Minicursos
Lista de Minicursos Abaixo
Fundo Público, Financiamento das Políticas Sociais e Lutas Sociais
Proponente/facilitador: Prof. Dr. Evilasio Salvador (UnB) e Profa. Dra. Micheli Burginski (UFMT)
Instituição/Núcleo: Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Fundo Público, Orçamento, Hegemonia e Política Social (FOHPS/UnB)
Número de vagas: 40 vagas
Ementa
O minicurso tem por objetivo examinar o fundo público como categoria central para a compreensão do financiamento das políticas sociais no capitalismo contemporâneo, com ênfase nas disputas em torno do orçamento público, da política fiscal, da tributação, da dívida pública e das formas de apropriação estatal do excedente social. Parte-se da crítica da economia política para analisar o fundo público não como simples instrumento técnico-administrativo de alocação de recursos, mas como mediação fundamental da relação entre Estado, classes sociais, acumulação capitalista e reprodução da força de trabalho. O financiamento expressa, em sua materialidade orçamentária, as correlações de forças que definem o alcance das políticas sociais, o padrão de relação público-privado e a densidade da participação social. Sendo a disputa pelo fundo público decisiva para as possibilidades de materialização das políticas e dos direitos sociais.
Serão discutidos os fundamentos teórico-políticos do financiamento das políticas sociais, considerando a tensão entre direitos sociais, ajuste fiscal, captura do orçamento por frações do capital, contrarreformas do Estado e limites estruturais impostos pelo padrão de desenvolvimento dependente brasileiro. O minicurso abordará ainda os principais mecanismos contemporâneos de constrangimento do gasto social, como regras fiscais restritivas, emendas parlamentares, desonerações tributárias, regressividade do sistema tributário, financeirização da despesa pública e subordinação das políticas sociais à lógica da austeridade, bem como, a agenda de luta dos movimentos sociais em sua relação com a justiça tributária e fiscal.
A proposta busca oferecer instrumentos analíticos para que estudantes, pesquisadoras/es, docentes, profissionais e militantes possam interpretar criticamente os dados orçamentários e financeiros das políticas sociais, articulando a análise empírica do orçamento à compreensão das determinações econômicas, políticas e sociais que conformam o fundo público no Brasil.
Objetivos
Objetivo geral:
Analisar criticamente o fundo público e suas formas de disputa, apropriação e distribuição, destacando suas implicações para o financiamento das políticas sociais no Brasil contemporâneo.
Objetivos específicos:
Compreender o fundo público como categoria teórica vinculada à crítica da economia política do Estado e das políticas sociais;
Examinar a relação entre orçamento público, tributação, dívida pública, austeridade fiscal e financiamento dos direitos sociais;
Identificar os principais mecanismos de transferência de recursos públicos ao capital; discutir os impactos das regras fiscais e das contrarreformas sobre a Seguridade Social e demais políticas sociais;
Refletir sobre a incidência dos movimentos sociais na disputa pelo fundo público.
Apresentar elementos metodológicos básicos para leitura crítica de dados orçamentários.
Metodologia
O minicurso será desenvolvido em formato expositivo-dialogado, articulando fundamentação teórica, análise crítica de conjuntura e discussão de dados orçamentários selecionados. A primeira parte será dedicada à apresentação das categorias centrais: fundo público, orçamento, Estado, financiamento, política social, tributação, dívida pública e austeridade. A segunda parte abordará as disputas contemporâneas pelo fundo público no Brasil, com ênfase na Seguridade Social, nas regras fiscais e nos mecanismos de captura do orçamento por interesses do capital financeiro e de frações empresariais.
Na terceira parte, serão apresentados exemplos de leitura crítica de informações orçamentárias, de modo a demonstrar como dados fiscais podem ser interpretados para além de sua aparência técnica. A atividade será concluída com debate coletivo orientado por questões-problema, permitindo que os/as participantes relacionem os conteúdos do minicurso a seus objetos de pesquisa, campos profissionais e experiências de intervenção social.
Considerando a carga horária de 4 horas, sugere-se a seguinte organização interna:
1ª hora: fundamentos teóricos do fundo público e sua relação com Estado, classes e lutas sociais e acumulação capitalista.
2ª hora: financiamento das políticas sociais, tributação, orçamento público e Seguridade Social.
3ª hora: austeridade, regras fiscais, dívida pública, desonerações e captura do orçamento pelo capital.
4ª hora: leitura crítica de dados orçamentários, debate orientado e síntese coletiva.
