{"id":913,"date":"2020-01-03T12:37:34","date_gmt":"2020-01-03T15:37:34","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=913"},"modified":"2020-09-21T12:51:50","modified_gmt":"2020-09-21T15:51:50","slug":"estudante-de-quimica-transforma-lama-de-mariana-em-produto-para-industria-textil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/01\/03\/estudante-de-quimica-transforma-lama-de-mariana-em-produto-para-industria-textil\/","title":{"rendered":"Estudante de Qu\u00edmica transforma lama de Mariana em produto para ind\u00fastria t\u00eaxtil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os  rejeitos de min\u00e9rio de ferro da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana (MG),  que se rompeu em novembro de 2015, foram transformados no laborat\u00f3rio do  curso de Qu\u00edmica da Ufes em um material capaz de tratar efluentes da  ind\u00fastria t\u00eaxtil contaminados com corantes. O projeto \u00e9 do estudante da  gradua\u00e7\u00e3o Lucas Lorenzini, que  desenvolveu ferritas a partir da lama, orientado pela professora Maria  de F\u00e1tima Fontes Lelis.<\/p>\n\n\n\n<p>Lorenzini, que acaba de ter seu trabalho de conclus\u00e3o de curso \naprovado com nota m\u00e1xima, explica que a lama coletada \u00e9 tratada, e logo \nem seguida queimada junto com uma fonte de mat\u00e9ria org\u00e2nica, como fibra \nde coco, p\u00f3 de caf\u00e9 e baga\u00e7o de acerola, por exemplo. Nesse processo s\u00e3o\n produzidos \u00f3xidos de ferro, denominados de ferritas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando jogado em um tanque por onde passam os efluentes da ind\u00fastria \nt\u00eaxtil, o produto promove a adsor\u00e7\u00e3o (fixa\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas de um flu\u00eddo \nem uma superf\u00edcie s\u00f3lida) dos corantes utilizados para tingir os \ntecidos. Numa etapa seguinte, a ferrita, por um processo catal\u00edtico, \npromove a degrada\u00e7\u00e3o das mol\u00e9culas org\u00e2nicas respons\u00e1veis pela forte \ncolora\u00e7\u00e3o do efluente, deixando a \u00e1gua limpa e tratada para ser \ndescartada nos rios, lagos ou no mar. \u201cPara cada litro de efluente, \ngastamos 0,2 gramas de ferrita produzida a partir da lama\u201d, diz o \nestudante. A ferrita ainda pode ser reutilizada, pois pode ser retirada \ndo tanque com a utiliza\u00e7\u00e3o de im\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a professora Maria de F\u00e1tima Lelis, al\u00e9m de significar uma \ndestina\u00e7\u00e3o \u00fatil ao rejeito da barragem, outra vantagem da produ\u00e7\u00e3o dessa\n ferrita \u00e9 que ela substitui produtos oriundos da natureza, que hoje s\u00e3o\n os mais usados no setor t\u00eaxtil para tratar seus efluentes. \u201cA ind\u00fastria\n pode deixar de usar a argila bentonita, o carv\u00e3o ativado ou s\u00edlicas, a \nutiliza\u00e7\u00e3o de materiais n\u00e3o renov\u00e1veis, e produzir em grande escala as \nferritas a partir dos rejeitos e aproveitando a biomassa dispon\u00edvel\u201d, \nafirma. Segundo ela, os testes de bancada realizados at\u00e9 agora apontam \npara o sucesso total do experimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO material est\u00e1 pronto para ser levado para testes em maior escala. O\n que fizemos at\u00e9 agora foram testes de bancada, em laborat\u00f3rio. E neste \nmomento estamos avaliando o mecanismo de degrada\u00e7\u00e3o do composto t\u00f3xico, \napurando o que fica em solu\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a total descolora\u00e7\u00e3o do corante\u201d. O \nque falta agora? \u201cOs engenheiros comprarem a ideia\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>&nbsp;Projeto Candonga<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A pesquisa foi desenvolvida dentro do Projeto Candonga, que, al\u00e9m da  Ufes, envolve tamb\u00e9m a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o  Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), a Universidade  Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e a Universidade  Federal de Ouro Preto (UFOP). Esse projeto foi criado para dar solu\u00e7\u00f5es  para os rejeitos vindos da barragem de Fund\u00e3o, que foram parcialmente  dragados pela Hidrel\u00e9trica Risoleta Neves (MG), tamb\u00e9m conhecida como  Candonga.<\/p>\n\n\n\n<p>No Departamento de Qu\u00edmica da Ufes, estudantes da gradua\u00e7\u00e3o, mestrado\n e doutorado, orientados pelos professores Maria de F\u00e1tima Lelis e \nMarcos de Freitas, participam do projeto realizando diversas pesquisas \ncom os rejeitos. Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o das ferritas, um outro projeto prop\u00f4s a\n produ\u00e7\u00e3o de&nbsp;<a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2019\/09\/17\/madeira-sustentavel-com-a-lama-de-mariana\/\">madeira sint\u00e9tica a partir da lama.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Outros departamentos da Ufes tamb\u00e9m trabalham em pesquisa na regi\u00e3o \nafetada pelo rompimento da barragem de Fund\u00e3o. \u00c9 o caso do&nbsp;professor do \nDepartamento de Oceanografia \u00c2ngelo Fraga Bernardino. Ele coordena a \nrede de pesquisa Solos e Bentos do Rio Doce. O monitoramento da vida no \nestu\u00e1rio em Reg\u00eancia, no munic\u00edpio de Linhares, mostra que o&nbsp;<a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2019\/12\/12\/rio-doce-nao-esta-morto-mas-tem-contaminacao-cronica-afirma-pesquisador\/\">Rio Doce n\u00e3o est\u00e1 morto, mas tem contamina\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica<\/a>&nbsp;devido aos metais vindos junto com a lama.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013 Os rejeitos de min\u00e9rio de ferro da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana (MG), que se rompeu em novembro de <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/01\/03\/estudante-de-quimica-transforma-lama-de-mariana-em-produto-para-industria-textil\/\" title=\"Estudante de Qu\u00edmica transforma lama de Mariana em produto para ind\u00fastria t\u00eaxtil\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":914,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[39,38],"class_list":["post-913","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-desastre-de-mariana","tag-mariana"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",4294,2953,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",150,103,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",300,206,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",768,528,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",1024,704,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",1536,1056,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",2048,1408,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",637,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",554,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",678,466,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",326,224,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/01\/lama-mariana-industria-textil.jpg",80,55,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013 Os rejeitos de min\u00e9rio de ferro da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana (MG), que se rompeu em novembro de [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=913"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/913\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":915,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/913\/revisions\/915"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}