Pesquisadores identificam variantes genéticas associadas à covid longa 

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Sueli de Freitas

Um artigo envolvendo pesquisas realizadas no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia  (PPGBiotec) da Ufes e publicado no final de julho na Frontiers in Medicine aponta que determinadas variantes genéticas podem estar associadas ao desenvolvimento da covid longa. Entre os autores do artigo, estão a professora Débora Meira, o professor Iúri Drumond e estudantes do PPGBiotec, que trabalharam em colaboração com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), o Centro de Hemoterapia e Hematologia do Espírito Santo (Hemoes) e o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), além de outras instituições.

A partir da hipótese de que a genética de um indivíduo pode influenciar sua vulnerabilidade à covid longa, os pesquisadores analisaram o DNA de pessoas que tiveram covid e compararam aquelas que desenvolveram sintomas persistentes com as que não os desenvolveram. 

Um total de 312 pessoas infectadas pelo vírus SARS-CoV-2 atendidas em dois hospitais públicos de Vitória entre novembro de 2020 e julho de 2023 participaram do estudo. Os pesquisadores fizeram o sequenciamento do exoma (análise das regiões do DNA que contêm instruções para produzir proteínas) e utilizaram técnicas de aprendizado de máquina para selecionar variantes genéticas potencialmente relevantes. 

Após a análise de mais de 650 mil variantes genéticas, foram encontradas cinco com significativa associação à covid. De acordo com os resultados, as alterações nos genes LERFS, PNKD e LIPA estão relacionadas ao aumento do risco para covid longa, enquanto as variantes nos genes HK1 e LAMB4 apresentam efeito protetor. 

Os pesquisadores também identificaram um conjunto de genes envolvidos em processos biológicos relacionados aos seguintes fatores: neuroinflamação, metabolismo energético, homeostase do cálcio, integridade da barreira hematoencefálica e organização do citoesqueleto neuronal. Com isso, sugere-seindo que a covid longa resulta da interação de múltiplas vias biológicas e fatores clínicos, e não da ação isolada de um único gene.

Sintomas persistentes

A covid longa representa um dos maiores desafios atuais de saúde pública. Embora milhões de pessoas tenham se recuperado da infecção aguda pelo vírus SARS-CoV-2, uma parcela significativa continua apresentando sintomas persistentes, como fadiga, dor, alterações cognitivas, perda do olfato, alterações no funcionamento do sistema nervoso autônomo  e comprometimento da qualidade de vida, por meses ou até anos. Os mecanismos biológicos responsáveis por essa condição ainda permanecem pouco compreendidos. 

Segundo a professora Meira, “a integração entre sequenciamento de DNA de nova geração (uma técnica moderna que permite ler e analisar muitos trechos de DNA ao mesmo tempo)  e inteligência artificial permite identificar assinaturas genéticas que podem explicar parte da enorme variabilidade clínica observada entre os pacientes”.

O estudo mostrou, ainda, que indivíduos com covid longa apresentaram pior qualidade de vida, especialmente com relação a dores, ansiedade e depressão, reforçando o impacto prolongado da doença sobre a saúde física e mental.

De acordo com o professor Drumond, “embora ainda sejam necessários estudos funcionais para validar os mecanismos biológicos envolvidos, esse estudo estabelece uma base sólida para futuras estratégias de estratificação de risco, identificação precoce de pacientes mais vulneráveis e desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para a covid longa”.

Edição: Sueli de Freitas

Revisão: Monick Barbosa

Imagem: Pixabay

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