Materiais prévios
Sugere-se solicitar o envio prévio de materiais aos/às inscritos/as por e-mail, conforme possibilidade prevista pela chamada. O material pode ser enxuto, para não criar barreira de participação:
1. Será enviado um texto básico produzido por pesquisadores Núcleo sobre fundo público, orçamento e política social.
2. Disponibilidade de um quadro Branco.
Impactos da Guerra às drogas no Sul Global: do imperialismo econômico e geopolítico aos desafios profissionais em territórios marcados pela violência
b) Proponentes/facilitadores
– Daniela Ferrugem – Assistente SOcial, Doutora em Serviço Social. Assistente social do Centro Interdisciplinar de Pesquisa e Atenção à Saúde do Instituto de Psicologia UFRGS.
– Mestre Viviane Carmen da Conceição Santos – Assistente Social, Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFRJ. Mestre em Políticas Públicas e Direitos Humanos pelo NEPP- DH / UFRJ.
c) Instituição/Núcleo
Grupo Fênix – Dept Serviço Social/PPGPS – UFES
d) Ementa
O mini-curso, vinculado ao projeto “O xis da questão: o direito à vida na co-construção de políticas de prevenção no campo das drogas” (CAPES-PROCAD-SENAD), tece reflexões sobre os impactos da guerra às drogas no Sul Global, compreendendo-a como estratégia de imposição econômica e geopolítica que produz efeitos desiguais e aprofunda relações de dependência. Discute-se como essa agenda se materializa nos territórios por meio da intensificação de violências, do racismo estrutural e da expansão do Estado penal, incidindo de forma particular sobre juventudes negras e empobrecidas, materializando o juvenicídio. Problematizam-se as relações entre políticas de drogas e (des)proteção social, evidenciando tensões entre cuidado e punição nas políticas públicas. Abordam-se os desafios ético-políticos do trabalho profissional nesses contextos. Por fim, destacam-se estratégias, resistências e potências construídas nos territórios, com foco em práticas comprometidas com a garantia de direitos e na construção de alternativas contra hegemônicas, a partir da práxis do exercício profissional em uma favela do Complexo da Maré do Rio de Janeiro/RJ.
e) Metodologia
A metodologia mesclará momentos expositivos com diálogo entre as/os participantes. Utilizaremos slides, imagens, músicas, poesias e outros dispositivos que levarão o publico a sensibilização e reflexões acerca das temáticas propostas.
f) Número de vagas
30 vagas
Intelectuais Negras Brasileiras: aquilombamento e resistência
Renata Gonçalves (Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP)
As universidades brasileiras, que foram erguidas para a instrução dos filhos brancos da elite brasileira, se deparam nos últimos com a entrada mais massiva de estudantes negros, negras e negres provenientes das precárias periferias das cidades do país. São jovens que, ao chegarem ao ambiente acadêmico, não se reconhecem no naquele espaço, não veem professores/as negros/as, não encontram nos livros referências às lutas negras, não veem nas matrizes curriculares disciplinas acerca da história da África ou sobre a relação entre o desenvolvimento do capitalismo e a escravidão, ou ainda relacionadas ao racismo no Brasil e seus tentáculos ideológicos que mantêm firme o sistema de dominação e exploração. Nestas instituições, os/as negros/as continuam a serem objetos de pesquisa e muito raramente são os/as pesquisadores/as. A situação é ainda pior quando se tratam de mulheres negras como sujeitas (e não apenas objetos) das investigações científicas.
Este minicurso parte da experiência de um coletivo de mulheres negras (uma professora e suas estudantes) que decidiu romper com as barreiras da invisibilidade de intelectuais negras brasileiras e constituiu-se como um esforço teórico-metodológico, empreendido por jovens pesquisadoras negras que, durante o ano de 2022 e 2023, se reuniram semanalmente para conhecer a trajetória e a obra de mulheres negras que foram invisibilizadas pela estrutura racista, capitalista e patriarcal da sociedade brasileira. Tratou-se de conhecer a genialidade de algumas das muitas intelectuais negras invisibilizadas no Brasil: Antonieta de Barros, Beatriz Nascimento, Carolina Maria de Jesus, Cida Bento, Conceição Evaristo, Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Maria de Lourdes Vale do Nascimento, Maria Firmino dos Reis, Neusa Santos Souza, Nilma Lino Gomes, Sueli Carneiro, Vilma Piedade, Virgínia Bicudo.
A invisibilidade de intelectuais negras/os/es escamoteia personagens, lutas e resistências fundamentais nos levantes, insurreições e produções teóricas no Brasil. Em especial as mulheres negras estão ausentes como protagonistas de processos históricos e como intelectuais, cujas reflexões são relevantes para a compreensão da estrutura de dominação e exploração na sociedade brasileira.
