{"id":949,"date":"2020-02-28T07:56:08","date_gmt":"2020-02-28T10:56:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=949"},"modified":"2020-06-04T11:54:15","modified_gmt":"2020-06-04T14:54:15","slug":"estudo-aponta-inseguranca-alimentar-e-nutricional-em-familias-do-caparao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/02\/28\/estudo-aponta-inseguranca-alimentar-e-nutricional-em-familias-do-caparao\/","title":{"rendered":"Estudo aponta inseguran\u00e7a alimentar e nutricional em fam\u00edlias do Capara\u00f3"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Uma pesquisa realizada na regi\u00e3o do Capara\u00f3, no sudoeste do Esp\u00edrito Santo, revela alta incid\u00eancia de Inseguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Insan) entre os produtores rurais e seus familiares. O estudo tamb\u00e9m detectou altera\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas e epigen\u00e9ticas  (relacionadas ao funcionamento do gene, mas n\u00e3o relacionadas \u00e0 muta\u00e7\u00e3o do DNA) no organismo, que podem comprometer o aprendizado e levar a doen\u00e7as como depress\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Orientada pela professora Adriana Madeira da Silva, a\npesquisa foi tese de doutorado em Biotecnologia do professor do departamento de\nFarm\u00e1cia e Nutri\u00e7\u00e3o da Ufes no campus de Alegre Wagner Miranda Barbosa.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o primeiro estudo a investigar a Insan em agricultores e seus familiares que associou mecanismos epigen\u00e9ticos e socioambientais entre seus determinantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa envolveu produtores de caf\u00e9 de 22 comunidades rurais localizadas em 11 cidades da regi\u00e3o capixaba do Capara\u00f3. Os cafeicultores e seus familiares, entre 18 e 60 anos, responderam a perguntas sobre aspectos socioecon\u00f4micos, de posse e uso da terra, h\u00e1bitos de sa\u00fade e de comportamento, uso de agrot\u00f3xico nas planta\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es de trabalho. A avalia\u00e7\u00e3o de Insan foi realizada de acordo com a <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Escala Brasileira de Inseguran\u00e7a Alimentar.&nbsp;  (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www4.planalto.gov.br\/consea\/comunicacao\/noticias\/2014\/dezembro\/ibge-divulga-pnad-sobre-seguranca-alimentar-no-brasil\" target=\"_blank\">Escala Brasileira de Inseguran\u00e7a Alimentar.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o professor Wagner Miranda Barbosa, cerca 600 fam\u00edlias foram estudadas. Dessas, 23,68% est\u00e3o enquadradas na categoria de inseguran\u00e7a alimentar e nutricional. Ao considerar apenas as popula\u00e7\u00f5es rurais, a preval\u00eancia de Insan na regi\u00e3o analisada foi 1,28 vez maior do que todo o sudeste do Brasil (18,6%) e 3,17 vezes superior ao estado do Esp\u00edrito Santo (7,5%), conforme <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"dados do IBGE (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/index.php\/biblioteca-catalogo?view=detalhes&amp;id=291984\" target=\"_blank\">dados do IBGE<\/a>. \u201cIsso significa que essas fam\u00edlias est\u00e3o altamente vulner\u00e1veis\u201d, afirmou o professor. De acordo com Barbosa, a Insan indica, sobretudo, pobreza e dificuldade de acesso a alimentos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Altera\u00e7\u00e3o epigen\u00e9tica<\/h3>\n\n\n\n<p>O estudo mostrou uma associa\u00e7\u00e3o da inseguran\u00e7a alimentar e nutricional com a altera\u00e7\u00e3o epigen\u00e9tica em um gene chamado BDNF, que est\u00e1 relacionado \u00e0 aprendizagem e a dist\u00farbios ps\u00edquicos, como depress\u00e3o. Os agricultores e seus familiares foram submetidos a exames laboratoriais para an\u00e1lise do DNA. Do total, 39,10% apresentavam metila\u00e7\u00e3o do gene BDNF. \u201cA metila\u00e7\u00e3o \u00e9 uma modifica\u00e7\u00e3o epigen\u00e9tica no gene, promovida por fatores ambientais, que pode ser herdada at\u00e9 a terceira gera\u00e7\u00e3o. Essa altera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma muta\u00e7\u00e3o do DNA.&nbsp; Pode ser ben\u00e9fica ou n\u00e3o. J\u00e1 o BDNF \u00e9 um gene que est\u00e1 relacionado com a capacidade cognitiva do ser humano&#8221;, explica o professor. