{"id":879,"date":"2019-12-17T11:59:04","date_gmt":"2019-12-17T14:59:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=879"},"modified":"2020-02-05T09:30:09","modified_gmt":"2020-02-05T12:30:09","slug":"projeto-de-conservacao-acompanha-novo-filhote-de-harpia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2019\/12\/17\/projeto-de-conservacao-acompanha-novo-filhote-de-harpia\/","title":{"rendered":"Projeto de conserva\u00e7\u00e3o acompanha novo filhote de harpia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u2013 Por La\u00eds Santana \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Um dos raros casais de gavi\u00e3o-real (Harpia harpyja) no fragmento de Mata Atl\u00e2ntica esp\u00edrito-santense finalmente obteve sucesso reprodutivo. O filhote de harpia nasceu na Reserva Natural Vale, em Linhares, entre o final de fevereiro e o in\u00edcio de mar\u00e7o, enquanto o ninho era monitorado pelo Projeto de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. <\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O casal come\u00e7ou a ser observado em 2016, e desde ent\u00e3o teve cinco tentativas de reprodu\u00e7\u00e3o documentadas pelo Projeto, mas s\u00f3 agora obteve sucesso no nascimento do beb\u00ea. \u00c9 a primeira vez que todo o ciclo reprodutivo da esp\u00e9cie est\u00e1 sendo monitorado na Mata Atl\u00e2ntica, desde o namoro do casal ao desenvolvimento do filhote.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO filhote j\u00e1 tem 9 meses de idade e se desenvolve bem\u201d, atualiza Aureo Banhos, coordenador do Projeto Harpia na Mata Atl\u00e2ntica e docente do departamento de Biologia da Ufes, campus de Alegre. \u201cEle deve permanecer utilizando o ninho e sendo alimentado pelos pais at\u00e9 os 2 anos e meio. Depois ele deixa a \u00e1rvore e o casal pode se reproduzir novamente naquele mesmo local\u201d, explica. Contudo, a perspectiva de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie n\u00e3o \u00e9 otimista: por mais que os casais de harpia consigam ter v\u00e1rias crias durante toda a vida f\u00e9rtil, que pode ultrapassar os 30 anos, poucos filhotes do casal sobrevivem at\u00e9 a vida adulta. \u201cA popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 declinando\u201d, aponta o bi\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014, essas aves de rapina passaram a ser consideradas amea\u00e7adas de\nextin\u00e7\u00e3o no Brasil, pa\u00eds com a maior concentra\u00e7\u00e3o de harpias no mundo. O\nProjeto Harpia monitora mais de 50 ninhos ativos na Amaz\u00f4nia e na Mata\nAtl\u00e2ntica, sendo apenas quatro no Esp\u00edrito Santo: na Reserva Biol\u00f3gica de\nSooretama e na Reserva Natural Vale, ambas no norte do estado. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"5760\" height=\"3840\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2019\/12\/Harpia-Jo\u00e3o-Marcos-Rosa-Nitro-Imagens.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-881\" \/><figcaption>Professor Aureo Banhos monitora casal de harpias no norte do Esp\u00edrito Santo. Foto: Jo\u00e3o Marcos Rosa\/ Nitro Imagens\/ Direitos reservados<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No momento, o maior obst\u00e1culo para o nascimento e sobreviv\u00eancia dos\ngavi\u00f5es-reais na Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 a fragmenta\u00e7\u00e3o da floresta, uma vez que eles dependem\nde \u00e1rvores para construir ninhos e se alimentam de presas arbor\u00edcolas, como\nmacacos e bichos-pregui\u00e7a, explica o pesquisador. Os fragmentos que restaram da\nMata Atl\u00e2ntica s\u00e3o pequenos demais at\u00e9 para a sobreviv\u00eancia de um \u00fanico casal\nde harpias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMe parece muito mais comum termos este insucesso reprodutivo na Mata\nAtl\u00e2ntica do que na Amaz\u00f4nia, onde a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais confort\u00e1vel devido \u00e0\ngrande extens\u00e3o de floresta\u201d, aponta o professor Banhos. \u201cO problema \u00e9 que\nagora a Amaz\u00f4nia est\u00e1 sofrendo tanto quanto a Mata Atl\u00e2ntica sofreu no passado.\nSe o sucesso reprodutivo das harpias j\u00e1 \u00e9 naturalmente baixo, nas condi\u00e7\u00f5es\ndegradadas das florestas, ele fica ainda mais vulner\u00e1vel\u201d lamenta. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Amea\u00e7a<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A harpia normalmente escolhe viver nas \u00e1rvores mais altas para garantir\numa vis\u00e3o privilegiada da mata, a prote\u00e7\u00e3o da prole e a resist\u00eancia para\nsuportar o peso do robusto ninho do gavi\u00e3o-real. Tanto na Mata Atl\u00e2ntica quanto\nna Amaz\u00f4nia, duas esp\u00e9cies de \u00e1rvore bastante escolhidas para nidifica\u00e7\u00e3o: o\nembiru\u00e7u e o jequitib\u00e1-rosa. Contudo, as mesmas \u00e1rvores s\u00e3o comumente\nselecionados como madeiras de corte para explora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de sofrer com o desmatamento, a ave de rapina tamb\u00e9m est\u00e1 amea\u00e7ada\npor outras atividades humanas, como as listadas pelo professor Aureo Banhos:\n\u201cTemos