Esta crítica também encontra eco junto a estudantes negros/as/es que nos últimos anos entraram mais massivamente nas instituições de ensino superior. São jovens que, ao chegarem às universidades, não se reconhecem no espaço acadêmico, não veem professores/as negros/as/es, não encontram nos livros referências às lutas negras e antirracistas, não veem nas matrizes curriculares disciplinas acerca da história da África, da história e culturas afro-brasileiras e indígenas, ou sobre a relação entre o desenvolvimento do capitalismo e a escravidão, ou ainda relacionadas ao racismo no Brasil e seus tentáculos ideológicos que mantêm firme o sistema de dominação e exploração. Nestas instituições, os/as/es negros/as/es continuam a serem objetos de pesquisa e muito raramente são os/as pesquisadores/as. A situação é ainda pior quando se tratam de mulheres negras como sujeitas (e não apenas objetos) das investigações científicas.
Quem foi Lélia Gonzalez? E Beatriz Nascimento? E tantas outras? Questões que, infelizmente, precisam ser feita com frequência, pois como observou Sueli Carneiro, embora o movimento negro tenha produzido grandes intelectuais, a academia convencional resiste em reconhecer suas contribuições ao pensamento social brasileiro. Lélia Gonzalez, por exemplo, apesar de sua farta produção teórica, permanecia uma desconhecida no ambiente letrado da intelligensia brasileira (Gonçalves, 2020; 2021).
Foram estas experiências que inspiraram o projeto intelectuais negras brasileiras. São professoras, militantes, escritoras… Todas mulheres negras, com diferentes inserções na vida política, cultural e acadêmica do país, apresentadas por outras mulheres negras que, no diálogo com suas ancestrais, dão novos passos ao mesmo tempo em que tencionam por dentro as estruturas arcaicas da universidade brasileira. O ato da escrevivência (Evaristo, 2017) as levam ao aquilombamento como meio de resistir e combater os sistemas interligados de dominação e exploração.
Palavras-chave: Aquilombamento; educação antirracista; escrevivência; Intelectuais negras.
REFERÊNCIAS
EVARISTO, Conceição. Becos da memória. Rio de Janeiro: Pallas, 2017.
GONÇALVES, Renata. Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento: contribuições para o combate à tríade capitalismo-patriarcado-racismo In: ABRAMIDES, Maria Beatriz (org.). Marxismo e questão étnico-racial: desafios contemporâneos. São Paulo: Educ, 2021, p. 73-86.
GONÇALVES, Renata. Lélia Gonzalez e a influência de Frantz Fanon: construindo uma nova epistemologia feminista In: MAGNO, Patrícia Carlos; PASSOS, Rachel Gouveia Direitos humanos, saúde mental e racismo: diálogos à luz do pensamento de Frantz Fanon. Rio de Janeiro: Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, 2020, p. 225-239.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afrolatinoamericano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
HOOKS, bell. Intelectuais negras. Revista Estudos Feministas, Rio de Janeiro, n. 2, p. 464-478, 1995.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.
Subalternidade brasileira na mercantilização da natureza
Proponentes/facilitadores
Helder Gomes: graduado em Ciências Econômicas, mestre em Economia e doutor em Política Social, pela Ufes
Merci Pereira Fardin: graduado em Agronomia, pela UFV, mestre em Política Social e doutor em Geografia, pela Ufes
Instituição/Núcleo
Observatório Capixaba das Águas e do Meio Ambiente (https://observatoriocapixaba.com/)
Ementa
Argumento forjado como “soluções com base na natureza”. Pagamento por serviços ambientais (PSA): poluidor pagador ou oportunidades à especulação parasitária? Mercados de carbono e apropriação privada dos parques naturais. Privatizações e novos arranjos institucionais de governança orientados pelas agências multilaterais. O BNDES como agente especial na modelagem subalterna da privatização da infraestrutura no Brasil: exploração privada dos serviços de saneamento ambiental.
Metodologia
A abordagem metodológica tem por base a indicação de leitura prévia de texto, a apresentação do conteúdo programado e a promoção de debates, para apurar as impressões críticas do público sobre os temas propostos. O estimulo à participação conta com o apoio de instrumentos digitais de ilustração (mapas, fotos, figuras, esquemas) e de questionamentos que motivem o debate sobre elementos fundantes da avalanche de soluções oficiais com base na natureza.
Número de vagas
O público-alvo está estimado em torno de 25 participante
Leitura do material:
Link de acesso disponibilizado:
https://observatoriocapixaba.com/textos/a%20trajet%C3%B3ria%20recente%20do%20bndes.
