{"id":866,"date":"2019-11-29T12:26:09","date_gmt":"2019-11-29T15:26:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=866"},"modified":"2020-01-03T12:42:01","modified_gmt":"2020-01-03T15:42:01","slug":"poemas-traduzidos-por-machado-de-assis-sao-encontrados-por-pesquisador-da-ufes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2019\/11\/29\/poemas-traduzidos-por-machado-de-assis-sao-encontrados-por-pesquisador-da-ufes\/","title":{"rendered":"Poemas traduzidos por Machado de Assis s\u00e3o encontrados por pesquisador da Ufes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 Por Jorge Medina \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O  pesquisador da Ufes Diego Flores redescobriu quatro poemas traduzidos  por Machado de Assis que estavam esquecidos pelos editores e estudiosos.  S\u00e3o tradu\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas que foram publicadas quando o autor ainda era  vivo, mas que n\u00e3o foram estudadas na obra machadiana: <em>O Rei dos \u00d4lmos; Lua da Estiva Noite; O Cora\u00e7\u00e3o; <\/em>e<em> Inoc\u00eancia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O Rei dos \u00d4lmos<\/em> (Balada de Goethe), assinada por Y. e atribu\u00edda a Machado de Assis, \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o de <em>Erlk\u00f6nig<\/em>, do poeta alem\u00e3o Johann Wolfgang von Goethe, publicada na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 241 da&nbsp;<em>Semana Ilustrada<\/em>,\n em 23 de julho de 1865. De acordo com Flores, o escritor brasileiro \ncertamente n\u00e3o traduziu sozinho diretamente do alem\u00e3o, visto que os seus\n estudos formais da l\u00edngua de Goethe s\u00f3 come\u00e7ariam muito mais tarde, em \n1883. \u201cAssim, s\u00f3 podemos supor com alguma seguran\u00e7a que essa tradu\u00e7\u00e3o \nfoi intermediada por algu\u00e9m ou por outra tradu\u00e7\u00e3o, possivelmente \nfrancesa\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A serenata <em>Lua da Estiva Noite<\/em> foi composta em 1867 para ser\n cantada, acompanhada de flauta e piano, com m\u00fasica do pianista Artur \nNapole\u00e3o, amigo de Machado de Assis. \u201cA autoria dessa serenata foi \natribu\u00edda exclusivamente ao poeta brasileiro mas, na verdade, foi \ntraduzida diretamente do poema <em>Serenade<\/em>, do norte-americano Henry Wadsworth Longfellow\u201d, esclarece o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O Cora\u00e7\u00e3o,<\/em> tradu\u00e7\u00e3o do poema alem\u00e3o <em>Das Herz<\/em>, de Hermann Neumann, foi publicado anonimamente junto com texto-fonte na edi\u00e7\u00e3o 782 da<em>&nbsp;Semana Ilustrada<\/em>,\n em 1875. Considerando que o poeta-tradutor ainda n\u00e3o conhecia o idioma \nalem\u00e3o, provavelmente ele versificou o poema a partir de uma tradu\u00e7\u00e3o \nliteral do amigo Henrique Fleuiss, autor do desenho aleg\u00f3rico publicado \njunto com o poema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, <em>Inoc\u00eancia<\/em>, de Lu\u00eds Guimar\u00e3es J\u00fanior, tamb\u00e9m da \nd\u00e9cada de 1870, foi vertida para o franc\u00eas, constituindo o \u00fanico \ntrabalho em que Machado de Assis transporta um texto po\u00e9tico da l\u00edngua \nportuguesa para uma l\u00edngua estrangeira. Flores sup\u00f5e que essa tradu\u00e7\u00e3o \nfoi um trabalho que o escritor fez a pedido de um amigo e que pouca \nrela\u00e7\u00e3o guarda com a sua obra autoral ou sua po\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lacuna<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o pesquisador Diego Flores, a redescoberta das \ntradu\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas, por muito tempo esquecidas, ajuda a preencher a \nconsider\u00e1vel lacuna deixada pela cr\u00edtica quanto \u00e0s tradu\u00e7\u00f5es de Machado e\n ao papel que elas tiveram em sua carreira ou em sua obra. Al\u00e9m disso, \ncontribui para o conhecimento do escritor Machado de Assis a partir dos \ntextos traduzidos por ele, buscando entender o que as escolhas feitas e o\n que os textos escolhidos representam para sua forma\u00e7\u00e3o na maneira como \ndialogam com sua vida e obra e de que forma a maneira como foram \ntraduzidos ajudam a entender o perfil do poeta-tradutor Machado de \nAssis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas descobertas s\u00e3o provenientes de pesquisas que resultaram na tese de doutorado de Flores, intitulada&nbsp;<em>Machado de Assis Poeta-Tradutor, <\/em>defendida\n em outubro deste ano no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras da Ufes. A \npesquisa foi orientada pelo professor Raimundo de Carvalho e coorientada\n pelo professor Eduardo Luis Batista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Machado de Assis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de \njunho de 1839 e morreu na mesma cidade em 29 de setembro de 1908. Foi \num&nbsp;escritor brasileiro, considerado por muitos cr\u00edticos, estudiosos, \nescritores e leitores um dos maiores, sen\u00e3o o maior, nome da&nbsp;literatura \ndo Brasil.&nbsp;Escreveu em praticamente todos os&nbsp;g\u00eaneros liter\u00e1rios, sendo \npoeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, \njornalista e cr\u00edtico liter\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua obra constitui-se de nove romances, 200 contos, dez pe\u00e7as \nteatrais, cinco colet\u00e2neas de poemas e sonetos, e mais de 600 cr\u00f4nicas. \nEla foi de fundamental import\u00e2ncia para as&nbsp;escolas liter\u00e1rias \nbrasileiras&nbsp;dos s\u00e9culos XIX e XX e surge nos dias de hoje como de grande\n interesse acad\u00eamico e p\u00fablico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Jorge Medina \u2013 O pesquisador da Ufes Diego Flores redescobriu quatro poemas traduzidos por Machado de Assis que estavam esquecidos 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