{"id":873,"date":"2019-12-12T12:21:44","date_gmt":"2019-12-12T15:21:44","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=873"},"modified":"2022-08-03T10:36:08","modified_gmt":"2022-08-03T13:36:08","slug":"rio-doce-nao-esta-morto-mas-tem-contaminacao-cronica-afirma-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2019\/12\/12\/rio-doce-nao-esta-morto-mas-tem-contaminacao-cronica-afirma-pesquisador\/","title":{"rendered":"Rio Doce n\u00e3o est\u00e1 morto, mas tem contamina\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, afirma pesquisador"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Rio Doce n\u00e3o est\u00e1 morto, mas tem contamina\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica por metais resultante da lama de rejeitos da barragem da mineradora da Samarco em Mariana, que rompeu em novembro de 2015 e avan\u00e7ou sobre o rio. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 do professor do Departamento de Oceanografia Angelo Fraga Bernardino. Ele coordena a rede de pesquisa Solos e Bentos do Rio Doce \u2013 bento \u00e9 um termo que se refere a organismos subaqu\u00e1ticos que vivem no fundo dos rios e mares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um artigo publicado na revista <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"PeerJ  (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/peerj.com\/articles\/8042\/\" target=\"_blank\">PeerJ <\/a>aponta o resultado do monitoramento da vida no estu\u00e1rio do Rio Doce na regi\u00e3o de Reg\u00eancia, no munic\u00edpio de Linhares. O artigo refere-se \u00e0 parte da pesquisa coordenada por Bernardino, que \u00e9 financiada pela&nbsp;Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq)&nbsp; e Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) e vem monitorando o estu\u00e1rio desde 2015. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pela primeira vez no Esp\u00edrito Santo, e em desastres ambientais no Brasil, foi usada nessa pesquisa a t\u00e9cnica denominada \u201cDNA ambiental\u201d ou \u201ceDNA\u201d, que detectou 123 potenciais esp\u00e9cies de animais invertebrados subaqu\u00e1ticos que est\u00e3o sob efeito cr\u00f4nico dos metais. \u201cFicamos surpresos em descobrir uma diversidade no estu\u00e1rio do Rio Doce que ningu\u00e9m nunca descreveu. A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que essa contamina\u00e7\u00e3o tem um efeito nocivo nessas comunidades e interfere em como os organismos est\u00e3o distribu\u00eddos no estu\u00e1rio. Vemos claramente que locais onde h\u00e1 maior concentra\u00e7\u00e3o de metais no fundo possuem comunidades distintas de outras \u00e1reas com menor concentra\u00e7\u00e3o, e isso evidencia o efeito desses rejeitos na ecologia e sa\u00fade daquele ecossistema\u201d, afirma Bernardino. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2019\/12\/16\/tecnica-dna-ambiental-e-usada-pela-primeira-vez-no-espirito-santo\/\"><strong>Saiba mais sobre a t\u00e9cnica DNA ambiental<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor explica que os metais-tra\u00e7o s\u00e3o aqueles que se\napresentam em m\u00ednimas quantidades, sendo que j\u00e1 existiam na bacia do Rio Doce antes\ndo desastre devido \u00e0 atividade de minera\u00e7\u00e3o no local. Por\u00e9m, as concentra\u00e7\u00f5es\nde &nbsp;antes do acidente eram muito\ninferiores \u00e0s encontradas ap\u00f3s o desastre de Mariana. \u201cO problema \u00e9 a alta\nconcentra\u00e7\u00e3o desses metais depois que a lama da barragem chegou ao estu\u00e1rio. Em\ngrandes quantidades e em condi\u00e7\u00f5es ambientais espec\u00edficas, tornam-se potencialmente\nbiodispon\u00edveis e t\u00f3xicos para a vida marinha e para a vida humana\u201d, diz o\nprofessor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores iniciaram o monitoramento do estu\u00e1rio \u2013 que\n\u00e9 o local onde o rio se encontra com o mar \u2013 antes de a lama de rejeitos da\nSamarco atingir a \u00e1rea, tra\u00e7ando a \u00fanica linha base existente do estu\u00e1rio do Rio\nDoce dispon\u00edvel para a pesquisa. A \u00e1rea delimitada foi de dez quil\u00f4metros de\nrio a partir do encontro com o mar. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cComo h\u00e1 muitas cidades que despejam rejeitos industriais e\ndom\u00e9sticos na bacia, j\u00e1 havia um n\u00edvel de metais-tra\u00e7o acima do de um estu\u00e1rio\nlimpo, mas provavelmente com baixo risco \u00e0 sa\u00fade. Quando os rejeitos chegaram a\nReg\u00eancia, a onda de lama da barragem trouxe grandes quantidades de \u00f3xido de\nferro que, por si s\u00f3, n\u00e3o oferecia risco. Por\u00e9m, o \u00f3xido de ferro \u00e9 muito\nreativo e agregou os metais-tra\u00e7o t\u00f3xicos que, provavelmente, estavam\ndispon\u00edveis em toda a bacia do Rio Doce at\u00e9 chegar ao estu\u00e1rio. Ali, parte\ndesse material se depositou e continua presente no fundo, aumentando o n\u00edvel de\nalguns compostos em at\u00e9 200 vezes, resultando em grande quantidade de chumbo,\nars\u00eanio, alum\u00ednio, cobre e cromo em concentra\u00e7\u00f5es muito acima do que existiam.