{"id":146,"date":"2019-04-16T06:10:14","date_gmt":"2019-04-16T09:10:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/tedesom\/?p=146"},"modified":"2019-04-17T13:44:07","modified_gmt":"2019-04-17T16:44:07","slug":"146","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/tedesom\/2019\/04\/16\/146\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"\n<p><strong>TESES SOBRE O REVISIONISMO HIST\u00d3RICO <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Luis Carlos Mu\u00f1oz<\/p>\n\n\n\n<p>Luis Eust\u00e1quio Soares<\/p>\n\n\n\n<p>1. O revisionismo hist\u00f3rico tem como alvo a luta de classes oper\u00e1ria &nbsp;e anticolonial historicamente constitu\u00edda. \u00c9,\npois, uma forma de apagamento e desqualifica\u00e7\u00e3o do marxismo e da hist\u00f3ria de\nluta de classes dos oper\u00e1rios do mundo e se manifesta de muitas maneiras. Uma\ndelas \u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o &nbsp;de categorias\nmarxistas, modificando seus nomes, alterando seus objetivos e deslocando ou\ncontexto hist\u00f3rico-social ou estrutura conceitual; quando n\u00e3o se baseia na\nabsoluta desqualifica\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio marxismo &#8211; o que \u00e9 mais comum.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<p>2. O objetivo deste ensaio \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o das principais formas de\nrevisionismos hist\u00f3ricos contempor\u00e2neas, sobretudo considerando aquelas que s\u00e3o\nn\u00e3o apenas recorrentes mas que no geral est\u00e3o presentes em maior e menor medida\nem praticamente todos os autores e\/ou campos te\u00f3ricos dominantes na atualidade,\ntendo em vista: 1. o princ\u00edpio marxista de que as ideias dominantes de uma\n\u00e9poca s\u00e3o as ideias das classes dominantes; 2. a constata\u00e7\u00e3o objetiva de que as\nideias dominantes da atual \u00e9poca s\u00e3o as ideias produzidas, distribu\u00eddas e\nconsumidas pelo dom\u00ednio mundial do imperialismo ianque; 3. este \u00faltimo portanto\nengendrou, por meio de seu sistema de intelig\u00eancia, as pr\u00e1ticas e perspectivas\nte\u00f3ricas e biopol\u00edticas revisionistas onipresentes, na atualidade. <\/p>\n\n\n\n<p>3. Todas as categorias te\u00f3rico-pr\u00e1ticas produzidas no \u00e2mbito do marxismo\nforam e s\u00e3o deturpadas pelo revisionismo hist\u00f3rico, sem exce\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar\npelo, talvez, seu axioma fundamental presente no <em>Manifesto Comunista<\/em>, de karl Marx e Friedrich Engels de 1848:\n&#8220;A luta de classes \u00e9 o motor da hist\u00f3ria&#8221;. De modo geral, portanto,\ntodas as formas de revisionismos atuais t\u00eam como objetivo fazer-nos desprezar o\naxioma de que sem luta de classes a Hist\u00f3ria humana ser\u00e1 o eterno retorno de\nsua pr\u00e9-hist\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p>4. O principal vetor ideol\u00f3gico e ao mesmo tempo econ\u00f4mico-objetivo do revisionismo s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es mercantis, que substituem as rela\u00e7\u00f5es sociais e portanto subsumem as rela\u00e7\u00f5es sociais concretas e, assim, a luta de classes como motor da hist\u00f3ria, que passa a ser cada vez mais ocultada e desprezada quanto mais avan\u00e7a a mundializa\u00e7\u00e3o sem limites do fetichismo da mercadoria e, portanto, da mercantiliza\u00e7\u00e3o geral da vida, envolvendo tanto o consciente humano, como o inconsciente, logo o desejo. <\/p>\n\n\n\n<p>5. Como, no capitalismo &#8211; e sobretudo em sua fase imperialista -, tudo\ntende a se tornar rela\u00e7\u00f5es mercantis, n\u00e3o \u00e9 por acaso que a maioria esmagadora\ndas teorias que circula no mundo acad\u00eamico hoje seja revisionista. Campos\nte\u00f3ricos como a Escola de Frankfurt, o p\u00f3s-estruturalismo (e, antes, o\nestruturalismo, a hermen\u00eautica, o formalismo&#8230;) os estudos culturais, o\nmulticulturalismo, o p\u00f3s-colonialismo, o decolonialismo s\u00e3o revisionismos\nhist\u00f3ricos porque em todos eles \u00e9 a luta de classes que \u00e9 ou relativizada ou\ncaluniada ou dilu\u00edda&nbsp; ou subsumida.