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Barbosa, a metila\u00e7\u00e3o nesse gene \u00e9 uma importante altera\u00e7\u00e3o encontrada nos indiv\u00edduos pesquisados que explica, em boa parte, a menor capacidade de aprendizagem.  \u201cNa pr\u00e1tica, significa que essas pessoas est\u00e3o mais vulner\u00e1veis e n\u00e3o conseguem responder a est\u00edmulos educacionais e sociais como uma popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o possui metila\u00e7\u00e3o nesse gene. Portanto, devem ser assistidas, com base na equidade\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa mostra que as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade dos produtores rurais s\u00e3o prec\u00e1rias de um modo geral. Entre os entrevistados, 50% apresentam sobrepeso ou obesidade, 17% t\u00eam sintomas depressivos, 43% tomam medicamentos de forma cont\u00ednua, 48% consideram o estado geral de sa\u00fade regular\/ruim ou muito ruim e 90,09% trabalham com agrot\u00f3xicos frequentemente. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO uso de agrot\u00f3xico na atividade de trabalho \u00e9 excessivo e generalizado. Sabe-se que o esse produto provoca intoxica\u00e7\u00f5es agudas (que ocorrem at\u00e9 48h ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o) e cr\u00f4nicas (que podem ocorrer meses ou at\u00e9 anos ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o) de sa\u00fade, assim como est\u00e1 associado a uma maior preval\u00eancia de depress\u00e3o entre os trabalhadores que lidam com esses produtos\u201d, afirma o professor. <\/p>\n\n\n\n<p>E complementa: \u201cA ocorr\u00eancia da mudan\u00e7a no gene BDNF, a posse de pequena fra\u00e7\u00e3o de terras, o maior n\u00famero de sintomas ou doen\u00e7as relatadas e a necessidade de trabalhar fora da sua propriedade devido \u00e0 baixa renda podem explicar a preval\u00eancia da inseguran\u00e7a alimentar e nutricional. Dessa forma, nossa pesquisa sugere a necessidade de implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a alimentar e de vida do pequeno produtor rural\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Barbosa, a estrat\u00e9gia a ser adotada para reverter a Insan deve estar centrada na agricultura familiar. \u201cEsse tipo de agricultura ocupa um papel muito importante em uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento que englobe o objetivo da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (SAN), que seja economicamente sustent\u00e1vel, com crescente equidade e inclus\u00e3o social. Seu fortalecimento cumpre papel nuclear tanto para a seguran\u00e7a alimentar quanto para a sustentabilidade do sistema alimentar. Ao promover a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida das fam\u00edlias rurais, o est\u00edmulo \u00e0 agricultura familiar \u00e9 componente central no enfrentamento da elevada desigualdade social brasileira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Dados da pesquisa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Dados gerais:<\/em><\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>56,61% dos agricultores j\u00e1 trabalham no campo h\u00e1 pelo menos 30 anos<br><\/li><li>5,10% se declararam analfabetos<br><\/li><li>58,77% s\u00e3o donos da terra<br><\/li><li>90,51% s\u00e3o minif\u00fandios (ou seja, s\u00e3o propriedades com baixa extens\u00e3o territorial)<br><\/li><li>79,40% trabalham exclusivamente na propriedade onde residem (ou seja, n\u00e3o possuem outra fonte de renda)<br><\/li><li>74,14% foram classificados como baixa renda segundo crit\u00e9rios da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV, 2008)<br><\/li><li>50% est\u00e3o acima do peso adequado (apresentam sobrepeso ou obesidade)<br><\/li><li>17% apresentam sintomas depressivos<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Dados de Sa\u00fade<\/em><\/strong>:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>43% tomam medicamentos de forma cont\u00ednua<br><\/li><li>48% consideram o estado geral de sa\u00fade regular\/ruim ou muito ruim<br><\/li><li>9,55% fumam<br><\/li><li>36% da amostra nunca ingeriu bebidas alco\u00f3licas<br><\/li><li>90,09% usam agrot\u00f3xicos frequentemente <br><\/li><li>39,10% apresentavam metila\u00e7\u00e3o do gene BDNF<\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013 Uma pesquisa realizada na regi\u00e3o do Capara\u00f3, no sudoeste do Esp\u00edrito Santo, revela alta incid\u00eancia de Inseguran\u00e7a Alimentar e <a class=\"mh-excerpt-more\" 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