\u00f5es hospitalares devido \u00e0 inala\u00e7\u00e3o de fuma\u00e7a dos inc\u00eandios florestais. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/10\/incendio-itaunas-foto-iema.jpg\" alt=\"Trabalhador combate o fogo no Parque Estadual de Ita\u00fanas, tamb\u00e9m no Norte do estado. Foto: Iema\" class=\"wp-image-830\" \/><figcaption>Trabalhador combate o fogo no Parque Estadual de Ita\u00fanas, tamb\u00e9m no Norte do estado. Foto: Iema<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O fator humano<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os inc\u00eandios florestais n\u00e3o\nprovocados por humanos ocorrem majoritariamente por ocorr\u00eancia de raios. Por acontecerem\npr\u00f3ximos a per\u00edodos de chuva, esses inc\u00eandios n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o prejudiciais para a\nregi\u00e3o. \u201cA floresta, quando est\u00e1 intacta, tem baixo risco de ocorr\u00eancia de\ninc\u00eandios florestais\u201d, explica o professor. \u201cO grande problema \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o\nhumana, desmatando e retirando \u00e1rvores de interesse comercial sem o correto\nmanejo florestal, deixando \u00e1reas com restos de vegeta\u00e7\u00e3o e propiciando\ncondi\u00e7\u00f5es de propaga\u00e7\u00e3o do fogo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O engenheiro florestal afirma que a\nmaioria dos inc\u00eandios nas unidades de conserva\u00e7\u00e3o do Brasil tem origem humana,\nseja por neglig\u00eancia, por acidente ou por interesse. Na maioria das vezes, o\nfogo \u00e9 iniciado para limpar a regi\u00e3o ap\u00f3s os desmatamentos e, assim, preparar o\nsolo para plantio de forma mais barata. O problema se agrava quando as queimadas\ninvadem regi\u00f5es de Floresta Amaz\u00f4nica ou de Mata Atl\u00e2ntica, porque as esp\u00e9cies\nt\u00eam baixa resist\u00eancia ao fogo. J\u00e1 nas \u00e1reas de cerrado, por exemplo, a fauna e\nflora locais t\u00eam mais possibilidade de sobreviver aos danos, porque s\u00e3o mais adaptadas\n\u00e0s consequ\u00eancias do fogo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, os inc\u00eandios em \u00e1reas\nprotegidas federais s\u00e3o combatidos pelos brigadistas das Unidades de\nConserva\u00e7\u00e3o, pelos bombeiros, pelo Centro Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Combate aos\nInc\u00eandios Federais (Prevfogo) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos\nRecursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de\nConserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio). Em \u00e1reas estaduais, o combate fica a\ncargo de programas espec\u00edficos das secretarias de meio ambiente. Al\u00e9m disso,\nv\u00e1rias unidades de conserva\u00e7\u00e3o t\u00eam seus pr\u00f3prios programas de preven\u00e7\u00e3o e\ncombate, com o apoio de \u00f3rg\u00e3os como o Corpo de Bombeiros, companhias de\ndistribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, secretarias de transporte, volunt\u00e1rios e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o\ngovernamentais (ONGs). <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conscientiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De 2002 a 2004, o professor Nilton\nCesar Fiedler coordenou um projeto de pesquisa sobre estrat\u00e9gias para reduzir\nqueimadas e desmatamentos nas regi\u00f5es Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.\nEssas pesquisas foram base para o Programa Nacional de Florestas (PNF),\narticulado pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente no in\u00edcio dos anos 2000. Nesse\nprojeto, as estrat\u00e9gias estipuladas foram aplicadas em algumas regi\u00f5es e\ntrouxeram resultados satisfat\u00f3rios: \u201cPor exemplo, no norte do Mato Grosso, foram\ninstaurados os Pactos de Redu\u00e7\u00e3o do Fogo, com trabalhos educativos e de\nconscientiza\u00e7\u00e3o das comunidades e de produtores rurais. Houve, em algumas\nregi\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de 80% das ocorr\u00eancias de inc\u00eandios\u201d, indica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante as pesquisas, o professor\npercebeu um grande obst\u00e1culo no d\u00e9ficit na conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental da\npopula\u00e7\u00e3o. \u201cAinda existe essa vis\u00e3o de que as florestas s\u00e3o empecilhos para o\ndesenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds, mas ali existem materiais que s\u00e3o muito mais\nvalorizados que os produtos agr\u00edcolas, como os f\u00e1rmacos, frutos, castanhas,\nl\u00e1tex e artesanatos\u201d, afirma. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador Nilton Fiedler\nsalienta que a melhor forma de o brasileiro evitar poss\u00edveis inc\u00eandios nas\nflorestas \u00e9 n\u00e3o usar o fogo sobre \u00e1reas verdes. \u201cO fogo sempre foi\nimportant\u00edssimo para o desenvolvimento da humanidade. No entanto, n\u00f3s o\nutilizamos de maneira errada quando colocamos fogo na vegeta\u00e7\u00e3o, sem pensar em\nonde ele vai parar e que cat\u00e1strofe ele pode causar\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por La\u00eds Santana \u2013 Qual o tamanho do preju\u00edzo causado pelos inc\u00eandios florestais? Quais as suas consequ\u00eancias? Como evit\u00e1-los? 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