<\/p>\n\n\n\n<p>6. De qualquer forma, mesmo os autores que n\u00e3o se permitem enfeixar em\ncampos te\u00f3ricos s\u00e3o no geral revisionistas. e sem exce\u00e7\u00e3o s\u00e3o sutis e n\u00e3o raro\ns\u00e3o revisionistas de maneiras diferentes. No entanto, h\u00e1 uma t\u00e1tica recorrente\nnos campos te\u00f3ricos e nos autores revisionistas que circulam, a saber: todos\ndesqualificam a fundamenta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica como a principal&nbsp; forma de dirimir conflitos. O efeito tr\u00e1gico\ndisso \u00e9 o que estamos vendo hoje. Somos tudo, menos trabalhadores. \u00c9 por isso\nque a resist\u00eancia se tornou um salve-se quem (n\u00e3o) puder.<\/p>\n\n\n\n<p>7. A hist\u00f3ria da forma e do conte\u00fado do s\u00e9culo XIX at\u00e9 a atualidade e a separa\u00e7\u00e3o reificada de ambas faz parte fundamental do revisionismo hist\u00f3rico, sendo igualmente um tra\u00e7o comum que\u00a0 circula em diferentes campos te\u00f3ricos ou est\u00e1 nas coordenadas epistemol\u00f3gicas das maiorias dos autores revisionistas. Basicamente, o efeito delet\u00e9rio revisionista dessa separa\u00e7\u00e3o entre forma e conte\u00fado \u00e9 o seguinte: a forma torna-se o fetiche da mercadoria e, portanto, do capital; e o conte\u00fado basicamente diz respeito \u00e0 luta de classes sob o ponto de vista do trabalho organizado, raz\u00e3o pela qual no geral \u00e9 representado como\u00a0 ignorante, sujo, anacr\u00f4nico, b\u00e1rbaro, terrorista. <\/p>\n\n\n\n<p>8. Se o que define o capitalismo \u00e9 o mais-valor e, portanto, o valor de troca, a forma fetichizada dominante nas teorias revisionistas n\u00e3o casualmente s\u00e3o as que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o valor de troca. Nesse contexto, o conte\u00fado a ser desprezado \u00e9 o aviltado valor de uso do mundo do trabalho concreto, sobretudo se, em processo, organiza-se com o objetivo de superar o sistema de opress\u00e3o mundial do capital contra o trabalho, principalmente tendo em vista a fase atual de dom\u00ednio do imperialismo ianque, cuja forma fetichizada \u00e9 a da quintess\u00eancia da mercadoria, fetichismo do fetichismo. Isto \u00e9: s\u00e3o as formas\u00a0 fetichizadas das infinitas\u00a0 imagens ou <em>fake news<\/em> produzidos no interior da ind\u00fastria cultural do imperialismo estadunidense. <\/p>\n\n\n\n<p>9. Outro aspecto ligado \u00e0 separa\u00e7\u00e3o reificada entre forma e conte\u00fado, no\n\u00e2mbito do revisionismo hist\u00f3rico, \u00e9: a forma \u00e9 sem ideologia ( \u00e9\ndesideologizada) &nbsp;&nbsp; e o conte\u00fado \u00e9 a\nideologia, de onde se conclui, n\u00e3o sem m\u00e1-f\u00e9 ou pura ignor\u00e2ncia, que a forma \u00e9\na democracia e o conte\u00fado \u00e9 o totalitarismo,&nbsp;\nn\u00e3o sendo circunstancial que outro vetor transversal em praticamente\ntodos te\u00f3ricos revisionistas tenha a ver com a aproxima\u00e7\u00e3o entre Hitler e\nStalin, na pressuposi\u00e7\u00e3o de que ambos foram totalit\u00e1rios. Na base dessa (falta)\nde argumento est\u00e1 a conclus\u00e3o revisionista de que o nazismo e o fascismo sejam\nsemelhantes ao marxismo e, portanto, ao socialismo e ao comunismo. <\/p>\n\n\n\n<p>10. Um dos principais objetivos do revisionismo hist\u00f3rico \u00e9 aproximar, como se fossem farinhas do mesmo saco, a barb\u00e1rie capitalista e sobretudo a da era do imperialismo capitalista, ao socialismo e ao comunismo. Com isso o que est\u00e1 em jogo \u00e9, tamb\u00e9m, a separa\u00e7\u00e3o da forma do conte\u00fado no \u00e2mbito do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, da seguinte maneira: a forma-mercadoria torna-se a publicidade do capitalismo imperialista e o\u00a0 seu conte\u00fado objetivo ( a exclus\u00e3o das maiorias, os golpes de Estado, as guerras, os genoc\u00eddio, o machismo, o racismo e o saqueio da natureza), como um ato de magia, passa a ser identificado com  Governos que lutam para resistir \u00e0 agressiva expans\u00e3o ocidental, principalmente se os Governos que resistem assumem o socialismo como referencial.