Apresentação
Em 2026 o 11º Encontro Internacional de Política Social e o 18º Encontro Nacional de Política Social tem como tema central “Entre o capital e a vida: questão social, crise ambiental e resistências”.
O tema deste ano surge no contexto de crise capitalista que se agudizou drasticamente a partir da pandemia por Covid 19, com início no final de 2019. A crise estrutural do capital, para além da crise econômica, é também uma crise social, política, cultural, urbana e ambiental, ou seja, uma crise civilizatória. Revelam-se, no mundo das trocas e da propriedade privada, avanços no desemprego, na precarização, nas péssimas condições de vida da classe trabalhadora, nas desigualdades, na pauperização, na criminalização da pobreza, na educação, dentre outros processos que aprofundam a contradição entre o capital e o trabalho e entre a economia e a sociedade. Podemos falar de diferentes processos que agudizam as expressões da questão social, que se apresenta na (re)produção da barbárie, da violência sistemática e em um racismo estrutural. Tal dinâmica escancara também o ataque aos recursos ambientais do nosso planeta. Para os países da América Latina e do continente africano tais ataques são ainda mais graves, pois tais territórios além de serem alvo histórico de colonização, reúnem uma verdadeira riqueza de biodiversidade, fauna e recursos minerais.
Nesse sentido, vivemos um contexto duro de avanço da extrema direita, no qual completamos mais de uma década do maior crime socioambiental da história do Brasil, o rompimento da Barragem em Mariana (2015), tivemos também a realização da Conferência Climática da ONU (COP30) em novembro na cidade de Belém; e à revelia das lutas e mobilizações da sociedade, dentre esses dos povos originários, tivemos a aprovação do Projeto de Lei de licenciamento ambiental, mais conhecido como “PL da devastação”, entendido como o maior retrocesso ambiental do país.
Convidamos a todes a participarem e somarem conosco nos 11° EIPS e 18° ENPS, refletindo e analisando tal realidade complexa e desafiadora. E, conforme elucida José Carlos Mariátegui, é mister entender que o “proletariado precisa, agora mais do que nunca, saber ler o que se passa no mundo. E não pode sabê-lo através das informações fragmentárias, episódicas, mal traduzidas e pessimamente redigidas, na maioria dos casos, e sempre proveniente de agências reacionárias” (Mariátegui, 2011). O marxista peruano nos desafia a partir de “nossa própria realidade, na nossa própria linguagem” (Mariátegui, 2011) darmos vida a um instrumento crítico e intelectual revolucionário.