Caio Prado Junior e a Industrialização Brasileira
Proponente/facilitador: Lincoln Secco (USP)
Ementa:
Para Caio Prado Júnior o sistema econômico brasileiro permaneceu colonial. Vocacionado à exportação de produtos primários, até gerava demanda de manufaturados que, casualmente, não podia ser abastecida com as importações. A indústria foi, assim, uma solução eventual para a impossibilidade de pagar com as exportações os débitos no exterior.
Nos anos 1950, Caio Prado Júnior escreveu que entre nós não havia mais que uma “débil indústria leve baseada na indústria estrangeira”. Sua instalação não gerava desenvolvimento; antes, provocava demanda nova que o país não podia satisfazer e precisava importar, agravando o problema da dívida. Caio Prado Júnior louvava o papel estatal na siderurgia nos anos 1940 e no petróleo nos anos 1950, uma vez vencido o projeto anti nacional do presidente Dutra, mas considerava que estávamos longe de “dar à iniciativa estatal o papel que lhe cabe nas atividades econômicas”. E se lamentava de que a “iniciativa estatal em vez de objetivar o fim que realmente lhe compete, que é de contribuir para a estruturação de uma economia efetivamente nacional, se põe a serviço de empreendimentos imperialistas”.
Caio Prado Júnior foi questionado por dar pouco relevo ao papel da indústria. Ocorre que a industrialização não era, para ele, um fenômeno espontâneo no Brasil. Exigia o concurso do Estado e, portanto, de mudanças revolucionárias no âmbito político. Mesmo a internalização de parte do Departamento I (de bens de capital) não conduzia à independência econômica, pois era reversível e dependia de tecnologia importada. As críticas pareciam ajustar-se ao espírito da época, quando o Brasil tinha atingido o pico de sua industrialização e vivido a maior fase de crescimento econômico de sua história. Era fácil imaginar que Prado Júnior subestimava as mudanças no desenvolvimento do capitalismo em escala mundial e o processo endógeno de acumulação de capital. Ou que não teria se dado conta de que, mesmo marginalizando uma parte da população, o capitalismo no Brasil desenvolveu-se, criando tanto um mercado interno nas faixas superiores de renda e uma demanda intersetorial capitalista.
Prado Júnior não era estagnacionista. Ele não negava que o capital (mesmo industrial) se desenvolveu. Mas a desindustrialização que se seguiu voltou a lhe dar razão. Embora haja divergências nas séries históricas, devido ao novo sistema de contas nacionais, a participação da indústria brasileira de transformação no PIB atingiu seu zênite em 1985 e, posteriormente, sofreu a desindustrialização precoce.
Retomando suas teses de 1942, ele afirma que o açúcar produzido na colônia é uma mercadoria e nada mais. Sua produção visa um lucro monetário, enquanto outras atividades, como o corte de carne bovina, embora voltadas para o mercado interno, servem para apoiar a atividade principal exportadora. O senhor de engenho é um empresário que opera um negócio e objetiva lucro.
Na Europa o comércio se insere numa economia agrária pré existente ainda não mercantilizada. Isso significa que há uma estrutura organizada que começa a se transformar. Na América portuguesa é um objetivo comercial pré existente que estrutura a produção. Isso terá inúmeras consequências, particularmente geográficas: na falta de organicidade interna da economia, da grande propriedade, das escassas vias de transporte internas, da densidade demográfica, da evolução das cidades etc. Aliás, nas anotações que Jacob Gorender fez à margem de “História Econômica do Brasil” de Caio Prado Júnior, ele escreveu algumas vezes “geografismo”, “determinismo geográfico”, além de considerá-lo reformista…
Não é casual esse enfoque em 1968. O golpe de 1964 foi também a vitória do enfoque ortodoxo da economia que, segundo ele, equipara mercado interno e externo como meras subdivisões semelhantes do mercado em geral. Embora analiticamente separados, na história concreta o mercado interno aparece como função do externo. A esfera externa é o “sistema” e a interna são as condições específicas do Brasil. O consumo internacional foi a condição para a própria instalação, “no território que constituiria o Brasil”, das “coletividades humanas que evoluiriam para uma nacionalidade”.
Objetivo:
O curso visa discutir a trajetória intelectual do historiador Caio Prado Junior e destacar três momentos: o da elaboração de História Econômica do Brasil (1945), Diretrizes para uma política econômica brasileira (1954) e História e desenvolvimento (1968).
Metodologia:
Leitura crítica dos textos, análise de conceitos, aula expositiva, debate historiográfico. Pede-se que não sejam usadas telas (celular, computador etc).