\u00a0 <\/p>\n\n\n\n<p>11. O fetichismo da forma, como publicidade do imperialismo capitalista,&nbsp; para os revisionistas, transforma-se em fetichismo da liberdade sem conte\u00fado e portanto da liberdade sem luta de classes e, assim, da liberdade sem luta por igualdade. A domin\u00e2ncia de campos te\u00f3ricos hoje que focalizam a\u00e7\u00f5es afirmativas, limitadas \u00e0 luta pelo reconhecimento, desprezando a distribui\u00e7\u00e3o e, portanto, a igualdade econ\u00f4mica, \u00e9 parte dessa farsa e trag\u00e9dia do fetichismo da liberdade, tendo como par\u00e2metro onipresente o estilo ianque de vida como o exemplo por excel\u00eancia do reino da liberdade apartado do reino da necessidade. . <\/p>\n\n\n\n<p><strong>12. <\/strong>O fetichismo da liberdade, como tra\u00e7o comum dos revisionistas, est\u00e1 na base da totalit\u00e1ria m\u00e1quina de propaganda tanto do sistema colonial europeu como do sistema colonial ianque, raz\u00e3o pela qual o conte\u00fado humilhado e caluniado, concebido como b\u00e1rbaro, no geral \u00e9 associado \u00a0aos povos massacrados tanto por pa\u00edses europeus como pelo neocolonialismo hegem\u00f4nico da atualidade, que \u00e9 o ianque. <\/p>\n\n\n\n<p>13. Outra forma recorrente de revisionismo \u00e9 o uso de categorias abstratas apresentadas  e analisadas indistintamente tanto para questionar o capital como para  colocar em suspei\u00e7\u00e3o o trabalho. Por exemplo, considerem o conceito de esclarecimento, sob o ponto de vista de Theodor Adorno e Max Horkheimer. Se o esclarecimento para esses dois pensadores da Escola de Frankfurt \u00e9 definido como a rela\u00e7\u00e3o do saber com o poder, que engendra um saber senhorial, quer dizer que tanto sob o ponto de vista do trabalho, na luta por sua emancipa\u00e7\u00e3o,\u00a0 quanto sob o prisma do capital a rela\u00e7\u00e3o saber\/poder \u00e9 equivalente? Quer dizer que o saber\/poder do trabalho em sua luta pela emancipa\u00e7\u00e3o milenar\u00a0 do jugo dos opressores \u00e9 igualmente o sujeito coletivo de um saber que \u00e9 tamb\u00e9m poder, a subjugar a natureza e o pr\u00f3prio trabalho? <\/p>\n\n\n\n<p>14. Outro estere\u00f3tipo revisionista extremamente comum ocorre na distor\u00e7\u00e3o do uso da dial\u00e9tica. Como se sabe esta categoria, no \u00e2mbito do marxismo, est\u00e1 implicada com o desafio de negar o mundo realmente existente, que \u00e9 o mundo dos trabalhadores oprimidos; e ao mesmo tempo de afirmar uma sociedade dos trabalhadores desoprimidos ou em processo, sempre contradit\u00f3rio, de desopress\u00e3o. A maioria das teorias revisionistas ora s\u00f3 afirma, sem recorrerer \u00e0 nega\u00e7\u00e3o; ora s\u00f3 nega, sem afirmar uma sociedade p\u00f3s-capitalista. Por exemplo: as teorias afirmativas contempor\u00e2neas &#8211; as de g\u00eanero, \u00e9tnicas, epistemol\u00f3gicas &#8211; s\u00e3o como o pr\u00f3prio nome diz, afirmativas, mas objetivamente falta nelas uma pot\u00eancia de nega\u00e7\u00e3o do mundo existente, n\u00e3o sendo por acaso que se adaptem a uma pol\u00edtica de reconhecimento no \u00e2mbito da ordem existente. O estere\u00f3tipo de que o saber \u00e9 poder-domina\u00e7\u00e3o ( t\u00e3o comum nas teorias de Adorno, Horkheimer, Michel Foucault, para citar os mais conhecidos) det\u00e9m uma dimens\u00e3o negadora pr\u00f3pria da dial\u00e9tica, a de negar o saber-domina\u00e7\u00e3o, mas falta-lhes por outro lado uma refer\u00eancia afirmativa, fora do eixo da ordem existente. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>O REVISIONISMO NA ERA DA DOMINA\u00c7\u00c3O IANQUE.