percebido como amea\u00e7a a ca\u00e7a e persegui\u00e7\u00e3o dessas aves nas \u00e1reas rurais,\nas redes de eletrifica\u00e7\u00e3o rural \u2013 em virtude das colis\u00f5es das harpias com essas\nestruturas e consequentes mortes por eletrocuss\u00e3o \u2013 e a malha rodovi\u00e1ria, devido\naos atropelamentos de indiv\u00edduos. Isso ocorre quando os indiv\u00edduos se dispersam\nde sua \u00e1rea natal em busca de \u00e1reas para se reproduzir e se alimentar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O bi\u00f3logo ressalta que, apesar de ser um predador forte, o gavi\u00e3o-real n\u00e3o\napresenta amea\u00e7a alguma aos humanos. \u201c\u00c0s vezes a falta de conhecimento leva o\nanimal a ser mais perseguido. Por isso \u00e9 muito comum as pessoas matarem a ave\npor acreditar que ela vai ferir crian\u00e7as ou algum animal dom\u00e9stico. Mas elas\ns\u00e3o especialistas em presas de florestas..\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Projeto<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O Projeto Harpia come\u00e7ou em 1996 no Instituto Nacional da Amaz\u00f4nia, em\nManaus, sob tutela da professora T\u00e2nia Sanaoite. Em 2005 as a\u00e7\u00f5es se estenderam\npara a Mata Atl\u00e2ntica. Desde de 2010 &nbsp;a\nUfes participa do N\u00facleo Mata Atl\u00e2ntica do Projeto Harpia, que se ocupa das\npesquisas e da conserva\u00e7\u00e3o do gavi\u00e3o-real. \u201c\u00c9 um projeto grande e, gra\u00e7as aos\nestudos da harpia, v\u00e1rios alunos da Ufes acabam indo para a Amaz\u00f4nia fazer\nest\u00e1gio, mestrado ou doutorado\u201d, orgulha-se Aureo Banhos, que coordena o\nprojeto na Mata Atl\u00e2ntica. \u201cTemos tamb\u00e9m muitos parceiros e volunt\u00e1rios no\nEsp\u00edrito Santo apaixonados por esta esp\u00e9cie, que colaboram com as atividades do\nProjeto no campo, coletando dados e gerando informa\u00e7\u00f5es, fazendo ci\u00eancia\ncidad\u00e3\u201d, ressalta o professor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos v\u00e1rios subprojetos sendo realizados, como o que busca entender a\ndieta do animal na mata atrav\u00e9s das carca\u00e7as de presas que ele deixa cair na\nbase da \u00e1rvore do ninho\u201d, cita o bi\u00f3logo. \u201cEstudamos tamb\u00e9m as esp\u00e9cies que\ninteragem com o ninho, e percebemos que as harpias acabam se tornando uma\nesp\u00e9cie de engenheiras do ecossistema. Afinal, onde tem ninho de harpia, tem um\necossistema diferente&#8221;, detalha. O grupo analisa para onde os indiv\u00edduos\nse dispersam depois que saem do ninho, as \u00e1reas que ocupam e quantas aves\nexistem na regi\u00e3o. &#8220;Fazemos estudos gen\u00e9ticos para verificar se a\ndiversidade gen\u00e9tica est\u00e1 sendo reduzida com a redu\u00e7\u00e3o do tamanho da popula\u00e7\u00e3o\ne&nbsp; as consequ\u00eancias da fragmenta\u00e7\u00e3o florestal no fluxo gen\u00e9tico das\nharpias na Mata Atl\u00e2ntica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo atua no sul da Bahia e no Esp\u00edrito Santo \u2013 o chamado Corredor Central\nda Mata Atl\u00e2ntica \u2013, na regi\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u e no Rio Grande do Sul. O\nProjeto tamb\u00e9m planeja come\u00e7ar as atividades na Serra do Mar, localizada no sul\nde S\u00e3o Paulo e litoral do Paran\u00e1, em parceria com organiza\u00e7\u00f5es locais, na busca\npor novos registros da \u201cmaior e mais poderosa \u00e1guia do mundo\u201d, nas palavras do\nprofessor Aureo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o apoiadoras do Projeto Harpia &#8211; Mata Atl\u00e2ntica as seguintes\ninstitui\u00e7\u00f5es: Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes);\nConselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq); Instituto\nChico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio); Instituto Brasileiro do\nMeio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama); Instituto Nacional de\nPesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa); Instituto \u00daltimos Ref\u00fagios;\nBeauval Nature; Nitro Imagens; Reserva Natural Vale; Reserva Particular de\nProte\u00e7\u00e3o Natural (RPPN) Esta\u00e7\u00e3o Veracel; Instituto Uira\u00e7u; Ref\u00fagio Biol\u00f3gico\nBela Vista; Tyrannus Solu\u00e7\u00f5es Ambientais; Instituto Marcos Daniel; Parque das\nAves; Tiergarten N\u00fcrnberg; Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educa\u00e7\u00e3o\nAmbiental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel acompanhar o Projeto Harpia no Instagram <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"@projetoharpiabrasil (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/projetoharpiabrasil\/\" target=\"_blank\">@projetoharpiabrasil<\/a> e no <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Facebook (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.facebook.com\/harpiaprojeto\/\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por La\u00eds Santana \u2013 Um dos raros casais de gavi\u00e3o-real (Harpia harpyja) no fragmento de Mata Atl\u00e2ntica esp\u00edrito-santense finalmente obteve sucesso reprodutivo. 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