Estudantes de Jornalismo da Ufes ficam entre vencedores do prêmio Jovem Jornalista

Máquina de escrever: primórdios do jornalismo - Arquivo Pixabay
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– Por Adriana Damasceno – 

As estudantes Andrezza Steck, Isadora Wandekolk, Mikaella Mozer, Sara Oliveira e Thauane Lima, do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Ufes, estão entre os vencedores da 12ª edição do prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, promovido pelo Instituto Vadimir Herzog (IVH). A premiação tem por finalidade incentivar a elaboração de pautas relacionadas aos Direitos Humanos e este ano teve como tema central a pandemia da COVID-19. O resultado, divulgado em dezembro, premiou 10 grupos de estudantes, que ganharam certificado e troféu virtual.

Trezentas e dezoito pessoas de todo o Brasil se inscreveram no Prêmio e foram divididas pelos organizadores em grupos com cerca de 30 estudantes cada. Todas as equipes tiveram mentorias de jornalistas de vários veículos e empresas nacionais. De acordo com o coordenador de Jornalismo e Liberdade de Expressão do IVH, Giuliano Galli, devido às peculiaridades trazidas pela pandemia do novo coronavírus, todos os 10 grupos foram declarados como vencedores desta edição. “Foi muito desafiador para os estudantes produzirem reportagens nesse contexto. Também consideramos a qualidade dos produtos finais, já que estão todos muito bons. Assim, achamos melhor escolher 10 vencedores”, explica ele.

Narrativas indígenas

Isadora Wandekolk e Mikaella Mozer ficaram na mesma equipe e produziram a reportagem Narrativas indígenas na pandemia (https://grupodiurna.wixsite.com/narrativasindigenas), na qual escreveram sobre os problemas enfrentados por esses povos e entrevistaram diversos influenciadores e lideranças indígenas de 13 etnias para montar um panorama de como tem sido o período pandêmico para esta população. O jornalista do Estado de S. Paulo Leonêncio Nossa foi o mentor do grupo.

Mikaella Mozer descreve a experiência de participar do prêmio como enriquecedora, especialmente por ter tido a chance de contar as histórias de lutas dos indígenas durante a pandemia. “Foi incrível, nunca vou esquecer. Ter tido a oportunidade de construir a reportagem com pessoas de outros estados e de forma tão colaborativa acrescentou muito na minha formação, e ter como mentor um jornalista com a experiência do Leo foi surreal”, diz ela, que é bolsista do Laboratório de Telecomunicações (Labtel/Ufes), atuando na divulgação de pesquisas.

Já Isadora Wandekolk destaca que, durante a apuração, teve a oportunidade de visitar uma das aldeias indígenas do Espírito Santo. “Foi uma experiência única. Foi incrível aprender a fazer essa grande reportagem a muitas mãos e conhecer todas as histórias que conhecemos nesse percurso. Apesar dos sufocos, esses dois meses de apuração foram, de longe, uma das melhores experiências jornalísticas que eu tive ao longo da minha graduação”, ressalta.

Presídios e violações

O grupo de Thauane Lima produziu uma reportagem sobre O drama do encarceramento na pandemia (https://www.dramadoencarceramento.com/) e teve mentoria da jornalista Bianca Vasconcellos, da TV Brasil. O intuito dos estudantes era se aproximar dos presídios, que consideram bombas-relógios dos Direitos Humanos. A reportagem, segundo Thauane, é um retrato das violações cometidas nos espaços de reclusão e mostra como elas afetam 748 mil detentos no Brasil, além de seus familiares e dos funcionários das penitenciárias.

“Em nossa investigação, ouvimos o som da violência daqueles que vivem atrás das grades, vimos o medo daqueles que precisam lidar com o pânico da contaminação por COVID-19 e entendemos a aflição de estar longe das famílias e sem cuidados médicos”, lembra ela, que se diz grata por ter participado e adquirido conhecimento em apurações jornalísticas.

Sem distanciamento

Com uma reportagem sobre três profissões que não puderam parar suas atividades durante a pandemia (coveiros, empregadas domésticas e entregadores de aplicativos) e que, pelo contrário, viram seu trabalho aumentar no período, o grupo de Sara Oliveira escreveu Crônicas do contato (https://cronicasdocontato.webflow.io/) e contou com a mentoria do jornalista Paulo Oliveira, de Salvador. O texto retrata a realidade de personagens de São Paulo, Espírito Santo, Paraíba e Pernambuco que não tiveram opção de se distanciar socialmente, apesar da COVID-19.

A estudante define a participação no prêmio como uma confirmação de que está no caminho certo: “Em uma das apurações que fiz em um cemitério de Vitória, senti que o jornalismo realmente é minha profissão pela possibilidade de contar histórias e conhecer novos mundos. Outra parte legal foi poder ter contato com futuros profissionais incríveis, de várias partes do Brasil. Juntos, contamos histórias de profissões que não podem parar durante a pandemia, revelando a desigualdade social agravada pela COVID-19”.

Médicos e pacientes

O grupo de Andrezza Steck começou com 24 participantes e finalizou os trabalhos com apenas quatro membros. Por isso, e devido às dificuldades encontradas durante a apuração, como a necessidade de ouvir fontes e obter dados oficiais, a reportagem O telefone sem fio do Ministério da Saúde (https://drive.google.com/file/d/1oFOHif8Peb0dmNvvjkKD9Gvvfe3gg6pO/view), que teve o jornalista e empresário Marcelo Soares como mentor, não foi completamente finalizada.

O texto aborda as dificuldades na comunicação entre hospitais e familiares de pacientes internados por COVID-19. “Produzir uma reportagem com estudantes de todo o Brasil de forma colaborativa foi um desafio. Nosso tema foi complexo e muitas pessoas desistiram ao longo do caminho. Então, adaptamos a pauta, que antes era de jornalismo de dados, e nos viramos para entregar no prazo. Foi uma experiência muito bacana”, analisa ela, que garante que o texto será finalizando em breve.

Todas as reportagens produzidas pelos 10 grupos de estudantes que participaram da premiação podem ser conhecidas no site http://jovemjornalista.org.br/reportagens-produzidas/.

Edição: Thereza Marinho

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