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1.Se for considerado o livro&nbsp; <em>O capital<\/em> (I, II e III) de Karl Marx, \u00e9\nposs\u00edvel observar, nele,&nbsp; algumas\npremissas fundamentais, como, por exemplo: 1. O modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9\numa totalidade din\u00e2mica que tem como eixo o capital e o trabalho, sendo que o\nprimeiro oprime e explora o segundo ; 2. O trabalho organizado e esclarecido,\nrelativamente \u00e0s mistifica\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas&nbsp;\ndo sistema de saber-poder da ordem burguesa,&nbsp; \u00e9 em pot\u00eancia o sujeito coletivo na pr\u00e1xis\nrevolucion\u00e1ria de sua emancipa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-capitalista; 3. Para descrever as\ncategorias principais do ser social da civiliza\u00e7\u00e3o mundial burguesa, Marx, com\nmuita dignidade cient\u00edfica, assumiu o pressuposto de que a teoria deve estar subordinada\n\u00e0 an\u00e1lise objetiva das for\u00e7as produtivas; 4. Marx, a partir da cr\u00edtica da\neconomia pol\u00edtica burguesa, desenvolveu e referendou-se em categorias como\nforma-mercadoria, fetichismo, estrutura produtiva, rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o\nexistentes, for\u00e7as produtivas revolucion\u00e1rias, mais-valor absoluto, mais-valor\nrelativo, subsun\u00e7\u00e3o formal e real do processo geral do trabalho com o objetivo\nde descrever a totalidade din\u00e2mica do ser social do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>2.. Talvez n\u00e3o seja por acaso que os revisionismos hist\u00f3ricos tenham o\nseguinte olhar enviesado em comum, a saber: a categoria de totalidade \u00e9 uma\ncategoria autorit\u00e1ria. Com isso o revisionismo hist\u00f3rico tem como principal\nobjetivo a divis\u00e3o dos trabalhadores, porque, n\u00e3o existindo uma totalidade, que\n\u00e9 a pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o burguesa, ent\u00e3o s\u00f3 nos restar\u00e1 nos concentrar em\ncategorias isoladas sem objetivar a necessidade fundamental de constitui\u00e7\u00e3o de\num sujeito coletivo que assuma a tarefa de disputar a hist\u00f3ria, e, portanto, o\nseu pr\u00f3prio destino, por meio da luta de classes. <\/p>\n\n\n\n<p>3. A principal forma de domina\u00e7\u00e3o do imperialismo <em>fake news<\/em>, que \u00e9 o ianque&nbsp; tem a ver com a estrat\u00e9gia de produ\u00e7\u00e3o de teorias que n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o objetiva com a realidade realmente existente, assim como com as for\u00e7as produtivas objetivas que atuam e interv\u00eam nela, em escala planet\u00e1ria. Se em Marx a teoria est\u00e1 obrigada a descrever a realidade concreta, sem mistifica\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, os revisionismos hist\u00f3ricos estadunidenses realizam um movimento inverso: mudam o mundo sem tomar o poder; mudam o mundo com a palavra; mudam o mundo com representa\u00e7\u00e3o, mudam o mundo com a epistemologia desprezando a ontologia do ser social na sua totalidade din\u00e2mica. <\/p>\n\n\n\n<p> 4. A ilus\u00e3o  de mudar  o mundo pela epistemologia (pela representa\u00e7\u00e3o)  ignorando o conte\u00fado concreto do ser social leva a pr\u00e1ticas afirmativas sem conte\u00fado hist\u00f3rico objetivo. Como o conte\u00fado \u00e9 coextensivo \u00e0 forma, nesse quadro ele se transforma em conte\u00fado publicit\u00e1rio.  Afirmar-se, nesse contexto, torna-se afirmar-se  como conte\u00fado  estilizado de subjetividade ou identidade publicit\u00e1ria  estadunidense. Com isso a hist\u00f3ria da afirma\u00e7\u00e3o deixa de estar vinculada  \u00e0 hist\u00f3ria dos pa\u00edses colonizados pela domina\u00e7\u00e3o ianque e assim deixa de comprometer-se com a soberania nacional em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo ianque, al\u00e9m de se transformar em publicidade encarnada dessa domina\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>5. Na medida em que a epistemologia passa a ser o pr\u00f3prio