Total de vagas: 40
Leituras:
Bastos, Renato S. A burguesia perdida: empresariado industrial e desenvolvimento econômico (1960-1974). USP, Dissertação de Mestrado, 2011.
Carone, E. O Pensamento Industrial no Brasil. São Paulo: Difel, 1977.
Dias, Maria Odila. “Os impasses do inorgânico”, in D’Incao, M. História e ideal. São Paulo: Editora da Unesp, 1989.
Prado Junior., Caio. Diretrizes para uma política econômica brasileira. São Paulo: Urupês, 1954.
Prado Junior, C. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Livraria Martins, 1942.
Prado Júnior, C. História Econômica do Brasil. São Paulo: Círculo do Livro, 1986.
Prado Júnior, Caio. História e desenvolvimento. Coord. Luiz B. Pericás. São Paulo: Boitempo, 2021.
Secco, L. Caio Prado Junior: O Sentido da Revolução. São Paulo: Boitempo Editorial, 2008.
Ferreira, F. Sarti e Secco, L. Ciclos Econômicos e Conflitos Sociais. São Paulo: Maria Antônia, 2026
O Imperialismo e sua relevância teórica para análise do capitalismo contemporâneo
Proponente/facilitador: Vinícius Vieira Pereira
Instituição/Núcleo: Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) / Departamento de Economia
Ementa: Resgate histórico e teórico do imperialismo a partir das origens clássicas em Hobson, Lenin e Rosa Luxemburgo; a relevância da análise de Lenin, sua atualidade e as atualizações necessárias, para a apreensão histórica do imperialismo contemporâneo; os desenvolvimentos posteriores com Baran, Sweezy e Magdoff; as contribuições teóricas acerca do continente africano em Nkrumah, Cabral, Amin e Rodney; imperialismo, dependência, troca desigual e superexploração na América Latina em Ruy Mauro Marini; o imperialismo no século XXI e as contribuições de David Harvey e Virgínia Fontes; a crise sistêmica do capital e a relevância teórica do imperialismo na atualidade: o debate envolvendo Smith, Suwandi, Utsa e Prabhat Patnaik e Harvey, nas páginas da Montly Review e ROAPE;
Objetivo: a partir de uma breve revisão histórica e teórica do imperialismo, analisar as novas configurações do capitalismo contemporâneo, em sua dimensão econômica, política, ecológica, racial e social (pobreza e desigualdade), questionando se o termo imperialismo ainda se constitui em uma categoria científica válida para a interpretação da atual crise sistêmica do capital.
Metodologia: exposição teórica e dialógica, partindo-se de uma fundamentação conceitual clássica e seus desenvolvimentos posteriores, combinando com a análise de fenômenos geopolíticos e econômicos contemporâneos. O objetivo será duplo, ou seja, o de promover a leitura crítica e o debate coletivo sobre a atualidade da teoria do imperialismo, ao conectar as categorias teórico-históricas com o cenário global atual, de crise estrutural do capital, bem como o de provocar o interesse dos participantes e abrir possibilidades para futuras pesquisas acadêmicas sobre o tema.
A exposição do minicurso prevê a utilização de recursos multimídia (projetor e computador) para auxiliar na apresentação de tabelas, gráficos, vídeos curtos e outras imagens que se fizerem necessárias.
Numero de vagas: livre
Leitura sugerida: FERNANDES, L. E. Imperialismo tardio: notas sobre o seu debate recente. Revista Fim do Mundo, n. 6, p. 73-104, 2021. Disponível em: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/RFM/article/view/12598.
Referências (utilizadas para a preparação do minicurso):
AMIN, S. O Imperialismo, passado e presente. Tempo, Niterói, vol. 9, n.º 18, Jan/Jun, 2005. Disponível em: https://www. scielo.br/j/tem/a/Fzm4BXPHmV6GGbBdFvwpPSh/?format=pdf&lang=PT
BARAN, P., SWEEZY, P. Capitalismo monopolista: ensaio sobre a ordem econômica e social americana. Rio de Janeiro: Zahar, 1974.
BOLANOS, A. C. L. (Coord.). Crisis mundial y avances de las derechas. Buenos Aires: Clacso, 2026. Disponível em: https://biblioteca-repositorio.clacso.edu.ar/bitstream/CLACSO/278326/1/Crisis-mundial-GT.pdf.
BORON, A. Hegemonia e imperialismo no sistema internacional. In: BORON, Atílio (org.). Nova Hegemonia Mundial. São Paulo: CLACSO, 2005.