\nAgora temos uma condi\u00e7\u00e3o diferente. Apesar de n\u00e3o estarem no rejeito que saiu\nda barragem, eles estavam no rejeito que chegou ao estu\u00e1rio. Ent\u00e3o, o rejeito\nda Samarco foi, sim, respons\u00e1vel por contaminar a regi\u00e3o estuarina\u201d, explica o\npesquisador. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele afirma que h\u00e1 risco de contamina\u00e7\u00e3o do pescado, pois os\nmetais n\u00e3o ficam presos no sedimento, n\u00e3o aderem ao solo. \u201cDe maneira lenta e\ncont\u00ednua, v\u00e3o saindo para a coluna d\u2019\u00e1gua, contaminam peixes, camar\u00f5es e,\npossivelmente, o homem. Existem dados de outros grupos de pesquisa e tamb\u00e9m nossos\nde que parte desses metais-tra\u00e7o entram em peixes, em camar\u00e3o e, portanto,\noferecem risco \u00e0 sa\u00fade humana l\u00e1 em Reg\u00eancia\u201d, afirma o professor.&nbsp; Ele tamb\u00e9m informa que h\u00e1 uma pesquisa de\ndoutorado sendo finalizada sobre bioacumula\u00e7\u00e3o de metais em pescado. \u201cJ\u00e1 posso\nadiantar que sim, h\u00e1 ind\u00edcios de que o pescado foi contaminado\u201d, diz. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa coordenada pelo professor Bernardino visa estudar\nos impactos do desastre da Samarco no estu\u00e1rio do Rio Doce. As coletas de\namostras s\u00e3o semestrais, desde o final de 2015, dias ap\u00f3s o rompimento da\nbarragem e antes de a lama chegar \u00e0 Reg\u00eancia. A Ufes \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o\ncoordenadora do projeto, que conta tamb\u00e9m com pesquisadores da Universidade de\nS\u00e3o Paulo (USP) e da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e tem financiamento da Funda\u00e7\u00e3o\nde Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes), Comiss\u00e3o de\nAperfei\u00e7oamento do Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) e Conselho Nacional de\nDesenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados publicados no artigo mais recente se referem a 2017.\nDados anteriores que mostraram os impactos iniciais j\u00e1 foram publicados pela\nrede Solos e Bentos. Por\u00e9m, no m\u00eas de agosto de 2017, houve um pico de\nconcentra\u00e7\u00e3o de metais no estu\u00e1rio, ainda maior que no momento da queda da\nbarragem. Segundo o professor, os picos s\u00e3o sazonais. \u201cEm \u00e9pocas de seca, com\nmenos \u00e1gua no leito do rio, os metais ficam mais acumulados no sedimento\u201d,\ndiz.&nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013 O Rio Doce n\u00e3o est\u00e1 morto, mas tem contamina\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica por metais resultante da lama de rejeitos da barragem <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2019\/12\/12\/rio-doce-nao-esta-morto-mas-tem-contaminacao-cronica-afirma-pesquisador\/\" title=\"Rio Doce n\u00e3o est\u00e1 morto, mas tem contamina\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, afirma pesquisador\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":886,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[39,38],"class_list":["post-873","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-desastre-de-mariana","tag-mariana"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",2100,1500,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",150,107,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",300,214,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",768,549,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",1024,731,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",1536,1097,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",2048,1463,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",613,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",533,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",678,484,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",326,233,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/rio-doce-estuario-horiz.jpg",80,57,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013 O Rio Doce n\u00e3o est\u00e1 morto, mas tem contamina\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica por metais resultante da lama de rejeitos da barragem [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=873"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":893,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/873\/revisions\/893"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/886"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}