fetichismo da liberdade e na medida em que o sujeito coletivo, os trabalhadores, se tornam uma quimera, al\u00e9m de divididos, outra importante mistifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica dos revisionismos&nbsp; hist\u00f3ricos atuais se estrutura na cren\u00e7a em lutas de classes horizontais, sem hierarquias. Ora, a realidade concreta do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 baseada na opress\u00e3o de classe, que produz uma coa\u00e7\u00e3o muda e geral em todos os trabalhadores, sobretudo aqueles que est\u00e3o fora do eixo das oligarquias, inclusive das oligarquias oper\u00e1rias. Isso significa que sem hierarquias na luta de classes o &#8220;tudo que \u00e9 s\u00f3lido desmancha no ar&#8221; s\u00f3 vale para o trabalho; nunca para o capital e tampouco para o imperialismo que o administra e hierarquiza em escala planet\u00e1ria, como \u00e9 o caso do imperialismo estadunidense.<\/p>\n\n\n\n<p>6. Sem considerar totalidade din\u00e2mica do capital e sem a constitui\u00e7\u00e3o de um sujeito coletivo que possa neg\u00e1-la e ao mesmo tempo sem definir, em cada momento concreto da ontologia do ser social, a for\u00e7a produtiva ascendente que deve ser ao mesmo tempo disputada e negada, o efeito mais delet\u00e9rio do revisionismo, para a classe trabalhadora mundial, \u00e9: a mistifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as produtivas ascendentes,&nbsp; na pressuposi\u00e7\u00e3o de que estas sejam &nbsp;o mito a ser seguido, copiado, reverenciado, exaltado, amado. <\/p>\n\n\n\n<p>7. Como a domina\u00e7\u00e3o ianque ocorre a partir das edi\u00e7\u00f5es infinitas de fake news pelo monop\u00f3lio mundial que exerce sobre a estrutura mundial de comunica\u00e7\u00e3o (incluindo a Internet e multinacionais como Apple,&nbsp; <em>Facebook<\/em>, Amazon, Google, Youtube, Twitter&#8230;), os revisionismos hist\u00f3ricos contempor\u00e2neos no geral ocultam a domina\u00e7\u00e3o americana e nos instigam a nos rendermos a seu sistema integral mundial de manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>8. Com isso, como parte fundamental dos <em>fake news<\/em>, s\u00f3 resta aos trabalhadores a realiza\u00e7\u00e3o da luta de classes contra si mesmos, sendo este o principal objetivo da estrutura revisionista da domina\u00e7\u00e3o ianque: ocultar-se como a for\u00e7a que deve ser negada e ao mesmo tempo produzir uma cortina de fuma\u00e7a fake news mundial a partir da qual, colados em si mesmos, os trabalhadores se estrangulem a si mesmos. <\/p>\n\n\n\n<p>9. Como o mercantilismo, o colonialismo, o capitalismo e o capitalismo imperialista surgiram com a expans\u00e3o mundial de pa\u00edses europeus, entre os s\u00e9culos XVI \u00e0 segunda metade do s\u00e9culo XX, o imperialismo ianque, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, estimulou e estimula teorias revisionistas que exploram o ressentimento (leg\u00edtimo e concreto) que a expans\u00e3o europeia produziu na carne em sangue dos povos colonizados com&nbsp; um duplo objetivo: 1.desqualificar os concorrentes pa\u00edses europeus; 2. ocultar a verdade objetiva de que o imperialismo ianque se tornou o herdeiro da expans\u00e3o europeia, herdando igualmente desta o saqueio dos povos, assim &nbsp;o racismo, o machismo e a viol\u00eancia de modo geral; 3. desviar-nos do desafio de produzir  uns estudos culturais, um multiculturalismo, um decolonialismo, tendo em vista o desafio da supera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-colonial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modernidade estadunidense. <\/p>\n\n\n\n<p>10. Fomentar um sistema mundial de intriga entre os trabalhadores \u00e9 o principal vetor do revisionismo da domina\u00e7\u00e3o mundial ianque.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TESES SOBRE O REVISIONISMO HIST\u00d3RICO Luis Carlos Mu\u00f1oz Luis Eust\u00e1quio Soares 1. 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