CABRAL, A. Libertação nacional e cultura. MIA Biblioteca, Out/2019, Disponível em: https://www.marxists.org/portugues/cabral/1970/02/20.htm
CORRÊA, H.; BARRETO, E. Sá.; LEITE, L. A morte lhe cai bem: capitalismo em crises e imperialismo. Revista Fim do Mundo, n. 6, p. 147-180, 2021.
FERNANDES, F. Capitalismo Dependente e classes sociais na América Latina. Rio de Janeiro: Zahar, 1973
FERNANDES, L. E (Org.). Introdução ao imperialismo tardio. São Paulo: LavraPalavra, 2022
FONTES, V. O Brasil e o capital-imperialismo: teoria e história. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2010.
FOSTER, J. B. Late Imperialism. Monthly Review, New York, vol. 71, n.º 3, July/August, 2019.
HARVEY, D. O novo imperialismo: ajustes espaço-temporais e acumulação por desapossamento. Lutas sociais, n. 13/14, p. 9-23, 2005.
HARVEY, D. O imperialismo ainda é um conceito relevante? LavraPalavra, set.2021. Disponível em: https://lavrapalavra. com/2021/09/20/o-imperialismo-ainda-e-um-conceito-relevante/
HICKEL, J., LEMOS, M. H., BARBOUR, F. Unequal exchange of labour in the world economy. Nature Comunications. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41467-024-49687-y.
HOBSON, J. Imperialism: a study. New York: James Pott and Company, 1902. Disponível em: https://www.marxists.org/archive/hobson/1902/imperialism/index.htm.
KATZ, C. El imperialismo del Siglo XXI. Buenos Aires, 2002. Disponível em: http://www.lahaine.org/katz/. Acesso em: 10 dez. 2021
LENIN, V. O imperialismo, etapa superior do capitalismo. Campinas: Unicamp, 2011.
LUXEMBURGO, R. A acumulação do capital. São Paulo: Abril Cultural, 1985. (Os Economistas)
MAGDOFF, H. A era do Imperialismo. São Paulo: Editora Hucitec, 1978.
MARINI, R. M. Dialética da dependência. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.
MARX, K. Deslocamentos do centro de gravidade mundial. In: MARX, K.; ENGELS. F. Textos. v. 2. São Paulo: Ed. Sociais, 1976.
MARX, K. Salário, preço e lucro. São Paulo: Abril Cultural, 1982. (Os Economistas)
MARX, K. O capital. Livro I, tomo II. São Paulo: Nova Cultural, 1983. (Os Economistas).
MBEMBE, A. Crítica da razão negra. Lisboa: Antígona, 2014.
NKRUMAH, K. Neo-Colonialism: The Last Stage of Imperialism. London: Panaf, 1965. Disponível em: https://www.marxists.org/ebooks/nkrumah/nkrumah-neocolonialism.pdf
PATNAIK, U., PATNAIK, P. Uma teoria do imperialismo. São Paulo: Ruptura Editorial/Lavra Palavra, 2024
PEREIRA, V. V. A construção da concepção centro e periferia no pensamento econômico: das teses do imperialismo às teorias da dependência. Vitória: Edufes, 2019.
PEREIRA, V. V. O resgate das teorias do imperialismo para a análise do neoliberalismo: um debate. Economia e Sociedade, v. 34, n. 1, p. e265794, 2025.
ROACH, Stephen. More Jobs, worse work. New York Times, jul 22, 2004. Disponível em: https://www.nytimes.com/2004/07/22/opinion/more-jobs-worse-work.html.
ROACH, Stephen. How global labor arbitrage will shape the world economy. Global Agenda Magazine, 2004. Disponível em: http://ecocritique.free.fr/roachglo.pdf.
ROBERTS, M. Imperialism and Super Exploitation. Michael Roberts Blog, 2016. Disponível em: https://thenext recession.wordpress.com/2016/03/07/imperialism-and-super-exploitation/.
RODNEY, Walter. Como a Europa subdesenvolveu a África. Boitempo Editorial, 2022.
SCHJELDERUP, G (Coord.). Fluxos financeiros e paraísos fiscais: uma combinação para limitar a vida de bilhões de pessoas. GFI/Inesc, 2017. Disponível em: https://inesc.org.br/fluxos-financeiros-e-paraisos-fiscais-uma-combinac%CC%A7a%CC%83o-para-limitar-a-vida-de-bilho%CC%83es-de-pessoas/.
SMITH, J. Imperialismo no século XXI: globalização da produção, superexploração e a crise do capitalismo. São Paulo: Expressão Popular, 2024.
