{"id":984,"date":"2020-06-24T11:10:42","date_gmt":"2020-06-24T14:10:42","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=984"},"modified":"2020-07-28T11:58:11","modified_gmt":"2020-07-28T14:58:11","slug":"pesquisa-revela-que-pardos-e-negros-morrem-mais-por-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/06\/24\/pesquisa-revela-que-pardos-e-negros-morrem-mais-por-covid-19\/","title":{"rendered":"Pesquisa revela que pardos e negros morrem mais por COVID-19"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um levantamento de dados epidemiol\u00f3gicos realizado no Brasil mostra que pessoas pardas e negras, principalmente no Norte e do Nordeste do pa\u00eds, t\u00eam mais chances de morrer v\u00edtimas do v\u00edrus SARS-CoV-2 do que as que se identificam como brancas. Esse foi o resultado do estudo realizado a partir dos registros de 11.321 pacientes com COVID-19 cadastrados no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o da Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica da Gripe, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, utilizado para monitorar os casos de s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave (SRAG \u2013 ou SARS, do ingl\u00eas Severe Acute Respiratory Syndrome) nos hospitais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados publicados no artigo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.medrxiv.org\/content\/10.1101\/2020.05.19.20107094v1\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">Ethnic and regional variation in hospital mortality from COVID-19 in Brazil(link is external)<\/a>&nbsp;(Varia\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e regional na mortalidade hospitalar por COVID-19 no Brasil)&nbsp;foram reunidos na primeira fase de uma pesquisa que pretende adaptar para o Brasil o&nbsp;Cambridge Adjutorium, uma ferramenta que usa aprendizado de m\u00e1quina\/intelig\u00eancia artificial, a partir de dados reais despersonalizados, para montar um sistema que auxilia m\u00e9dicos e diretores de hospitais na tomada de decis\u00f5es sobre recursos f\u00edsicos e pacientes. O modelo foi desenvolvido pelo laborat\u00f3rio de Machine Learning and Artificial Intelligence for Medicine da Universidade de Cambridge.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa \u00e9 uma parceria entre a Ufes e a pesquisadora Mihaela Van der Schaar, professora da Universidade de Cambridge e pesquisadora do Instituto Alan Turing, no Reino Unido. Pela Ufes,&nbsp;participam o professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Astrof\u00edsica, Cosmologia e Gravita\u00e7\u00e3o (PPGCosmo) e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em F\u00edsica (PPGFis) Val\u00e9rio Marra, e seu p\u00f3s-doutorando Pedro Baqui, auxiliados na \u00e1rea da sa\u00fade&nbsp;pela professora epidemiologista Ethel Maciel, do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Prote\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Val\u00e9rio Marra, que obteve os dados epidemiol\u00f3gicos e socioecon\u00f4micos da pesquisa, diz que a publica\u00e7\u00e3o do artigo com o resultado da primeira fase visa alertar para a necessidade de a\u00e7\u00f5es efetivas do poder p\u00fablico de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s regi\u00f5es e \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais expostas aos riscos. \u201cAchamos oportuno publicar esse artigo na esperan\u00e7a de que o Governo adote medidas. Os estados com alto risco e as etnias mais vulner\u00e1veis devem ser protegidos\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo mostra que ser da etnia parda foi o segundo fator de risco mais importante para a COVID-19, s\u00f3 perdendo para a idade. Outro dado \u00e9 que os brasileiros hospitalizados nas regi\u00f5es Norte e Nordeste tendem a ter mais comorbidades do que no centro-sul, com propor\u00e7\u00f5es semelhantes entre os v\u00e1rios grupos \u00e9tnicos. Na an\u00e1lise por estado, o Rio de Janeiro \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o do centro-sul, pois&nbsp;apresenta taxas de risco compar\u00e1veis \u00e0s&nbsp;dos estados do Nordeste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com os pesquisadores, a varia\u00e7\u00e3o \u00e9tnica (efeito horizontal) e a regional (efeito vertical) pode ser explicada pelas desigualdades sociais e de acesso \u00e0 assist\u00eancia de sa\u00fade. \u201cEspeculamos que o efeito vertical seja impulsionado pelo aumento dos n\u00edveis de comorbidade na&nbsp;regi\u00e3o&nbsp;&nbsp;Norte, onde os n\u00edveis de desenvolvimento socioecon\u00f4mico s\u00e3o mais baixos, enquanto o efeito horizontal pode estar relacionado a n\u00edveis mais baixos de acesso ou disponibilidade de cuidados de sa\u00fade (incluindo cuidados intensivos) para brasileiros pardos e pretos.&nbsp;Para a maioria dos estados, os efeitos verticais e horizontais s\u00e3o correlacionados, proporcionando uma maior mortalidade cumulativa\u201d, aponta o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNossa an\u00e1lise motiva um esfor\u00e7o urgente por parte das autoridades brasileiras para considerar como a resposta nacional \u00e0 COVID-19 pode proteger melhor os brasileiros pardos e pretos, bem como a popula\u00e7\u00e3o dos estados mais pobres, do maior risco de morte por infec\u00e7\u00e3o por SARS-CoV-2\u201d, afirmam os pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Pr\u00f3xima fase<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3xima fase da pesquisa \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o dos dados epidemiol\u00f3gicos an\u00f4nimos dos capixabas v\u00edtimas da COVID-19. \u201cTemos por objetivo adaptar o software Adjutorium \u00e0 popula\u00e7\u00e3o capixaba para depois entreg\u00e1-lo aos hospitais do Esp\u00edrito Santo. Posteriormente, pretendemos lev\u00e1-lo a todo territ\u00f3rio nacional. Com essas predi\u00e7\u00f5es, a dire\u00e7\u00e3o do hospital ter\u00e1 uma estimativa da situa\u00e7\u00e3o a ser enfrentada, dando base para uma administra\u00e7\u00e3o mais eficiente\u201d, afirmou o professor Marra. A expectativa \u00e9 que a primeira vers\u00e3o do Adjutorium para o Brasil esteja liberada em tr\u00eas meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:14px\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: Thereza Marinho<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013 Um levantamento de dados epidemiol\u00f3gicos realizado no Brasil mostra que pessoas pardas e negras, principalmente no Norte e do <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/06\/24\/pesquisa-revela-que-pardos-e-negros-morrem-mais-por-covid-19\/\" title=\"Pesquisa revela que pardos e negros morrem mais por COVID-19\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":997,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[9,47],"tags":[],"class_list":["post-984","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-online"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",1200,800,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",150,100,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",300,200,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",768,512,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",1024,683,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",1200,800,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",1200,800,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",657,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",572,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",678,452,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",326,217,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/06\/teste-covid19.jpg",80,53,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013 Um levantamento de dados epidemiol\u00f3gicos realizado no Brasil mostra que pessoas pardas e negras, principalmente no Norte e do [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=984"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1003,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984\/revisions\/1003"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/997"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}