{"id":944,"date":"2020-02-11T09:48:19","date_gmt":"2020-02-11T12:48:19","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=944"},"modified":"2020-03-24T12:57:40","modified_gmt":"2020-03-24T15:57:40","slug":"pesquisa-inedita-sobre-hanseniase-em-cranios-e-destaque-em-revista-britanica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/02\/11\/pesquisa-inedita-sobre-hanseniase-em-cranios-e-destaque-em-revista-britanica\/","title":{"rendered":"Pesquisa in\u00e9dita sobre hansen\u00edase em cr\u00e2nios \u00e9 destaque em revista brit\u00e2nica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 Por Jorge Medina \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo in\u00e9dito sobre os cr\u00e2nios das catacumbas da cidade de Paris,  realizado pela professora do Departamento de Medicina Social, do Centro  de Ci\u00eancias da Sa\u00fade (CCS) da Ufes, Patr\u00edcia Deps, foi destaque na revista brit\u00e2nica<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/03014460.2020.1714729?journalCode=iahb20\">&nbsp;<\/a><em><a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/03014460.2020.1714729?journalCode=iahb20\">Ann<\/a><a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/03014460.2020.1714729?journalCode=iahb20\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"als of Human Biology (abre numa nova aba)\">als of Human Biology<\/a><\/em>. Intitulado <em>Leprosy in skulls from the Paris Catacombs, <\/em>o artigo relata a pesquisa da professora que estudou 1.500 cr\u00e2nios com o objetivo de avaliar as altera\u00e7\u00f5es \u00f3sseas t\u00edpicas da hansen\u00edase, doen\u00e7a que era conhecida no Brasil como lepra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dos cr\u00e2nios estudados, a pesquisadora encontrou dois com deformidades  caracter\u00edsticas da doen\u00e7a. O resultado significa que pessoas da popula\u00e7\u00e3o de Paris e arredores, cujos esqueletos foram enterrados novamente nas catacumbas, podem ter sido afetadas pela hansen\u00edase. \u201cO  n\u00famero real pode ser maior, j\u00e1 que as altera\u00e7\u00f5es \u00f3sseas, geralmente,  ocorrem nos casos mais graves da doen\u00e7a. Estimamos que 0,5% da popula\u00e7\u00e3o parisiense tinha altera\u00e7\u00f5es cranianas t\u00edpicas causadas pela  hansen\u00edase\u201d, afirma a professora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Estudo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 mais de 20 anos a pesquisadora analisa diferentes aspectos da  hansen\u00edase e tem se dedicado aos estudos relacionados ao decl\u00ednio da  enfermidade na Europa no final da Idade M\u00e9dia. \u201cAtualmente, a hansen\u00edase  \u00e9 end\u00eamica em mais de 100 pa\u00edses, e era uma doen\u00e7a comum na Europa at\u00e9 o  final do s\u00e9culo XVI, ap\u00f3s o qual come\u00e7ou a declinar, eventualmente  desaparecendo do continente. H\u00e1 muitas perguntas a serem respondidas  sobre a hist\u00f3ria da hansen\u00edase na Europa, incluindo o qu\u00e3o comum era em  cada s\u00e9culo e as raz\u00f5es de seu desaparecimento\u201d, explica Patr\u00edcia Deps.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela enfatiza ainda a import\u00e2ncia da paleopatologia, que \u00e9 uma ci\u00eancia  que permite conhecer a hist\u00f3ria e a evolu\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as, para a conclus\u00e3o do estudo: \u201cOs m\u00e9todos paleopatol\u00f3gicos devem ser aplicados ao estudo da hansen\u00edase porque a doen\u00e7a deixa sinais distintos nos ossos, como altera\u00e7\u00f5es caracter\u00edsticas no cr\u00e2nio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa sobre os cr\u00e2nios das catacumbas da cidade de Paris teve como colaboradores o m\u00e9dico Philippe Charlier, diretor de Pesquisa do <em>Mus\u00e9e Du quai Branly <\/em>em Paris e coordenador do <em>Laboratory Anthropology Archeology and Biology (LAAB<\/em>) do Departamento de Ci\u00eancias da Sa\u00fade da da Universidade de Versalhes (UVSQ);&nbsp;o epidemiologista Simon Collin, do <em>Public Health England<\/em>; e Sylvie Robin, curadora das Catacumbas de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pr\u00f3ximos passos, conforme relata Deps, ser\u00e3o os estudos das altera\u00e7\u00f5es realmente t\u00edpicas e exclusivas da hansen\u00edase, investigando se a presen\u00e7a da doen\u00e7a pode ser confirmada pelo \u00e1cido desoxirribonucleico (DNA), por meio das amostras de dentes e ossos. O estudo tamb\u00e9m ser\u00e1 repetido em um n\u00famero maior de cr\u00e2nios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1600\" height=\"1600\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/02\/Professora-Patricia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-946\" \/><figcaption>Professora Patr\u00edcia Deps analisa os cr\u00e2nios em catacumba em Paris. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Ufes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Hansen\u00edase e estigma&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano passado, Patr\u00edcia Deps <a href=\"http:\/\/www.ufes.br\/conteudo\/professora-da-ufes-lanca-na-franca-livro-sobre-hanseniase\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"lan\u00e7ou o livro (abre numa nova aba)\">lan\u00e7ou o livro<\/a>&nbsp;<em>O Dia Em Que Mudei De Nome &#8211; Hansen\u00edase e Estigma&nbsp;<\/em>(<em>The Day I Changed My Name &#8211; Leprosy and Stigma<\/em>).  A obra bil\u00edngue apresenta os resultados do projeto de extens\u00e3o coordenado pela professora entre os anos de 2014 e 2017. O objetivo foi o  de avaliar a repercuss\u00e3o do isolamento compuls\u00f3rio dos hansenianos e de suas fam\u00edlias na sociedade capixaba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra englobou pesquisas bibliogr\u00e1ficas e de campo sobre a hansen\u00edase no Esp\u00edrito Santo, e incluiu entrevistas com ex-internos do Hospital Col\u00f4nia Pedro Fontes, familiares, funcion\u00e1rios do hospital e do Educand\u00e1rio Alzira Bley (para onde eram levados os filhos dos doentes),  freiras, padres, diretor e ex-diretores cl\u00ednicos do hospital, al\u00e9m de  contar a vida do padre Mathias Hahn e sua atividade na Col\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00e9dica pela Ufes, com mestrado em Doen\u00e7as Infecciosas e doutorado em  Medicina (Dermatologia), a professora Patr\u00edcia Deps possui p\u00f3s-doutorado pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de  Londres\/Inglaterra e pela Universidade de Versalhes (UVSQ)\/Fran\u00e7a. \u00c9  pesquisadora convidada do <em>Laboratoire Anthropologie, Archeologie, Biologie, of Health Sciences<\/em> da Fran\u00e7a, e pesquisadora visitante honor\u00e1ria do Servi\u00e7o de Antropologia M\u00e9dica do&nbsp;<em>H\u00f4pital&nbsp;de Nanterre <\/em>(Fran\u00e7a), do museu Catacumbas de Paris e do<em>&nbsp;Mus\u00e9e du Quai Branly<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Jorge Medina \u2013 Um estudo in\u00e9dito sobre os cr\u00e2nios das catacumbas da cidade de Paris, realizado pela professora do Departamento de Medicina Social, <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/02\/11\/pesquisa-inedita-sobre-hanseniase-em-cranios-e-destaque-em-revista-britanica\/\" title=\"Pesquisa in\u00e9dita sobre hansen\u00edase em cr\u00e2nios \u00e9 destaque em revista 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