SMITH, J. David Harvey Denies Imperialism. ROAPE. jan/2018. Disponível em: https://roape.net/2018/01/10/ david-harvey-denies-imperialism/
SUWANDI, I. Cadeias de valor: o novo imperialismo econômico. São Paulo: Expressão Popular, 2024.
WA THIONG’O, N. Decolonizing the mind. Présence Africaine, n. 197, p. 99-102, 2018.
WOOD, E. O império do capital. São Paulo: Boitempo, 2014
Teoria do valor, plataformização do trabalho e inteligência artificial
b) Proponentes/facilitadores
Angelina Carvalho – Universidade Federal do Espírito Santo/Núcleo de Estudos do Trabalho (UFES/NET) e Grupo de Pesquisa Mundo do Trabalho e Suas Metamorfoses (GPMT/UNICAMP) – (Proponente)
Iuri Tonelo – Universidade Federal de São Paulo/Núcleo de Estudos sobre Trabalho, Inteligência Artificial e Crise (NETIC /UNIFESP) e Grupo de Pesquisa Mundo do Trabalho e Suas Metamorfoses (GPMT/UNICAMP) – (Facilitador)
Vinicius Oliveira – Universidade Estadual de Campinas/Grupo de Pesquisa Mundo do Trabalho e Suas Metamorfoses (GPMT/UNICAMP)- (Facilitador
c) Instituição/Núcleo
Universidade Federal do Espírito Santo/Núcleo de Estudos do Trabalho (UFES/NET).
d) Ementa
Introdução à teoria do valor-trabalho. Lei do valor e seu funcionamento no capitalismo contemporâneo. A nova reestruturação produtiva pós-crise de 2008. Indústria de serviços, expansão e alta rotação do capital. As transformações no mundo do trabalho e da classe trabalhadora. Plataformização do trabalho, inteligência artificial e as formas de organização, controle, vigilância e intensificação do trabalho.
e) Metodologia:
O minicurso será desenvolvido por meio de exposição oral e debates coletivos, articulando apresentação conceitual e discussão crítica considerando as experiências e questões trazidas pelos/as participantes. Considerando a ausência de recursos audiovisuais, a dinâmica privilegiará a sistematização oral dos principais conceitos e problemas somada à análise de trechos selecionados de textos e o debate compartilhado. A proposta busca estimular uma participação ativa dos/as inscritos/as, favorecendo a reflexão coletiva sobre teoria do valor, plataformização do trabalho e inteligência artificial no capitalismo contemporâneo, de modo que o tema possa contribuir para a área de atuação dos/das inscritos/as. Serão indicados previamente textos de apoio e referências bibliográficas para auxiliar o acompanhamento das discussões ao longo do minicurso como cuja leitura será opcional.
f) Número de vagas: 30
g) Se necessita de envio de materiais prévios para os/as inscritos/as por e-mail (a Comissão pode fazer esse envio previamente, desde que o material seja disponibilizado com antecedência).
Sugestão de bibliografia (acesso on-line)
BRAZ, M.; TUBARO, P.; CASILLI, A. Fabricar os dados: o trabalho por trás da inteligência artificial. In. FESTI, Ricardo; NOWAK, Jörg. As novas infraestruturas produtivas. São Paulo, Boitempo, 2024. Disponível em https://hal.science/hal-04705292v1/file/Fabricar%20os%20dados_Matheus%2C%20Paola%2C%20Antonio_Boitempo.pdf
MARX, K. O Capital: Crítica da Economia Política. Volume I. Livro Primeiro (O processo de produção do capital). São Paulo: Editora Nova Cultural (I- A Mercadoria, p. 165-208). Disponível em https://flcmf.org.br/memoria/wp-content/uploads/2021/01/O-Capital-Livro-1-Tomo-1.pdf
SANTOS, Vinícius Oliveira. Polêmicas sobre a abrangência do mais-valor na esfera da produção imaterial. In.: SANTOS, Vinícius Oliveira. (Org.). A nova (e a antiga) realidade do mais-valor: diálogos sobre trabalho e capitalismo no século XXI. Foz do Iguaçu: Claec, 2022. https://doi.org/10.23899/9786589284277
TONELO, Iuri. A nova reestruturação produtiva: Indústria 4.0, subsunção real e gerenciamento algorítmico. Caderno CRH, n. 38, 2025. Disponível em https://www.scielo.br/j/ccrh/a/PC8p8VMkFGr64mJLFLWxCQD/?lang=pt
Tortura e Violência de Estado no Brasil
Proponente/Facilitador- Fábio do Nascimento Simas Lattes:http://lattes.cnpq.br/1301151547174075
Instituição/Núcleo- Núcleo de Extensão e Pesquisa em Direitos Humanos, Infância, Juventude e Serviço Social (NUDISS) –Escola de Serviço Social- Universidade Federal Fluminense (UFF)
Ementa: O minicurso tem como objetivo apresentar elementos teóricos, históricos e político institucionais para a compreensão da tortura e da violência de Estado no Brasil contemporâneo. Parte-se da análise da violência como dimensão constitutiva das relações sociais no capitalismo, problematizando o papel do Estado na produção e reprodução de mecanismos coercitivos. Serão abordadas as particularidades da violência estatal em formações sociais dependentes, com destaque para a realidade brasileira e para os processos históricos marcados pelo colonialismo, escravização, racismo estrutural e aprofundamento das desigualdades sociais. O minicurso analisará a tortura como prática histórica e persistente no país, examinando suas diferentes modalidades, seus agentes, suas finalidades e os desafios para sua prevenção e erradicação. Também serão discutidos o fenômeno do superencarceramento brasileiro, a expansão dos dispositivos de controle penal, os impactos dos 50 anos da política proibicionista de drogas, a seletividade penal e violações de direitos humanos. Por fim, serão apresentados os principais instrumentos normativos e mecanismos nacionais e internacionais de prevenção e combate à tortura, com destaque para a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura, o Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura (OPCAT), o Sistema Internacional de Direitos Humanos e o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura brasileiro.
O minicurso busca contribuir para a formação crítica de estudantes, pesquisadores(as), profissionais e militantes comprometidos(as) com a defesa dos direitos humanos e com a construção de estratégias de enfrentamento às violações praticadas pelo Estado.
Metodologia O minicurso será desenvolvido por meio de aula expositiva dialogadas, com apresentação dos principais referenciais teóricos, marcos normativos e dados sobre a violência de Estado e a tortura no Brasil. Serão utilizados recursos audiovisuais1 e exemplos extraídos de pesquisas, relatórios e experiências de monitoramento em espaços de privação de liberdade. A proposta prioriza a participação das pessoas participantes, reservando momentos para debates, reflexões coletivas e troca de experiências, de modo a estimular uma análise crítica sobre as múltiplas expressões da violência estatal e os desafios para a prevenção e o enfrentamento da tortura na sociedade brasileira contemporânea.
Número de Vagas- 40
Introdução aos Cadernos Etnológicos de Karl Marx
Proponente: Lucas P. Álvares Instituição: Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA-UFPE) “Etc. – Laboratório de Etnografia e Crítica”
Ementa: Em 1972 o antropólogo estadunidense Lawrence Krader publicou a obra The Ethnological Notebooks of Karl Marx, após mais de 20 anos de tradução, organização e edição de cadernos de Marx que estavam “esquecidos” no International Institute of Social History, em Amsterdã. Eles remontam ao período final da vida de Marx, de 1879 até sua morte, no início de 1883. Neles, Marx transcreve, organiza e tece comentários a alguma passagens das obras de cinco autores que, mesmo que não fossem “etnólogos”, produziram trabalhos que versam sobre os assuntos que interessavam a etnologia. São eles: O historiador russo Maksim Kovalevsky; o etnólogo americano Lewis Henry Morgan; o arqueólogo inglês John Lubbock; e os juristas britânicos John Budd Phear e Henry Summer Maine. Embora muito se especule, não é de conhecimento público o modo pelo qual Marx pretendia expor os trabalhos que desenvolvia. Entretanto, sua morte em 1883 interrompeu os planos de, segundo Engels, “expor os resultados das investigações de Morgan para esclarecer todo o seu alcance em relação com as conclusões de sua análise materialista da história”. Após a morte de Marx, Engels se sentiu na responsabilidade de produzir uma obra que tinha como fundamento os estudos históricos que Marx vinha realizando. Para Engels, isso seria “a execução de um testamento”. E assim, em 1884, foi publicado o livro A origem da família, da propriedade privada e do Estado, de autoria de Friedrich Engels – obra essa que é muito criticada tanto pela tradição marxista quanto pelo próprio desenvolvimento da antropologia crítica ao evolucionismo. A questão que fica, porém, é: o que tem dos Cadernos Etnológicos de Marx nesta obra de Engels? A resposta para essa questão só é possível através da compreensão do sentido e do conteúdo dos Cadernos Etnológicos de Marx, objetivo que pretende ser cumprido com a exposição desse minicurso que retoma o olhar da antropologia para um tempo que deixou, nas palavras de Marx, “vestígios que falhamos em não ver”.
Metodologia: Expositiva
Número de Vagas: 50 – Não será necessário o envio de materiais prévios